Casa dos Frios

Semana difícil, com trabalho até o pescoço. Na verdade, trabalhei feito um cachorro e tive dificuldades até mesmo para falar com os amigos. Arnildo Ananias, por exemplo, depois de tantas tentativas ao telefone, perguntou-me se eu não atendia mais o celular. Expliquei a minha vida de cão e falei da necessidade de me concentrar totalmente no trabalho. “Prazos, amigo, prazos!”, confessei. O dia seguinte foi ainda pior. Na sexta, eu só consegui almoçar por volta das sete horas da noite e sobrevivi à base de biscoitos. E o pior é que ninguém acredita quando digo que sou servidor público. Assim, nas ocasiões em que reconheço no ouvinte certo ar de surpresa, sinto uma vontade incontrolável de citar uma das frases “geniais” do cada vez mais filósofo e devorador de coxinhas e menos jogador de futebol Rosembrick: “falar de mim é fácil, difícil mesmo é ser eu!”. Ai, meus sais! Anizio também reclamou do meu descaso. Disse que meu Googletalk só dava fora de área. Quando conseguiu falar comigo foi só para me dar uma bronca, porque eu não estava respondendo aos e-mails. Mais. Ficou indignado quando soube que eu não teria condições de ir à confraternização do Blog do Santinha, do qual sou colaborador. Dessa vez não foi por causa do trabalho, mas de outros compromissos assumidos anteriormente. Tentei argumentar que Inácio – fundador e editor do blog – também por compromissos pessoais, sempre teve dificuldades em comparecer a essas confraternizações. Sendo assim, não haveria problema, se eu faltasse ao menos uma vez. Situação semelhante ocorreu com o zabumbeiro Gerrá. O amigo queria me fazer um favor, mas nem isso conseguiu. De repente, tornei-me um cara de difícil acesso, que não consegue nem mesmo ser ajudado. Embora Fábio Martorano não reclame, reconheço a minha dívida. Somos voluntários em alguns trabalhos no Santa Cruz, mas Martorano tem feito praticamente tudo sozinho. Devo não nego, pagarei quando puder. Com a atual crise financeira, tenho medo dos juros e correção monetária que ele vai cobrar. Samarone já é um caso à parte. Depois de tentar em vão ensiná-lo a botar imagens em seu blog, o Estuário, recebo, vez por outra, um pedido para eu mesmo fazê-lo. Na falta de tempo, sequer consigo retornar seus e-mails, quem dirá colocar as imagens. Foi mal, Sama. Resolveremos isso em breve. Mas não é só com pessoas que tenho falhado. O Estradar – meu blog literário,...

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Arrebentação

Não costumo jogar o passado no limbo, como se fosse algo inútil largado num canto qualquer. Ao contrário, procuro guardar tudo na memória de modo que me seja possível cultivar a saudade das coisas boas e extrair o aprendizado das coisas ruins. Não sou de esquecer, mas de lembrar. Porém, tenho o cuidado de colocar cada lembrança em seu devido lugar, armazenando tudo de acordo com seu grau de importância. Por isso, guardo na memória um lugar especial para as despedidas. Delas geralmente nasce uma saudade. O tempo cicatriza a ferida, mas deixa para sempre no peito uma sensação de incompletude. A despedida precede a dor, já que a dor vem da ausência. O adeus é a arrebentação da saudade. Lembro de uma despedida que me marcou mais do que qualquer outra. 12 de janeiro de 1975. Meu pai faleceu no hospital ao meio-dia, enquanto em casa eu me preparava para visitá-lo. Ao receber a notícia, coração dilacerado, chorei. Garanto que, em toda a minha vida, nunca havia sentido nada mais cortante. O adeus transforma-se quase sempre numa devastação quando não vem do desejo de quem parte nem de quem fica. Contudo, nem toda despedida é ruim. Em algumas situações o adeus é desejado e até mesmo necessário. Em casos assim, inverte-se o fluxo natural das coisas, pois geralmente a dor já existe e a despedida funciona como a libertação do sofrimento, como numa catarse. Nessas circunstâncias, a arrebentação é um bálsamo, um alento, um sinal de esperança. Assim se dará a arrebentação no Arruda neste dia 07 de outubro. A onda que levará Édson Domingues Nogueira da presidência do Santa Cruz será libertária. E se sua saída, por si só, não nos livra de todo o mal que seu mandato nos causou, ao menos nos afastará do seu causador. Chegamos ao fundo do poço, chegamos perto do fim, mas sobrevivemos. Sua despedida terá o mesmo efeito na história do clube que a execução de um tirano por seu próprio povo tem na história de um país. Com a sua saída, abre-se espaço para um novo ciclo, uma nova ordem. Amanhã à noite, não haverá a despedida de um presidente. Seremos testemunhas do adeus de um fantasma que assombrou o Santa Cruz por quase dois anos. Renovados de esperanças, avançaremos pelo portão principal do clube dispostos a exorcizar – mais uma vez, é bom que se diga – todos os demônios....

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A oposição verdadeira

A oposição aos maus tratos do pior presidente da história, cada dia mais se fortalece. O pior presidente da história está isolado. O seu grupo dos 17 tricolores resume-se a cinco. Junto a ele apenas seus três bonecos, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol e um ¨cardeal¨. Nem os jogadores o querem como presidente. Prolongam suas férias. Querem a alforria, vão à justiça. Os funcionários estão há 7 meses sem ver a cor do dinheiro. Sentem saudades, quem diria, do presidente anterior. A torcida, enfraquecida, está com medo do que vislumbra. Irá disputar uma série C, com sérios riscos de cairmos para a série D; afinal, irá encarar o Central (o carrasco da era do pior presidente da história). A que ponto chegamos. Resta-nos a mobilização! O Edital da Convocação da Assembléia Geral nos trouxe de volta a expectativa de dias melhores. Mas a torcida quer algo mais do que destituir o pior presidente da história: quer ser representada! Alguns dos eternos opositores já se candidataram; os criadores do pior presidente da história também. Mas Fred Arruda agora aceita ser o representante. Ainda bem. Ele sabe que conta com o apoio da torcida. Esta torcida que ficou tanto tempo atordoada e que até um desembargador atreveu-se a desrespeitar. Acha-se no direito de impedir a democracia coral. Mas não será por muito tempo. Hoje a torcida se veste de oposição. Logo ela, sempre fiel, a única e verdadeira situação no clube. A torcida clama por justiça. E pela justiça. Deixe-nos refundar o nosso Clube, o mais rápido possível. Quem ama o Santa, tem...

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