O Nó Cego da Copa do Nordeste

O Nó Cego da Copa do Nordeste

Nó Cego, nosso comentarista no Twitter, me convidou para ir ao jogo do Santinha no Arruda contra o ABC, quinta à noite. Disse ele que, como a Copa do NE é de menor importância, não iria transmitir o jogo e estaria lá apenas como torcedor. Embora reconheça que esta competição não tem atraído o interesse dos tricolores – nem dos nordestinos, aliás – tenho a esperança – sempre a esperança – que, com algumas mudanças, no ano que vem ela possa vingar. Aceitei o convite de Nó Cego, mesmo sabendo de sua indisfarçável rabugice. Não tenho mais idade para assistir a um jogo do Santa Cruz ao lado de quem reclama sem parar. Ainda mais, em se tratando de Nó Cego, que usa o sarcasmo com requintes de crueldade. Mas, enfim, diante de uma partida do Santa, não dá para ficar em casa. Ao chegar ao Arruda, Nó Cego não pôde deixar de reparar na ausência da torcida e da solidão do estádio, que recebeu apenas 1.019 torcedores. Considerou aquilo uma vergonha, além de um desperdício de espaço, e comentou que nem mesmo a Inferno apareceu. Depois tripudiou da nossa amizade ao afirmar que uma torcida que não comparece, é como um presidente que não pisa no clube. Reconheci, constrangido, a ausência do público, mas não gostei do deboche. Em primeiro lugar, porque a Inferno Coral tinha dado um show de no jogo contra o Potiguar. Em segundo lugar, porque a torcida comparece, sim, tanto que nós temos a quarta maior média de público no país em todas as divisões. Finalmente, saí em defesa de FBC ao acrescentar que o presidente era um homem ocupado e que nem sempre poderia estar no clube. Entretanto, Nó Cego não quis saber. Homem amargo, disse que se não quisesse ser encontrado por FBC, era só ficar escondido em sua sal, no Arruda. Depois criticou a diretoria, que nunca soube canalizar a força da torcida na busca de melhores patrocínios. “Ninguém sabe utilizar nosso patrimônio intangível para aumentar nosso patrimônio tangível”, finalizou. Mal botamos a bunda – desculpem o termo – no assento da social e o Santa levou um gol. Nó Cego, que não enxerga desde o nascimento, mas atribui a cegueira à derrota para o Bahia naquele fatídico cinco a zero na Fonte Nova, disse que a culpa era do vice-presidente, que descumpriu a promessa feita depois do jogo contra o...

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Entrevista: Rivaldo

Entrevista: Rivaldo

Tem gente que torce o nariz para as redes sociais, mas elas mostram a cada dia a sua força. Pode-se dizer que elas têm as mais variadas utilidades, mas a que considero mais vantajosa é a sua capacidade de aproximar pessoas. Um exemplo disso foi o acerto desta entrevista com Rivaldo, o craque brasileiro que tem o início de sua carreira atrelado ao Santa Cruz, embora tenha começado, de fato, no Paulista em 1989. Nosso contato com Rivaldo se deu através do Twitter, uma rede social que funciona como microblogging, onde cada comentário do usuário é limitado por 140 caracteres. Atencioso e acessível, Rivaldo não demorou a responder o nosso contato. Rivaldo Vitor Borba Ferreira, homem de muita fé, é pernambucano, nascido na cidade de Paulista e vem de uma família de tricolores, o que certamente contribuiu para levá-lo para o Santa Cruz em 1991, como jogador profissional. Jogou em diversos clubes brasileiros e do exterior, entre eles o Milan e Barcelona. Ganhou fama internacional, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999 e foi campeão do mundo pelo Brasil na Copa de 2002. Rivaldo voltou à cena coral ao publicar em seu blog um desabafo onde pedia desculpas à torcida do Santa Cruz por não ter fechado uma parceria com o Mogi Mirim, clube do qual é presidente, para cessão de jogadores sem custos ao time coral. Rivaldo, em seu texto, informa que, apesar de ter deixado duas pessoas (Leto e Luiz Simplício, ambos ex-jogares tricolores) para tratar da questão com o presidente FBC, não recebeu nenhum retorno sobre a proposta. Na proximidade de mais uma Copa do Mundo de futebol, o Torcedor Coral aproveitou a oportunidade para conversar com Rivaldo, 38 anos, sobre seleção brasileira, sua vida no Uzbequistão e, é claro, sobre o Santa Cruz. Por e-mail, Rivaldo nos concedeu a seguinte entrevista direto de Tashkent, Uzbesquistão, onde não descarta a possibilidade de fazer um jogo de despedida no Arruda nem, de um dia, ser presidente coral. Torcedor Coral – Como era a sua vida no início da carreira profissional? Rivaldo ― Era difícil como qualquer outra pessoa sem dinheiro, passei por muita dificuldade, muita luta. TC – Como foi a sua passagem pelo Santa Cruz? Rivaldo ― Para mim era um sonho jogar no santa cruz, sempre sonhei em ser profissional do santa e nada mais. Tudo no começo é muito difícil,...

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A coisa excetuada

Pretendia tratar de um assunto diferente. Minha idéia inicial era publicar hoje um artigo sobre um ex-diretor coral, com passagem recente pelo clube, que me deixou uma boa impressão como pessoa e como profissional, mas a decisão do campeonato pernambucano de ontem me fez adiar os planos. Mesmo assim, deixo claro que não pretendo falar do jogo ou dos times especificamente. Deixo, como sempre fiz, nossos adversários para lá, quer seja por suas vitórias, quer seja por suas derrotas, pois o que me interessa e o que me diz respeito é o Santa Cruz. O título conquistado ontem por um de nossos rivais é mais um capítulo da nova ordem do futebol brasileiro, iniciada na segunda parte da década de 80. Capítulo este que prefiro chamar de regime de exceção, onde os privilégios são para poucos e a míngua, para muitos. Em outras palavras, uma minoria se dá bem em detrimento da maioria. Assim, inverte-se a lógica e a exceção torna-se a regra. Para os que ainda não me compreendem, falo das prerrogativas e dos privilégios que dão o direito a um punhado de clubes de participar de um campeonato de futebol em condições de excepcional desigualdade, onde o acesso ao dinheiro gordo faz toda a diferença e enterra o brioso, mas utópico e ingênuo princípio do esporte, onde o importante é competir. Esta diferença torna-se ainda mais gritante em Pernambuco e em Goiás – o Atlético-GO é, ao meu ver, a exceção temporária ao regime de exceção, pois a fonte de seus recursos não tem o caráter permanente, como aquela garantida religiosamente pelo Clube dos 13 – onde há apenas um clube que goza de tais privilégios. No âmbito local, chamo este regime de exceção de a coisa excetuada, por razões óbvias. Essa condição privilegiada vem, aos poucos e silenciosamente, enfraquecendo o nosso campeonato e levando clubes tradicionais, como Náutico e Santa Cruz, à morte lenta e gradual, pois se perde a possibilidade de competir em condições de igualdade, não pelo merecimento alheio, mas pelos privilégios concedidos por uma entidade elitária, a partir de sua associação com uma rede de TV. Mais do que isso, toda essa conjuntura asfixiante conta com a conivência ou, no mínimo, com a omissão do poder público, que deveria zelar pelo principal esporte do país, e da CBF, mais preocupada com os milhões gerados pela seleção brasileira do que com as mazelas do...

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O livro dos últimos dias

Domingo passado, no jogo contra o Ypiranga, encontrei o Coronel Peçonha nas sociais. Depois de uma partida assustadora, Peçonha desabafou: “estamos assistindo aos últimos dias do Santa Cruz”. A frase não foi dita por dizer. Ela veio da angústia de quem assiste ao clube que tanto ama, a quem gastamos em vão tanta benquerença, agonizando em praça pública. É como observar o gado morrer à míngua na seca, magérrimo, mil carrapatos agarrados em seu focinho, e não ter sequer um gole d’água para lhe dar de beber. É possível que frase assim, dita no calor da emoção, não passe de exagero de um tricolor desanimado com este estado de coisas ruins. Temos, afinal, a virtude de acreditar até o fim. Quando não nos resta mais nada, nos agarramos à fé e esperamos a nossa redenção. Mas há a questão inegável de que a fé, que alcança todas as coisas, talvez não alcance o futebol. O fato é que há um istmo entre a realidade e o exagero. Tanto podemos nos recuperar e nos tornar um clube grandioso, como afundar de vez. Os sinais do fim estão em toda parte, nós os vemos, mas não queremos enxergar, porque a crença de que somos eternos nos cega. Apenas parecemos imortais, mas somos suscetíveis à morte como qualquer pessoa, física ou jurídica (as pessoas jurídicas acabam, porque os homens acabam com ela). Olhamos para o céu e não discernimos os sinais dos tempos. O fim chega para todos e poderá chegar – por que não? – para nós. O ritmo com que seguimos rumo ao desfiladeiro é intenso e frenético. Cada nova esperança surgida é gravemente desfeita em velocidade espantosa. Botamos fé em Édson Nogueira, acreditamos em FBC, mas o que há de verdade é que pouco coisa mudou. Um botou o clube na quarta divisão e o outro não consegue tirá-lo de lá. Seguimos como segue um trem sem governo ou um carro correndo na contramão. Nos tempos atuais, vivemos perigosamente. Por isso, é preciso tomar cuidado. É preciso cuidar que esse clube não se acabe, que ao contrário se levante, se engrandeça, nos orgulhe, orgulhe nossos filhos, nossos netos e futuras gerações. Que ele não morra em nossos braços, por nossas mãos. Que ele viva, que viva eternamente, conquanto que seja possível, que saia da letargia, que vá em frente, que não desista nunca. O caminho do fim sempre será...

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Uniformes 2010

(Atualizado) Hoje, às 19 horas, na sede social do Santa Cruz, está sendo lançado o uniforme oficial do clube produzido pela Penalty. Simultaneamente, o Torcedor Coral divulga para os seus leitores os desenhos da nova coleção 2010/2011. Segue as imagens do evento de lançamento dos uniformes produzidas pela Coralnet. Veja, analise e...

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