Santa Cruz, 101 Anos, Eternamente

Santa Cruz, 101 Anos, Eternamente

Hoje, um time de futebol inicia a partida com 11 jogadores na linha e uma legião de torcedores nas arquibancadas. Mas, nem sempre foi assim. Em 1914, ao soar o primeiro sinal de vida, o time dava o seu primeiro passo com: Abelardo; Alexandre, Augusto, J. Bonfim, J.Vieira; Luiz Barbalho, Orlando, Oswaldo; Quintinho e Augusto. Recheado de garotos, já nasceu com o destino traçado: fazer história. E foi com essa mentalidade que os meninos quebraram a maior das barreiras ao completar o time titular com o garoto negro Teófilo, responsável por criar um escudo inigualável capaz de proteger a todos das futuras ameças. Em campo, as vitórias logo vieram…. 7 x 0 e 9 x 0 foram os primeiros placares. Em seguida, vitórias históricas contra o América-PE, o Botafogo-RJ e a Seleção Brasileira. No meio dos garotos, os meninos Tiano e Tará reinavam absolutos. Até o dia em que Odívio Duarte resolver convidar Zequinha, Aldemar, Edinho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho. E, assim, o que era uma simples brincadeira de garotos passava a virar, também, uma paixão de gente grande. Gente como José do Rego Maciel que resolveu tornar o sonho de Aristófanes de Andrade uma realidade. Gente como James Thorp, responsável por promover as maiores festas do novo estádio. Gente como os irmãos Valença e Capiba que trataram de divulgar em versos o enredo deste conto para todo o Brasil. Novos garotos iam chegando. Detinho, Givanildo, Ramon, Betinho, Luciano, Cuíca e Fernando Santana brincavam e encantavam. Com eles, novas paixões iam nascendo e títulos iam sendo conquistados. A cada vitória, páginas inéditas eram escritas. Até o dia em que os adultos esqueceram de olhar o passado e deixaram de se responsabilizar pelo  futuro. Foi nesse momento que o maior patrimônio que foi construído ao longo dos anos assumiu a sua verdadeira paixão. A tradicional “poeira”, legião das arquibancadas, ouviu chamado de Anísio Campelo, e resolveu resgatar o amor de suas vidas. O Santa Cruz foi salvo. Para sempre. Para viver, eternamente, ao lado de todos àqueles que trazem no sangue a mutação genética dessa paixão inexplicável. Hoje, 3 de fevereiro de 2015, há 101 anos atrás, era produzida a mais bela das histórias. A história iniciada com Abelardo Costa, Alexandre Carvalho, Augusto Franklin Ramos, José Glycério Bonfim, José Luiz Vieira, Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa, Orlando Elias dos Santos, Oswaldo dos Santos Ramos, Quintino Miranda Paes Barreto, Augusto Dornelas Câmara e Teófilo Batista de Carvalho…. vivenciada e escrita por milhões de torcedores apaixonados. Parabéns, Santa Cruz Futebol Clube, 101 Anos !!!  ...

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Primavera entre os dentes

Primavera entre os dentes

Desde a primeira derrota para o Sport nesta temporada que não piso no Arruda. Mais que isso, fiquei absolutamente alheio ao Santa Cruz. As conversas, os símbolos e as cores já não me seduziam como antes. Menos ainda o desejo de ir a campo, assistir a um jogo e torcer por uma vitória. O Santa Cruz — não é fácil admitir — já não movia tanto os meus passos. Já não associava o domingo aos jogos do meu time, nem acompanhava as partidas pelo rádio ou televisão ou torcia fervorosamente pelas vitórias que longe levam nossos sonhos corais. No Arruda, fez-se inverno. Nunca fui torcedor de resultados e sempre estive com o Santa nos bons e maus momentos, por isso, pode parecer estranho tão visível apatia. Esta indolência formou-se, contudo, na oscilação do time, na falta de perspectivas de mudança a curto e médio prazos, no risco de fracasso no ano do centenário, no retrocesso. Consolidou-se, por fim, na série de derrotas para o Sport nesta temporada. Não se pode ganhar todas, é verdade, mas é preciso ter brio sempre. Há na apatia uma forma indireta de discordância, como uma oposição passiva; no silêncio, um meio de recusa, quando a resignação é quase uma revolta. A omissão, em certas circunstâncias, apontam que algo se quebrou. No caso do Santa Cruz, a queda na média de público no Arruda era proporcional ao desencontro no futebol. O protesto silencioso das arquibancadas escancarou, assim, tremenda insatisfação. O Santa Cruz de ontem reencontrou seu futebol. Jogou com dignidade, superou a adversidade do retrospecto recente e deu sinais de que por aí pode vir bom tempo. O público ainda não foi bom, mas já deu sinais de que a torcida quer se reencontrar com seu time. Também aguardo ansioso esse reencontro. Basta o time mostrar que para sair desse inverno é preciso segurar a primavera entre os dentes. Primavera nos dentes Secos e Molhados Quem tem consciência para ter coragem Quem tem a força de saber que existe E no centro da própria engrenagem Inventa a contra-mola que resiste   Quem não vacila mesmo derrotado Quem já perdido nunca desespera E envolto em tempestade, decepado Entre os dentes segura a...

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Chantagem oficial

Chantagem oficial

André Santos Jr., Tricolor Li sem surpresas a notícia que o Governo Estadual decidiu empurrar a conta da Arena Pernambuco para os clubes. Posta em prática nesta semana, a mão pesada do Estado tornou, na minha ignóbil visão do mundo, o programa Todos Com a Nota (TCN), que possibilita a troca de notas fiscais por ingressos nos jogos dos times pernambucanos com benefícios financeiros para os clubes, em instrumento de chantagem. Um decreto obriga os três principais clubes a mandar alguns de seus jogos para o estádio privado construído com financiamento público. De pires na mão e atolado em dívidas, o Santa Cruz dificilmente terá como se defender da opressão oficial. Na situação atual, mergulhado em sucessivas más gestões administrativas e competições deficitárias, que fazem sistematicamente o clube se equilibrar na corda bamba dos atrasos de salários, a dignidade tricolor provavelmente ruirá. O Estado sabe disso e utiliza sua carteira recheada de dinheiro para viabilizar sua arena em detrimento do futebol pernambucano. Não sou um homem das leis, mas imagino que a ideia original do TCN estivesse vinculada a três pilares: (1) aumento da arrecadação; (2) contribuição ao desenvolvimento desportivo; e, principalmente, (3) a inclusão social. Não sei se há sucesso no primeiro caso, mas tenho convicção que a vinculação do programa à Arena Pernambuco para evitar que ela se torne um elefante branco e contribua para minimizar o risco de prejuízo nas finanças públicas, já que o Estado pela estranha lógica da Parceria Público Privada (PPP) garante receita mínima ao investidor, se afasta dos dois últimos. Nenhum particular suporta o peso do Estado em suas costas e o TCN ganha ares de obesidade mórbida e passa a ser usado como puro exercício da força bruta. Como cidadão, acredito que a construção da Arena Pernambuco foi um equívoco. Não havia espaço na região metropolitana de Recife para mais um estádio de futebol. Cada um dos três grandes clubes locais possui seu campo de jogo e dois deles, principalmente o Arruda, poderiam sofrer as transformações necessárias para se adequar ao exagerado padrão FIFA. Não sei o que justificou a construção de uma nova arena pelo Governo de Pernambuco, mas desconfio que na pauta das discussões não estivesse na mesa a economia de recursos, o transporte público adequado ou a localização privilegiada. Para atrair os clubes para um estádio sem atrativos, o Estado legislou em causa própria e sancionou a mundialmente conhecida...

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Vampiros do futebol

Vampiros do futebol

Pensei que já havia visto de tudo no futebol. Lavagem de dinheiro, roubo, formação de quadrilha, mas nunca na minha vida imaginei que os tão na moda vampiros existissem no futebol. Sanguessugas sedentas, que sorrateiramente e na calada da noite, escolhem uma pobre e indefesa vítima. Como não comparar a lendária entidade com o que tem acontecido entre nosso time e os outros clubes daqui. Mas abastados que nós, eles invejam nossos destaques e, de madrugada em madrugada, vão acertando com nossos profissionais. Nem sequer a luz do dia os vampiros de Pernambuco atuam nos escusos bastidores do futebol. Nunca em toda minha vida, tinha visto 7 dias de negociações de madrugada, tarde da noite ou às 05 da manhã. Por que esconder tanto um assédio tão divulgado e público? Bom, eu queria dizer apenas que apesar de tudo, não culpo os vampiros do outro lado. Eles podem voar alçados pelas asas que lhes foram dadas (muito dinheiro da TV). Podem possuir medalhões velhos e caros (como Durval). Podem ser extremamente ágeis (como em 24h tirar um técnico do adversário, na calada do breu noite), podem hipnotizar simples mortais (com propostas irrecusáveis). Eles são endinheirados, podem tudo, mas um poder nenhum desses vampiros tem e nem jamais terá: o poder de ressurgir das cinzas e se livrar da maldição que eles carregam. Como verdadeiros heróis, estamos cada vez mais fortes e firmes em nosso propósito de voltar à luz do dia e abandonar essas trevas em que nos metemos. Tenho uma opinião tão formada sobre isso que acho até que nenhum dos três que saíram fará muita falta, e indo mais além, eu acho que dentro do próprio plantel esses jogadores podem ser substituídos sem tanto ônus no padrão de jogo do time.  Pra mim, mais traumático que a saída repentina dos três seria a saída Dênis ou Tiago Cardoso, Natan não se recuperar a tempo, atrasar salários ou contratar chicões e zés teodoros da vida. Não posso criticar ninguém por buscar melhorias em sua vida, principalmente numa carreira curta como a de um jogador de futebol. Critico contratos que não amarram saídas bruscas e sem render nada ao contratante. Critico dirigente que propositalmente atrasa INSS. Critico transações na calada da noite e com cláusulas de confidencialidade, cláusulas essas que são o único motivo no meu entender do vampiresco horário no qual foram realizadas as citadas transações. Critico a...

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Rombo trabalhista

Rombo trabalhista

Os números financeiros do Santa Cruz sempre foram cercados de mistérios. Hoje, um desses números foi revelado publicamente (pasmem!) por uma nota publicada no site oficial do Sport e confirmada por Antônio Luiz Neto ao jornalista Cassio Zirpoli, em seu blog. Trata-se da dívida trabalhista do clube, que subiu de 25 milhões, em 2009, para os atuais 40, em 2013. Um aumento que gira em torno de 60% em apenas quatro anos. A dívida, é verdade, não foi contraída pela atual gestão e em sua composição, evidentemente, deve conter processos em andamento. Contudo, a nota revela que, se houve algum esforço para sanear as obrigações do clube, ele certamente foi em vão. Também evidencia, comparativamente com os nossos adversários, a difícil situação do Santa Cruz e sua sombria perspectiva para o futuro. O rombo trabalhista dos grandes clubes pernambucanos Cassio Zirpoli As dívidas trabalhistas, com a possibilidade de execuções sumárias, há anos comprometem as receitas dos clubes do futebol no país, envolvidos num histórico de gestões pouco apegadas aos plenos direitos do trabalhador. Uma hora a conta a chega. Em Pernambuco, o rombo é milionário. Chegou ao ponto de ser necessário costurar um acordo na Justiça do Trabalho. Envolveu alvirrubros, rubro-negros e tricolores. A articulação em 2003 destinou 20% das receitas do trio, desde então, para reduzir as dívidas trabalhistas. Posteriormente, outros acordos foram feitos, parcelando o rombo. Mas pagam uma, surge outra. Pagam uma parcela, deixam de pagar duas. A história segue. Em quatro anos, a dívida trabalhista dos três clubes caiu de R$ 62 milhões para R$ 60,5 milhões, mas longe de uma distribuição uniforme. Em 2009, as dívidas eram as seguintes: Santa Cruz, R$ 25 milhões. Sport, R$ 20 milhões. Náutico, R$ 17 milhões. Em 2013, os dados foram “revelados” em uma nota oficial do Sport. Ainda que os coirmãos tenham sido citados como times “A” e “B”, não é muito difícil elencar as equipes, analisando em cima desses supostos números. Porém, o blog questionou os presidentes de Santa e Náutico sobre as informações. O tricolor Antônio Luiz Neto confirmou o dado divulgado no site leonino, uma vez que havia julgamentos em curso antes de sua gestão. Já o alvirrubro Paulo Wanderley disse que o montante seria “bem menor”, com tempo de pagamento três anos mais curto. Em vez de R$ 18 milhões, como na nota, o balanço mais recente apresenta R$ 300 mil a menos...

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