Acho que estou ficando velho

Pintura: Tempestade, óleo sobre tela, de Guilherme Faria Sou de um tempo em que íamos a um jogo do Santa contra um time pequeno para assistir ao desenrolar de um drama com roteiro previsível: retranca feroz do pequeno para evitar tomar uma goleada. Não raro essa tática não funcionava e presenciei diversas goleadas. Os tempos são outros, dirão alguns; o futebol mudou, não há mais times inocentes, falarão outros. É verdade, é verdade… O jogo de ontem contra o Sete de Setembro foi mais uma prova. A partida foi melancólica. Ruim de doer. O Santa marcava o Sete em seu campo defensivo, o que possibilitou ao time visitante  ter maior posse de bola durante vários momentos da partida. Não pressionava, não marcava sob pressão. Fechou-se em copas, tática do garrafão, “precavido”. “Os tempos são outros…” Mas o problema é que o brioso time da Suíça pernambucana é horrível! Daí estabeleceu-se um circo de horripilâncias. Nossa torcida – definitivamente heroica, agregando-se numa soma superior a 12 mil espectadores, lógico, impacientava-se. Então, como é usual em qualquer torcida, elege um atleta para Cristo. Ontem o eleito foi Hélder. O coitado jogou tão mal quanto qualquer outro… Azar o dele. Todo mundo tem seu dia de bode expiatório. E choveu maldições e xingamentos contra o time. Pessoas até então tranqüilas revelaram-se agitadores incendiários. Diminhas, nosso Dimas Lins, por exemplo, que envergava no braço uma espécie de relógio gigante, um equipamento dos mais modernos, o qual toca rádio, TV e mesmo DVD, caríssimo, adquirido em uma de suas viagens a New York, estava indomável. Revoltado contra a atuação de Pedro Henrique, quase arremessa o suntuoso material na cabeça do atacante. Foi contido pelos demais membros do clã, que em uníssono pediram calma e lembraram do risco de perdermos algum mando de campo. Se a partida já estava uma droga, estragando a noite repleta de expectativas e esperanças, faltava chover. Pois eis que desaba um dilúvio capaz de submergir 10 Noéis e suas arcas… Por outro lado, evitou-se que algum desavisado dormisse. Ninguém dorme sob uma tormenta daquelas. De repente clarões rasgam o espaço. Relâmpagos e raios enfurecidos. Ao meu lado um homem comenta: “Uma porra dessas não cai na cabeça de Gobato, esse miserável”. A raiva era grande, logo se percebia. Um outro camarada, ouvindo esse primeiro, emendou: “Cai nada. Uma cabeça de formiga dessas… A cabeça do cara é do tamanho de...

Leia Mais

Quarta-feira ingrata

Hoje, eu acordei desorientado. Talvez porque a noite de ontem esteve com cara de quarta-feira de cinzas e toda quarta-feira de cinzas é de fazer chorar. E eu, como bom pernambucano que sou, choro sem dó nem piedade na quarta-feira de cinzas. Mas aviso logo aos navegantes – navegar pela internet é preciso – que a sensação de ter uma sombrinha – símbolo maior do carnaval de Pernambuco – enrolada embaixo do braço vem por um lado só, o nosso lado, pois qualquer outro lado não tem importância, é irrelevante, imaterial, porque está do lado de lá do verso. E já que falo em verso, pergunto, anacronicamente, então por que a gente tem sempre que rimar amor e dor. Amor lembra coração, que por sua vez lembra taquicardia e dor tem aquele jeitão de ressaca, após uma quarta-feira de cinzas. Ontem, depois de uma noite digna dos tempos diminutos, procurei o meu alucinógeno, a cana com gás – entre tantos benefícios, ela ainda é capaz de driblar o bafômetro – mas não achei. O mal-estar no dia seguinte foi inevitável. Inevitável também é a vontade de chamar um, dois, três, mil palavrões, mandar o resto do mundo ir para aquele canto, que uma derrota do Santinha dói tanto na alma que não há bálsamo capaz de aplacar o sofrimento de um tricolor. E já que o assunto é sofrimento, por um momento me iludi, como se ilude quem toma aspirina para curar um câncer. O buraco é mais embaixo, o problema é crônico e eu me deixei levar achando que o bom futebol jogado contra a coisa poderia representar uma mudança de rumo, de atitude. E não sei mais se o problema é só atitude. Falta futebol também. Sei apenas que não é uma questão de motivação. Pensando bem, o último clássico, ao que tudo indica, não foi um divisor de águas. Foi exceção à regra ainda viva, muito viva, pois só jogamos um futebol vistoso contra o Serrano e a coisa. O resto veio com sangue, suor e lágrimas. Mas não derramo lágrimas para dizer que o time não presta, que o técnico não presta, que nada presta e que meu mundo caiu. Volto apenas ao meu estado inicial, de quando o time estava sendo montado, onde dou tempo ao tempo e enxergo com os olhos de ver que estamos na quarta divisão e temos um time de...

Leia Mais

À procura de motivação

O futebol tem algumas máximas que até hoje prevalecem. E os torcedores do Santa Cruz também têm as suas. Das existentes, sem dúvida, a mais forte é: não podemos perder para a coisa! Nos últimos anos, isto é o que mais temos escutado e nos dado certo orgulho, pois, na medida do possível, estamos conseguindo realizá-lo. Basta observamos os resultados nestes últimos anos. Temos ampla vantagem nos confrontos contra a coisa. Mas, com toda esta diferença a nosso favor, fomos campeões apenas uma vez! O problema é que, para muitos, como eu, vencer apenas uma partida (contra a coisa, barbie ou contra quem for) não é o suficiente. Principalmente para quem tem o desejo de ser campeão. De que adianta ganhar dos rivais e perder para os pequenos? As vitórias sobre os rivais servem para contabilizar números e estatísticas e escrever tabus. Contudo, a história é escrita apenas pelos que vencem todos os adversários, pelos campeões. Na última quarta-feira eu não pude assistir nem ouvir o jogo contra o Petrolina. O meu amigo Geó me informava sobre o andamento do jogo. Não me conformei quando soube que o time estava perdendo para o, até então, pior time do campeonato, afinal, o time do Santa Cruz era o mesmo que tinha jogado no domingo anterior, com extrema garra e competência. Mas quis o destino que vencêssemos o jogo pelo apertado placar de 3 a 2. Hoje, três dias depois, novamente enfrentamos outro time fraco. E, desta vez, não conseguimos vencer. Jogamos uma péssima partida, assim como quando enfrentamos o Porto. A diferença é que do outro lado estava um time horrível. Mas qual a razão deste baixo desempenho, se jogamos tão bem contra a coisa? – A resposta é simples: falta motivação! A velha conversa de que motivação, para jogador de futebol, é salário em dia parece apenas uma condição necessária, mas não suficiente para os jogadores do Santa Cruz. Precisamos urgentemente mudar a atitude. Ou melhor, mostrar atitude sempre, independente de quem seja o adversário. Hoje, mais do que nunca, o futebol é resultado de muita atitude, de muita motivação e de um pouco de técnica. O que me causa certa apreensão é que iremos enfrentar uma série D pela frente. E fico me perguntando: qual a motivação que os jogadores (que não sairão no final do semestre) irão ter? Tudo isto é para mostrar a FBC, a Capela e Cia. que, dentre as possíveis...

Leia Mais

Cobra venenosa

Artigo Atualizado Durante a solenidade de aniversário do Santinha, um leitor sugeriu que publicássemos todas as frases da seção Cobra Venenosa desde sua criação. Atento às publicações, ele entende que tudo o que passamos nos últimos meses está sintetizado ali. De quebra, nosso leitor sugere uma votação para a escolha da melhor frase. Atendendo a pedidos, lá vão elas. Que vença a melhor. Frase 1 “No fundo, o rebaixamento de um ‘grande Clube’ é uma farsa.” (25/05/2008) Artur Perrusi, no artigo O mistério da banalidade, sobre a falta de competitividade de uma agremiação que sofre de asfixia econômica, diante de um integrante do Clube dos 13. Frase 2 “A forma de compor os nomes antes do projeto e sem o amplo conhecimento de todos nós é, no mínimo, um começo com métodos não muito diferente dos atuais, e os quais não concordamos.” (30/06/2008) Adriano Lucena, sobre a chapa da oposição comandada por Luciano Veloso para fazer frente ao lançamento da chapa de Romerito Jatobá, na seção de comentários do artigo Política, fúria, amor e ódio. Frase 3 “Ele  (Marcelo Ramos) é um ídolo do clube e faremos uma grande festa no seu retorno, a maior já vista aqui.” (11/07/2008) Édson Nogueira, Presidente do Santa Cruz, que parece não ter aprendido nada sobre futebol nestes quase dois anos de mandato, ao anunciar, em vão, a contratação do jogador. Frase 4 “A primeira impressão do time foi muito ruim. Com o que vi, precisaria de muito tempo para corrigir. Como não o temos, vamos tentar e pedir uma proteção divina.” (17/07/2008) Bagé, novo técnico coral em entrevista ao JC, achando que, com o time que tem em mãos, só mesmo apelando aos  céus. Frase 5 “É O Mais Querido que, só de não causar tristeza, já traz alegria!” (24/07/2008) Paulo Aguiar, na seção de comentários do artigo Alguém sabe explicar o amor?, sobre o jogo contra o Central, em Caruaru. Frase 6 “O Santa Cruz não vai passar da primeira fase.” (31/07/2008) Fernando Veloso, um dos candidatos da oposição, 3 meses atrás no programa Lance Final da Rede Globo, por hora, errando na previsão de mais um desastre da atual gestão. Frase 7 “Somos um clube subdesenvolvido, com uma torcida de amor enorme, mas que não move montanhas.” (03/08/2008) Antônio André, na seção de comentários do artigo O espelho e o futuro do Santinha. Frase 8 “Do jeito que está, tem que melhorar muito para ficar...

Leia Mais

Hotlink e Santa Cruz firmam parceria

A HOTLINK, empresa de provedores de internet oficializou na última semana parceria com o SANTA CRUZ. A união contará com várias etapas que irá beneficiar funcionários, profissionais e torcedores. Fornecer todo o serviço de internet e suporte para os departamentos do clube é a prioridade. Com a instalação, os funcionários passam a ter uma navegação mais rápida e eficiente. Em um segundo momento, a empresa irá instalar rede em todas as cabines de imprensa do Arruda, assim os profissionais que estiverem a trabalho poderão contar com mais um recurso de informação. Já para os torcedores, a HOTLINK pretende espalhar computadores com internet no estádio, além de sorteios de ingressos e outros...

Leia Mais
20 de 24...10...192021...