Nada de novo no front

Nada de novo no front

Estive afastado por uns dias das páginas do Torcedor Coral por questão de saúde. Há 10 anos, descobri, depois de muito penar por outros sete, que sou portador, por herança genética, de uma doença reumática de nome complicado e de efeitos perversos. Nunca mais havia tido uma crise forte, mas dessa vez ela voltou virada num saco de batata doce e, como dizia minha mãe quando eu era criança, paguei o novo e o velho. Ainda não me recuperei e minha previsão mais otimista é pra lá de pessimista. Para essas coisas, sou a antimatéria do incurável otimista Fabiano Pinheiro. Porém, antes que me chamem de velho, por causa do reumatismo, aviso que essa doença só se manifesta em homens jovens, prova incontestável que os meus primeiros cabelos brancos têm pouco significado. O código genético é o meu carbono 14. Por causa da crise reumática, fiquei pouco tempo na frente de um computador. No retorno, percebi que não houve nada de novo no front e na retaguarda também. De novidade mesmo, a volta do Blog do Santinha depois de um descanso merecido de toda a equipe e incompreendido por muitos de seus leitores. Sama fez uma viagem astral, Gerrá não pára de fazer menino e Anizio resolveu casar para esfregar na cara da rapaziada a certidão de casamento como último recurso na tentativa de dar um basta às insinuações maledicentes que webdesign é o mesmo que fazer decoração, só que na internet. Em defesa dos amigos, digo que ninguém é de ferro e só sabe o trabalho que dá manter um blog no ar quem está à frente do negócio.  Não fosse isso suficiente, tem hora que tem que ter um saco maior do que o de Papai Noel para falar do Santa Cruz, que nos dias atuais, virou sinônimo de desgraça. Não tem quem agüente bater na mesma tecla o tempo todo! Só há notícias de rebaixamento, desclassificação precoce, falta de grana e eleição sinistra. Será possível que no Santinha só acontece coisa ruim? Parece mais programa de Cardinot! Eu mesmo já não suporto ouvir falar em desgraça. Prefiro não saber, por exemplo, que a unha do gato da minha vizinha encravou e que o bichano terá que ser levado às pressas para o Dr. Scholl. Durma com uma bronca dessa! Falar em coisa ruim, no Santa, nova gestão se inicia e, ao menos no seu pré-início, já...

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Cobra venenosa

Cobra venenosa

“Não consigo entender como o Santa Cruz está na Quarta Divisão. (…) Fico com inveja dos clubes que têm as coisas acertadinhas.“ Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, em evento comemorativo do centenário do Corinthians, citando o Santa Cruz como exemplo negativo e cobrando mais profissionalismo dos clubes...

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O Nó Cego da Copa do Nordeste

O Nó Cego da Copa do Nordeste

Nó Cego, nosso comentarista no Twitter, me convidou para ir ao jogo do Santinha no Arruda contra o ABC, quinta à noite. Disse ele que, como a Copa do NE é de menor importância, não iria transmitir o jogo e estaria lá apenas como torcedor. Embora reconheça que esta competição não tem atraído o interesse dos tricolores – nem dos nordestinos, aliás – tenho a esperança – sempre a esperança – que, com algumas mudanças, no ano que vem ela possa vingar. Aceitei o convite de Nó Cego, mesmo sabendo de sua indisfarçável rabugice. Não tenho mais idade para assistir a um jogo do Santa Cruz ao lado de quem reclama sem parar. Ainda mais, em se tratando de Nó Cego, que usa o sarcasmo com requintes de crueldade. Mas, enfim, diante de uma partida do Santa, não dá para ficar em casa. Ao chegar ao Arruda, Nó Cego não pôde deixar de reparar na ausência da torcida e da solidão do estádio, que recebeu apenas 1.019 torcedores. Considerou aquilo uma vergonha, além de um desperdício de espaço, e comentou que nem mesmo a Inferno apareceu. Depois tripudiou da nossa amizade ao afirmar que uma torcida que não comparece, é como um presidente que não pisa no clube. Reconheci, constrangido, a ausência do público, mas não gostei do deboche. Em primeiro lugar, porque a Inferno Coral tinha dado um show de no jogo contra o Potiguar. Em segundo lugar, porque a torcida comparece, sim, tanto que nós temos a quarta maior média de público no país em todas as divisões. Finalmente, saí em defesa de FBC ao acrescentar que o presidente era um homem ocupado e que nem sempre poderia estar no clube. Entretanto, Nó Cego não quis saber. Homem amargo, disse que se não quisesse ser encontrado por FBC, era só ficar escondido em sua sal, no Arruda. Depois criticou a diretoria, que nunca soube canalizar a força da torcida na busca de melhores patrocínios. “Ninguém sabe utilizar nosso patrimônio intangível para aumentar nosso patrimônio tangível”, finalizou. Mal botamos a bunda – desculpem o termo – no assento da social e o Santa levou um gol. Nó Cego, que não enxerga desde o nascimento, mas atribui a cegueira à derrota para o Bahia naquele fatídico cinco a zero na Fonte Nova, disse que a culpa era do vice-presidente, que descumpriu a promessa feita depois do jogo contra o...

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Entrevista: Rivaldo

Entrevista: Rivaldo

Tem gente que torce o nariz para as redes sociais, mas elas mostram a cada dia a sua força. Pode-se dizer que elas têm as mais variadas utilidades, mas a que considero mais vantajosa é a sua capacidade de aproximar pessoas. Um exemplo disso foi o acerto desta entrevista com Rivaldo, o craque brasileiro que tem o início de sua carreira atrelado ao Santa Cruz, embora tenha começado, de fato, no Paulista em 1989. Nosso contato com Rivaldo se deu através do Twitter, uma rede social que funciona como microblogging, onde cada comentário do usuário é limitado por 140 caracteres. Atencioso e acessível, Rivaldo não demorou a responder o nosso contato. Rivaldo Vitor Borba Ferreira, homem de muita fé, é pernambucano, nascido na cidade de Paulista e vem de uma família de tricolores, o que certamente contribuiu para levá-lo para o Santa Cruz em 1991, como jogador profissional. Jogou em diversos clubes brasileiros e do exterior, entre eles o Milan e Barcelona. Ganhou fama internacional, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999 e foi campeão do mundo pelo Brasil na Copa de 2002. Rivaldo voltou à cena coral ao publicar em seu blog um desabafo onde pedia desculpas à torcida do Santa Cruz por não ter fechado uma parceria com o Mogi Mirim, clube do qual é presidente, para cessão de jogadores sem custos ao time coral. Rivaldo, em seu texto, informa que, apesar de ter deixado duas pessoas (Leto e Luiz Simplício, ambos ex-jogares tricolores) para tratar da questão com o presidente FBC, não recebeu nenhum retorno sobre a proposta. Na proximidade de mais uma Copa do Mundo de futebol, o Torcedor Coral aproveitou a oportunidade para conversar com Rivaldo, 38 anos, sobre seleção brasileira, sua vida no Uzbequistão e, é claro, sobre o Santa Cruz. Por e-mail, Rivaldo nos concedeu a seguinte entrevista direto de Tashkent, Uzbesquistão, onde não descarta a possibilidade de fazer um jogo de despedida no Arruda nem, de um dia, ser presidente coral. Torcedor Coral – Como era a sua vida no início da carreira profissional? Rivaldo ― Era difícil como qualquer outra pessoa sem dinheiro, passei por muita dificuldade, muita luta. TC – Como foi a sua passagem pelo Santa Cruz? Rivaldo ― Para mim era um sonho jogar no santa cruz, sempre sonhei em ser profissional do santa e nada mais. Tudo no começo é muito difícil,...

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A coisa excetuada

Pretendia tratar de um assunto diferente. Minha idéia inicial era publicar hoje um artigo sobre um ex-diretor coral, com passagem recente pelo clube, que me deixou uma boa impressão como pessoa e como profissional, mas a decisão do campeonato pernambucano de ontem me fez adiar os planos. Mesmo assim, deixo claro que não pretendo falar do jogo ou dos times especificamente. Deixo, como sempre fiz, nossos adversários para lá, quer seja por suas vitórias, quer seja por suas derrotas, pois o que me interessa e o que me diz respeito é o Santa Cruz. O título conquistado ontem por um de nossos rivais é mais um capítulo da nova ordem do futebol brasileiro, iniciada na segunda parte da década de 80. Capítulo este que prefiro chamar de regime de exceção, onde os privilégios são para poucos e a míngua, para muitos. Em outras palavras, uma minoria se dá bem em detrimento da maioria. Assim, inverte-se a lógica e a exceção torna-se a regra. Para os que ainda não me compreendem, falo das prerrogativas e dos privilégios que dão o direito a um punhado de clubes de participar de um campeonato de futebol em condições de excepcional desigualdade, onde o acesso ao dinheiro gordo faz toda a diferença e enterra o brioso, mas utópico e ingênuo princípio do esporte, onde o importante é competir. Esta diferença torna-se ainda mais gritante em Pernambuco e em Goiás – o Atlético-GO é, ao meu ver, a exceção temporária ao regime de exceção, pois a fonte de seus recursos não tem o caráter permanente, como aquela garantida religiosamente pelo Clube dos 13 – onde há apenas um clube que goza de tais privilégios. No âmbito local, chamo este regime de exceção de a coisa excetuada, por razões óbvias. Essa condição privilegiada vem, aos poucos e silenciosamente, enfraquecendo o nosso campeonato e levando clubes tradicionais, como Náutico e Santa Cruz, à morte lenta e gradual, pois se perde a possibilidade de competir em condições de igualdade, não pelo merecimento alheio, mas pelos privilégios concedidos por uma entidade elitária, a partir de sua associação com uma rede de TV. Mais do que isso, toda essa conjuntura asfixiante conta com a conivência ou, no mínimo, com a omissão do poder público, que deveria zelar pelo principal esporte do país, e da CBF, mais preocupada com os milhões gerados pela seleção brasileira do que com as mazelas do...

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