Entrevista com o Professor Pardal

Entrevista com o Professor Pardal

O Torcedor Coral sempre teve um desejo incontrolável de ficar à beira do campo e também de participar das entrevistas coletivas, a fim de estudar a conduta de jogadores e treinador, na tentativa de buscar, através de pesquisa comprovadamente científica, compreender as razões de uma vitória ou de uma derrota. Não seria interessante descobrir, através de perguntas sinceras, por exemplo, o que motivaria um treinador a escolher essa ou aquela escalação, o esquema tático e as substituições? Não seria oportuno analisar o desempenho de uns e de outro, jogadores e técnico, e responder questões relevantes do futebol, ainda mais em tempos tão esquisitos como o que vivemos, de planos táticos ininteligíveis e escalações sem nexo, onde cem entre cem torcedores não fazem a menor ideia aonde o treinador quer chegar? Infelizmente, enquanto a mídia esportiva institucionalizada recebe lanchinho à beira do gramado, durante os treinamentos, aos blogues não são permitidas participações tão próximas do departamento de futebol. Cansados de esperar uma autorização que nunca virá, o Torcedor Coral convidou o repórter esportivo, Paulo Bocão, formados nas ruas, nos bares e nos clubes de fofoca, para furar esse bloqueio e conseguir, custe o que custar, acesso a essa turma graúda. Sua primeira missão foi conseguir uma entrevista exclusiva com o técnico coral, a quem ele, como todo torcedor, chama carinhosamente de Professor Pardal. De tocaia na saída do estacionamento do Arruda, Paulo Bocão bloqueou o veículo do treinador com um carrinho de mão utilizado na reforma de sua garagem, que agora terá banheiro privativo e sala de chá, e conseguiu essa entrevista exclusiva. Paulo Bocão – Professor, o senhor fez algum teste psicotécnico para ser treinador do Santa Cruz? Professor Pardal – Claro que não. Por que a pergunta? Paulo Bocão – É que suas escalações, substituições e esquemas táticos não fazem sentido nenhum. Professor Pardal – Tudo isso faz parte de um planejamento estratégico que o senhor, por não ter formação no futebol, não tem condições de compreender. Paulo Bocão – É por causa desse planejamento estratégico que os jogadores tiveram quase dois meses de férias? Professor Pardal – Sim. Está provado que o repouso é necessário para a recuperação física do jogador. Paulo Bocão – Não é por isso que esse time é descansado demais em campo, não? Professor Pardal – Pretendo deixar o time ainda mais relaxado com uso de outros meios avançados da medicina esportiva. Quero...

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Minha Cobra

Minha Cobra

O Santa Cruz e o frevo sempre andaram bem juntos, sentaram à mesma mesa, beberam no mesmo bar. Irmãos Valenças, Capiba, Nelson Ferreira, Ademir Araújo, Braúlio de Castro, Maestro Forró, Spok, Antônio Carlos Nóbrega, Getúlio Cavalcanti, Edy Carlos, André Rios, Bubuska Valença, entre tantos outros, nos dão essa certeza. Em Pernambuco não faltam blocos e troças reverenciando o Santa. Somos sim, os mais apaixonados, criativos e irreverentes! Batemos um rápido papo virtual com alguns cartolas da Troça Carnavalesca Mista Minha Cobra para saber como andam os preparativos para o carnaval. Para quem ainda não conhece, a Minha Cobra é uma troça que sai no carnaval de Olinda, arrastando a multidão ao som de muito frevo. Perguntamos de onde surgiu a ideia de fundar uma troça para sair no carnaval de Olinda. Gerrá, um dos fundadores, nos explicou. “Em 2005, estávamos tomando uma em Olinda. Era final de novembro. O Santa Cruz havia subido pra Série A e o carnaval já batia na porta. Aí, alguém deu a ideia da gente fundar uma troça só de tricolores. O nome surgiu rápido: Minha Cobra. E ficou a fuleiragem. Fulano, tu vai sair na Minha Cobra. Ei, sicrano, no carnaval tu vai pra Minha Cobra. Nessa brincadeira, eu dei a sugestão da gente fazer uma cobra gigante e sair pelas ladeiras”. Outra curiosidade que tínhamos era de saber como é que se faz para botar um bloco na rua, no que diz respeito aos custos. “Nossos maiores custos são a orquestra e os carregadores da Cobra. São cerca de 30 músicos, regidos pelo Maestro Carlos, que é tricolor. Já a cobra é carregada por 15 pessoas. Pra fechar a conta, confeccionamos camisas para vender no carnaval, e no final do ano passado fizemos uma rifa”, esclareceu Robson Sena. Aproveitamos o embalo do assunto, os custos, e perguntamos se a turma já pensou em fazer Jantar de Adesão.  Gerrá foi curto e objetivo na resposta. “Rapaz, jantar de adesão, não. A gente até já pensou em fazer um munguzá, sarapatel, sururu… Mas nenhum de nó sabe cozinhar porra nenhuma! Mas indo nesta linha de jantar de adesão, sorteio e outras coisas, fizemos a rifa. E no bloco, qualquer um pode brincar? Perguntamos a Claudemir que é responsável pelo setor de articulação da Minha Cobra. “Claro. É como diz a letra do hino da Troça, tem cobra pra todo mundo. “Tem cobra pra leão,...

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Xô, Seridê!

Xô, Seridê!

Vulcão Tricolor (Mestre Forró e Orquestra da Bomba do Hemetério) A ressaca do acesso ainda é braba e o fígado não deixa o cérebro funcionar a todo vapor. Por isso, por enquanto é só comemoração. Amanhã, já sem a sensação de ter engolido um guarda-chuva, a gente volta com a programação normal. Enquanto isso, fique com as notícias do acesso coral no Brasil e no mundo. Brasil Bom dia Brasil SporTV Jornal Nacional R7 Terra Esportes Folha de São Paulo O Globo O Globo 2 Estadão Sport Clube Bahia Juca Kfouri Exterior Romênia França Espanha Portugal Inglaterra Argentina Se você sabe de mais algum link no Brasil ou no exterior que vale a pena destacar, coloque na seção de comentários que a gente adiciona a...

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Entrevista: Antônio Luiz Neto

Entrevista: Antônio Luiz Neto

  Durante boa parte da gestão passada, por mais de um ano, o Torcedor Coral tentou, sem sucesso, entrevistar Fernando Bezerra Coelho, presidente do Santa Cruz. A tentativa ocorreu em diversos momentos de sua administração, tanto no início, quando o então presidente ainda gozava do respeito, da simpatia e da esperança de nossa equipe, quanto no meio, a partir do momento em que o TC se tornou um ferrenho crítico de sua apavonada e decepcionante gestão. Nossa tentativa de entrevistá-lo ocorreu indiretamente, através de diversos interlocutores – desde a sua assessoria de imprensa, sua secretária no gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, diretores do Santa Cruz, Presidente do Conselho Deliberativo e tantos outros – e diretamente com o próprio Fernando Bezerra Coelho, que chegou a marcar a entrevista conosco, mas não compareceu nem nos deu qualquer explicação. A partir daí, desistimos de tentar dar voz ao presidente coral. O fracasso de FBC à frente do Santa Cruz, associado aos fracassos das gestões anteriores, criou um anticorpo no Torcedor Coral, que optou em não tomar partido na última eleição. As escolhas pessoais dos nossos editores e cronistas ficaram restritas ao âmbito privado. Esse preâmbulo é necessário para esclarecer a posição política de neutralidade do Torcedor Coral em relação a esta gestão, embora considere mal esclarecidos os fatos ocorridos na última eleição. Entretanto, isso são águas passadas. Hoje, depois da conquista do título de campeão pernambucano, consideramos que o momento é de reconhecimento de um trabalho bem realizado. Semana passada, mais precisamente horas antes do jogo decisivo contra o Sport, mantivemos o primeiro contato na tentativa de entrevistar Antônio Luiz Neto. Ao contrário da gestão anterior, a resposta veio rápida e positiva. Na quinta-feira passada, no gabinete da presidência, Antônio Luiz Neto nos concedeu uma longa e exclusiva entrevista em que fala dos caminhos que levaram o Santa Cruz ao título pernambucano de 2011, da negociação de Gilberto, da manutenção do elenco, da ação de cambistas, da falta de ética de dirigentes de Náutico e Corinthians, da construção de um Centro de Treinamento e reforma do CT Waldomiro Silva, do projeto da Arena Coral, da campanha de sócios e muito mais. Na sala conosco diretores e muita gente aguardando para tratar com o presidente, que chegou a paralisar a entrevista por duas vezes: uma para receber o cheque da primeira de duas parcelas da negociação de Gilberto e outra...

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O fabuloso destino do Santa Cruz

O fabuloso destino do Santa Cruz

  Nota do autor: A crônica é uma adaptação do texto original O fabuloso destino do Blog do Santinha, publicado naquele blog por este autor em comemoração ao seu  aniversário de 3 anos. Em 15 de maio de 2011, o universo sofreu uma pequena transformação, imperceptível para o resto da humanidade, mas que fez nascer uma paz quente nas hostes corais. Segundo os astrônomos, sete astros se alinharam no firmamento, como só no dia da bomba de Hiroshima. Este anti-acidente, que teve início às 07h00min, atravessou a tarde, entrou pela madrugada, transformou o céu em três cores e foi responsável por pequenos eventos que culminaram com o título de campeão pernambucano de 2011. Após uma longa pesquisa, finalmente consegui reconstituir os eventos daquele dia e agora compartilho com todos vocês. Precisamente às seis horas da manhã, nascia Marivaldo, pesando um pouco menos de quatro quilos. O pai, orgulhoso, mostrava pelo vidro do berçário a primeira roupinha do Santa comprada para o guri. Próximo dali, duas horas depois, Seu Joaquim recebia uma carta de seu filho Antônio, que fora tentar a sorte em São Paulo. Na carta, Antônio mandava o dinheiro que prometera ao pai, um senhor de quase setenta anos, para que ele finalmente se tornasse sócio do Santa Cruz. Seu Joaquim, desde então, substituiu a identidade pela carteirinha do clube. Quase vinte minutos depois, num terreno baldio na Várzea, Josival, um garoto de 13 anos, era observado por um olheiro coral quando fez um gol de placa e decretou a vitória de seu time por morte súbita no torneio dos garotos do bairro. Na comemoração, ele formou um T com os braços, em homenagem ao seu time do coração. No Mercado da Boa Vista, por volta do meio-dia, Paulinho, o popular Barraca, depois de pedir um caprichado sarapatel ao dono do bar, ofereceu um gole de cachaça para o clube do Santo Nome e em seguida brindou com os amigos a alegria de ser tricolor. Já pelas quatorze horas, nas imediações do Arruda, Zezinho Peroba apostou uma grade de cerveja que o Santa seria campeão. Confiante na vitória, ele prometeu fazer sua famosa feijoada para forrar a barriga da rapaziada durante o festejo. Pouco depois das quinze horas, Nestor, um moleque recém-chegado do interior de Sergipe com o pai, entrava pela primeira vez no Arruda. Nestor passou mais de meia-hora para conseguir chegar à arquibancada e, mesmo sem...

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