O Santa lorizou

Foto: Dimas Lins, do celular Uma das fotos publicadas durante transmissão do TC pelo Twitter Quem assistiu ao jogo desta quarta-feira não teve dúvidas: o Santa lorizou. Aqui o nome próprio Lori, um dos símbolos da mediocridade do nosso futebol nos últimos anos, dobra-se ao caráter dinâmico típico dos verbos e passa a admitir a flexão do modo, tempo, pessoa e número. Do primeiro ao último minuto, o time coral jogou uma bolinha murcha de dar dó. A derrota foi incontestável. Fomos dominados do início ao fim da partida pelo toque de bola envolvente do adversário e por nossa apatia em terceiro grau. Até o nosso único tento – um gol bambo que contou a ajuda do goleirinho da água sanitária Dragão – foi um retrato fiel do que fizemos em campo. A certa altura, esfreguei os olhos e neguei por três vezes que era Dado Cavalcanti quem comandava o time à beira do gramado. Não podia ser. Juro que da arquibancada tive a sensação de ouvir os roncos de Lori Sandri vindo do banco de reservas e me assustei.  Nunca me saiu da cabeça as aventuras daquele treinador à frente do Santa. Imaginava-o sempre durante uma partida, tal era o estágio letárgico do time, pedindo para que um e outro jogador se afastassem um bocadinho para que ele pudesse deitar e dormir em berço esplêndido. Depois do apito final, quem sabe, algum jogador cutucaria seu ombro e diria: “ei, Lori, acorda, que o jogo já acabou”. Assustado, pedi a Perrusi que me beliscasse, mas ele preferiu largar a mão na minha cara aos gritos de “Acorda, carai!”. Apanhei pelo time. Pensei em revidar, mas imediatamente levei outro golpe certeiro, desta vez vindo do campo. Era a virada do time goiano. Quem sofre não esquece suas marcas, por isso, escrevi com um medo lascado de ter um pesadelo daqueles com Lori roncando e derramando uma baba densa e gosmenta nos jogadores sentados ao seu lado. A baba de um treinador, para quem não sabe, sempre respinga na torcida. Difícil para quem assistiu ao jogo contra o Botafogo no Engenhão acreditar na involução do time na última quarta-feira. O Santa apresentou um futebol sem esperança e, em nenhum momento, nem mesmo quando ganhava a partida por um a zero, me fez acreditar na vitória. O que mais me chamou a atenção foi que a mediocridade não ocorreu apenas aqui e...

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Resenha do jogo

Dado não tem culpa de o time ter uma zaga ridícula. A culpa não é, inclusive, nem dos jogadores, mas sim de quem os contratou. Com Leandro Cardoso, a zaga já é ruim, imagine sem o cabra. O que poderia fazer Dado, com essa zaga e sem Jackson? Sem Natan, qual seria o jogador para entrar no meio-campo? Dado não teve confiança em Serginho, nem em Marcelinho. Tem suas razões. E, assim, achou por bem escalar Marcos Mendes. Com isso, jogou com três volantes, sem armação no meio-campo. Pior, talvez, pois tentou um dueto entre Miolo e Marcos Mendes que, infelizmente, além de não ter dado (desculpe o trocadilho) certo, eliminou alguns milhares de neurônios do meu cérebro. Foi o preço para entender o objetivo do dueto. Deu uma  dor de cabeça do carai. Miolo no meio? É mais fácil o Cão da Menália  (TC é cultura!) parar de perseguir a Lebre do que essa dobradinha dar certo. Provavelmente, o objetivo de nosso técnico, o que é humanamente compreensível, era proteger a zaga. Imagino Dado, coitado, tendo pesadelos com Alysson e Luiz Eduardo. É uma zaga de lascar o coração. Dado envelhecerá rápido, podem ter certeza. Contudo, com Marcos Mendes, o preço foi alto, excessivo até: perdemos o meio-campo. Fico pensando se não valia pena ter arriscado, desde o início, em escalar o time com Serginho ou Marcelinho; mas, futurologia não decide partida. Em suma, no primeiro tempo, a Coisa deitou e rolou. Claro, teve aquele lance do “impedimento”, sem dúvida um erro da arbitragem. Porém, a Coisa jogava melhor. Na minha opinião, o domínio do adversário foi nítido e, confesso, tive pouca esperança durante o primeiro tempo. No segundo tempo, esperava a saída de Marcos Mendes. Sinceramente, acho a minha expectativa perfeitamente prosaica e um tanto óbvia. Marcos Mendes tem esse fabuloso poder de criar, no torcedor, a fantasia de sua ausência. Paradoxalmente, a sua ausência preenche uma lacuna. Num mundo ideal, não existiriam Marcos Mendes; no Santinha, é legião. Só que Dado não tirou o cabra. Tem suas razões. Mas reconheço que o time voltou mais organizado, e a Coisa deu mais espaço ao Santa – todo time de Givanildo faz isso, depois de fazer um gol. Comecei a ter esperança. Foi aí que Brasão foi expulso. Sua expulsão foi decisiva. Dois clássicos, duas expulsões. Brasão precisa se controlar. Pra que tanto espalhafato, tanto exagero? Toma continência,...

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O livro dos últimos dias

Domingo passado, no jogo contra o Ypiranga, encontrei o Coronel Peçonha nas sociais. Depois de uma partida assustadora, Peçonha desabafou: “estamos assistindo aos últimos dias do Santa Cruz”. A frase não foi dita por dizer. Ela veio da angústia de quem assiste ao clube que tanto ama, a quem gastamos em vão tanta benquerença, agonizando em praça pública. É como observar o gado morrer à míngua na seca, magérrimo, mil carrapatos agarrados em seu focinho, e não ter sequer um gole d’água para lhe dar de beber. É possível que frase assim, dita no calor da emoção, não passe de exagero de um tricolor desanimado com este estado de coisas ruins. Temos, afinal, a virtude de acreditar até o fim. Quando não nos resta mais nada, nos agarramos à fé e esperamos a nossa redenção. Mas há a questão inegável de que a fé, que alcança todas as coisas, talvez não alcance o futebol. O fato é que há um istmo entre a realidade e o exagero. Tanto podemos nos recuperar e nos tornar um clube grandioso, como afundar de vez. Os sinais do fim estão em toda parte, nós os vemos, mas não queremos enxergar, porque a crença de que somos eternos nos cega. Apenas parecemos imortais, mas somos suscetíveis à morte como qualquer pessoa, física ou jurídica (as pessoas jurídicas acabam, porque os homens acabam com ela). Olhamos para o céu e não discernimos os sinais dos tempos. O fim chega para todos e poderá chegar – por que não? – para nós. O ritmo com que seguimos rumo ao desfiladeiro é intenso e frenético. Cada nova esperança surgida é gravemente desfeita em velocidade espantosa. Botamos fé em Édson Nogueira, acreditamos em FBC, mas o que há de verdade é que pouco coisa mudou. Um botou o clube na quarta divisão e o outro não consegue tirá-lo de lá. Seguimos como segue um trem sem governo ou um carro correndo na contramão. Nos tempos atuais, vivemos perigosamente. Por isso, é preciso tomar cuidado. É preciso cuidar que esse clube não se acabe, que ao contrário se levante, se engrandeça, nos orgulhe, orgulhe nossos filhos, nossos netos e futuras gerações. Que ele não morra em nossos braços, por nossas mãos. Que ele viva, que viva eternamente, conquanto que seja possível, que saia da letargia, que vá em frente, que não desista nunca. O caminho do fim sempre será...

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Ensaio sobre o desgosto

Não é de hoje, nem de ontem, que ando desgostoso com o futebol. Meu desgostar é bem mais antigo e bem mais profundo. Quarenta e três anos é idade pouca, mas também é muita. E talvez venha da idade a minha dificuldade em arrancar um novo artigo desde o meu último. Preferi parar um pouco, deixar passar. Melhor escrever alguma coisa mais leve para o Estradar, meu blog de contos e crônicas de uma gente brasileira, que já havia passado da hora. É que há momentos que é praticamente impossível ouvir, ver, falar ou escrever algo sobre o Santa. Sou torcedor de arquibancada, como qualquer outro, o que posso fazer, camaradas? Não há mal nenhum em desgostar. O desgosto traz, às vezes, uma serenidade assombrosa. É que o desgosto atua como uma camisa de força na paixão desenfreada que a gente sente por um clube de futebol. Com a paixão trancafiada a sete chaves, as idéias envelhecem e tornam-se mais claras. Um pensamento velho, ao contrário do que parece, é o que há de mais inovador. Quem pensa há mais tempo, enxerga mais longe. Que o digam nossos leitores Cláudio Guimarães e Jânio, que conseguem ver de suas janelas o mundo melhor do que eu. Sendo assim, a gente pensa duas, ou mais vezes, em entrar nesta ou naquela discussão. Mas vou entrar, ainda que só por um instantinho na questão da efetivação de Dado Cavalcanti, porque meu desgosto também vem do presente e entendo o debate como uma das coisas mais esplêndidas da democracia. Mas não vou com muita sede ao pote, que não carece, que minha opinião não mudará as pessoas, nem o mundo. Mas antes de falar em Dado, tratarei de outras coisas, pois no Santa há muito por desgostar. Tenho, por exemplo, desgostado cada vez mais de ser conselheiro do clube. Não há nada mais apático, mais emperrado e menos funcional que o Conselho Deliberativo. Lá, não acontece nada. Ultimamente, nem reunião. E não adianta espernear, nem pedir por favor. A julgar pela despreocupação de todos, tudo deve andar as mil maravilhas no Santa Cruz. Por isso, com o andar da carruagem, dificilmente terei ânimo em sê-lo novamente na próxima gestão. Desgosto também dos nossos uniformes. Achei-os de um mau gosto tremendo. No uniforme coral, a linha branca é tão tênue que me lembra outro time, além do quê o preto toca o vermelho na...

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Quando a água faz falta

João Lins Para torcer pelo Santa Cruz, precisamos possuir uma série de atributos, tais como: amor incondicional, perseverança, paciência, excelente memória para recordar o passado, acreditar que é possível mudar o presente, apesar dos fatos mostrarem o contrário. O conjunto desses atributos são componentes que fazem da torcida tricolor algo inexplicável perante os simples mortais, ou seja, a torcida mais apaixonada do Brasil. Não existe explicação para tanto amor e fidelidade a um time que nos últimos anos só tem sido motivo de decepção. Somos uma espécie em extinção, do tipo que ainda acredita, apesar de tudo. Porém, o fato do torcedor ser tolerante e paciente não implica que ele seja um desconhecedor do futebol e que aceite passivamente tantos erros cometidos ao longo dos anos, na administração do departamento de futebol do Santa Cruz, com contratações de jogadores que, em sua maioria, seriam reservas em qualquer time de pelada da nossa cidade. Sabemos e entendemos a falta de recursos para contratações de alto nível, porém, com os recursos existentes, daria pelo menos para formar um time de melhor qualidade. O que se constata é um time formado por um bando de peladeiros (de baixo nível), um treinador superado, que não faz treinamento específico e um diretor de futebol que chegou falando muito e tem feito pouquíssimo para formar um time capaz de sair da série D. Se continuar dessa forma, corremos o risco de não disputar a série D, pela péssima classificação no Pernambucano. Não obstante todos esses problemas, temos ainda que escutar nosso superado treinador dando entrevistas desastradas, como falta de chuteiras adequada ao estado do gramado e que os jogadores tiveram que tomar banho com água da piscina, pois não havia água nos chuveiros do vestiário. Independente do que tenha ocorrido, não podemos aceitar esses acontecimentos e, principalmente, a divulgação pelo treinador, o que deixa bem claro seu despreparo e falta de respeito com o clube. Somos uma torcida paciente e compreensiva, mas tudo na vida tem um limite e acredito que esse limite chegou. Querer desviar as atenções do péssimo rendimento do time para falta de água, além do desrespeito com o clube e sua torcida, demonstra que o Santa Cruz está sem comando. Se não tiver outra alternativa, vamos processar a Compesa! Nota da redação: Pierre Lucena, Doutor em Finanças, publicou no blog Acerto de Contas um texto bastante duro sobre FBC. Independente de...

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