Futebol de várzea

Futebol de várzea

Escrevo este artigo com a alma pura e o coração sereno. Não carrego comigo sinais de irritação corrosiva, sentimento de repugnância invencível ou elevação de um rancor profundo capaz de incitar as massas a queimar em praça pública técnico, jogadores e dirigentes, como se o TC fosse um tribunal da inquisição e julgasse homens acusados de praticar bruxarias ou cometer atos de heresia. Somos, felizmente, menos do que isso, insignificantes mesmo, e incapazes, bom que se diga, de alterar, minimamente que seja, os desígnios do nosso amado clube. Sou movido e motivado por minha percepção, minha vista cansada, meu coração tricolor. Portanto, peço perdão antecipado aos amigos corais que defendem o apoio incondicional, o aplauso envergonhado diante de um futebol sofrível, a mansidão política e a fé inabalável de que a sorte nos guiará, pois sou um humilde torcedor, com direito a chutar o pau da barraca, se me convier. Assim, começo a dizer, senhor das minhas faculdades mentais e do meu equilíbrio emocional, que foi um ato de bravura assistir ao jogo do Santa Cruz contra o Salgueiro. Considero esta partida, apesar de não haver o apelo da derrota, uma das dez piores da história do nosso clube. Foi ultrajante ver um time perdido em campo, sem espírito de luta, com baixa qualidade técnica, desarticulado, sem padrão de jogo, mal treinado e escalado. Foi desanimador assistir a um técnico perdido no banco de reservas a atender aos pedidos da torcida de substituição de jogadores, como forma de minimizar o seu processo de desgaste, a sua fritura numa assadeira gigante que vem lá da arquibancada. Bom conselheiro, sugiro aos torcedores que ao pedir a entrada de um, indiquem também a saída do outro, para evitar mal entendidos, pois, às vezes, a incompreensão do técnico – são tantas vozes simultâneas e atravessadas num estádio de futebol – pode piorar ainda mais o que já é ruim. Não acompanho os bastidores do clube, não procuro nem possuo informações privilegiadas, portanto, considero-me incapaz de julgar o grau de influência do atraso dos salários – fartamente divulgado na mídia esportiva – no rendimento dos jogadores. Esse efeito, certamente, deve ser subtraído da conta do treinador. Todavia, não tenho como descartar o peso da mão do técnico, a prima responsabilidade pelo desempenho da equipe, no futebol de várzea pouco convincente reiteradamente apresentado dentro ou fora do Arruda durante toda a competição. Raramente, vimos um...

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Síndrome do peru

Síndrome do peru

Síndrome do Peru foi um termo engraçado que eu encontrei para falar com atletas sobre ansiedade, antes de períodos competitivos. No entanto, não discorrerei sobre os sintomas e implicações deste mal em desportistas. Falarei sobre a “Síndrome do Peru” que há muito tempo vem acometendo a torcida do Santa Cruz, uma vez que ela sofre às vésperas dos jogos, durante os jogos e após os mesmos. O desgaste emocional é imenso, levando parte desta mesma torcida a enveredar para as agressões verbais às pessoas que protagonizam os motivos da agonia. Melhor, então, que frustrações, medos e angústias que levam à síndrome do peru possam ser enfrentados de uma maneira menos desgastante, do ponto de vista psicológico, senão vejamos: (a) Não adianta sofrer antes do jogo, pois se o time ganhar o sofrimento terá sido à toa e se perder, será em dose dupla; (b) não é recomendável sofrer durante o jogo já que a aflição da massa coral não vai mudar a face do resultado. Assim, se o time ganhar, mais uma vez, ter-se-á sofrido em vão; (c) não adianta sofrer depois do jogo imaginando qual a formação que será montada para perder a próxima partida (não é assim que acontece?); provavelmente os comandantes não se sensibilizarão com as preocupações dos apaixonados e continuarão a escalar o time à sua maneira, pois eles são os responsáveis por esta tarefa. Portanto, se na contenda seguinte o time vencer, apesar de todos os prognósticos contrários, pessoas terão adoecido sem necessidade. Salutar mesmo é economizar energia psíquica para só morrer no dia (se for o caso) e não na véspera, como acontece com o peru. Vocês podem até pensar que eu estou pregando o conformismo com a situação em que nos encontramos, mas é justamente o contrário. Estou tentando demonstrar que, apesar de toda incerteza que permeia o futebol do Santa, é preciso permanecer vivo e não sucumbir de véspera como a ave do Natal, pois os torcedores que patrocinam do clube das três cores, são os únicos que não fogem da raia diante dos maus resultados, mas não são ouvidos, absolutamente, em nada por parte da elite dirigente do Arruda. Embora do lado de cá existam inúmeros tricolores que desejam o melhor para a nação coral e ofereçam ideias e sugestões para ajudar são, literalmente, ignorados (aqui mesmo e em outros blogs corais proliferaram sugestões e ideias, inclusive, para gerar receita…...

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Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Lembro quando estive no Mato Grosso, lugar quente pra dedéu. Tão quente que dá pra fritar um ovo no asfalto. Sei disso, porque uma vez sentei na calçada só de calção e desde então procuro evitar essas lembranças dolorosas. O banho também não é fácil, a água evaporava antes mesmo de tocar no chão. Mas o pior é aguentar a música sertaneja. Toca em todo lugar, inclusive no estádio. Soube de um ladrão que afirmou ter sofrido tortura psicológica da polícia com Zezé de Carmargo e Luciano troando na prisão. Não é à toa que a torcida do Luverdense pretende entoar ‘Entre tapas e beijos’ durante todo o jogo. Enfim, não teremos chances, mas será uma derrota suada, é óbvio. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Artur Perrusi Ficaremos verdes diante do Luverdense (sei, sei, terrível esse incico, mas pitaco é pitaco, e não poesia). Significa que não iremos amarelar, mas passaremos mal, mutio mal — com o calor e com ZT. Levaremos uma pisa calórica. Placar: Luverdense 3 x 0 Santa Cruz Paulo Aguiar O sol atrapalhou o nosso melhor futebol. Some-se isso ao forte adversário (Campeão Mato do Mato Grosso) e o fato de jogarmos em um estádio com a torcida pressionando o tempo todo. Nossos jogadores de qualidade, Memo e Chicão, não conseguiram iniciar as jogadas devido às condições do gramado; o toque refinado de Flávio Recife foi dificultado pela marcação adversária. Se a vitória não veio, o empate, que frustrou o nosso ousado treinador, foi bem aceito pela torcida. Placar: Luverdense 1 x 1 Santa Cruz Bosquímano Luverdense… Ando pessimista, não vejo o time jogando bem, aliás, não vejo literalmente um time. Bunda na parede, bumba meu boi e vitória para o escrete do luverdense. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Murilo Lins Este jogo vai ser uma verdadeira sauna, mas como nosso treinador gosta mais de transpiração do que de inspiração, acredito numa vitória surpreendente do nosso time....

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Virgindade

Virgindade

Ontem foi a minha primeira vez no Arruda nesta bagunçada Série C. No primeiro jogo estive doente. Saí de casa pronto para ir ao estádio, mas diante da chuva, recolhi meus panos de bunda e voltei para casa com a bandeira enrolada embaixo do braço. O empate com o Guarany de Sobral finalmente me afundou de vez na cama. A segunda partida, contra o Treze, foi ainda pior. Estava em Campina Grande rodeado de trezeanos, peguei o jogo na metade do segundo tempo e, completamente emputecido com os comentários sobre o futebol do Santinha, escancarei a minha opinião de que o time da Paraíba não tem direito nenhum de jogar a terceira divisão. Por fim, acrescentei anacronicamente: — Vão à merda todos vocês! Não fui linchado, mas trouxeram à minha presença um ser mitológico, metade mulher, metade vaca, que atendia por Dra. Minotaura, e que me recolheu aos costumes numa canetada com poder de grande autoridade. Só não sei se fui preso por decreto ou liminar. Por isso, o início da noite de ontem foi especial. Remontei a minha adolescência, onde quem pensa é a cabeça de baixo e se vive sob o domínio de hormônios efervescentes como uma garrafa de Coca-Cola agitada no ar. Enfim, ir ao Arruda foi como perder a virgindade. — É a sua primeira vez? — D-dá pra notar? — É que além da cara de donzelo e do monte de espinha, você está um bocadinho nervoso. — D-desculpe, mas é que eu estou numa secura lascada. Sabe como é, né? Cansei de fazer justiça com as próprias mãos. — Então menos conversa e mais ação, meu filho. Tira o meu vestido, vai. — Desculpe perguntar, mas por que essas pernas tão cabeludas? — Pra poder roçar melhor nas suas coxas. — Hum… E por que esse pomo de Adão tão pronunciado? — Pra poder sussurrar melhor no seu ouvido. — Sei. E por que… — Meu filho, tempo é dinheiro! Vem logo pra cá e põe a mão aqui. — Engraçado, eu pensei que o brinquedo das meninas fosse pra dentro, não pra fora. — É que você não conhece o segredo do amor, benzinho. — Ah, é?! E você pode me explicar por que o segredo do seu amor tá duro que só um carai?! Pelos comentários que ouvi após a partida contra o bicão da Série C, esperava mais do Santinha....

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Caso clínico

Caso clínico

Não sou esotérica. Não entendo da posição dos astros. Não sei decifrar os búzios nem as cartas de tarô. Mas acredito, sim, na energia que se troca entre as pessoas. Especialmente quando se trata de um mundaréu de torcedores, como é o caso de nosso Santinha. Não é difícil comprovar isso. Eu, que sou atriz, posso garantir que a receptividade do público influi na qualidade do espetáculo. E, no futebol, não poderia ser diferente. Milhares de pessoas torcendo juntas, acreditando, vibrando bons fluidos… tudo isso, certamente, repercute no resultado do jogo. Claro que há exceções… e estas eu prefiro nem lembrar. Mas, de forma geral, sou daquelas que esfrega as mãos, mentaliza, e nunca, jamais, deixa o campo antes do fim do jogo. Por isso, se tem algo que detesto é aquele torcedor negativo, que adora xingar o time inteiro, que sempre acha que tudo vai dar errado, que acredita que ele próprio é o supremo conhecedor das táticas futebolísticas. Em geral sou uma pessoa calma. Às vezes até simpática. Mas, quando tem um desses perto de mim, preciso respirar profundamente, contar até dez, e às vezes até trocar de lugar. Ou corro o risco de advertir o colega de que ele errou a entrada e deveria ter ido para a torcida adversária. Dia desses tinha um atrás de mim. Xingava o time inteiro. Não cansava de dizer que deveria ter ficado em casa. Ninguém, absolutamente ninguém, sabia jogar bola: nem Dênis Marques, nem Renatinho, nem Memo, nem Tiago Cardoso. Muito menos Zé Teodoro. Caça Rato, então, era o alvo predileto. Para nosso exímio conhecedor das estratégias de jogo, qualquer um jogaria melhor que o tal do Flávio Recife. Branquinho, Geilson, Carlinhos Bala e até Catatau, o massagista, poderiam ser escalados como substitutos. Eis que, no segundo tempo, e apesar das energias negativas emanadas de nosso famigerado colega, o glorioso Santa Cruz fez um gol. E adivinha dos pés de quem? Flávio Caça Rato. Foi então que percebi que torcedores como aquele eram um problema clínico. Isso mesmo, um caso médico. A exemplo daquela peixinha Dory, do filme Procurando Nemo, todos eles sofriam de perda de memória recente. Para maiores informações, sugiro consultar o Editor-Minor, Artur Perrusi, profundo conhecedor das manhas e artimanhas da alma humana. Pois é. Em um súbito ataque de amnésia, o tal colega esqueceu tudo o que acabara de dizer. Virou fã absoluto de Caça...

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