Oxente, Aqui é Santa Cruz!

Oxente, Aqui é Santa Cruz!

    Em tempo de acirramento de ânimos, diz a voz da sabedoria que é necessário ser comedido com as palavras. Porém, não avisaram isto para o Técnico do Vasco, Joel Santana. Assim, supostamente, num misto de “poliglotismo” que misturava “portunglês” e futurismo ele teria deitado falação aos seus jogadores, avisando que, em se tratando de Santa Cruz, tinha a se salvar sua grandiosa torcida, porém, o time não ganhava de ninguém. Esqueceu-se que aqui era Nordeste e estaria em Pernambuco berço de várias lutas libertárias, portanto, terra de um povo ungido pelo espírito guerreiro. Nesse clima, sem mais delongas, ao se apresentar no campo de jogo, a equipe tricolor tratou logo de mostrar, dentro da Arena, que naquele tapete das “mil e uma noites” a contenda não seria fácil para os “sudestinos”. Os atletas foram instados a provarem para si mesmos que a pecha que lhes fora imposta era apenas mito. Apesar de Canindé ter afirmado em entrevista que não tocara no assunto com seus jogadores, por certo, neste mundo globalizado, cheio de redes e zap zap, a informação lhes chegou aos ouvidos. A resposta foi persistência do começo ao fim. O resultado foi uma vitória singular. Numa coisa concordo com Joel: a torcida coral é mesmo grandiosa e marcou presença na Arena Pernambuco como o terceiro melhor público daquela praça esportiva, só perdendo para seleções. O grito da torcida desorganizada, bagunçado ecoou por todos os lados, fez barulho, instigou. Enfrentou a arapuca de uma logística ilógica, com todas as dificuldades inerentes a quem é e se faz grande; ultrapassou os limites da paciência e alcançou o ponto mais alto da ansiedade, pois nem sentar o povo conseguia, mesmo havendo lugar para todos e todas. Por fim, um brado uníssono se ouviu: Ah! É Pernambuco! Ah! É Pernambuco. O bom disso tudo, no meu humilde entendimento, é que a equipe do Santa Cruz precisou ser fustigada de fora para acordar para a realidade, pois, por dentro do clube, de acordo com informações correntes, a ideia é que não vale a pena voltar à série A, neste ano. É como se pudéssemos nos dar ao luxo de perder oportunidades, de deixar o bonde do acesso passar batido. Convém lembrar que quando se pensa pequeno o esforço para alcançar as baixas metas é sempre menor do que o necessário para se obter o mínimo. Neste caso, é grande o risco...

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Copa do Mundo: Do Santa Cruz para a Ucrânia

Quase interminável foi o tempo que passei longe do teclado e das letras, mas o milagre da fisioterapia me trouxe de volta, justo no dia em que comemoro dois anos (02.07.12) como cronista deste Blog (TC), que nos faz rir e refleti, dando sentido à nossa jornada como “Torcida mais Apaixonada do Brasil”. Neste período, muitas coisas boas e ruins aconteceram. No momento, porém, prefiro falar das boas. Uma delas veio com a Copa do Mundo no Brasil, evento que nos fez conhecer dois profissionais da imprensa esportiva de Donetsk – Ucrânia. Pense em pessoas maravilhosas, pensaram? Assim são eles, simples, afáveis, simpáticos, sem afetação; deixaram uma saudade imensa na vida do nosso clã. Os dois foram escalados para cobrirem os jogos da Arena Salvador e da Arena Pernambuco, cidades que no passado vivenciaram uma guerra separatista à semelhança daquela que se desenrola atualmente no país de onde precedem. Hospedados na casa do meu filho, Ramsés, estas pessoas entraram na vida da família Moura para ficar. Além de conhecer nossa gente e nossa cultura, quando eles nos viram vestidos com o manto sagrado, logo se interessaram em conhecer a história do Santa Cruz, o clube das multidões. Ficaram impressionados com as estatísticas que nos colocaram por vários anos no topo do ranking de público nos campos brasileiros, sem esquecer que já estivemos em 39º lugar entre as torcidas, no mundo. Nesse cenário, nasceu uma reportagem internacional na qual os uckranianos do outro lado do mundo ficaram conhecendo como vivia uma família brasileira (representada pela nossa) e o fanatismo por um clube de Futebol – o Santa Cruz. Eles passearam pela casa filmando todos os detalhes nas três cores, no quintal, móveis, fotos, e em todos os aposentos marcados pela paixão coral. Quiseram conhecer o estádio onde, tempos atrás, a lotação teria atingido mais de 90 mil pessoas e se surpreenderam com o estado degradante daquela edificação. Maltratado, foi esta a definição mais próxima daquilo que eles perceberam, concluindo que uma torcida tão grandiosa, como a do tricolor do Arruda, não merece uma praça de esportes tão descuidada. No entanto, gostaram muito da Loja dos fãs (Santa Cruz Store), elogiando a grande variedade de artigos à venda. Viktor Sokolov e Vladymyr Konoplya, jornalistas da TV CHANNEL FUTEBOL, receberam de nós alguns presentinhos corais tais como: copinhos de cachaça, almofadas e a bandeira do Santa, empunhada com carinho pelo Viktor. Não...

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Pérolas do dia seguinte

Pérolas do dia seguinte

Acabou a centésima edição do Campeonato Pernambucano, justo em nosso centésimo aniversário e estávamos em casa vendo os intrusos na festa. Bem, não adianta em nada lamentar o passado, quero apenas pontuar algumas coisas que observei e que merecem ser ditas no dia depois do fim. 1. O pior Pernambucano dos últimos muitos anos Em minha opinião, o campeão moral desse campeonato é o Salgueiro, que com regulamento correto teria eliminado seus dois adversários na fase final. A desculpa desse regulamento ridículo é que foi decidido democraticamente pelos integrantes do campeonato no conselho arbitral. Sou a favor da democracia, mas, são 9 pequenos contra 3 grandes (aliás, 10 pequenos já que a barbie votou a favor desse regulamento), sempre os pequenos serão maioria da votação. Imaginem se ano que vem colocam as seguintes propostas: Vitória de time pequeno contra grande vale 5 pontos Derrota de time pequeno para time grande ganha 3 pontos Se a maioria votasse a favor valeria? Não seria democrático? Nove contra três. Agora imagina se a Odebrecht / Governo do Estado participassem e propusessem: Quem jogar na Arena PE ganha um ponto extra de bônus Quem colocar mais de 25 mil na Arena ganha outro ponto extra de bônus Ironias a parte, vocês me entenderam não foi? 2. Vergonha de atitude O pior que vi esse campeonato não foi a falta do título, do futebol convincente, da garra, da raça. O pior de tudo é o motivo disso e as justificativas dadas. Motivo? Todos já sabem: ruindade. Desde o começo do ano, todos os tricolores, sejam em redes sociais, blogs, mesas de bar, sociais, geral e arquibancada sabiam que um time que tem jogadores do naipe de Oziel, Memo e Pingo não iria a lugar nenhum. O único jogador contratado que considero um reforço foi Gamalho. O resto pode mandar embora. Justificativas? Bem, em me sinto enojado e feito de otário com escuto pérolas tipo: “Nosso elenco tem qualidade!” – Provou. Tem tanta qualidade que foi quarto no estadual “Estamos buscando nomes no mercado.” – Só se for no Mercado da Madalena depois das 2 da manhã! “O problema do time é psicológico.” – Que psicólogo do mundo faz o time não tomar 12 gols em clássicos? Sendo 10 de bola cruzada “Temos que resgatar nosso maior patrimônio, a torcida!” – Essa merece um vá tomar no cú bem grande. Patrimônio tratado feito gado nos...

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Maldade, inveja, vaidade e, com certeza, muita mentira

Maldade, inveja, vaidade e, com certeza, muita mentira

Sandro está de volta ao Santa Cruz – e com ele vem Sérgio Guedes para treinar o time. Depois de ter contribuído com dois títulos Pernambucanos e um acesso, Sandro deixou o Santa sem sequer receber um telefonema de “obrigado” do presidente Antônio Luiz Neto e com o clube lhe devendo R$ 50 mil. Sandro que reclamou da “falta de gratidão do presidente do Santa Cruz” é um apaixonado pelo Clube e não consegue dizer um “não” a um convite feito. Bastaram alguns telefonemas para ele voltar “ao clube que tanto ajudou e que acabou abusando” da sua boa vontade. Sandro, que alguns meses atrás afirmara que não pisava mais no Arruda pois não se sentia bem lá, ontem já foi apresentado como um gestor profissional. Sandro voltou porque, no Santa Cruz de Antônio Luiz Neto, a maldade, a inveja, a vaidade e a mentira não existem. Caso contrário, seria impossível voltar ao futebol. “… Hoje estou viajando com a familia para orlando, nos estados unidos! Mais uma vez a promessa da diretoria do santa cruz em me pagar antes da viagem furou. Normal! Se eu fosse depender desse dinheiro pra viajar tava morto! Não saía de aldeia! Pense em um futebol mentiroso é impossivel viver novamente nesse meio, pra mim acabou, acho que dei uma boa parcela de contribuição para o santa cruz estar na série B e ser tri -campeão. Agradeço a DEUS pela sabedoria, honestidade e lealdade com todos enquanto estive naquele lugar tão dificil e tão pesado para um ser humano viver. Maldade, inveja, vaidade e, com muita certeza, muita mentira isso foi o que eu vi durante a minha passagem pelo santa cruz…” Sandro Barbosa, 12 de dezembro de...

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Primavera entre os dentes

Primavera entre os dentes

Desde a primeira derrota para o Sport nesta temporada que não piso no Arruda. Mais que isso, fiquei absolutamente alheio ao Santa Cruz. As conversas, os símbolos e as cores já não me seduziam como antes. Menos ainda o desejo de ir a campo, assistir a um jogo e torcer por uma vitória. O Santa Cruz — não é fácil admitir — já não movia tanto os meus passos. Já não associava o domingo aos jogos do meu time, nem acompanhava as partidas pelo rádio ou televisão ou torcia fervorosamente pelas vitórias que longe levam nossos sonhos corais. No Arruda, fez-se inverno. Nunca fui torcedor de resultados e sempre estive com o Santa nos bons e maus momentos, por isso, pode parecer estranho tão visível apatia. Esta indolência formou-se, contudo, na oscilação do time, na falta de perspectivas de mudança a curto e médio prazos, no risco de fracasso no ano do centenário, no retrocesso. Consolidou-se, por fim, na série de derrotas para o Sport nesta temporada. Não se pode ganhar todas, é verdade, mas é preciso ter brio sempre. Há na apatia uma forma indireta de discordância, como uma oposição passiva; no silêncio, um meio de recusa, quando a resignação é quase uma revolta. A omissão, em certas circunstâncias, apontam que algo se quebrou. No caso do Santa Cruz, a queda na média de público no Arruda era proporcional ao desencontro no futebol. O protesto silencioso das arquibancadas escancarou, assim, tremenda insatisfação. O Santa Cruz de ontem reencontrou seu futebol. Jogou com dignidade, superou a adversidade do retrospecto recente e deu sinais de que por aí pode vir bom tempo. O público ainda não foi bom, mas já deu sinais de que a torcida quer se reencontrar com seu time. Também aguardo ansioso esse reencontro. Basta o time mostrar que para sair desse inverno é preciso segurar a primavera entre os dentes. Primavera nos dentes Secos e Molhados Quem tem consciência para ter coragem Quem tem a força de saber que existe E no centro da própria engrenagem Inventa a contra-mola que resiste   Quem não vacila mesmo derrotado Quem já perdido nunca desespera E envolto em tempestade, decepado Entre os dentes segura a...

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