Meu encontro com Levir Culpi

Meu encontro com Levir Culpi

Depois de algumas tentativas, sem sucesso, consegui encontrar o zagueiro bissupercampeão de 1976 vestindo a camisa coral. O encontro foi em um sábado pela manhã, no hotel onde o Fluminense estava hospedado. Levir Culpi, paranaense, capitão da seleção brasileira Sub-20, zagueiro que marcou época no Santa Cruz, atual treinador do Fluminense, chegou diretamente do treino, para sentar ao meu lado e conversamos sobre o passado e o presente, com uma dose de futebol no meio.

Leia Mais

Para grafitar o Arruda

Para grafitar o Arruda

História que conto agora se passou assim: fomos para o Arruda a fim de nos tornarmos testemunhas vivas da volta de Grafite às hostes corais. Estacionamentos das ruas circunvizinhas lotados, o povão vestido em perto, branco e encarnado caminhando em passos apressados. Fogos no ar. Teria chegado o prometido? Pensamos. Talvez só o anúncio, a chamada para apressar o trânsito intransitável. Não dava para andar rápido, a coluna não ajudava, mas Toy estava impaciente, ansioso. Pegava no meu braço como se quisesse me levar nas costas. Eu disse: calma, já estamos aqui, um ou dois minutos não fazem diferença. Gente, muita gente se encaminhando para o Estádio José do Rego Maciel e lá, que alegria, o povo sendo recebido com música, daquelas que mexe com o coração, como as de Nando Cordel. Outras cobras corais das artes musicais desfilavam pelo pequeno palco, que tinha um som aquém da acústica do local, mas dava pra quebrar um galho. Valeu muito pela intenção. Burburinho, conversas paralelas, esperanças nos olhos, comentários, exultação. Eu gosto de olhar estas coisas. Pareciam crianças à espera do Papai Noel. E não é que apareceu um helicóptero! De início pensamos que era para filmar a turma na maior euforia. Ledo engano era Grafite dentro da aeronave preste a aportar no gramado do Arrudão. Ao longe, sua figura esguia vestida num paletó preto de calça coronha não dava para confundir. O mais alto de todos. Na negritude de sua pele os dentes alvos se destacavam na tarde cálida de sol escondido, escancarados de ponta a ponta do rosto. Estava feliz “de volta para o aconchego”. Num lampejo lembrei-me do Grafite, ainda jovenzinho, que conheci em 2001, na fracassada campanha da série A. Sempre cabisbaixo após as derrotas, quieto no seu canto, contrastando com a descontração e alegria de muitos atletas para quem o Santa Cruz não representava, absolutamente, nada. Não foi fácil para aquele menino a mudança de vida e a entrada no mundo do futebol e, mesmo quando pessoa no andar de cima na hierarquia dos que comandavam os atletas o detratava, ele perseverava. Era resiliente e, talvez, por isto, deu a volta por cima, galgou novos caminhos, alcançou a seleção brasileira e depois de anos longe da terra natal voltou ao clube que o acolheu de início e que o projetou no mundo futebolístico. Grafite sabe que daqui emitirá o brilho de sua estrela e a...

Leia Mais

Conversa no zapzap

Conversa no zapzap

Era uma vez uma conversa. Tudo começou assim… _Assiste ao jogo aonde? _Estou em casa. Artur pensava que Dimas estivesse por aí, nalgum desvario, mas não, estava em casa. _É melancólico. Dois velhos em casa. De fato, era triste. Cada um na sua casa, e o mundo pegando fogo lá fora. _Tá com medo do fascismo? _Quero sair de vermelho. _Tu num tá doido não, rapaz! _Ou de Satanás. _Aí lascou geral. Artur pensou num mundo melhor, cheio de transexuais, com coxinhas podendo sair do armário, sem culpa e sem timidez. _Tá louco?! Cunha te mata. Mas Artur não tinha falado nada; só pensado. Pensar é pecado? Claro, Deus sabe de tudo. Mesmo no banheiro, Ele te vê. Silêncio. Como narrador, forço minha criação, justamente esta narrativa, caros leitores, ao silêncio. Pois tenho medo de pronunciar seu Nome em vão. O medo terrível de que, uma vez pronunciado, as contingências sem limites do jogo linguístico (metáforas, retóricas, etc. e tal) destruam niilisticamente o mistério da transcendência. _Será que Deus dá a opção de não acreditar Nele? Quem disse isso? Eu sou o narrador. Quem disse isso? Silêncio. Tudo bem, esqueçamos a querela agnóstica; mas, como Dimas tinha adivinhado o pensamento de Artur? O cabra pensa em transexuais, coxinhas, Felicianos, Malafaias (vai procurar!), e Dimas sabe de tudo. Como? Um mutante? Um X-Men? Como telepata, será que o Editor-Mor teria um caso com Jean Grey, a espetacular Fênix? Deve ser incrível! Uma paixão que incinera literalmente o coração. Mas… e Wolverine, e Ciclope? Dimas era páreo para esses dois? Sei não, pensou Artur. _Você acha que a cura gay melhoraria o Santa? Impossível, disse o narrador dessa crônica. _Oxe, se sou o narrador, quem narrou agora? Havia, de fato, confusão na autoria da narrativa. Tempos sombrios, pensou o teclado. Retomemos a conversa. _Botei umas cervejas pra gelar, mas ainda não tive coragem de abrir. _Isso é grave. Pior, sou eu, pois nem cerveja comprei. _Só abro uma, se o time me animar. Gastar cerveja à toa não dá… Assistir a time ruim, só bêbado ou drogado, suspirou Dimas. Artur imaginou-se logo no Uruguai, terra do bom e do melhor. Ou em Amsterdam! Sim, na Holanda! No Quartier Rouge! _Ao invés de uma dona da Tailândia, onze pernas de pau! Como Dimas adivinhava o pensamento de Artur? Talvez, porque Artur fosse sumamente previsível. E Dimas tem esse defeito: só diz a verdade....

Leia Mais

O que pensar?

O que pensar?

Amigos, primeiro desejo dar os parabéns. Não é apenas pelos oito anos do Blog, mas, parabéns por saber como foi difícil e, ao mesmo tempo, divertido esses oito anos. Eu mesmo era colaborador assíduo com agenda e pauta pra cumprir no início do blog. Agora, passei a ser um leitor que pouco comenta e que esporadicamente tem algum desabafo a fazer ou uma opinião a dar e, humildemente, peço a caridade de um espaço aqui ao chefe Dimas. Então, meus parabéns não vão ao endereço IP que hospeda esse Blog, mas a quem, obstinadamente, contra tudo e contra todos, busca inspiração para escrever. Parabéns a todos os autores e obrigado pela qualidade “Casa dos Frios” dos textos. Bom, eu não estou escrevendo para discordar da maioria, nem para concordar com a minoria. Estou escrevendo apenas para perguntar e saber o que pensar, porque estou mais perdido que o time de Ataíde contra o Salgueiro. Leio todos os dias que dificilmente fulano renovará, que é impossível beltrano ficar, que sicrano tem proposta de Série A, e agora que o Ceará vai levar. Li até que o Ceará quer contratar Catatau. Ainda quer levar Galvão e Abílio pra abrir dois bares, um no PV e outro no Castelão. Isso me deixa em pânico, afinal, não temos poder de fogo pra brigar com ninguém. Perdemos contratações e renovações para Ceará e Botafogo-SP. Dependemos de esmola de Salgueiro pra ter um zagueiro. Isso é o cúmulo. Mas isso é a verdade. Estamos em 36 no ranking dos últimos 5 anos. Trigésimo Sexto, existem 35 times acima! Por mais duro que possa ser, seria impossível encarar o Santa como um time que iria disputar uma série B (depois de anos) pra subir com pé nas costas. Foram 7 anos longe de qualquer coisa que se assemelhe com futebol profissional, peregrinando entre séries C e D. Afirmo categoricamente que se não fosse a torcida, o Santa Cruz ainda estava por lá mesmo, fodendo-se contra Águia de Marabá e Guarany de Sobral. Se acontecer com a Barbie, o que aconteceu conosco, elas fecham as portas. Comparo administrativamente e financeiramente (retiro tradição e torcida) nossa volta à segundona exatamente como a presença nessa série de um ASA ou um ICASA, onde o maior desafio é apenas manter-se e evitar um rebaixamento imediato (como acontece conosco quando pisamos na Série A). Conseguimos com louvor. Isso me consola um...

Leia Mais

Não precisa fazer mais nada

Não precisa fazer mais nada

O texto de Maneca é anterior à segunda vitória do Santinha. Suas sugestões não envelheceram; ao contrário, tornaram-se mais atuais do que nunca. Às vezes, fico pensando se a torcida do Santa Cruz é de uma burrice imensa ou de uma sabedoria tão superior, que não consegue transmitir suas ideias, tal qual um professor que tenha um Ph.D e seja gago dando aula. Absolutamente, todos os dias, entro nos blogs e tento olhar algo diferente e não consigo, pois todos concordam em 90% do que é falado. Será que sofremos de burrice coletiva? Pois bem, vamos aos fatos de acordo com o meu ponto de vista. Não temos um time ruim pra caralho. Temos um time que precisa ser reforçado. O fato é que temos um aproveitamento pífio, com 7 empates e uma vitória. O fato é que temos alguns jogadores (titulares ou que estão no banco) que eu não aguento nem mais escutar seu nome falado por um narrador. O fato é que, em determinados momentos de uma partida, beiramos o ridículo tático e técnico. Continuamos com os fatos. O fato é que jogamos apenas 2 partidas em casa, sendo uma com Vica (um time perdido, com um treinador sem conseguir mais motivar a equipe) e outra com o campo com mais agua que o Sistema da Cantareira em São Paulo. O fato é que, se não ganhamos muito, não perdemos nenhuma partida (mesmo com a ruindade citada acima). O fato é que jogar nos Aflitos não é bom e nem é jogar em casa (até os jogadores do Náutico saíram metendo o pau no pasto chamado gramado). O fato é que o nível da Série B (por enquanto) é tão ruim que a única contratação (um volante do Central) é titular, jogando razoavelmente, e Pingo faz gol e até dá passe de calcanhar pra gol de Nininho. Enfim, amigos, o que quero dizer é que, se não está bom, está longe de estar uma catástrofe. Acho que, com mais umas 4 boas contratações, subimos com o pé nas costas. E a hora de contratar é essa, pois, na pausa da copa, a série A faz a feira e só sobra lixo. E contratar bem mesmo. Não entra, na minha cabeça, como o Fortaleza (anos de série C) consegue pagar R$ 60.000,00 a um jogador e, no Santa, quem ganha R$ 25.00,00 é considerado alto salário. Contratem 4...

Leia Mais
1 de 9123...