Sem rumo

Sem rumo

Adoeci no início da noite de domingo e me encontro ainda em convalescença, nada grave, uma virose que afetou a garganta, que contraí de meu filho pequeno e se alastrou por toda a família. Por isso, na segunda-feira de manhã, da minha janela observava as nuvens pesadas que ameaçavam desabar sobre o Arruda, apesar do dia de sol no resto da cidade. Com jeitão de sócio majoritário do Santa Cruz, Zé Teodoro, que havia declarado que daria um crédito de confiança à diretoria para quitar os salários atrasados dos jogadores (sic), surpreendeu-se com uma reunião para tratar de seu futuro. A falta de padrão de jogo, os resultados pífios e a insatisfação da torcida, tudo obrigava o pacato presidente coral a sair de sua zona de conforto para tratar da possível demissão do técnico. É bem verdade que em todas as entrevistas concedidas às emissoras de rádio locais, Antonio Luiz Neto negou categoricamente que sequer chegara a cogitar a saída do treinador, mas foram tantas as fontes dentro e fora do clube que confirmaram o teor da reunião, que é quase impossível acreditar no contrário. Todavia, o presidente goza da credibilidade de sua palavra, ainda que, neste caso, signifique uma enorme tolice administrativa confiar cegamente em um técnico que já não rende o esperado e compromete o futuro do clube na competição e o objetivo de chegar à Série A no ano do centenário. Seja como for, Zé Teodoro permanece até contra-ordem, que pode ocorrer logo ali, no próximo jogo, se não houver uma mudança radical de atitude e, obviamente, de resultados. Na versão que contraria a lógica oficial, Sandro teria sido convidado para assumir o time em lugar do técnico, mas recusou gentilmente a oferta e pediu nova oportunidade para Zé Teodoro, de quem é fiel escudeiro, apesar dos rumores de alguma insatisfação na armação do time. Alguns jogadores retornariam do Departamento Médico, o time se ajustaria em questão de tempo, tempo, aliás, cada vez mais escasso para uma volta por cima. A versão não-oficial, caso verdadeira, preocupa tanto ou mais que a permanência do treinador. Além de não ter a experiência necessária para tirar o time da crise — o Assistente Técnico tenta, pela primeira vez, novo passo em sua carreira profissional — é a opinião de Sandro, segundo Joaquim Bezerra, vice-Presidente e ex-Diretor Financeiro, em sua carta de afastamento, que prevalece sobre qualquer outro diretor, sob...

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Futebol de várzea

Futebol de várzea

Escrevo este artigo com a alma pura e o coração sereno. Não carrego comigo sinais de irritação corrosiva, sentimento de repugnância invencível ou elevação de um rancor profundo capaz de incitar as massas a queimar em praça pública técnico, jogadores e dirigentes, como se o TC fosse um tribunal da inquisição e julgasse homens acusados de praticar bruxarias ou cometer atos de heresia. Somos, felizmente, menos do que isso, insignificantes mesmo, e incapazes, bom que se diga, de alterar, minimamente que seja, os desígnios do nosso amado clube. Sou movido e motivado por minha percepção, minha vista cansada, meu coração tricolor. Portanto, peço perdão antecipado aos amigos corais que defendem o apoio incondicional, o aplauso envergonhado diante de um futebol sofrível, a mansidão política e a fé inabalável de que a sorte nos guiará, pois sou um humilde torcedor, com direito a chutar o pau da barraca, se me convier. Assim, começo a dizer, senhor das minhas faculdades mentais e do meu equilíbrio emocional, que foi um ato de bravura assistir ao jogo do Santa Cruz contra o Salgueiro. Considero esta partida, apesar de não haver o apelo da derrota, uma das dez piores da história do nosso clube. Foi ultrajante ver um time perdido em campo, sem espírito de luta, com baixa qualidade técnica, desarticulado, sem padrão de jogo, mal treinado e escalado. Foi desanimador assistir a um técnico perdido no banco de reservas a atender aos pedidos da torcida de substituição de jogadores, como forma de minimizar o seu processo de desgaste, a sua fritura numa assadeira gigante que vem lá da arquibancada. Bom conselheiro, sugiro aos torcedores que ao pedir a entrada de um, indiquem também a saída do outro, para evitar mal entendidos, pois, às vezes, a incompreensão do técnico – são tantas vozes simultâneas e atravessadas num estádio de futebol – pode piorar ainda mais o que já é ruim. Não acompanho os bastidores do clube, não procuro nem possuo informações privilegiadas, portanto, considero-me incapaz de julgar o grau de influência do atraso dos salários – fartamente divulgado na mídia esportiva – no rendimento dos jogadores. Esse efeito, certamente, deve ser subtraído da conta do treinador. Todavia, não tenho como descartar o peso da mão do técnico, a prima responsabilidade pelo desempenho da equipe, no futebol de várzea pouco convincente reiteradamente apresentado dentro ou fora do Arruda durante toda a competição. Raramente, vimos um...

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Síndrome do peru

Síndrome do peru

Síndrome do Peru foi um termo engraçado que eu encontrei para falar com atletas sobre ansiedade, antes de períodos competitivos. No entanto, não discorrerei sobre os sintomas e implicações deste mal em desportistas. Falarei sobre a “Síndrome do Peru” que há muito tempo vem acometendo a torcida do Santa Cruz, uma vez que ela sofre às vésperas dos jogos, durante os jogos e após os mesmos. O desgaste emocional é imenso, levando parte desta mesma torcida a enveredar para as agressões verbais às pessoas que protagonizam os motivos da agonia. Melhor, então, que frustrações, medos e angústias que levam à síndrome do peru possam ser enfrentados de uma maneira menos desgastante, do ponto de vista psicológico, senão vejamos: (a) Não adianta sofrer antes do jogo, pois se o time ganhar o sofrimento terá sido à toa e se perder, será em dose dupla; (b) não é recomendável sofrer durante o jogo já que a aflição da massa coral não vai mudar a face do resultado. Assim, se o time ganhar, mais uma vez, ter-se-á sofrido em vão; (c) não adianta sofrer depois do jogo imaginando qual a formação que será montada para perder a próxima partida (não é assim que acontece?); provavelmente os comandantes não se sensibilizarão com as preocupações dos apaixonados e continuarão a escalar o time à sua maneira, pois eles são os responsáveis por esta tarefa. Portanto, se na contenda seguinte o time vencer, apesar de todos os prognósticos contrários, pessoas terão adoecido sem necessidade. Salutar mesmo é economizar energia psíquica para só morrer no dia (se for o caso) e não na véspera, como acontece com o peru. Vocês podem até pensar que eu estou pregando o conformismo com a situação em que nos encontramos, mas é justamente o contrário. Estou tentando demonstrar que, apesar de toda incerteza que permeia o futebol do Santa, é preciso permanecer vivo e não sucumbir de véspera como a ave do Natal, pois os torcedores que patrocinam do clube das três cores, são os únicos que não fogem da raia diante dos maus resultados, mas não são ouvidos, absolutamente, em nada por parte da elite dirigente do Arruda. Embora do lado de cá existam inúmeros tricolores que desejam o melhor para a nação coral e ofereçam ideias e sugestões para ajudar são, literalmente, ignorados (aqui mesmo e em outros blogs corais proliferaram sugestões e ideias, inclusive, para gerar receita…...

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Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Lembro quando estive no Mato Grosso, lugar quente pra dedéu. Tão quente que dá pra fritar um ovo no asfalto. Sei disso, porque uma vez sentei na calçada só de calção e desde então procuro evitar essas lembranças dolorosas. O banho também não é fácil, a água evaporava antes mesmo de tocar no chão. Mas o pior é aguentar a música sertaneja. Toca em todo lugar, inclusive no estádio. Soube de um ladrão que afirmou ter sofrido tortura psicológica da polícia com Zezé de Carmargo e Luciano troando na prisão. Não é à toa que a torcida do Luverdense pretende entoar ‘Entre tapas e beijos’ durante todo o jogo. Enfim, não teremos chances, mas será uma derrota suada, é óbvio. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Artur Perrusi Ficaremos verdes diante do Luverdense (sei, sei, terrível esse incico, mas pitaco é pitaco, e não poesia). Significa que não iremos amarelar, mas passaremos mal, mutio mal — com o calor e com ZT. Levaremos uma pisa calórica. Placar: Luverdense 3 x 0 Santa Cruz Paulo Aguiar O sol atrapalhou o nosso melhor futebol. Some-se isso ao forte adversário (Campeão Mato do Mato Grosso) e o fato de jogarmos em um estádio com a torcida pressionando o tempo todo. Nossos jogadores de qualidade, Memo e Chicão, não conseguiram iniciar as jogadas devido às condições do gramado; o toque refinado de Flávio Recife foi dificultado pela marcação adversária. Se a vitória não veio, o empate, que frustrou o nosso ousado treinador, foi bem aceito pela torcida. Placar: Luverdense 1 x 1 Santa Cruz Bosquímano Luverdense… Ando pessimista, não vejo o time jogando bem, aliás, não vejo literalmente um time. Bunda na parede, bumba meu boi e vitória para o escrete do luverdense. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Murilo Lins Este jogo vai ser uma verdadeira sauna, mas como nosso treinador gosta mais de transpiração do que de inspiração, acredito numa vitória surpreendente do nosso time....

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Ei, você aí…

Ei, você aí…

Da séria série A bola não entra por acaso (inspirada no livro homônimo de Ferran Soriano Compte, Editora Larousse) A principal resposta à questão crucial que teria levado o Santa Cruz à bancarrota é praticamente uma unanimidade. Ao menos nove entre dez tricolores apontarão a exclusão do Clube dos 13 como maior responsável pela escassez de títulos e participações importantes nas competições nacionais. Não é para menos, desde a criação dessa entidade, o Santa Cruz assistiu a um de seus principais rivais disparar na hegemonia local e se viu cada vez mais longe do principal campeonato do país. Contudo, para entender a mudança no cenário esportivo é preciso voltar no tempo para conhecer a composição das receitas do futebol daquela época e comparar com o modelo atual. Até os anos 80 o futebol possuía um apelo local com uma característica comum a todos os clubes: a maior parte da receita resultava da venda de ingressos, das mensalidades dos sócios e, eventualmente, da negociação de algum jogador. Para se ter uma ideia, Nunes, um dos grandes nomes do time daquela época, foi comprado em 1975 por Cr$ 320 mil e vendido em 1979 por Cr$ 9 milhões ao Flamengo. O clube possuía uma saúde financeira invejável e esse modelo de negócio permitiu que o Santa Cruz tivesse em Evaristo Macedo o segundo maior salário entre os técnicos de futebol da América Latina, atrás apenas de César Luis Menotti, campeão do mundo pela Argentina no ano anterior (leia aqui). A lenta transformação desse cenário esportivo com a chegada da televisão privada, que passou a enxergar o futebol como entretenimento, transformando-o em negócio rentável, não mudou a lógica do Santa Cruz, que ainda hoje tem na venda de ingressos a sua maior fonte de receita. Assim, apesar de seu potencial de crescimento, o clube não conseguiu ampliar suas fronteiras além do Estado de Pernambuco. Esta situação causou uma acomodação na condição de força local, enquanto outras agremiações se consolidaram como força nacional. Contudo, o futebol brasileiro, de uma maneira geral, também perdeu espaço no cenário internacional. Alguns clubes europeus, os principais beneficiados com a chegada da TV privada no meio esportivo, alcançaram o status de potências globais e ganharam mercados promissores, além de suas fronteiras, como o americano e o asiático. O estrangulamento financeiro dos dias atuais se relaciona diretamente com a escolha involuntária do Santa Cruz, através dos desmandos administrativos e...

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