Volta ao lar

Arte: Dimas Lins Meu coração ficou em festa Minha alma sorriu contente Junto comigo um mar de gente Um povo humilde que alegria empresta Veio velho, moço e criança Havia negros, pardos e brancos Foram tantos abraços e sorrisos francos Que uma nação se acendeu de esperança Num guardanapo escrevi um poema Enquanto um homem recitava Neruda Tanta homenagem recebeu o Arruda Que até o gramado cheirava à alfazema Nando Cordel fez um verso alumbrado O Véio Mangaba se apresentou com esmero Canibal do Devotos com um ódio sincero Getúlio cantou mais um frevo rasgado Bacamarteiros davam tiros para o ar Enquanto o povo na arquibancada aplaudia Os fogos transformaram a noite em dia E um imenso clarão fez o Arruda brilhar Voltei para casa com uma certeza inconteste Pois atinei quando vi o Arruda mais moço Lembrei que ontem estava no fundo do poço E agora levanta o Terror do Nordeste ————————————————–*————————————————— Santa Bowl Manoel Valença Lá para o lado dos states, os gringos inventaram um tal de super Bowl, que nada mais é do que a final do campeonato de futebol americano deles. Esse evento é esperado e especulado durante todo o ano, e, detém quase todos os recordes de audiência da televisão americana. O evento é composto por um show num palco montado no próprio estádio e depois disso, pelo jogo em si, sempre cercado de tensão, ansiedade e nervosismo e, antes que eu me esqueça, sempre os estádios estão impecáveis e lotados. Não sou muito fã de americanos, mas, os sobrinhos do Tio Sam sabem mesmo como fazer um show, como vender um espetáculo. Por tudo isso, eu imaginei nosso jogo contra o Central como sendo o Santa Bowl. Exatamente como eles, estávamos com o estádio cheio, tínhamos um palco montado para os shows, jogo cercado de tensão, estádio impecável, destaque na programação nacional de dois canais abertos e um fechado, enfim, quase tudo igual, a única diferença é que o Super Bowl é uma final, o Santa Bowl foi o começo de tudo. Não há palavras para nos descrever. Vi meu pai chorando 45 minutos seguidos por amor ao Santa, dei umas cinco lapadas na cara de minha esposa para ir ao jogo recém-operado da venta e garanto que muitos outros tiveram outras histórias de sacrifício simplesmente para não perder a festa. Nós, torcedores do Santa Cruz, merecíamos um novo verbo nos dicionários da...

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É a paciência, estúpidos!

Calma, que chegaremos lá! _Paciência é uma virtude. Disse-me um velhinho, justamente  no momento que eu dava chutes numa máquina automática de refrigerantes. Colocara duas moedas na sacana, e nada, necas de pitibiriba do refrigerante. _Paciência, uma ova! E meu dinheiro?… Quando dizia “dinheiro”, o refrigerante caiu da máquina. Olhei o velhinho e ofereci meu melhor sorriso. E o velhinho me recitou: “Aprendi a respeitar as idéias alheias, a deter-me diante do segredo de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar. E já que estou em veia de confidências, faço uma ainda, talvez supérflua: detesto os fanáticos com toda a alma” (frase de Bobbio – TC é mais do que Cultura. É en-tre-te-ni-men-to!). _Beleza… _E digo mais – disse o velhinho perigosamente empolgado, pois empolgação de velhinho acaba com os ouvidos – sabe qual é o defeito dos fanáticos?! _Não… (porra, será que pensa que sou um fanático?!) _A pressa! Depois dessa invectiva, o velhinho olhou-me de cima a baixo, com algum desprezo, devo dizer, e se mandou. Ainda bem, pois não aguentaria muito tempo escutando sabedoria. Diante da ponderação e do bom senso, geralmente me deprimo. Além do mais… não era que o velhinho tinha razão!? Sou sim um fanático. Pelo Santinha, claro, o único fanatismo pacífico que encontrei até agora. Mas… e a paciência?! Será que tenho paciência no futebol? Com os cartolas, por exemplo? Há alguns lugares onde a baixeza própria à sociedade brasileira se acumula e se condensa. O futebol, certamente, é um desses locais de alta condensação de sacanagem. São lugares que nos levam a experimentar o caráter absurdo da enrascada na qual nos metemos. Quando olho o futebol pernambucano, tenho o sentimento de impotência e perplexidade. Bem, até acho isso tudo uma experiência crucial, que poderia inclusive ser didática, se existisse alguma oposição que fosse digna desse nome ou pessoas menos acomodadas com o poder. O mundinho de nosso futebol é tão pesado e intolerável que, dificilmente, alguém se anima a investigar o alcance de seus desmandos ou a especificar as bandalheiras reinantes com a paciência e a determinação necessárias. Não custa nada repetir que esse mundinho patrocina uma tolerância e uma simpatia no jornalismo esportivo, a ponto de desanimar qualquer espírito minimamente crítico. Acho que o velhinho iria gostar do parágrafo acima; afinal, ele não parecia de forma alguma um fanático, embora fosse contundente. Mas, e a...

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Abstinência

Vou dizer uma coisa, antes que me arrependa. Digo isso, dessa maneira, antes de dizer qualquer coisa, porque quando a gente já começa dizendo uma frase assim é sinal de que vai se arrepender mesmo. E logo eu – por que não me arrependeria? – que tenho um sentimento de culpa que pesa uma tonelada, talvez mais que uma tonelada, quando digo uma coisa que não devia. Mas vou dizer, porque disse antes que ia dizer e não fica bem agora ficar calado ou voltar atrás. Por esses dias, cheguei a pensar que andava com algum distúrbio mental ou com qualquer outra deficiência psíquica que o valha. No começo, não dei muita bola, o que foi uma grande besteira, evidentemente – comprovo isso, porque senti na pele – pois sempre há que se cuidar em primeiro lugar das coisas da alma, depois a gente cuida do resto, mas a força moral do espírito, essa mesma, que impulsiona a gente pra frente, que nos dá equilíbrio, deve mesmo vir em primeiro plano. Falo assim, porque um sujeito ruim da cabeça terá mais dificuldades que um homem são em fazer algo de útil na vida. Não que os inúteis não tenham lá suas utilidades, mas daquilo que penso e digo – não sei se falo com clareza – que é o que importa agora, não tem qualquer serventia. Tempos atrás, não muito distante – ao contrário, bem recente, muito próximo mesmo – certamente, atribuiria essa condição, de achar que estava ficando meio tantã, abilolado das idéias, a uma indisfarçável baixa estima provocada por forças obscuras que povoaram nossas repúblicas na mesma época em que elas deixaram de ser independentes. E foi por isso, não por outra razão, pelas forças obscuras que povoaram nossas repúblicas, que elas deixaram de ser independentes. Na ocasião, tinha sonhos horríveis com seres estranhos, de hábitos estranhos, de corpos estranhos, com cabeças tão desproporcionais que eu pensava – juro que pensava – como alguém tão desproporcional assim pode se equilibrar em pé? Mas não era isso o que eu queria dizer, pois tão-somente pretendia traçar um paralelo – e que paralelo – com a loucura provocada pela baixa estima de antes e com essa coisa ruim que sinto agora. No tempo das coisas ruins – não a coisa ruim de agora, mas aquela de antes – péssimas mesmo, eu tive uns surtos de loucura, uns ataques repentinos,...

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Textículo

  Seguro morreu de velho. Estou numa fase igual a todo mineiro. Quieto no meu canto, presto atenção a tudo e a todos e tento, lupa na mão, ler nas entrelinhas. Nesse meu observatório, dois fatos me chamaram a atenção esta semana. O primeiro deles foi a notícia que vem circulando na mídia local que “alguns líderes políticos” estão insatisfeitos com a redução do número de conselheiros propostos por Fernando Bezerra Coelho. O engraçado é que nenhum veículo de comunicação citou os nomes desses “líderes políticos”. Coincidências a parte, acho que nossa imprensa esportiva de besta não tem nada. Fica uma sensação estranha no ar de que nesse mato tem coelho. E garanto que não é o Fernando Bezerra. O segundo foi o artigo de Jomar Rocha, Diretor de Futebol do Santa Cruz, publicado no dia 18/09/2008 no Blog do Torcedor (leia aqui), do rubro-negro Marcelo Cavalcante. Aliás, Cavalcante foi um dos jornalistas – o primeiro, possivelmente – que jogou suspeição sobre a legalidade da candidatura de FBC (leia aqui). Sob o título infeliz de “Intervenção governamental?”, Jomar, como é mais conhecido, defende em seu texto que não é essa a questão. Na prática, intencionalmente ou não, o que o diretor faz, de fato, é chamar atenção para um problema que não existe, causando apenas polêmica. Basta ler os comentários do artigo. Ah, Jomar! Não bastou eliminar o Santinha da Série C? Ainda bem que essa gestão acaba logo, logo. Ai, meu “textículo”...

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A quinta carta

Os Meninos estão muito preocupados com a próxima eleição para presidência do Mais Querido. Preocupados demais. Sei que eles têm razão, sei o quanto é importante que a gente não tenha mais coisinhas miúdas arrasando aos poucos com nosso ideal. Sei de tudo isso, mas juro que não consigo ficar insone, por mais que eu tente (embora confesse nunca ter tentado). Sou uma mulher incrédula, é isso. O único salvador da Pátria em quem eu acreditei foi reeleito com meu voto, e taí até hoje para provar a quem quer que seja que não existem salvadores da Pátria. A Pátria que se resolva por si só. No entanto, estou muito preocupada com os Meninos. Vivendo no meio político há pelo menos 15 anos, o que eu concluí foi que eu não tenho mais direito de ser inocente, de declarar que fui iludida, essas coisas. Só que futebol é diferente. Futebol vive mesmo de ilusão (já que a gente não tem gol mesmo), vive de expectativa, de torcida, de paixão (alguns títulos também não vão mal nesse cardápio, mas tudo bem). Como gosto muito dos Meninos, juntei toda a minha incredulidade e minhas moedas, lotei o carro de amigas encalhadas, tomei coragem e fui. Segui a rota natural dos desesperados, busquei explicações e soluções no sobrenatural. Já havia tentado antes no catolicismo e na umbanda, e nenhum deles ofereceu uma resposta clara. Apelei para o biscoitinho da sorte chinês e tudo o que ele me revelou foi que “a coragem é uma virtude; a felicidade, uma meta; dinheiro é tudo, e o resto é bobagem” – enigma que eu não consegui decifrar diante da minha singela pergunta: “O que será do futuro do meu santinha?”. Ah, preciso confessar (ai, que vergonha!) que também apelei para a “sorte do dia” do Orkut. Fiz a pergunta (sempre a mesma, acerca do futuro do tri-tri-tricolor), acessei minha página e li, horrorizada, o vaticínio: “Visitantes recentes: Dena & Jurandi, Alberto Pereira, Ivonete Nogueira, Milton Junior, O CHACAL* euripedes, lelo e flavia arôxa. Sorte de hoje: A vontade das pessoas é a melhor das leis” (Orkut, 05h13 da matina de 17/09/2008). Estou enrolando, enrolando, mas a verdade é que procurei uma taróloga. É isso mesmo. A mulher era tão boa nisso que cobrava R$ 50,00, mas depois que leu as quatro primeiras cartas, previu logo a minha dura realidade de torcedora e me cobrou apenas...

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