Entrevista: Antônio Luiz Neto

Entrevista: Antônio Luiz Neto

  Durante boa parte da gestão passada, por mais de um ano, o Torcedor Coral tentou, sem sucesso, entrevistar Fernando Bezerra Coelho, presidente do Santa Cruz. A tentativa ocorreu em diversos momentos de sua administração, tanto no início, quando o então presidente ainda gozava do respeito, da simpatia e da esperança de nossa equipe, quanto no meio, a partir do momento em que o TC se tornou um ferrenho crítico de sua apavonada e decepcionante gestão. Nossa tentativa de entrevistá-lo ocorreu indiretamente, através de diversos interlocutores – desde a sua assessoria de imprensa, sua secretária no gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, diretores do Santa Cruz, Presidente do Conselho Deliberativo e tantos outros – e diretamente com o próprio Fernando Bezerra Coelho, que chegou a marcar a entrevista conosco, mas não compareceu nem nos deu qualquer explicação. A partir daí, desistimos de tentar dar voz ao presidente coral. O fracasso de FBC à frente do Santa Cruz, associado aos fracassos das gestões anteriores, criou um anticorpo no Torcedor Coral, que optou em não tomar partido na última eleição. As escolhas pessoais dos nossos editores e cronistas ficaram restritas ao âmbito privado. Esse preâmbulo é necessário para esclarecer a posição política de neutralidade do Torcedor Coral em relação a esta gestão, embora considere mal esclarecidos os fatos ocorridos na última eleição. Entretanto, isso são águas passadas. Hoje, depois da conquista do título de campeão pernambucano, consideramos que o momento é de reconhecimento de um trabalho bem realizado. Semana passada, mais precisamente horas antes do jogo decisivo contra o Sport, mantivemos o primeiro contato na tentativa de entrevistar Antônio Luiz Neto. Ao contrário da gestão anterior, a resposta veio rápida e positiva. Na quinta-feira passada, no gabinete da presidência, Antônio Luiz Neto nos concedeu uma longa e exclusiva entrevista em que fala dos caminhos que levaram o Santa Cruz ao título pernambucano de 2011, da negociação de Gilberto, da manutenção do elenco, da ação de cambistas, da falta de ética de dirigentes de Náutico e Corinthians, da construção de um Centro de Treinamento e reforma do CT Waldomiro Silva, do projeto da Arena Coral, da campanha de sócios e muito mais. Na sala conosco diretores e muita gente aguardando para tratar com o presidente, que chegou a paralisar a entrevista por duas vezes: uma para receber o cheque da primeira de duas parcelas da negociação de Gilberto e outra...

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O fabuloso destino do Santa Cruz

O fabuloso destino do Santa Cruz

  Nota do autor: A crônica é uma adaptação do texto original O fabuloso destino do Blog do Santinha, publicado naquele blog por este autor em comemoração ao seu  aniversário de 3 anos. Em 15 de maio de 2011, o universo sofreu uma pequena transformação, imperceptível para o resto da humanidade, mas que fez nascer uma paz quente nas hostes corais. Segundo os astrônomos, sete astros se alinharam no firmamento, como só no dia da bomba de Hiroshima. Este anti-acidente, que teve início às 07h00min, atravessou a tarde, entrou pela madrugada, transformou o céu em três cores e foi responsável por pequenos eventos que culminaram com o título de campeão pernambucano de 2011. Após uma longa pesquisa, finalmente consegui reconstituir os eventos daquele dia e agora compartilho com todos vocês. Precisamente às seis horas da manhã, nascia Marivaldo, pesando um pouco menos de quatro quilos. O pai, orgulhoso, mostrava pelo vidro do berçário a primeira roupinha do Santa comprada para o guri. Próximo dali, duas horas depois, Seu Joaquim recebia uma carta de seu filho Antônio, que fora tentar a sorte em São Paulo. Na carta, Antônio mandava o dinheiro que prometera ao pai, um senhor de quase setenta anos, para que ele finalmente se tornasse sócio do Santa Cruz. Seu Joaquim, desde então, substituiu a identidade pela carteirinha do clube. Quase vinte minutos depois, num terreno baldio na Várzea, Josival, um garoto de 13 anos, era observado por um olheiro coral quando fez um gol de placa e decretou a vitória de seu time por morte súbita no torneio dos garotos do bairro. Na comemoração, ele formou um T com os braços, em homenagem ao seu time do coração. No Mercado da Boa Vista, por volta do meio-dia, Paulinho, o popular Barraca, depois de pedir um caprichado sarapatel ao dono do bar, ofereceu um gole de cachaça para o clube do Santo Nome e em seguida brindou com os amigos a alegria de ser tricolor. Já pelas quatorze horas, nas imediações do Arruda, Zezinho Peroba apostou uma grade de cerveja que o Santa seria campeão. Confiante na vitória, ele prometeu fazer sua famosa feijoada para forrar a barriga da rapaziada durante o festejo. Pouco depois das quinze horas, Nestor, um moleque recém-chegado do interior de Sergipe com o pai, entrava pela primeira vez no Arruda. Nestor passou mais de meia-hora para conseguir chegar à arquibancada e, mesmo sem...

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Contra a maré

Contra a maré

  Volto à programação normal do Torcedor Coral remando contra a maré e contrariando boa parte dos nossos leitores. Embora esteja satisfeito com o desempenho da equipe neste início de temporada, prefiro manter os pés no chão e sair da empolgação geral em que se meteu a maioria dos tricolores nos últimos jogos do Santa Cruz, para tomar uma posição mais crítica. Faço isso, pois entendo que é preciso estender o bom momento coral para o ano inteiro, pois precisamos sair da Série D. Para tanto, é preciso manter o foco dentro e fora das quatro linhas. Na minha visão, o time de guerreiros no último jogo contra o São Paulo esteve mais para um time de acanhados – apesar da forte marcação – graças à sua postura excessivamente defensiva. Evidentemente, não esperava que o Santa jogasse de igual para igual, mas mantinha a expectativa que nossa equipe jogasse fechada e explorasse os contra-ataques. Não foi o que aconteceu. Contrariando as entrevistas de Zé Teodoro no decorrer da semana, o Santa jogou todo atrás e só agrediu o adversário após estar perdendo o jogo por dois a zero, quando a vaga já estava praticamente nas mãos da equipe adversária. Não acredito que a postura tática do nosso time se deu por méritos do São Paulo. Acho que jogamos recuados por nossa própria escolha. Respeitamos tanto o São Paulo, que só jogamos sem a bola nos pés. É bem verdade que fomos prejudicados pela arbitragem, mas esse assunto já foi suficientemente explorado por todos os nossos leitores. Essa nova postura, que obriga o Santa a jogar tal qual um time pequeno, ganhou mais força na partida contra o Sport. Na ilha, apresentamos um péssimo futebol e fomos inferiores ao nosso adversário. A vitória embaçou a visão crítica dos tricolores, já que a torcida mais apaixonada do país – como diz Gerrá da Zabumba – também é a mais cega. Compreendo, evidentemente, as limitações do Santa Cruz. Entretanto, entendo também que uma coisa é jogar no contra-ataque, outra é abdicar de qualquer forma de jogar ofensivamente e se postar na defesa esperando o zero a zero desde o primeiro minuto de jogo. A mudança de postura da equipe, que sempre jogou defensivamente, mas nunca abriu mão de atacar, teve o dedo do treinador. Embora considere que Zé Teodoro tenha sido a melhor contratação do Santa Cruz em muitos anos, é impossível...

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Um bonde chamado desejo

Um bonde chamado desejo

Há algumas semanas os bastidores do futebol brasileiro pegaram fogo. A Rede Record resolveu desembolsar alguns trocados para adquirir os direitos de transmissão do campeonato nacional e provocou um epicentro no Clube dos 13. Do outro lado da briga está a Rede Globo que, por muito tempo, reinou sozinha no cenário futebolístico nacional. Pelo que entendi, a emissora carioca, embora pretendesse renovar o contrato de transmissão dos jogos, não estava disposta a bancar a oferta obscena da rival. A disputa, que poderia encher ainda mais os bolsos daqueles que formam a panelinha do futebol brasileiro, serviu para rachar o Clube dos 13. Corinthians, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Coritiba decidiram sair da entidade e negociar individualmente seus contratos com a Globo. A celeuma ganhou destaque nacional e o Diretor Executivo do Clube dos 13, Ataíde Guerreiro, acusou a emissora carioca de estar por trás do racha na entidade (leia aqui). O Clube dos 13 surgiu em julho de 1987, em razão de uma queda de braço com a CBF, para defender os interesses de vinte clubes brasileiros. Com seu nascimento, estabeleceu-se no Brasil um apartheid no fut nacional. Assim, clubes de tradição como Santa Cruz, Remo, Paysandu, Náutico, Fortaleza e Ceará tornaram-se pequenos e pobres diante dos times do sul e sudeste do país. Por falta de grana, esses clubes foram praticamente alijados do futebol brasileiro e têm atuado nas competições nacionais, quando muito, como meros figurantes. Em grande parte do norte e nordeste, a dobradinha Clube dos 13 e Rede Globo criou uma nova categoria de torcedores, os paraibacas (leia aqui o interessante artigo de Artur Perrusi sobre o assunto), que vibram com equipes distantes de suas realidades em detrimento dos clubes locais. Assim, além de criar um fosso entre as equipes brasileiras, a nova ordem gerou um problema sócio-cultural. É nisso que dá eleger um punhado de clubes em um país continental. Definitivamente, a Europa não pode ser aqui. O maior exemplo dos efeitos nocivos do Clube dos 13 está aqui mesmo em Pernambuco. Desde que ingressou na entidade, o Sport domina a cena local. Só para citar como exemplo, nas duas últimas décadas as moreninhas foram pentacampeãs pernambucanas duas vezes, enquanto o Santa Cruz abocanhou apenas quatro suados títulos. Na contramão do arqui-rival, o Santa só faz descer a ladeira e tornou-se um caso raro no mundo: caiu seguidamente da primeira para a quarta divisão. A...

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As perspectivas para 2011 de Pai do Mé

As perspectivas para 2011 de Pai do Mé

2010 foi um ano de baixos e baixos para o Santa Cruz. Lembro apenas de um momento “engana torcedor” que me fez acreditar que o time – apenas o time – teria melhor sorte no ano que se findou. Foi naquela seqüência que culminou no jogo contra o Botafogo/RJ no Engenhão. Depois daquilo, o time – o clube nunca enganou ninguém – não fez mais nada que prestasse. Depois da Retrospectiva 2010, andei conversando com Pai do Mé, Pai de Santo, cachaceiro profissional e nosso consultor para assuntos siderais, futurísticos e supersticiosos, para saber qual o nosso destino neste ano que se inicia. Pai do Mé, que queria cobrar uma taxinha simbólica de cinco mil reais, aceitou fazer a entrevista em troca de uma garrafa de cana importada das Minas Gerais. Assim, entre uma lapada e outra, Pai do Mé se abriu com a nossa equipe e falou das previsões e perspectivas para 2011. Torcedor Coral ― O senhor acredita que esse time que está se formando vai jogar bola? Pai do Mé ― Antes de qualquer coisa, me abri com sua equipe um cacete, que eu não sou frango! Meu negócio é cachaça e mulher! Mas voltando a sua pergunta, não tenha dúvida que o time vai entrar em campo e jogar bola. Agora, se vai jogar bem ou mal é outra história. Torcedor Coral ― Mas com esse time a gente pode sonhar em ser campeão pernambucano? Pai do Mé ― Meu filho, a gente pode sonhar com qualquer coisa. Eu mesmo já sonhei que ganhava sozinho na Mega-Sena da Virada e gastava tudo com mulher e cana. Pense num estrago! Torcedor Coral ― Objetivamente, o senhor acha que esse time está mais para ser campeão ou rebaixado no pernambucano? Pai do Mé ― Olha, nas minhas visões vejo claramente que esse time estará na ponta da tabela, só não está claro se é na ponta de cima ou na de baixo. Torcedor Coral ― E neste ano, o Santa vai sair da Série D? Pai do Mé ― Para sair, prevejo que a gente vai ter que entrar nela primeiro. Tudo dependerá do campeonato pernambucano, como eu falei. Se o Santa entrar, de alguma forma, terá de sair. Mas a visão não é clara, por isso, não sei se o Santa sai no início ou no fim da competição. Torcedor Coral ― O Santa vai trazer...

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