Bi-Campeão!

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A Chegada A Casa dos Festejos O Rei de Pernambuco O Artilheiro O Operário A Mamãe da Cidade Parabéns pra Você Parabéns pra você Nesta data querida Muitas felicitadas Muitos anos de vida! Hino dos vice-campeões O...

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O maior amor do mundo

O maior amor do mundo

Finalmente chegamos. Tomei a dianteira e abri a porta do consultório para a minha mãe entrar. Era uma consulta de rotina para saber como andava a sua vista, que tempos atrás havia sido perseguida por uma discreta opacidade do cristalino. Tratei de conduzi-la a um dos assentos da sala de espera para, em seguida, me dirigir à recepção, onde trataria da burocracia que se impõe antes de qualquer atendimento médico. Depois retornei e sentei-me ao seu lado. Em nosso canto, me punha a assistir à TV, menos pelo interesse que a programação me despertava e mais pela falta do que fazer, enquanto mamãe acompanhava o movimento de entra-e-sai dos pacientes. O filme não prendeu a minha atenção por muito tempo e parei para observar minha mãe. Ela mantinha uma quietude pouco habitual e sua fisionomia aparentava cansaço. Embora os cabelos, sem a cor branca natural, buscassem deliberadamente enganar a idade, seu rosto e suas mãos já não disfarçavam tão bem a passagem do tempo. Apesar disso, mamãe conservava, quase intacta, a beleza da juventude. Mamãe sorriu, tão logo segurei a sua mão. Depois iniciamos uma conversa sobre o meu avô, um homem de generosidade extraordinária e de coração bom. À medida que ela falava, eu sentia no peito, quase me sufocando, uma saudade imensa e concluía que, em vida, talvez pela exagerada juventude, não lhe dera o valor necessário. Por isso, senti nascer em mim naquele mesmo instante o medo de acontecer o mesmo em relação à minha mãe, depois que ela se for. Com ela, não haverá o conforto de pôr a culpa na juventude excessiva, pois, desde muito moço, trago comigo, sem deixar margens à imprecisão, a gratidão por tudo quanto ela fez por mim, mas também carrego a certeza inabalável de não ter lhe dado em retribuição nem sombra do que recebi. Por isso, levado por uma força irresistível, lembrei-me dos tempos de criança, de meter-me em febre de quarenta graus e de tê-la ao meu lado durante toda a madrugada velando e cuidando de mim. De atravessar a cidade sobre os seus ombros, apesar do peso dos meus nove anos, em busca de um cirurgião-dentista que retirasse a raiz de um dente mal extraído, que de tanta dor não me deixava pisar o chão. De vê-la enfrentar condições adversas para me guiar e me dar a educação que jamais tivera. De ver suas mãos divinas...

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Tabus existem para ser quebrados

Tabus existem para ser quebrados

Santana Moura, especialista em psicologia do Esporte Outro dia lá íamos nós, eu e minha amiga Valéria (Assistente Social), por uma comunidade da periferia, ladeira abaixo acompanhando o curso de um córrego à procura do difícil endereço de uma família, que deveria ser atendida por nós (equipe Psicossocial). Enquanto nos equilibrávamos por entre as pedras eu ia dizendo: “estás vendo Valéria, qual é a pesquisa ou pesquisador que passa por uma área assim pra saber qual o time que a pessoa torce? Também não vai aos morros, nem alagados onde repousa, com muita força, grande parte da torcida coral.”. Pois bem, até algum tempo atrás se presumia que a imensa torcida tricolor seria formada apenas pelos menos favorecidos. Esta crença se espalhou em nosso meio, tendo se acentuado quando meu conterrâneo o também tricolor, José Nivaldo Junior, ao microfone de uma grande emissora de TV, defendeu a tese de que Pernambucano não comportava três forças clubísticas a competirem entre si no mercado futebolístico. No dia seguinte, começaram as piadas e pragas, alegando que o Santa Cruz iria desaparecer e sua torcida se reuniria com a do Náutico para formar a “Triconáutico”. Na época, era tempo de fusões em meio às reengenharias de empresas nacionais e internacionais, instigadas pelo capitalismo. Tudo indicava que seria este o nosso destino. Pouco a pouco sem apoios, sem patrocínios, alijado de participar do bolo de benesses do Clube dos 13 e, diferentemente dos pseudo-irmãos, O Mais Querido acelerou a queda de série em série, até chegar ao fundo do poço. Nosso estádio foi encolhido e interditado, começava, então, a tentativa de exclusão mais cruel do nosso futebol. Para deixar bem claro, aqui, o conceito de exclusão de que falamos nos reportamos a Pablo Gentilli, ferrenho crítico do mercantilismo na educação. Esse autor argumenta que há três modalidades mais comuns de exclusão: 1) Supressão completa de uma comunidade por expulsão ou extermínio (Colonização – holocausto). 2) Exclusão por mecanismo de confinamento e reclusão (Leprosos, loucos, anciãos, deficientes, até algum tempo atrás), uma crueldade sem precedente. 3) Segregar, incluindo (sem-teto, inimpregáveis, crianças de rua, etc.). Esses podem conviver com os incluídos, só que em condições inferiorizadas, sendo esta uma forma invisível de excluir. Nesses termos, não tenhamos dúvidas de que sofremos uma tentativa de extermínio. Não se via notícia nas manchetes de jornais ou destaques nos programas de rádio ou TV sobre o nosso clube, mas...

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Na final, afinal!

Na final, afinal!

Combinamos, Paulinho e eu, de assistir ao jogo do Santinha juntos no Arruda. Temos características similares, conversamos pouco e observamos muito a partida. Por isso, quando Nó Cego me ligou se convidando para ir conosco, considerei a sua companhia indesejada, pois tenho me esforçado para ver o trabalho de Zé Teodoro com bons olhos – o esquerdo é bem melhor do que o direito, pois é com ele que, depois da cirurgia de miopia, passei a enxergar longe – e queria ir a campo para dar o meu sincero apoio à equipe coral, pois, por amor ao Santa Cruz, intuí que havia chegado a hora de dar uma chance à paz, ao menos na reta final do Campeonato Pernambucano. Com Nó Cego por perto, é impossível agir como um genuíno torcedor de arquibancada, apoiar incondicionalmente o time e vibrar com a vitória, ainda que magra, com um gol de mão do juiz. Além de tudo, com ele, corro perigo. Nó Cego sempre se mete em confusão e, invariavelmente, sou eu quem paga o pato. Saí de casa arrastando, pela coleira, Dalila – uma cachorra de rua da raça Chihuahua que peguei para criar e que tem complexo de superioridade, mas morre de medo de cobra – porque Nó Cego queria utilizá-la como cão-guia, já que o seu morrera acidentalmente em um jogo do Santinha no Arruda, depois que seu dono foi tirar satisfação com integrantes de uma torcida organizada. Provavelmente esta tenha sido a razão para que Dalila, quando soube do papel que lhe caberia, tenha dado um pique lascado para debaixo da cama e só tenha saído de lá tão logo eu enfiei um mastro de uma vassoura no seu rabo. Contornado o problema, Dalila pôs-se a andar toda arreganhada em direção à porta e seus olhos quase saltaram da cara assim que Nó Cego, ao avistá-la, fez-lhe um carinho com a gentileza de um estivador. Depois de Nó Cego chamar de ridícula a peruca da minha cachorra e rirmos um bocado, saímos em direção ao Arruda. Nó Cego me chamou de fresco assim que eu comprei um ingresso de cadeira cativa – “É por causa do meu reumatismo”, expliquei inutilmente – e exigiu que, por causa do inconveniente, eu comprasse um para ele também. Comprei o ingresso contrariado, me sentindo com cara de trouxa, e partimos para as cadeiras. Nó Cego arrastava Dalila em rédea curta, enquanto...

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Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz no Campeonato Pernambucano de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Zé Teodoro viverá uma crise existencial: tem que botar o time para frente, mas prefere jogar na retranca. Assim, o time entrará com três zagueiros, quatro volantes, um meia e dois atacantes. Para resolver a equação, botará a defesa no ataque e o ataque na defesa.  Dênis Marques jogará no gol e ganharemos o jogo com um gol de mão de Thiago Cardoso aos quarenta e oito do segundo tempo, obviamente, depois de uma jogada confusa na área adversária. Placar: Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro Artur Perrusi O jogo estava 2×0 para o Santa. Faltando 10 minutos, o desastre, falha do goleiro e do zagueiro (não preciso dizer os nomes). Pena. Placar: Santa Cruz 2 x 2 Salgueiro Paulo Aguiar O Santa jogará o futebol de sempre. Confuso, sem esquema tático, chutões da zaga para o ataque. O retrato da série D se repetirá. Mau futebol e um resultado milagroso. Em um lance fortuito, na metade do primeiro tempo, um jogador prata-de-casa fará o gol da vitória. Placar: Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro Nó Cego A gente tem tudo para tomar na jaca: um técnico retranqueiro, uma defesa que é uma baba e um goleiro mão de lodo. Vamos ser desclassificados pelo Salgueiro e ainda ter que aturar Zé Teodoro na Série C. Placar: Santa Cruz 1 x 2 Salgueiro Ducaldo Pitaco de quem tentou adivinhar a escalação, entender o raciocínio teodoriano e não sabe absolutamente o que está escrevendo. Placar: Santa Cruz 3 x 1...

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