Em busca da verdade

Em busca da verdade

Desde o final da Série D, parte da torcida coral se polarizou em torno de Zé Teodoro. De um lado, a defesa de um técnico que ganhou um Campeonato Pernambucano e classificou a equipe para a Série C, depois de um longo e tenebroso inverno de maus resultados. Do outro, embora se reconheça os resultados alcançados, também se desconfia da capacidade de seu estilo de jogo ultra-defensivo em levar o Santa Cruz aonde a torcida deseja e, por isso, crê que sua permanência no Arruda tem prazo de validade. Há outras razões para gostar ou desgostar do trabalho de Zé Teodoro, mas a proposição deste artigo não exige este nível de abordagem, mesmo porque o técnico não é o pivô da minha dissertação. As diferenças de pontos de vista são apenas contrapontos de ideias e, sobre essa ótica, salutares e necessárias. O problema reside quando há demonstração de dificuldades de convívio com a opinião contrária e o debate toma o caminho da intransigência. Neste aspecto, deixa-se de lado a defesa de um ponto de vista para assumir a defesa da verdade, entendida aqui como aquilo que é ou existe iniludivelmente. Assim, ocorre o fenômeno da intolerância, onde quem não compartilha da mesma ideia está sujeito ao patrulhamento e à discriminação. De um lado, evoca-se a burrice e o desconhecimento do futebol; do outro, as vozes dissonantes são taxadas de corneteiras e, no cúmulo da intolerância, é posto em dúvida o sentimento de amor ao Santa Cruz. Nos dois casos está implícito o desejo de se apossar da verdade como se dela dono fosse e, não raramente, a força impositiva desta vontade se esconde na precariedade dos argumentos e na busca da desqualificação do debatedor. Não é de hoje que se busca a verdade, também é de longe que vem a intolerância. Na Antiguidade, por exemplo, a verdade prevalecia na crença de deuses mitológicos. O filósofo Sócrates, ao cunhar a célebre frase eu só sei que nada sei, onde reconhecia a sua própria ignorância e partia dela para iniciar a verdadeira busca do saber, provocou, com seus métodos contrários à verdade de seu tempo, o poder constituído e foi levado a julgamento sob a acusação de não crer nos deuses da cidade e de corromper a mocidade. Por essa razão, foi condenado à morte. Na Idade Média, após a queda do Império Romano e com a chegada dos nobres e...

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A vitória da covardia

A vitória da covardia

Meu vizinho de garagem veio me mostrar, todo orgulhoso, um gigantesco adesivo magnético com o escudo do Santa Cruz. O adorno se destaca em seu não menos gigantesco carro preto e chama a atenção de quem cruza o seu caminho. Disse que havia comprado por uma pechincha e sugeriu que eu fizesse o mesmo, mas embora tudo que tenha as cores do Santa Cruz me hipnotize, recusei a sua gentil oferta. A culpa, respondi, está na violência gratuita que inviabiliza demonstrações amáveis de preferências esportivas nas ruas da cidade. Ontem, por exemplo, fui ao jogo sem a camisa d’O Mais Querido, com receio de alguma confusão depois da partida. Não deu outra, uma briga se formou nos arredores da Avenida Norte e só não sei dizer se foi um encontro de torcidas ou se envolveu apenas torcedores de um dos clubes. Contudo, volto à conversa com o meu vizinho. Dias antes do clássico, perguntei-lhe se estava confiante na vitória. Apesar de toda a empolgação com os símbolos corais e a fase atual, respondeu que qualquer placar era possível, mesmo com o time dos Aflitos descendo a ladeira. Em primeiro lugar, disse ele, por razões óbvias: clássico é clássico, seja lá em que circunstâncias os dois times se encontrem. Em segundo, porque, a despeito do melhor momento do Santa Cruz, tudo dependeria da formação e da postura que o time de Zé Teodoro iria adotar diante do Náutico em sua própria casa. Meu vizinho tinha razão. Ontem, assisti à vitória da covardia. Vi, em campo, um time que se propôs, desde o primeiro segundo de jogo, a ficar no zero a zero e, por sorte, achou um gol. Até compreendo a opção tática de jogar nos contra-ataques, já que, na teoria, o Náutico, na Série A do campeonato brasileiro e com mais dinheiro, portanto, teria uma elenco mais forte do que o nosso. Entretanto, não foi isso o que vi. Assisti ao meu time basicamente abdicar de jogar. Não me recordo do meio-campo ganhar um rebote sequer ou de uma jogada trabalhada ou ainda nada que se parecesse minimamente com futebol. Não sei quanto tempo o adversário ficou com a bola nos pés, sei que não perdemos o jogo pela inegável eficiência do sistema defensivo – desconsiderando, é claro, o risco de um gol iminente, através do jogo aéreo em nossa área – e também pela total incapacidade ofensiva do...

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Santa Cruz 3 x 2 Araripina

Santa Cruz 3 x 2 Araripina

Assista aos gols de Santa Cruz 3 x 2 Araripina pela 18ª rodada do Campeonato Pernambucano Coca-Cola de Futebol 2012. Micro-ficha: Jogo: Santa Cruz 3 x 2 Araripina Classificação atual: 2º colocado (provisório) Local: Arruda, Recife, Pernambuco, Brasil Público: 21,685 Renda: R$...

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O repórter cara-de-pau!

O repórter cara-de-pau!

Depois da desclassificação do Santinha na Copa do Brasil, da distribuição de tapas na torcida, durante o treinamento do time profissional, e da declaração de Zé Teodoro de que Léo não estava comprometido, o Torcedor Coral despachou o despachado Paulo Peroba, o repórter cara de pau, para o Arruda, a fim de apurar os fatos da semana para, em seguida, enviá-lo à agradável cidade de Belo Jardim, com o objetivo de acompanhar a equipe coral na cobertura de mais uma rodada do campeonato pernambucano. Sobre as lapadas no toutiço de que foi alvo um grupo de tricolores na realização de um protesto nas sociais, durante o treinamento comandado por Zé Teodoro, nosso repórter cara de madeira apurou que o presidente está em São Paulo, onde acompanha a esposa em tratamento de saúde, alheio, portanto, à troca de gentilezas entre torcedores e seguranças. Apesar disso, considerou oportuno ouvir a declaração de algum dirigente sobre o assunto e saber quais providências foram tomadas pelo clube. Vários diretores conseguiram escapar de Peroba, mas ele pegou na carreira Rodolfo de Orleans, Diretor Musical do Santa Cruz, que, forçado, deu a seguinte declaração: “Nossa torcida não é a mais apaixonado do Brasil? Então… tapa de amor não dói, não é verdade?” Para testar a teoria do dirigente, Peroba deu-lhe um tabefe no pé do ouvido e depois perguntou com carinho se, além de vermelha e inchada, sua cara também doía. “ Tá doendo, não, porra!”, declarou amavelmente o dirigente. Peroba também ouviu o agressor do Arruda, pois, como bom repórter, quis publicar a sua versão dos fatos, por mais idiotice que pudesse parecer. Depois de dar-lhe um peteleco na orelha, deu início a seguinte entrevista: Paulo Peroba — De onde vem essa mania esquisitona de bater? Agressor do Arruda — Ah, desde criança sempre tive vontade de bater em gente, mas mamãe não deixava. Como não consegui entrar para a polícia, por causa do exame psicotécnico, vim dar a minha humilde colaboração ao Santa Cruz. No Arruda, realizei meu sonho. Peroba — Mal elemento, você é ou não é funcionário do clube? Agressor do Arruda – Mais ou menos… Peroba — Se explica melhor, corno velho. Agressor do Arruda — Sou e não sou… é que estou mais para amigado. Nosso repórter aproveitou a visita ao clube para ouvir Léo, volante metrossexual, cujo técnico o acusou de descomprometido. O jogador não queria falar, mas...

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Customização do Santa Cruz

Customização do Santa Cruz

Santana Moura, especialista em Psicologia do Esporte Nestes tempos pós-modernos, de realidades fluídas, muito se tem usado a palavra customização com o propósito de procurar atender as necessidades de clientes, cada vez mais exigentes, e até surpreendê-los. Assim, na esfera comercial, customizar significa adaptar, modificar elementos originais para personalizá-los e deixá-los com a cara do freguês. É mais uma bandeira hasteada pelo neoliberalismo no processo de globalização que nos atingiu. A ideia é “pensar globalmente e agir localmente”. Tomando por base essa premissa e diante de mais um desastre que atingiu a nós, torcedores corais, penso que não é mais possível esconder que o treinador do Santa Cruz usou este conceito, o tempo todo, na condução da equipe coral diante de diferentes adversários. O problema é que talvez os seus gurus, ou suas leituras não tenham conseguido esclarecê-lo, a contento, sobre o espírito da coisa (perdoem a má palavra) e, então, ao invés de surpreender positivamente a torcida santacruzense com vitórias e mais vitórias, ele só fez desagradar, desagradar e desagradar, mesmo quando conseguiu o acesso à série C com duas derrotas humilhantes. Longe de atender às necessidades da família tricolor do Arruda, ele foi afastando um a um os jogadores que caíram nas graças da torcida e customizando o time ao seu gosto. Ainda na série D, ao que tudo indica, o treinador procurou minar o trabalho de Jeovânio, um gigante durante o campeonato pernambucano. Observei que logo após o rapaz ter sido eleito capitão do time pela torcida coral caiu em desgraça; ele passou a escalá-lo de forma errada, comprometer seu trabalho. O que dizer de Renatinho, uma unanimidade entre os apaixonados pelo Santa. O garoto não tem tido a chance de alcançar a titularidade, mesmo já tendo demonstrado inúmeras vezes a sua competência. A bola da vez é o Leo que é escalado na pressão, mas colocado pra jogar de formas as mais variadas o que deve estar dando um nó em sua cabeça. A contratação de Carlinhos Bala, em desacordo com a imensa torcida tricolor, foi só pra dizer quem mandava lá. Diferentemente da tendência globalizante aludida, o detentor do poder máximo nas Repúblicas Independentes do Arruda tem customizado o time, mas ao agrado dos adversários. Alguns deles, jogando o popular feijão com arroz, tem imposto resultados vergonhosos para nós. Cada partida um time, cada time uma partida, este é o seu lema. Ignora, o...

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