Recife, 28 de julho de 1993

Caderno de Esportes do Diário de Pernambuco Jogamos contra um time mais técnico e que teve chances de liquidar a partida. Mas, não o fez. Podemos não ter jogado bem, mas quem irá lembrar deste detalhe no futuro? O importante é que vencemos, e de uma forma dramática, uma partida que não será esquecida jamais! Saí da faculdade direto para o Estádio José do Rego Maciel, junto com colegas alvi-rubros. Antes, porém, uma passada rápida em casa para vestir a minha camisa da Adidas, com o logotipo do Banorte, que tenho guardada em lugar especial do guarda-roupa. Viemos de uma seqüência de decisões. O último jogo já foi de matar um tricolor do coração (Adeus, coisa!). Este, então, prometia ainda mais. Consegui um lugar nas cadeiras, lotada. Fiquei ao lado do meu amigo Josias (Geó), rezando para que tudo desse certo. Tínhamos que vencer, não bastava nem o empate. Edson Nogueira também estava lá. É bem verdade que ele não esperou o apito final, foi logo para os vestiários antes do jogo encerrar (veja aqui) penitenciando-se pelos erros que cometeu. Como gerente de futebol demonstrou que não confiava no elenco que ajudou a montar. Além dele, muitos tricolores também perderam a confiança assim que o Santa levou o gol; até mesmo o presidente. Não os recrimino, afinal, para o Santa Cruz tudo parece ser mais difícil.  Mas, ao invés de lamentar os que foram embora, prefiro valorizar aqueles que ficaram e que acreditaram na esperança. Parabenizar a torcida que estava presente até o final, a Santamante, os Cobrões, a Força Jovem e a nova Inferno Coral! Hoje, os que não estavam no Arruda, com certeza, estão arrependidos. Os que saíram antes do apito final, também. Perderam de ver uma epopéia do futebol. Um time limitado tecnicamente se superando com garra e confiança. Um preparador físico, que se passa por técnico, e que parece mais um motivador. Futebol é assim, sem explicação, mas com o coração na ponta da chuteira. Um erro do adversário, uma bola quicando e um chute certeiro definem uma partida; um campeonato! O jogo de hoje comprovou o que eu já sabia: jamais abandonarei o Santa Cruz, seja qual for a adversidade! Ficarei, sempre, até o último minuto. Tenho certeza que sou apenas um dentre muitos que acreditaram na última bola do jogo. Que colocaram a força necessária no pé de Célio, e que guiaram a bola...

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Lembranças de uma quarta-feira

Eu tinha uns 12 ou 13 anos. Passei a semana toda numa ansiedade de lascar. Na quarta, o Santa decidiria a classificação contra o Remo para uma fase seguinte da série B e o jogo iria pegar fogo. Era uma época de vários confrontos contra os Remistas e a rivalidade havia crescido bastante. Lembro que o escrete alvi-azulino do Pará era treinado por Waldemar Carabina. Entre seus jogadores, o goleiro Wagner (um loiro, cheio de frescuras), o volante Agnaldo (Bam-bam, ex-jogador da coisa), o atacante Luciano Viana (que mais tarde jogou no santa), dentre outros. Pra ser sincero, nem lembro quem jogava no Santa. A inda e vinda de jogadores era tão grande, que não dava pra fixar na mente nosso elenco. Lembro dos jogadores adversários, pois nosso presidente na época (Raimundo Moura) fez várias tentativas de contratar o Carabina e alguns jogadores do Remo. Chegou a quarta-feira. Tentei convencer a minha Mãe a não ir para o colégio. Não estava preparado psicologicamente para assistir aulas de história, geografia ou matemática. Estava ansioso demais. As Mães deveriam entender esse tipo de coisa! A minha não entendeu e fui apulso pra escola. O papo com os amigos tricolores era só um: o jogo da noite. Uma vitória simples nos classificaria e a simples possibilidade de levar o Santa de volta à primeira divisão mexia com todos. Passada a aula, fui correndo para casa almoçar. Sempre gostei muito de esportes e, na época, fazia parte do time mirim de vôlei da escola. Tínhamos um jogo por volta de 17:00h no colégio Salesiano por um campeonato qualquer. Não estava nem aí para esse jogo, mas pelo menos serviria pra ajudar a diminuir a ansiedade e passar o tempo. Cheguei ao Salesiano às 16:00h e tive o primeiro susto: O colégio tinha uma série de jogos previstos para aquela tarde. Tinham uns cinco jogos na nossa frente! Pânico! Perguntei ao treinador que horas seria o nosso jogo e ele falou que não tinha a menor idéia, dependeria da duração dos outros jogos. Comecei a torcer freneticamente para que os jogos terminassem em dois Set’s (na época, os jogos das categorias mirim e infantil eram resolvidas quando uma das equipes vencessem dois). Tudo parecia dar errado. Os pontos eram disputados com toda a disposição pelas equipes e demoravam minutos para que fossem decididos. Torcia de olho no relógio da quadra. Entrei em quadra às...

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Apenas seis

Continuando a série de artigos sobre a terceirona, falaremos agora sobre a participação dos times pernambucanos na primeira fase de 2007. Porém, antes disso, é impossível ficar calado diante de algumas coisas que vêm ocorrendo. Eram 6:00h da manhã de um dia de sábado. Eu já estava acordado, tomado café e uniformizado com o padrão para a partida decisiva. Eu era oitava série e estudava no meu querido Colégio Marista, na Avenida Conde da Boa Vista, que, infelizmente, não existe mais. A decisão era 8ª D (minha sala) contra 8ª C. Como todo bom adolescente, odiávamos os meninos da 8ª C e só paquerávamos as meninas de lá para deixá-los com inveja. Pense numa sala para ter gente tabacuda! A rivalidade entre nossas salas era quase como entre Santa e a coisa. E, para piorar tudo, tínhamos os melhores times de futsal do colégio e desde a 5ª série, fazíamos todas as finais das olimpíadas internas, as saudosas “Olimpíadas Champagnat”. Eu era o goleiro de minha sala, e, estava ansioso pela nova final. A grande partida estava marcada para às 07:30h. Cheguei ao colégio às 06:30h e de cara, me reuni com meus amigos e jogadores. Até as meninas saíram de casa num dia de sábado para animar nossa torcida. Tudo pronto. Juiz na quadra. Atletas aquecidos para jogar. A batucada comendo no centro. Só faltou um pequeno detalhe: o adversário não havia chegado. Só tinham 4 jogadores da 8ª C. Resultado: Ganhamos e fomos campeões por WxO. Amigos, em jogos importantes, esse foi o único WxO que já vi acontecer. Mais uma para o currículo de nosso presidentezinho. Outra vergonha, outra desculpa vergonhosa. Pesidentezinho, junte mais essa ao restante que você fez só esse ano: Estádio interditado, tendo que disputar jogo no chiqueiro onde suzies botam a bunda num mastro. Peneirão de ex-jogadores para ver se garimpa alguém. Aliás, quase que me candidato também num peneirão desses. Melhor, faz uma promoção Sr. Presidente, quem for de camisa ao estádio, paga meia; quem for de camisa e calção, entre de graça e quem for de camisa, calção e chuteiras , é escalado e entra jogando. Disputar hexagonal da morte. Contratar e dispensar jogadores mesmo antes dos mesmos treinarem uma semana. Voltando para a série C, como sabemos, em sua primeira fase, é divida em 16 grupos de 4 times. E pegamos o seguinte grupo: Central (6 pontos em 2007,...

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