A Arena Coral volta ao páreo

Os pernambucanos somos mesmo megalomaníacos. Entre outras coisas, temos – ou tínhamos, não sei – orgulho de ter o maior Shopping Center da América Latina, a maior avenida em linha reta do país, que é a Caxangá,o maior carnaval do mundo e outras coisas do gênero. Agora, por causa da Copa do Mundo de 2014, o governo do Estado de Pernambuco pretende aumentar esse rol ao construir o maior elefante branco no meio do mato do Brasil. Eita, mania de grandeza! Creio que neste caso especificamente o projeto esteja alinhado principalmente a interesses políticos, afinal, são as obras que ficam mais visíveis em qualquer administração pública, seja ela federal, estadual ou municipal. Eu, que não tenho nada a ver com a política oficial, fico imaginando o que acontecerá depois da copa, quando a vida voltar ao normal e nem clubes nem torcedores quiserem botar os pés no meio do nada. Felizmente, de uns dias para cá, ressurgiu com força a possibilidade de retomada do projeto Arena Coral. O jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria no dia 02 de outubro deste ano, onde Felipe Jens, presidente da Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura – OII, afirma que a empresa avalia as reformas dos estádios do Maracanã (Rio de Janeiro), Pituaçu (Bahia), Arruda (Pernambuco) e Verdão (Mato Grosso) para a Copa do Mundo de 2014. O detalhe é que nem o Pituaçu, nem o Arruda fazem parte dos planos oficiais para a copa no Brasil. Embora a própria Odebrecht, através de sua assessoria de imprensa, tenha enviado nota oficial para desmentir o conteúdo da matéria publicada no Estadão, a notícia caiu como uma bomba na imprensa pernambucana. Em minha opinião, há uma boa chance de ter havido uma saia justa do governo estadual com a Odebrecht, entre o tempo decorrido com a entrevista de Felipe Jens e a nota oficial da construtora, pois geralmente onde há fumaça, há fogo. E há mesmo fumaça. Tanto assim que Eduardo Esteves, responsável juntamente com seu pai, Reginaldo Esteves, pelo projeto da Arena Coral, declarou ao jornal Folha de Pernambuco, em 20/10, que “o projeto Arena Coral é independente, mas acaba sendo mais uma opção (…) inclusive, dois diretores da Odebrecht, designados pelo próprio Felipe (Jens), estão vindo ao Recife para realizar uma reunião conosco”. Alguns rubro-negros e alvirrubros, segundo o mesmo jornal Folha de Pernambuco, admitem que a reforma do Arruda seja a melhor...

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Se conselho fosse bom…

Desde a semana passada estive fora de Recife, resultado de compromissos profissionais nos dias úteis misturados a uma boa oportunidade de descanso no feriadão. Por isso, só ontem pude ler o convite para a reunião solene de comemoração de um ano do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva. Não fui à reunião – aliás, uma das raras vezes que estive ausente – por questões pessoais, pois minha esposa tinha prova na faculdade e eu fiquei em casa cuidando da minha filha. Mesmo assim, fiquei em casa matutando com meus botões tricolores: comemorar o quê, afinal? Não sei dizer. Está bem, está bem, estou sendo muito severo. Afinal, voltamos a ter a voz ativa no Conselho. Comparado a um passado recente onde o presidente do órgão deliberativo costumava agir com a sutileza de um tiranossauro numa loja de cristais e mantinha os conselheiros longe da tribuna, isto, sem dúvida, é um avanço e tanto. Também, é preciso que se reconheça, que o atual presidente deu seguimento – e sempre foi atendido pelo Executivo – aos pedidos de esclarecimento dos conselheiros sobre os atos daquele poder. Ainda assim, não é difícil chegar à conclusão que, tal qual o Executivo, o Conselho Deliberativo também deixou a desejar. O órgão político do clube vem perdendo sistematicamente a oportunidade de cumprir seu principal papel neste ano, qual seja a modernização do estatuto. Possivelmente até dezembro não haverá um novo regulamento institucional aprovado, o que significa dizer, entre outras coisas, que a transparência do próximo pleito dependerá mais uma vez da boa vontade do Executivo. Embora não haja razão para acreditar que FBC, por suas virtudes democráticas, siga a mesma linha de seus antecessores e só publique a lista de sócios às vésperas da eleição, nada disto minimiza a atuação do Conselho, que não fez – e não vem fazendo – a parte que lhe cabe. Entre as razões, podemos citar a ausência de boa parte dos conselheiros nas reuniões ordinárias. O desaparecimento dos membros do órgão deliberativo ocorreu na mesma medida em que o time coral apresentou resultados pífios dentro de campo. Tenho a impressão que se o Santa ainda estivesse jogando a Série D, o auditório continuaria lotado. A última reunião do conselho, por exemplo, contou com um pouco mais de vinte participantes. Além disso, diante de tanto trabalho a fazer, não faz sentido insistir em apenas uma reunião mensal. O próprio presidente...

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Fé cega, faca amolada

Está aberta a temporada de caça às bruxas no Arruda. E os diretores de futebol do Santa Cruz são as joanas d’arc da vez. O pau anda cantando solto e não há em um só canto da cidade um tricolor que não queira queimá-los vivos em praça pública. Em grupos organizados, certamente alguém trará a madeira; outro, o fósforo; e mais outro, a gasolina. Aliás, álcool, se a fogueira for flex. Os diretores, em vão, tentarão soprar as fagulhas, mas só ajudarão a fazer o fogo se espalhar ainda mais rápido. Outro dia na rua, dei de cara com uma turba louca de tricolores querendo apedrejá-los. Comovido – é verdade que passei colírios nos olhos, mas foi só para dar mais dramaticidade à cena – olhei para os céus e bradei com a voz esganiçada o apelo milenar “Senhor, perdoai! Eles não sabem o que fazem!”. Na primeira pedrada no juízo, tirei o time de campo e antes que fanáticos corais me arrancassem a pele, gritei “queima, queima!”. Melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso, já dizia o filósofo Falcão. Estou vivo, mas ainda não tive notícias do tal diretor. É verdade que os diretores de futebol têm sua parcela de culpa, mas a César o que é de César. Por isso, como Caetano, vou contra a via, canto contra a melodia e nado contra a maré, pois sinto um cheiro de carne humana assando e um jeitão de injustiça no ar. Mas antes de escrever, abro precavidamente o meu guarda-chuva e não direi que aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra, pois sei que voarão tijolos sobre mim. Na abertura da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, FBC assumiu a responsabilidade pelo fracasso na Série D. “Eu sou o responsável”, disse o presidente. Eu acredito nele. Não, não. Eu concordo com ele. Não é retórica, juro que não é. Primeiro, porque não tenho razões para duvidar do presidente e, em segundo lugar, porque ele, em última instância, é mesmo o maior responsável. Não digo o único, é claro, mas certamente é o principal responsável. A diferença entre FBC e os diretores de futebol é que o presidente recebeu o perdão da torcida, do conselho e da imprensa, enquanto o colegiado está sendo execrado em praça pública. Eu não consigo entender essa lógica. Ou melhor, entendo sim, a lógica da culpabilidade. Esse raciocínio perverso tem três aspectos. O...

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FBC voltou de férias

Assisti com atenção, através de vídeo, a entrevista coletiva do presidente coral esta semana. Embora tivesse recebido o convite da Assessoria de Imprensa do Santa Cruz, não pude comparecer à FPF para ouvir a fala presidencial. Estive doente. Ainda estou. Dor de garganta, secreção nasal e forte dor de cabeça. Aos leitores mais solidários, tranqüilizo-os dizendo que, apesar dos sintomas comuns, descarto a possibilidade de gripe suína. Aprendi que toda gripe vem acompanhada de febre. Como não estive nem estou febril, não tenho gripe de qualquer espécie, seja ela animal, vegetal ou mineral. Mas dizia que assisti à entrevista de FBC. A princípio estranhei a sua realização na FPF, pois fosse o que fosse que ele tivesse para dizer à torcida coral, que dissesse na sede do clube, lugar onde até as paredes sentem a sua falta. Depois compreendi que a essência de sua fala tinha relação com a sua visita à Federação Pernambucana de Futebol. Diante da inimaginável possibilidade de uma desclassificação tão prematura, ao voltar dos Estados Unidos FBC foi pedir apoio a Carlos Alberto, o bode-rouco mais odiado da torcida coral, para evitar um jogo de comadres na última rodada entre Central e Sergipe. O ato do presidente – embora muitos tricolores tenham acessos de raiva só de pensar – tentava corrigir, na minha visão, um erro estratégico: menosprezar a FPF e a força política de Carlos Alberto. O Santa já perdeu algumas batalhas para a FPF na gestão de FBC. Quem não lembra, por exemplo, do nó tático de Carlos Alberto Oliveira na escolha da fórmula de disputa do campeonato pernambucano deste ano? Na política, quando não se pode vencer o inimigo, às vezes, alia-se a ele, embora um olho fique no padre e outro na missa. A política – e isto também é válido para a sua prática no futebol – é a arte de engolir sapos. Neste caso específico, bodes. Carlos Alberto gosta de afagos e, por isso, já foi logo avisando que garante a classificação do Santa. Apesar de retórica, não duvido nada. Faz tempo que as partidas de futebol são também jogadas fora do campo. Tanto assim que mal terminada a reunião com FBC, Carlos Alberto recebeu em sua sala a visita de Ronaldo Lima, presidente do Central. Também não foi obra do acaso que Fernando Bezerra Coelho parece ter tirado da cartola um velho truque do futebol: a mala preta....

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Agradecimentos só em 2010

Foto: Coralnet Quando FBC assumiu o Santa Cruz, eu sempre achei que o principal objetivo do seu mandato deveria estar focado na tentativa de trazer de volta a auto-estima do torcedor. Para tal, FBC deveria investir em três pilares: Centro de Treinamento, Reforma do Estádio José do Rego Maciel, e, principalmente, valorização do sócio do Mais Querido. Desses pilares citados, houve melhoria em todos. Alguns mais e outros menos. Sobre o primeiro, Centro de Treinamento (CT), as informações não-oficiais dizem que o terreno já está “fechado”. Será na Zona Sul, mais precisamente em Jaboatão dos Guararapes. O novo CT será construído com apoio do Governo Federal através da Lei de Incentivo ao Esporte, onde pessoas jurídicas e, até mesmo, pessoas físicas poderão fazer doações, com dedução do Imposto de Renda. Contudo, para que tal objetivo seja alcançado, o Santa Cruz precisa estar com suas certidões em dia. O que, conhecendo o passado recente do Mais Querido, convenhamos, não é tarefa fácil para FBC. Mas, o projeto continua vivo… Sobre o segundo e terceiro tópicos, vou abordá-los com base no recente jogo do Brasil, no Arruda (que ainda é tema de muita discussão). Especificamente sobre o segundo, reforma do Estádio José do Rego Maciel, sem dúvida, houve uma sensível reforma no nosso estádio; o que nos credenciaria – em qualquer lugar do mundo – a ser o palco dos jogos da Copa, com os investimentos necessários. O jogo da seleção brasileira no Arruda foi um marco importantíssimo! Graças ao presidente FBC, e a sua habilidade política, a seleção voltou, 14 anos após, a jogar no Recife, mais especificamente no Arruda. Além da arrecadação financeira (mais de R$ 2 milhões), o Santa Cruz voltou a ser manchete nacional, desta vez de forma positiva,e sem depender da sua apaixonada torcida. Com uma articulação política incrível, FBC conseguiu fazer o maior time do mundo jogar o principal jogo das eliminatórias, no Arruda. Para os que foram ao jogo, o grito que mais ecoava era o Tri-tri-tri-tricolor! Para os que assistiram pela televisão, o escudo do Mais Querido, na linha central do gramado, e o aviso de que o estádio pertencia ao Santa Cruz Futebol Clube, eram motivos de orgulho. Sem dúvida. Resgatou um pouco nossa auto-estima! Enfim, uma grande melhoria! Sobre o terceiro pilar, a valorização dos sócios, resta-me dizer que houve uma pequena melhora. Pequena porque ainda estamos muito longe do minimamente...

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