“É O Mais Querido que, só de não causar tristeza, já traz alegria!” Paulo Aguiar, na seção de comentários do artigo Alguém sabe explicar o amor?, sobre o jogo contra o Central, em...

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Alguém sabe explicar o amor?

Certa vez, fui ao casamento de um primo meu e o padre perguntou ao noivo o que ele sentiu quando viu a noiva pela primeira vez. De pronto, meu primo respondeu: “alguém aqui sabe explicar o amor?”. Nunca me esqueci dessa frase, principalmente porque na primeira vez que ele a viu, tenho certeza que não a amava, queria apenas ficar com ela e ponto final. Ontem, nas arquibancadas do Luiz Lacerda, veio-me novamente essa frase na mente. Se qualquer filósofo, psicólogo, psiquiatra quiser explicar o amor, tem obrigação de começar pelo amor de nossa torcida pelo nosso Santa. Minha gente, a cada dia me surpreendo mais conosco. Que coisa linda, que festa linda! Isso sim é amor de verdade. Como falar de amor sem falar do amor pelo nosso Santa? Às vezes me pego pensando como estaríamos, se nosso time fosse tão grande e comprometido como nós somos. Como estaríamos com uma diretoria profissional. Amigos, não sei se vocês repararam, mas o Central, com medo de ser roubado por um juiz pernambucano, exigiu um juiz de fora e foi atendido. A diretoria do Central é muito mais eficiente, dinâmica e comprometida que a nossa. Aliás, a diretoria do clube de sinuca do Sítio do Pica Pau é melhor que a nossa. Mas deixando isso um pouco de lado, vamos falar de nossa saga até a terra de Vitalino. Fui mais uma vez na excursão organizada pela amiga Dani, ela mesma, a famosa e já sócia da RCR locações, Dani Tricolor. Pense numa cachaça empurrada que nós tomamos. Eu estava torando o aço com o jogo, mas todos que estavam no ônibus eram categóricos: “hoje, ganharemos!”. Duas paradas para pit stop alcoólico e um bacolejo da polícia depois, chegamos a Caruaru. Entrando no estádio, assisti a um Santa Cruz diferente. Era notório o dedo do treinador no time. Ontem vi esquema, vi armação, vi sobra de bola, cobertura, enfim, vi futebol profissionalmente jogado. Em minha opinião, ontem fizemos a melhor partida da série C. Porém, mesmo estando bem postado e bem montado, as falhas individuais ainda comprometem muito. Foi assim na expulsão do zagueiro e no pênalti infantil. Esse é o problema de sempre jogar no limite. Com o time limitado tecnicamente, os jogadores sempre jogam o máximo que podem (que por muitas vezes ainda é pouco) e estão muito mais sujeitos ao erro, e, quando os erros acontecem, são...

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¿Papá, por que soy del Atlético?

Desenho: Weberson Santiago Aqui na Espanha, dizem que essa é a primeira pergunta que todo pequeno aficcionado do Atlético de Madrid faz a seu pai (ou a sua mãe, nunca se sabe de onde vem a paixão clubística do rebento) no exato momento em que se entende por gente. Bem, começo esse texto assim pensando no meu querido chefinho, Dimas, que anda perdendo noites e noites de sono aterrorizado imaginando o que responder no dia em que sua cria, Maria Luiza, lhe fizer a fatídica pergunta. Imagino o pânico de Gerrá e Alessandra, quando Mariá chegar bem mansinha e soltar a interrogação. Ou outros tantos tricolores na mesma situação. Que fazer companheiros? Freud certa vez escreveu, em um artigo espetacular sobre futebol, que a definição clubística de um garoto ou da garota, não sejamos machistas, só se sedimenta e se torna um caminho sem volta depois da fase fálica. Bem, não sei sé há uma fase fálica feminina, para Freud tudo pode, quem sabe alguma coisa com nabos ou pepinos. Enfim, Artur, ou Sylvio Ferreira, podem explicar isso melhor que eu. Aproveitando a embalagem, no Blog dos Perussi há um estudo de caso muito interessante sobre o citado assunto. De toda forma, o que o pai da psicanálise queria dizer é que não adianta muito encher o recém nascido de roupinhas, camisas, bandeiras, bola… nada, nada disso resolve. A definição clubística só virá mais tarde, quando o pequeno, ou pequena, começar a se entender por gente. Mas nem tudo é matemática nesse mundo, alguns pais são muito vivos e conseguem enrolar muito bem seus filhos. Inventam histórias, títulos épicos, feitos heróicos, um montão de fatos e assim conseguem forjar novos torcedores para as suas fileiras. Quando eles descobrem a verdade, companheiros, é tarde demais, já não há volta. Já sedimentou a paixão. É mais ou menos isso é o que passa a cada nova geração de torcedores do Atlético de Madrid. Um dia desses perguntei a um amigo espanhol qual era seu time. Ao ouvir que ele era do Atlético, perguntei o porquê e ele respondeu mais ou menos isso. Outro dia estava conversando via Skype com um casal de primos que vive no México. Ela, até poucos meses atrás, uma entusiasta coisística. Ele, apenas um tricolor normal. Nunca foi um Bacalhau, é verdade, mas sempre foi um tricolor cumpridor do seu papel nas Repúblicas Independentes do Arruda. Hoje,...

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É de arrastão

Foto: Diogo Trimetal/Efeito: Dimas Lins Antes de começar a Série C, pensava comigo: o Santa vai se classificar para a 2º divisão facilmente. Não há clubes em condições de assustar. Há dificuldades? Sem dúvida! Mas nada intransponível. Poderia, o caminho, ser facilitado? Claro! Tivemos bastante tempo para fazer um time, mas na última quarta ganhamos um jogo no qual houve quatro estréias! Ou seja, estamos montando o time em meio à competição. Mas não há de ser nada. As conseqüências dessa campanha vitoriosa serão duas. Uma, a mais clara, o desafogo de sair da “terceirona”, o estancar do vexame; novo fôlego financeiro, etc. A outra, a repetição de algo recorrente nas últimas décadas: a despeito da desorganização administrativa, da incompetência, do amadorismo, o clube ganha título, consegue vitórias importantes e traz o perdão, por parte da torcida, de todos os erros cometidos pelos dirigentes (basta não esquecer a célebre frase do diminutivo, “Com três vitórias a torcida esquece isso tudo…”). Isto é, as vitórias em campo realimentam a continuidade do desastre gerencial. Tomara essa minha cabeça cismada esteja errada quanto à segunda conseqüência! Podemos ser ainda muito maiores se esses que hoje comandam o clube voltem à condição de torcedores. Mas a Série C começou. E trouxe espetáculos memoráveis para a história do Santa protagonizados pela torcida. A invasão a Campina Grande que provocou alvoroço na pequena cidade – um vendedor de cerveja, próximo ao estádio, me falou assim: “Trabalho aqui há vinte anos. Nunca vi uma torcida tão grande. Alguém pagou vocês para virem?”. Num jogo fraco tecnicamente, deixamos escapar a chance de pontuar. Porém esse fato ficou como um detalhe. O extraordinário foi a mobilização da massa, superar a torcida adversária em número na sua própria casa! Isso é para poucos, amizade. Pouquíssimos! Dia 09, outra festa. Não só a presença maciça, mas a gana, o grito continuado, a emoção que se espalha por quilômetros. Não há quem resista. Dentro de campo vencemos por 3 X 0. Fora a goleada foi muito maior. Daí, à certeza de que passaremos pelo inferno da terceirona se juntou a convicção de que vai ser de arrastão. É a tração dessa multidão tricolor que vai nos tirar do atoleiro. Não que duvidasse do apoio da torcida, mas não me canso de me impressionar com ela. É força que se supera. Sempre! E faz rir dos institutos de pesquisa… Perdoai, senhor, eles...

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