Administração do caos

Como qualquer tricolor, andei com minha cabeça lá pelas tabelas por causa da eliminação do Santa Cruz da insignificante Série D. Mas aviso que isso já é passado e agora me volto para as coisas que interessam. Gostaria de aproveitar meu tempo escrevendo sobre o Santa, da beleza que é nossa torcida e todo aquele blablablá legal e bonitinho, mas considero essas coisas miúdas demais ou de nenhum significado no momento presente. Até porque nada disso já me traz qualquer tipo de satisfação. Prazer nenhum. Desculpem-me os eloqüentes amantes do clube, mas também não estou nem aí para a Copa Pernambuco, que na minha cabeça, não serve de laboratório coisíssima nenhuma, nem para qualquer outra coisa que se aproveite. Dar atenção a esse tapa-buraco significa acostumar-se a coisas pequenas e eu sou torcedor do Santa Cruz, não do América, com todo respeito que o América merece. Se o clube quiser agir como time pequeno, jogando em usinas para descobrir novos craques, como mal disse o filho do lendário James Thorpe – como se nós ainda vivêssemos nos anos setenta – que vá procurar outro torcedor para torcer, que este aqui tem mais o que fazer da vida. Quero mesmo é provocar o presidente, no sentido de estimular, e tirá-lo da situação cômoda – pode não parecer, mas é – que ele se encontra hoje. Afinal, fomos eliminados da Série D, e FBC parece inatingível, como a Rainha da Inglaterra. Por isso, vamos falar do que interessa, vamos sacudir a poeira e colher tempestade. Outro dia, junto com meus botões, estava me perguntando qual o legado que FBC deixará para o Santa Cruz. Fora a reforma do Arruda, que se perderá com o surgimento da Cidade da Copa, pois com o novo estádio o Arruda ficará em segundo plano em Pernambuco (isso é assunto para outro artigo), não consigo pensar em mais nada. Alguém certamente perguntará sobre o Santa Fidelidade e a nova loja do clube. Eu diria, digo e direi que o Santa Fidelidade ainda não é realidade, pois a arrecadação através do site é pífia. A diretoria, ao que parece, acredita em contos de fadas e também que a torcida vai chegar junto para pagar as mensalidades sem campanha de sócios e sem a bola rolando dentro do campo. Quanto à loja, se não houver vendas, certamente fechará as portas. Enfim, nem um nem outro ainda estão consolidados....

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Fé cega, faca amolada

Está aberta a temporada de caça às bruxas no Arruda. E os diretores de futebol do Santa Cruz são as joanas d’arc da vez. O pau anda cantando solto e não há em um só canto da cidade um tricolor que não queira queimá-los vivos em praça pública. Em grupos organizados, certamente alguém trará a madeira; outro, o fósforo; e mais outro, a gasolina. Aliás, álcool, se a fogueira for flex. Os diretores, em vão, tentarão soprar as fagulhas, mas só ajudarão a fazer o fogo se espalhar ainda mais rápido. Outro dia na rua, dei de cara com uma turba louca de tricolores querendo apedrejá-los. Comovido – é verdade que passei colírios nos olhos, mas foi só para dar mais dramaticidade à cena – olhei para os céus e bradei com a voz esganiçada o apelo milenar “Senhor, perdoai! Eles não sabem o que fazem!”. Na primeira pedrada no juízo, tirei o time de campo e antes que fanáticos corais me arrancassem a pele, gritei “queima, queima!”. Melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso, já dizia o filósofo Falcão. Estou vivo, mas ainda não tive notícias do tal diretor. É verdade que os diretores de futebol têm sua parcela de culpa, mas a César o que é de César. Por isso, como Caetano, vou contra a via, canto contra a melodia e nado contra a maré, pois sinto um cheiro de carne humana assando e um jeitão de injustiça no ar. Mas antes de escrever, abro precavidamente o meu guarda-chuva e não direi que aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra, pois sei que voarão tijolos sobre mim. Na abertura da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, FBC assumiu a responsabilidade pelo fracasso na Série D. “Eu sou o responsável”, disse o presidente. Eu acredito nele. Não, não. Eu concordo com ele. Não é retórica, juro que não é. Primeiro, porque não tenho razões para duvidar do presidente e, em segundo lugar, porque ele, em última instância, é mesmo o maior responsável. Não digo o único, é claro, mas certamente é o principal responsável. A diferença entre FBC e os diretores de futebol é que o presidente recebeu o perdão da torcida, do conselho e da imprensa, enquanto o colegiado está sendo execrado em praça pública. Eu não consigo entender essa lógica. Ou melhor, entendo sim, a lógica da culpabilidade. Esse raciocínio perverso tem três aspectos. O...

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FBC voltou de férias

Assisti com atenção, através de vídeo, a entrevista coletiva do presidente coral esta semana. Embora tivesse recebido o convite da Assessoria de Imprensa do Santa Cruz, não pude comparecer à FPF para ouvir a fala presidencial. Estive doente. Ainda estou. Dor de garganta, secreção nasal e forte dor de cabeça. Aos leitores mais solidários, tranqüilizo-os dizendo que, apesar dos sintomas comuns, descarto a possibilidade de gripe suína. Aprendi que toda gripe vem acompanhada de febre. Como não estive nem estou febril, não tenho gripe de qualquer espécie, seja ela animal, vegetal ou mineral. Mas dizia que assisti à entrevista de FBC. A princípio estranhei a sua realização na FPF, pois fosse o que fosse que ele tivesse para dizer à torcida coral, que dissesse na sede do clube, lugar onde até as paredes sentem a sua falta. Depois compreendi que a essência de sua fala tinha relação com a sua visita à Federação Pernambucana de Futebol. Diante da inimaginável possibilidade de uma desclassificação tão prematura, ao voltar dos Estados Unidos FBC foi pedir apoio a Carlos Alberto, o bode-rouco mais odiado da torcida coral, para evitar um jogo de comadres na última rodada entre Central e Sergipe. O ato do presidente – embora muitos tricolores tenham acessos de raiva só de pensar – tentava corrigir, na minha visão, um erro estratégico: menosprezar a FPF e a força política de Carlos Alberto. O Santa já perdeu algumas batalhas para a FPF na gestão de FBC. Quem não lembra, por exemplo, do nó tático de Carlos Alberto Oliveira na escolha da fórmula de disputa do campeonato pernambucano deste ano? Na política, quando não se pode vencer o inimigo, às vezes, alia-se a ele, embora um olho fique no padre e outro na missa. A política – e isto também é válido para a sua prática no futebol – é a arte de engolir sapos. Neste caso específico, bodes. Carlos Alberto gosta de afagos e, por isso, já foi logo avisando que garante a classificação do Santa. Apesar de retórica, não duvido nada. Faz tempo que as partidas de futebol são também jogadas fora do campo. Tanto assim que mal terminada a reunião com FBC, Carlos Alberto recebeu em sua sala a visita de Ronaldo Lima, presidente do Central. Também não foi obra do acaso que Fernando Bezerra Coelho parece ter tirado da cartola um velho truque do futebol: a mala preta....

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Um elefante chateia muita gente…

Daqui, sairá uma Cidade… Gadiel Perrusi (Provocando um debate sobre a Copa) Doze elefantes chateiam, chateiam, chateiam muito mais… Nenhum amante do futebol deixaria de gostar que uma Copa do Mundo de Futebol fosse realizada no Brasil. Bem…er… se a CBF fosse uma instituição séria. Se nosso futebol fosse organizado. Se nossos estádios fossem confortáveis. Se a violência dentro e fora dos estádios, inclusive nas quatro linhas do gramado, não fosse tão alarmante. Se nossos governantes não fossem demagógicos e prepotentes. Se nossas cidades tivessem uma infraestrutura razoável, com saneamento básico, água e luz para todos. Se houvesse até pobreza, mas não miséria. Se nossos estádios de futebol fossem locais de lazer aprazíveis. Se a bandidagem não imperasse nos centros urbanos mais populosos do país. Se, se, se… Contudo, os recentes Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio, mostraram que nossos líderes políticos não passam, em geral, de belíssimos demagogos, oradores de palavra fácil e de poucas realizações. A promessa pública de que o Pan seria financiado pela iniciativa privada e de que nenhum centavo público seria gasto não passou, na verdade, de pura enganação. Até hoje, por pressões políticas, o TCU ainda não apresentou o seu relatório dos gastos com o Pan. E por que o TCU entra nessa história? Justamente porque nossa elite é uma das mais rapinantes do planeta e não fez o que, falsamente, havia prometido, isto é, o financiamento privado dos Jogos. Quando os prazos se esgotavam, Nosso Líder confessara ao seu atoleimado Ministro dos Esportes: “a coisa vai sobrar pra gente!”. E sobrou! O Estado teve que arcar com despesas enormes, as empreiteiras enriqueceram um pouco mais, alguns dirigentes se locupletaram, as favelas cariocas foram cercadas para não horrorizar os poucos turistas que vieram assistir aos Jogos, os equipamentos esportivos, prometidos para reversão em benefício da população (é sempre a mesma desculpa!) estão obsoletos e mal conservados, como o Engenhão, a imponente piscina olímpica e os apartamentos construídos para os atletas visitantes, por exemplo. Mas, enfim, obtivemos algumas medalhas! E ficaram os “elefantes brancos”, como verdadeiras medalhas oferecidas ao povo brasileiro. A Copa do Mundo de Futebol tem o mesmo desenho cafajeste do Pan. Algumas estradas serão maquiadas com finas camadas de asfalto (rezemos para que não chova tanto!), alguns buracos das vias urbanas desaparecerão, mesmo temporariamente e por apenas um ou dois meses, os bandidos serão afastados dos locais turísticos (os “acordos” serão, certamente,...

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O primo rico

Sempre escutamos, independente do campeonato que se esteja disputando, que existe um abismo financeiro entre as equipes. Sempre falamos que a divisão de receitas e cotas é injusta e que fica impossível que um campeonato seja disputado de igual para igual, com jogos entre os primos ricos e os primos pobres. Pois bem. Estava um dia desses pensando exatamente nisso. Teria uma equipe do nordeste condições de disputar uma série A contra equipes do sul? Será que, por isso, todas as equipes do clube dos 13 que caem para a segunda divisão são promovidas no ano posterior a queda com um pé nas costas? Sinceramente, acho que sim. É muito mais fácil fazer futebol quando se tem dinheiro. Mas o que danado isso tem haver com nosso Santa? Usando a mesma analogia, é impossível não pensar que somos o primo rico da série D. Temos os maiores patrocínios, o maior estádio, teremos as maiores rendas, a maior torcida, temos a maior arrecadação. Se não vejamos umas contas simples: Renda do Jogo Brasil x Paraguai (li que 10% é nosso, considerando 50 mil ingressos a um preço médio de R$ 50,00) : R$ 250 mil; 15 mil do Todos Com a Nota (R$ 4,00 por ingresso, 7 jogos no arruda) : R$ 420 mil. Sem contar patrocínios, rendas dos jogos, arrecadação de sócios, cadeiras e camarotes, somando apenas esses dois itens, teremos R$ 670.000,00, para um campeonato de 5 meses, o que daria apenas nos dois itens acima mais de R$ 130 mil reais por mês. Tenho lido que a folha de pagamento do Central e do Sergipe será de R$ 50 mil, e que o CSA que pretende “investir pesado” no acesso a série C (até para apagar a vergonha se ser rebaixado no alagoano) terá uma folha de R$ 100 mil. Ainda é difícil pensar que somos o primo rico? A situação financeira dos times da série D é tão ruim que quem vai completar nosso grupo é nono colocado de um estadual (CSA) e o quinto de outro (Central). Os que estavam mais bem colocados não tinham condições nem de viajar de ônibus para os jogos. Certo, já me convenci que somos mais ricos. Mas, se usarmos a mesma desculpa que usamos para dizer que não podemos disputar de igual para igual o Pernambucano, teoricamente nossos concorrentes não podem disputar de igual para igual conosco. Somos favoritos?...

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