De volta aos trilhos

De volta aos trilhos

Em meio ao imbróglio que impediu o início da Série C, foi o observador e filósofo Gerrá da Zabumba quem vaticinou, ao notar a tendência dos blogues corais em escrever putarias as mais diversas, que na falta de futebol o tricolor vai levando a vida na punheta. Assim, a raparigagem correu solta e o Torcedor Coral virou casa de mãe Joana. Contudo, sou um homem pudico, daqueles que tem dificuldade em chamar palavrão até mesmo sozinho trancado no banheiro, por causa da minha paranóia de achar que aonde eu for, Deus vai atrás. Está bem, exagero, pois como todo cronista, sou de exagerar, já que é difícil ouvir, por exemplo, o nome do time da ilha da fantasia sem pensar num palavrão cabeludo, ou melhor, de peruca. Ainda assim, achei por bem trazer o blog de volta aos trilhos, deixar mulheres e crianças menos acanhadas e tratar de coisa séria. Por isso, vou falar da CBF. Não creia, caro leitor, que faço piada infame ou tripudio de sua inteligência ao associar seriedade à Confederação Brasileira de Futebol. Longe de mim. Quis apenas enfatizar a urgência do assunto, a necessidade de solução imediata, as ações que foram ou deveriam ser tomadas, a responsabilidade das partes, a tolerância dos clubes legitimamente qualificados para disputar a Série C e, é claro, a minha declaração solene de que essa mixórdia toda já encheu o saco faz tempo. Assim, abro essa humilde crônica esportiva com a boa notícia de bastidores que dá conta do início da Série C no próximo final de semana. A informação foi levantada por nosso leitor Fábio Lucas, que fez um precioso trabalho de garimpagem na internet e desde já foi eleito pelos nossos editores e cronistas, por unanimidade e antecipação, como melhor repórter investigativo de 2012. Segundo as boas línguas – ou más, nunca se sabe – a CBF e o STJD já teriam montado a estratégia para dar início a competição, qual seja, punir o Treze e ignorar a ignorante justiça paraibana. O Treze – clube brasileiro que possui a maior quantidade de doido de pedra por metro quadrado, tanto no corpo diretivo quanto na torcida – do dia para noite, virou o bode expiatório do futebol nacional. Eu mesmo, devo confessar, não vejo a hora de vê-los todos tomar no papeiro, com perdão da expressão chula. Afinal, o clube entrou na justiça comum para brigar por uma...

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Séries de quiprocós

Séries de quiprocós

Fico encabulado para escrever na entressafra de jogos do Santa Cruz, afinal, o clube é a razão de existir deste blog. Sem ele, tudo isso aqui vira fumaça. O fato é que escrever sem o Santinha entrar em campo é o mesmo que um médico clinicar sem o paciente ou um piloto voar sem avião. Não há assunto, não há inspiração, nem mesmo ânimo para rabiscar qualquer coisa que valha a pena. Porém, escrever é preciso, viver não é preciso. Assim, não tenho outro assunto a tratar que não seja a paralisação da Série C. Os prejuízos para os clubes envolvidos são altíssimos e têm consequências imediata e futura. No curto prazo, é preciso pagar salários de funcionários e jogadores, pois a maior fonte de receita dos clubes da Série C e D são as rendas dos jogos. No longo prazo, o contrato de boa parte dos jogadores se encerra na reta final da competição. Assim, cada um dos clubes corre o risco de terminar o campeonato sem suas principais peças ou fazer alguma gambiarra nos contratos para que os atletas sigam até o fim. A confusão que impediu o início das séries C e D tem dois flancos e começou em 2011. Na primeira parte, quando a CBF, ao invés de punir o Rio Branco/AC por pleitear, antes de esgotadas todas as instâncias da Justiça Desportiva, matéria referente à disciplina e competições perante o Poder Judiciário, ou beneficiar-se de medidas obtidas pelos mesmos meios por terceiro (Artigo 231 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – CBJD, cuja pena é a exclusão do campeonato ou torneio que estiver disputando e multa que varia de R$ 100,00 a R$ 100 mil) optou por fazer um acordo extra-judicial, que prejudicou o Araguaína/TO. É esta vaga que o Treze/PB pleiteia. De outra parte, o Brasil/RS foi punido por ter utilizado de maneira irregular o lateral-direito Cláudio, que havia disputado a Série C de 2010 pelo Ituiutaba/MG e sido expulso no último jogo do campeonato contra o ABC/RN. Com a perda de 6 (seis) pontos, o Brasil/RS foi rebaixado no lugar do Santo André. Foi então que o clube gaúcho, depois de esgotar todas as instâncias da Justiça Desportiva, entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e ganhou uma liminar acatada pela CBF, o que levou o clube paulista a impetrar pedido de liminar no STJD, o...

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Salvação

Salvação

Finda a temporada 2011, já lanço uma botica de olho para o ano seguinte, como quem não quer nada e já querendo muita coisa. Tenho esse negócio de não pensar demais no passado, feito uma pomba lesa, porque o futebol não vive de nostalgias. O que passou, passou, foi quase tudo muito bem, mas as conquistas são para guardar na lembrança e os troféus, no museu (onde está o museu?!) do clube. Ao pensar na próxima temporada, vem-me logo à cabeça a tranquilidade de não precisar correr atrás, já no Campeonato Pernambuco, de uma vaga para a competição nacional, mas, principalmente, que o abismo financeiro vai aumentar em relação aos nossos principais adversários locais. Os dois estão na Série A e nós, só agora, chegamos à Série C. Grana, grana, grana! É preciso, antes de tudo, pensar em grana, pois, já dizia o filósofo Falcão, dinheiro não é tudo, mas é cem por cento. Também é indispensável pensar em como manter o time coral minimamente competitivo na próxima temporada diante dos milhões da Rede Globo contra os trocados da TV Nova. Não que eu despreze o trabalho da TV pernambucana, que foi bacana, pois, apesar das inúmeras falhas, como começar a transmitir um jogo no início do segundo tempo, não posso negar que ela quebrou um galho lascado para a torcida coral nesta Série D. Por isso, mesmo ocupado em pensamentos altamente produtivos sobre como fazer para passar mais rápido os doze anos que ainda me restam para a aposentadoria e em como gastar o dinheiro da Mega-Sena, caso eu ganhe o prêmio sozinho, resolvi convocar uma reunião de emergência do Conselho Editorial e Pitaqueiro do Torcedor Coral para debater a questão. ― Se não tiver cerveja, nem me chame! – disse Nó Cego ao telefone, com o seu humor característico. Apesar da falta de futebol e de saco, todos compareceram. A cerveja, é bem verdade, atraiu mais a nossa equipe do que o assunto, já que, nessa época do ano, a gente só pensa em cachaça e confraternização, que no fim das contas é a mesma coisa. Comecei a reunião cheio de dedos, indo pra lá e pra cá, falando do tempo, perguntando se um e outro tinham dinheiro para emprestar ou pelo menos um colírio para pingar nos olhos, um melindre lascado, porque o assunto era chato e não havia nenhum Xeque árabe montado na grana, tampouco...

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Dois lados

Dois lados

Fala-se que tudo na vida tem dois lados. Um lado bom e um lado ruim. Tais generalizações são sempre perigosas, mas em se tratando do jogo ocorrido domingo, podemos tentar aplicar um exercício e enxergar os tais dois lados. Vamos começar com o lado negativo. A derrota. Por mais que o ano de 2011 tenha sido extremamente positivo para o Santa, muita gente saiu do Arruda ontem com um gosto de guarda-chuva na boca. Não que eu saiba que gosto tem isso, mas sabe aquele gosto amargo, aquele sorriso amarelo? Pareceu-me um sentimento quase unânime no estádio. Apesar de a torcida ter aplaudido no final, gritado o “Tri-Tricolor”, foi mais em reconhecimento pelo ano, não pelo resultado. E isso pode ter um impacto um pouco maior que o previsto. Terminando o ano em alta, com um título, a euforia da torcida continuaria em alta, o que poderia e deveria ser canalizado para um só lugar: Campanha de sócios. Não que não possamos fazer campanha por sócios sem o título. Claro que podemos. Mas é muito melhor fazer uma campanha com o seu público alvo apaixonado, em estado de graça, com o fechamento de um ano perfeito. Vi gente saindo do estádio extremamente chateada, gritando, revoltada. Exagero? Muito provavelmente. Mas o tal encanto perde um pouco do seu charme e perdemos mais uma boa oportunidade de capitalizar. E o lado positivo? A derrota. “Pronto. O cabra enlouqueceu de vez!” deve estar imaginando um incauto leitor. Calma que não enlouqueci (pelo menos não por enquanto). No aspecto puramente futebolístico, enxergo a derrota como positiva. Com um resultado negativo diante do escrete Tupi, numa final de campeonato, dentro de casa, caem as auras que circuncidavam as bandas do Arruda sobre treinador e elenco. Nossas fragilidades ficaram, mais uma vez, diga-se de passagem, expostas para quem quiser (e souber) enxergar. Somos gratos a todos os jogadores do elenco pelo esforço e dedicação na missão de tirarem o Santa dessa maldita Série D. Ponto. Agora nossa caminhada prossegue. E passa necessariamente por qualificação (e até reformulação) do elenco. Essa foi a lista de relacionados para o jogo de ontem: Goleiros: Tiago Cardoso e Diego Lima. Zagueiros: André Oliveira, Leandro Souza, Everton Sena e Walter. Laterais: Eduardo Arroz e Dutra. Volantes: Memo, Chicão e Mael. Meias: Renatinho, Weslley, Bismarck, Washington e Jefferson Maranhão. Atacantes: Thiago Cunha, Fernando Gaúcho, Ludemar, Kiros e Flávio Recife. Proponho um exercício. Quantos vocês enxergam vestindo o manto coral na próxima temporada? Quais realmente merecem e...

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Acertos e desacertos

Acertos e desacertos

Não deu. O primeiro título nacional do Santa Cruz, de uma sofrível Série D, não veio e ficou com a equipe que mais fez por merecê-lo durante a competição. Jogamos um bom primeiro tempo, mas o adversário soube controlar os nervos diante de um público, mais uma vez, de arrepiar e matou o jogo no desespero de um time incompetente para fazer gols. Tive uma reação tranquila, como, aliás, tenho tido a cada jogo do Santa Cruz, por já saber exatamente o que esperar do nosso time. Talvez, por isso mesmo, não despreze os resultados alcançados neste ano. Fomos campeões pernambucanos com uma equipe mais barata que os nossos principais adversários, que ainda lutavam pelo hexacampeonato: um pela conquista; o outro, em sua defesa. Aliás, nossa mérito fica ainda mais cristalino, se considerarmos que um já tem vaga assegurada à Série A e o outro está por uma peinha para chegar lá. Nas duas equipes, houve poucas mudanças do Campeonato Pernambucano para cá. Portanto, é inegável que se há de falar em superação e na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Entretanto, se não assumo ares de infelicidade, tampouco assumo ares de satisfação. O vice-campeonato desta competição não apenas é insuficiente para confortar nossa torcida apaixonada pelos anos de sofrimento, quanto alerta sobre a necessidade de mudanças de rumo na próxima temporada. A conquista de uma das vagas da Série C, também é forçoso o reconhecimento, não veio com a mesma competência do Campeonato Pernambucano. A caminhada foi sofrível, trouxe insegurança a torcedores e dirigentes e por pouco não ficamos pelo caminho mais uma vez. Ao olhar agora para trás, para um time que não sabe fazer gols, vejo como um verdadeiro milagre o empate conquistado contra o Treze, depois de uma derrota parcial por 3 a 1, em Campina Grande. Porém, o acesso, embora suado, veio. Mas aí, diferentemente do pernambucano, não há que se falar em superação, tampouco na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Se no campeonato estadual, tínhamos folha salarial inferior, na Série D fomos o primo rico da competição. É verdade, dinheiro não ganha jogo, mas ajuda um bocado. O dinheiro não resolve, quando é mal empregado, como foi o caso de inúmeras contratações para lá de medíocres realizadas pelo Santa Cruz. A competência vem do emprego eficiente dos recursos. Garantimos a vaga, mas a custo de muito sofrimento. Quanto...

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