Faltou competência ou sorte?

Faltou competência ou sorte?

O Santa Cruz perdeu. Essa, sim, foi a novidade. O futebol foi o mesmo apresentado nas partidas contra o Campinense-PB, Náutico (na Arena), Uniclinic, Central, Belo Jardim. A diferença é que, desta vez, não conseguimos impedir a derrota. Foi falta de qualidade técnica ou falta de sorte? Para mim, um misto das duas coisas.

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Primavera entre os dentes

Primavera entre os dentes

Desde a primeira derrota para o Sport nesta temporada que não piso no Arruda. Mais que isso, fiquei absolutamente alheio ao Santa Cruz. As conversas, os símbolos e as cores já não me seduziam como antes. Menos ainda o desejo de ir a campo, assistir a um jogo e torcer por uma vitória. O Santa Cruz — não é fácil admitir — já não movia tanto os meus passos. Já não associava o domingo aos jogos do meu time, nem acompanhava as partidas pelo rádio ou televisão ou torcia fervorosamente pelas vitórias que longe levam nossos sonhos corais. No Arruda, fez-se inverno. Nunca fui torcedor de resultados e sempre estive com o Santa nos bons e maus momentos, por isso, pode parecer estranho tão visível apatia. Esta indolência formou-se, contudo, na oscilação do time, na falta de perspectivas de mudança a curto e médio prazos, no risco de fracasso no ano do centenário, no retrocesso. Consolidou-se, por fim, na série de derrotas para o Sport nesta temporada. Não se pode ganhar todas, é verdade, mas é preciso ter brio sempre. Há na apatia uma forma indireta de discordância, como uma oposição passiva; no silêncio, um meio de recusa, quando a resignação é quase uma revolta. A omissão, em certas circunstâncias, apontam que algo se quebrou. No caso do Santa Cruz, a queda na média de público no Arruda era proporcional ao desencontro no futebol. O protesto silencioso das arquibancadas escancarou, assim, tremenda insatisfação. O Santa Cruz de ontem reencontrou seu futebol. Jogou com dignidade, superou a adversidade do retrospecto recente e deu sinais de que por aí pode vir bom tempo. O público ainda não foi bom, mas já deu sinais de que a torcida quer se reencontrar com seu time. Também aguardo ansioso esse reencontro. Basta o time mostrar que para sair desse inverno é preciso segurar a primavera entre os dentes. Primavera nos dentes Secos e Molhados Quem tem consciência para ter coragem Quem tem a força de saber que existe E no centro da própria engrenagem Inventa a contra-mola que resiste   Quem não vacila mesmo derrotado Quem já perdido nunca desespera E envolto em tempestade, decepado Entre os dentes segura a...

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Ao pé do rádio

Ao pé do rádio

Começo essas mal traçadas linhas reconhecendo que ouvir um jogo do Santa Cruz pelo rádio é uma grandíssima merda. A locução acelerada nos dá sempre a impressão que a partida transcorre em altíssima velocidade e contribui significativamente para causar distúrbios cardíacos. Se no estádio sempre mantenho uma tranquilidade budista, ao pé do rádio, morro de ansiedade e tenho constantes crises de taquicardia. Quando o locutor narra a jogada de maneira alucinante, fico com a impressão que o time adversário parte sempre com a bola, do goleiro ao atacante, na velocidade de um Fórmula 1. — Viu o pique que o atacante deu? — Não. Só ouvi o barulho do motor. Enquanto penso que a bola ronda perigosamente a área do meu time, lá atrás, o goleiro adversário ainda troca passes com o zagueiro. É a chamada ilusão auditiva, corolária da ilusão de ótica. É caso de ouvir para crer. Todo jogo decisivo, penso eu, deveria ser transmitido pelas emissoras de televisão. Haveria, em meu modo de ver, intervenção do Ministério da Saúde na programação da TV para minimizar os riscos de morte súbita no sofá. Afinal, a televisão é ou não concessão do Estado? — Interrompemos a nossa programação normal para transmitir o jogo entre Betim e Santa Cruz, de acordo com a Lei nº 5.860/2013 e Portaria nº 2536/2013 do Ministério da Saúde. Não morri neste domingo, porque não era dia de morrer. Ficava imaginando as bolas sobrevoando nossa área, o gol perdido por Siloé e a defesa milagrosa de Tiago Cardoso. — Corta essa porra! Atacante fela da puta! Ão, ão, ão, meu goleiro é paredão! Seja lá como for, com ou sem sofrimento, o fato é que vencemos. Um a zero, placar miudinho, aos dois minutos de jogo. Não teve pressão que tirasse a nossa vantagem. Vica, é bem verdade, criticou a atuação do time. Teria sido, segundo suas próprias palavras, o pior jogo sob o seu comando. Fico feliz com esse discernimento. Estava acostumado a ver o time jogar uma porcaria e ouvir o técnico tapar o sol com a peneira insistindo que tudo tinha sido uma beleza. Melhor assim. Autocrítica e bom senso não fazem mal a ninguém. Domingo largarei o rádio de mão, pois é dia de estádio lotado. Sessenta mil é pouco, se o Arruda não encolher. Serão sete anos decididos em um só jogo, o mais importante desde a nossa sequência...

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The quenguers

The quenguers

Sou um “quenguer” ou, pelo menos, faço parte dessa gangue. Seria um termo anglo-saxão que significa: “o tricolor que está puto e não aguenta vexame e humilhação, e que jura que não vai mais ao jogo, nem a pau, não vai pra essa porra nem a porra, etc e tal, e finda indo ao… jogo”. Tecnicamente, sofre de ato falho, tem falha de caráter, uma dependência mórbida, uma fixação passional, e por aí vai. Sim, sou um quenguer. E somos legião, o que é muito doido, cá entre nós. Depois do segundo gol do esquadrão do Baraúnas, eu me mandei do estádio. Não quis nem saber. Não fui o único, podem ter a certeza. Foi a massa coral inteira. Aliás, um espetáculo fúnebre, ver aquela masssa silenciosa e cabisbaixa saindo do Arruda. Felipe mesmo, o irmão falante de Dimas, já no intervalo do primeiro tempo, estava enfurecido. Foi mijar naqueles banheiros nauseabundos, pegou o beco e findou foi mijando no banheiro de casa. Eu saí chutando lata e dizendo que não voltava ao Arruda, enquanto SB estivesse no cargo. No domingo, era um juramento sagrado. Peguei até uma faca e fiz um risco de sangue no pulso. E jurei com sangue: nem morto! Não vou, não vou, e priu! Na segunda, era uma promessa; terça, ainda resmungava e notava que o risco já cicatrizara, não dando nem pra notar — o sangue parecia ketchup; na quarta, estava meio apático, sem saber o que fazer. Não tinha vontade de ir ao jogo. Ou tinha?! Não sei… Só sei que estava sorumbático e alheado do mundo. Foi então que recebi um telefonema. Era Dimas. _Vai ao jogo? _Jogo? Você não disse que não ia mais? _Pois vou… Dimas é um “raipariguer”, uma facção radical dos quenguers. Diante do desafio, era-me impossível não aceitá-lo. Sim, vou ao jogo. Por motivos insondáveis, fiquei feliz feito pinto na merda. Já ficara com o baile que a Coisa tinha levado dos coelhos. Era só sorriso, embora nutrisse a esperança de que Dedé fosse escalado no time. Mas o fato, aquela alegria toda, chamou a atenção de minha mulher, uma anarquista da Barbie. _Vai ao jogo, amoreco? No equilíbrio conjugal, “amoreco” é uma expressão bem irônica, do tipo “ah, é?”. Não tente, caro amigo, pois só as mulheres têm a arte de dizer “amoreco” com ironia. _Vou, sim! E enchi o peito de orgulho. Aliás, não...

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Sandro pode dar certo?

Sandro pode dar certo?

Quando converso com os amigos, sempre defendo a tese de que o Santinha é incompreensível. Digo que mesmo Tirésias, o adivinho cego da antiga Grécia, teria um colapso profético, se tentasse predizer o futuro de nosso clube. E olhe que Tirésias era um protegido de Zeus, possuindo o dom da adivinhação. Imaginem, então, um mortal comum tentando pressagiar o que acontece no Santinha — acho-o inescrutável. Dimas mesmo, depois da quinta garrafa, diz que vê vultos e vozes, mas é incapaz de perscrutar como seria o dia de amanhã no Mais Querido. Seria imprevisível, randômico, aleatório, errático, inesperado demais. Até a teoria do Caos não dá conta do Clube do Santo Nome. O Efeito Borboleta não funciona no caso de uma cobra coral. E o coeficiente de Lyapunov é mil vezes maior do que 01 — não sei o que significa, mas sei que é muito grave. Não há verdade no Arruda. A ilusão é a única realidade e a certeza, a grande impostora. Em suma, o Santinha estaria além da capacidade de compreensão dos zerumanos. Por isso, talvez, os tricolores enlouqueçam quando se tornam dirigentes do clube. Há algo lá, talvez medonho, bem lovecraftiano, que deixa todo mundo doido de pedra. Naquela piscina, sim, naquela piscina tem algum monstro tentacular com poderes telepáticos. Muitos foram os que se banharam naquelas águas turvas e despirocaram — há boatos de que Edinho, o demente, tomava banho ali nos dias de Lua cheia. Não consigo pensar naquela piscina sem estremecer com as possíveis criaturas que, neste exato momento, esfregam-se e se espojam no leito lamacento. Estremeço ao imaginar que tais seres arrastam para o fundo, com seus tentáculos fétidos, tricolores endoidecidos pelo pandemônio universal do nosso clube. O Arruda seria um lugar de horrores, eis o meu medo — o reino da insensatez. E digo que só alguns — muito poucos, apenas os escolhidos — seriam capazes de contar o que há nos subterrâneos do Arruda (não sabiam? O Arruda tem cavernas, rios e lagos secretos; ah, sim, tem catacumbas, lotadas de beneméritos). Porque, caros amigos, o que os dirigentes fazem no Santinha não pode ser catalogado propriamente como burrice, e sim como, parece-me notório, a mais completa loucura. Claro, a loucura pode dar certo. E tem dado algum resultado. É incrível, mas é veraz. O tricampeonato está aí para comprovar a tese de que gestos tresloucados podem trazer conquistas. Afinal,...

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