De canalhice em canalhice, a gente vai tomando na jaca

De canalhice em canalhice, a gente vai tomando na jaca

Começaria a crônica anunciando maldições, o escambau. É muito azar, diria e levantaria as mãos aos céus — Eloi Eloi lama sabachthani? Mas estou com o medo terrível de que, uma vez pronunciado nomes em vão, as contingências sem limites do Destino destruam o mistério da transcendência tricolor. Portanto, nesse momento, prefiro alguns caminhos seculares para entender essa confusão na qual os sacanas do futebol colocaram o Clube do Santo Nome. Porque só pode ser sacanagem, vamos combinar. Uma dívida de 2008 tira seis pontos do Betim no meio de uma competição em 2013. É a FIFA, caros amigos, a gerontocracia mais safada do planeta. E imaginaríamos, aqui, um efeito dominó infernal no futebol brasileiro, tirando pontos de todos os clubes endividados e colocando o Flamengo na série Z. Não, isso não aconteceu, imaginem, era apenas uma pegadinha. Como o Betim perdeu pontos na fase de classificação do mata-mata, cujo adversário é o Santinha, pensaríamos que nosso clube estivesse automaticamente classificado — e na série B. Que nada, a CBF impôs o time de Rivaldo, o Mogi-Mirim. Qual foi a lógica dessa decisão? Aparentemente, nenhuma, segundo o Coronel Peçonha (leia aqui). Se a lógica jurídica não embasou a justiça, qual foi aquela que pôs o Mogi-Mirim na disputa? Desconfio que tenha sido a política, uma lógica que pode, segundo a modalidade, engabelar a justiça. Ora, alguém põe a mão no fogo pela CBF? Digamos que estamos diante de um consenso absoluto da cidadania brasileira: ninguém torrará a mão, porque a CBF não presta. Vejam que escrevi “cidadania brasileira”, pois queria decência no argumento. Evidentemente, existem pessoas com as mãos em chamas pela CBF, a começar pelo presidente de uma federação muito bem conhecida dos habitantes da terra dos altos coqueiros. Nesse caso, qual seria o interesse em impor o Mogi-Mirim? Confesso que não saberia responder. Interesse do vice paulista em proteger um clube conterrâneo? É uma possibilidade, pois a dita federação nacional de futebol sempre agiu segundo seus interesses, alguns bem explícitos, outros nem tanto — “agir segundo seus interesses” é uma maneira diferente de dizer “agir segundo suas relações de poder”. A CBF não está nem aí com os clubes brasileiros. Só agora, vejam só, discutirá um calendário decente. E tudo por causa de um movimento de jogadores. Pois seu foco é a seleção. Por meio dela, ganha milhões, explorando jogadores de clubes. A canarinha é uma mercadoria...

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Chantagem oficial

Chantagem oficial

André Santos Jr., Tricolor Li sem surpresas a notícia que o Governo Estadual decidiu empurrar a conta da Arena Pernambuco para os clubes. Posta em prática nesta semana, a mão pesada do Estado tornou, na minha ignóbil visão do mundo, o programa Todos Com a Nota (TCN), que possibilita a troca de notas fiscais por ingressos nos jogos dos times pernambucanos com benefícios financeiros para os clubes, em instrumento de chantagem. Um decreto obriga os três principais clubes a mandar alguns de seus jogos para o estádio privado construído com financiamento público. De pires na mão e atolado em dívidas, o Santa Cruz dificilmente terá como se defender da opressão oficial. Na situação atual, mergulhado em sucessivas más gestões administrativas e competições deficitárias, que fazem sistematicamente o clube se equilibrar na corda bamba dos atrasos de salários, a dignidade tricolor provavelmente ruirá. O Estado sabe disso e utiliza sua carteira recheada de dinheiro para viabilizar sua arena em detrimento do futebol pernambucano. Não sou um homem das leis, mas imagino que a ideia original do TCN estivesse vinculada a três pilares: (1) aumento da arrecadação; (2) contribuição ao desenvolvimento desportivo; e, principalmente, (3) a inclusão social. Não sei se há sucesso no primeiro caso, mas tenho convicção que a vinculação do programa à Arena Pernambuco para evitar que ela se torne um elefante branco e contribua para minimizar o risco de prejuízo nas finanças públicas, já que o Estado pela estranha lógica da Parceria Público Privada (PPP) garante receita mínima ao investidor, se afasta dos dois últimos. Nenhum particular suporta o peso do Estado em suas costas e o TCN ganha ares de obesidade mórbida e passa a ser usado como puro exercício da força bruta. Como cidadão, acredito que a construção da Arena Pernambuco foi um equívoco. Não havia espaço na região metropolitana de Recife para mais um estádio de futebol. Cada um dos três grandes clubes locais possui seu campo de jogo e dois deles, principalmente o Arruda, poderiam sofrer as transformações necessárias para se adequar ao exagerado padrão FIFA. Não sei o que justificou a construção de uma nova arena pelo Governo de Pernambuco, mas desconfio que na pauta das discussões não estivesse na mesa a economia de recursos, o transporte público adequado ou a localização privilegiada. Para atrair os clubes para um estádio sem atrativos, o Estado legislou em causa própria e sancionou a mundialmente conhecida...

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Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Publicamos com atraso, por falta de disponibilidade de tempo, carta enviada à nossa redação pelo grupo de internautas Por um Santa melhor. O momento é oportuno para reflexões e esta carta contribui para um debate que já está trinta anos atrasado. Carta aberta aos membros da diretoria e instâncias superiores, e à comunidade de torcedores do Santa Cruz Futebol Clube Prezados senhores, é com grande pesar que nos vemos obrigados a enviar esta correspondência. Nós, grupo de torcedores preocupados com a situação do clube que tanto amamos, vimos com absoluta revolta a eliminação do plantel tricolor da Copa do Nordeste, sob condições que poderiam, sob nossa ótica, ser evitadas. Para aumentar nossa indignação, vemos também o início de nossa participação no Campeonato Pernambucano de 2013 e, a médio prazo, na Série C do Campeonato Brasileiro deste mesmo ano, sem as medidas que julgamos necessárias para a correção de curso. Tal situação vem se tornando uma constante desde o final do ano passado, e, em nossa opinião, se continuarmos assim, o Santa Cruz terá um futuro sombrio. Isso, se tivermos um futuro além dos verbetes de enciclopédia. Este é o sinal de alerta que nós, uma parcela significativa de torcedores preocupados e, no caso de muitos de nós, cumpridores de nossos deveres enquanto sócios, estamos dando, não só à diretoria, mas também à massa coral. No entanto, não podemos excluir também uma parcela significativa de nossa torcida que, por falta de condições financeiras (somos um clube de caráter popular, lembrem-se) ou de paciência com a sequência de resultados negativos ou percepção de inépcia por parte dos dirigentes, não são associados ao clube. O Santa Cruz, aliás, transcendeu a condição de clube privado para configurar-se como verdadeira instituição de interesse público, afetando a vida de milhões de pernambucanos ou de apoiadores de outros estados, identificados com nossa história. O Santa é grande demais para falhar. Não podemos permitir que isso ocorra. É especialmente temerária a baixa qualidade técnica de nosso plantel, composta por jogadores de baixo nível e que outrora estiveram em campeonatos, ainda que no exterior, com qualidade inferior a dos estaduais do Nordeste brasileiro. Outros sequer tiveram oportunidades nas pequenas equipes das quais anteriormente faziam parte, que dirá em grandes clubes do cenário nacional e internacional. No entanto, temos de ver com bons olhos a postura que nosso atual técnico adota dentro de campo, uma verdadeira quebra de paradigmas...

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Onde vive a democracia

Onde vive a democracia

A imagem no canto superior direito do site indica que chegou o período de eleições no Santa Cruz e com ele, além do debate sadio e necessário, infelizmente, virá também a briga de foices entre as chapas e a discussão desqualificada em nossa seção de comentários. Não só de bons pensamentos e boas ideias vivem os homens, menos ainda os torcedores, mais sujeitos aos desenfreados arroubos que movem as paixões. Nem a filosofia ou a consciência moral e social foi capaz de nos livrar, ao longo da história humana, de instintos primitivos que geram violência, ainda que restrita ao universo das palavras. Não é demais lembrar que o verbo, inúmeras vezes, tem ação mais devastadora que a força do braço. Não é de hoje que reluto em escrever alguma coisa sobre o Santa Cruz. Essa falta de estímulo tem-se estendido além do normal e não dá sinais de refresco. Ainda mais quando percebo que, com raras e boas exceções, parte de nossos leitores, e os torcedores de uma maneira geral, não enxergam um palmo além das quatro linhas. Não que o futebol não seja importante, longe disso, refiro-me ao que está por trás e lhe dá sustentação. A nossa visão precisa ser mais ampla do que apenas a de vinte e dois marmanjos correndo atrás de uma bola em busca de um gol. Por isso, desestimulado, considero inútil escrever sobre gestão, negócio, responsabilidades e impedimentos dos principais cargos diretivos do clube, processo eleitoral transparente, estatuto, Conselho Deliberativo, Comissão Patrimonial — essa coisa esdrúxula que divide o Santa Cruz em duas entidades distintas — ou ainda discutir o que é necessário fazer hoje para que possamos ser novamente grandiosos amanhã. A verdade, se querem saber, na maioria das vezes, somos iguais aos torcedores pés-de-rádio, que costumeiramente criticamos; a diferença é que utilizamos outra forma de comunicação para dizer as mesmíssimas coisas. A sensação de não ter vontade de escrever é estranha para mim, que vi alguns de nossos colaboradores legitimamente descerem do barco ou, no mínimo, perder temporariamente o estímulo. Desde que criei o blog, no final de 2006, nunca havia perdido o pique, o embalo, a disposição nessa magnitude. O que leio, ouço ou vejo não me tem atraído a atenção. Além do mais, odeio patrulhamento e o blog se transforma, a cada dia, numa bizarra caça às bruxas. Prefiro discutir ideias, exigir eleições imaculadas como regra básica da...

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Qual o seu voto para presidente do Santa Cruz? Joaquim Bezerra (51%, 139 Votos) Antônio Luiz Neto (39%, 107 Votos) Indecisos (5%, 13 Votos) Brancos e nulos (4%, 12 Votos) Total de votos: 271  Carregando...

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