O ópio do futebol

O ópio do futebol

Passou da hora de publicar um novo artigo, mas, mais de uma vez, não me animei a escrever coisa alguma. Revolvi aqui e acolá, saiu alguma coisa mequetrefe, porém, por sorte, depois de pronto, pingou um e outro artigos e retirei o meu, o mais desimportante. Demorei a escrever, fi-lo por dever de ofício, por falta de opção, já que, em circunstâncias como essa, pesa-me a obrigação de manter o blog atualizado, apesar dos pesares. Não sei o que me dá, talvez seja tudo, talvez não seja nada e nem mesmo tenha a ver com a situação atual do time na Série C. Não há abatimento, nem frustração, tampouco desesperança, pois o time bicampeão pernambucano nunca me deslumbrou e quando não há deslumbramento, pouco se espera e quase não se sofre. Sob o efeito peculiar dessa anestesia geral, resta-me a possibilidade do inefável cansaço — passageiro, espero eu. Também não descarto que começo a enxergar o futebol como um extraterrestre que, caso aqui chegasse, não compreenderia tamanho alvoroço em redor de uma bola. Igualmente, principia a ocupar-me a estranheza do sofrimento que causam onze marmanjos a preencher o campo de jogo, pois se não fosse o envoltório de pele de cobra coral que lhes cobrem os corpos durante as partidas, seria eu completamente à prova de dor. Assim, concluo que o que me prende ao time que se aventura nesta Série C é, e sempre foi, tão-somente a camisa, símbolo de identidade social. E já que comecei a escrever sem vontade, serei franco. Não tenho lá muito a virtude de esperar com calma o que tarda, nem tampouco me animo a apontar e a reapontar os erros desse time, da comissão técnica, do presidente. Creio até que os comentários dos nossos leitores tenham-me influenciado a ponto de não tolerar sequer ler ou ouvir o nome de Zé Teodoro e seus derivativos, apelidos denotativos de um sentido pejorativo. Em tudo há limites, menos aqui, neste canto do mundo, onde reina a censura áspera. Entediado, tornei-me intolerante à intolerância, assim como ao elogio fácil e desmedido, por isso, torço com grande fervor para que, seja lá qual o for o desfecho do Santa Cruz nesta Série C, Zé Teodoro vá para bem longe do Arruda. Quem sabe isso nos trará de volta um pouco da sanidade que perdemos. Aqui só se fala de futebol, bem sei, mas há outras vertentes desse...

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A bola não entra por acaso

A bola não entra por acaso

Ainda menino, costumava ouvir nas resenhas esportivas das rádios um rosário de frases prontas que pretendiam se aplicar a todas as situações do futebol. No fundo, era o mesmo artifício de que se utilizava o homem-da-cobra para vender no mercado de São José os unguentos que curavam desde frieira até câncer de pele (quem é da minha geração para cima sabe bem do que falo). Dos tempos em que mamãe gritava “É hora do almoço, menino!” aos dias atuais, onde sou eu quem chama as minhas crianças para comer, em qualquer estação, ouvia, e ouço, que não há mais bobo no futebol. Bastava, como ainda basta, girar para outro lado e o dial cravava justo na hora em que o comentarista soltava a pérola de que o futebol é muito dinâmico. Mas o que acho mesmo batido são as frases que atribuem o sucesso ou insucesso ao acaso e vibro, quase como um gol, quando o radialista dispara que a disputa de pênaltis é loteria ou que o futebol é uma caixinha de surpresas. Ainda farei um bingo só com esses clichês. Repetidos à exaustão pela crônica esportiva, além de pouco criativos, os chavões passaram a ter força de lei. Nessa lógica, dois momentos distintos da derrocada do Santa Cruz – um em 1981 e outro em 2006 – como a derrota para o Bahia por cinco a zero, quando o Santa poderia perder por diferença de até quatro gols, e o pênalti desperdiçado por Lecheva na final do Campeonato Pernambucano, que levou o clube a uma sucessão de descensos, a mais dramática da nossa história, seriam obra e arte dos deuses do futebol. Melhor seria imputar essas vicissitudes aos diabos, já que de uma dessas eventualidades criou-se o mito da Maldição de Lecheva, que serviu de escudo para a incompetência de dirigentes, treinadores e jogadores de futebol e de consolo para grande parte dos tricolores. Em A bola não entra por acaso – Estratégias inovadoras de gestão inspiradas no mundo do futebol (título original La pelota no entra por azar, Editora Larousse, 1ª Edição, 2010), Ferran Soriano Compte, vice-presidente do Barcelona no período de 2003 a 2008, responsável por levar o clube aos patamares atuais, mostra com grande maestria que no futebol existe bobo, sim, e são aqueles que apostam na sorte. O que há, de fato, é apenas competência e que um time bem gerido e com dinheiro...

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Plano de mídia

Plano de mídia

Recebemos de Anderson Seabra, nosso assíduo leitor, um e-mail pedindo espaço para a publicação de um Plano de Mídia, que ele havia desenvolvido para o Santa Cruz. Sua intenção é ampliar em 20% (vinte por cento), no mínimo, as receitas do clube. “Sempre pecamos por não saber capitalizar a força da torcida”, dizia ele em sua mensagem eletrônica. De fato, apesar da exposição na mídia nacional, o clube nunca soube aproveitar a força e o marketing natural de seus aficionados, que se tornaram conhecidos como a torcida mais apaixonada do Brasil. Anderson Seabra, 30 anos, acompanha o Santa Cruz desde 1990 e participou da diretoria da Associação dos Amigos Tricolores do Santa Cruz – ATASC. Formado em Geografia pela UFPE, com diversos trabalhos com temas na área de futebol em congressos e obcecado pela profissionalização do Santa Cruz, tornou-se estudante de Marketing, de onde surgiu a ideia de fazer algum projeto para o Santa Cruz. “Em 2004, apresentamos o presente projeto de forma embrionária ao então presidente da época; recentemente, no início da gestão de Antônio Luiz Neto, tivemos um contato rápido com a atual diretoria e apresentamos o atual projeto, tendo resultado a relocação das placas publicitárias do estádio do Arruda”. Como qualquer torcedor, cujo envolvimento vai além das arquibancadas, Seabra deseja a profissionalização do Santa Cruz. “Tenho como sonho vê o clube com uma gestão profissionalizada e explorando toda a força de sua torcida, com uma equipe competitiva que nos represente com dignidade”, diz. Acostumado a apresentar propostas que considera relevantes para uma mudança de visão na administração do clube, Seabra pretende, mais na frente, ter uma colaboração mais ativa no Santa Cruz. “Desejo, mais adiante, fazer parte, como colaborador, da diretoria do clube”, sonha, nosso leitor. Enquanto o sonho não se realiza, ficamos com o Plano de Mídia de Anderson Seabra. Que ele possa contribuir com o engrandecimento do Santa Cruz. Plano de mídia doc.doc Ganhadores da promoção Camisa da Minha Cobra 1. Ricardo Cavalcanti; 2. Caroline; 3. Rubem Jr.; 4. Emanuel Moraes. Pedimos a Emanuel Moraes que entre rapidamente em contato conosco, através do e-mail contato@torcedorcoral.com. Utilidade Pública O leitor Leonardo Lima adquiriu recentemente esta camisa do Santa e gostaria de saber o ano exato em que ela foi utilizada pelo clube. Quem puder ajudá-lo, por gentileza, deixe a resposta na seção de comentários....

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Ajude a torcida, Presidente!

Ajude a torcida, Presidente!

Já está ficando chato. É o presidente tricolor abrir a boca e: “… Vamos ter que contar novamente com o apoio de nossa torcida e pedir para que eles, mesmo com o fim do calendário de jogos, continuem pagando suas mensalidades e atraindo novos sócios”. “Será uma desigualdade enorme contra Sport e Náutico, que, por mérito, subiram para a primeira divisão e terão vultosas quantias. Nós, com uma torcida extraordinária, teremos cota zero. Vamos entrar 2012 da mesma maneira de 2011: da pior forma possível”. “O ano de 2012 vai ser um ano extremamente difícil para o Santa Cruz enfrentar, considerando-se o fato de que os nossos principais adversários no Campeonato Pernambucano estarão com receitas enormes, bancadas pela televisão, enquanto que o Santa Cruz, mais uma vez, vai ter que iniciar o ano sem nenhum tipo de patrocínio nesta área televisiva”. “O Santa Cruz está precisando, neste momento, que aqueles que são sócios se mantenham em dia e paguem as suas mensalidades”. E Haja Saco! Toda a torcida, Presidente, está cansada de saber disso tudo: que não temos verba de televisão (o que não é totalmente verdade, já que no Pernambucano, temos, sim, uma verba), que estamos na Série C, onde falta visibilidade, Clube dos 13, e blablablá. E sempre, a única saída parece ser a nossa torcida que, aliás, só é lembrada pelo clube nesses momentos. Por que, Senhor Presidente, não fala sobre o seu esforço e de sua diretoria em renovar contratos atuais e arrumar novos patrocinadores e parceiros para o clube? Por que, Senhor Presidente, não se fala da grande campanha de sócios que está finalizada e será lançada, para atrair cada vez mais a massa coral para perto do Santa? Por que não explana o planejamento que está sendo feito para tratar os torcedores que frequentam o Arruda como consumidores e parceiros, e não como gado, enfrentando filas enormes com um sol de rachar o quengo e o bafo dos cavalos da PM? Por que não divulga que a campanha de sócios terá uma extensa lista de benefícios e vantagens para o sócio coral, como reconhecimento pelo apoio insistente, irrestrito e apaixonado? Isso tudo está sendo feito e providenciado, não está Presidente? (…) Parece que se tornou um vício da maioria dos dirigentes corais (para não dizer de todos) o apelo à torcida como única saída para o clube. E aqui não quero retirar a responsabilidade...

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Salvação

Salvação

Finda a temporada 2011, já lanço uma botica de olho para o ano seguinte, como quem não quer nada e já querendo muita coisa. Tenho esse negócio de não pensar demais no passado, feito uma pomba lesa, porque o futebol não vive de nostalgias. O que passou, passou, foi quase tudo muito bem, mas as conquistas são para guardar na lembrança e os troféus, no museu (onde está o museu?!) do clube. Ao pensar na próxima temporada, vem-me logo à cabeça a tranquilidade de não precisar correr atrás, já no Campeonato Pernambuco, de uma vaga para a competição nacional, mas, principalmente, que o abismo financeiro vai aumentar em relação aos nossos principais adversários locais. Os dois estão na Série A e nós, só agora, chegamos à Série C. Grana, grana, grana! É preciso, antes de tudo, pensar em grana, pois, já dizia o filósofo Falcão, dinheiro não é tudo, mas é cem por cento. Também é indispensável pensar em como manter o time coral minimamente competitivo na próxima temporada diante dos milhões da Rede Globo contra os trocados da TV Nova. Não que eu despreze o trabalho da TV pernambucana, que foi bacana, pois, apesar das inúmeras falhas, como começar a transmitir um jogo no início do segundo tempo, não posso negar que ela quebrou um galho lascado para a torcida coral nesta Série D. Por isso, mesmo ocupado em pensamentos altamente produtivos sobre como fazer para passar mais rápido os doze anos que ainda me restam para a aposentadoria e em como gastar o dinheiro da Mega-Sena, caso eu ganhe o prêmio sozinho, resolvi convocar uma reunião de emergência do Conselho Editorial e Pitaqueiro do Torcedor Coral para debater a questão. ― Se não tiver cerveja, nem me chame! – disse Nó Cego ao telefone, com o seu humor característico. Apesar da falta de futebol e de saco, todos compareceram. A cerveja, é bem verdade, atraiu mais a nossa equipe do que o assunto, já que, nessa época do ano, a gente só pensa em cachaça e confraternização, que no fim das contas é a mesma coisa. Comecei a reunião cheio de dedos, indo pra lá e pra cá, falando do tempo, perguntando se um e outro tinham dinheiro para emprestar ou pelo menos um colírio para pingar nos olhos, um melindre lascado, porque o assunto era chato e não havia nenhum Xeque árabe montado na grana, tampouco...

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