Acertos e desacertos

Acertos e desacertos

Não deu. O primeiro título nacional do Santa Cruz, de uma sofrível Série D, não veio e ficou com a equipe que mais fez por merecê-lo durante a competição. Jogamos um bom primeiro tempo, mas o adversário soube controlar os nervos diante de um público, mais uma vez, de arrepiar e matou o jogo no desespero de um time incompetente para fazer gols. Tive uma reação tranquila, como, aliás, tenho tido a cada jogo do Santa Cruz, por já saber exatamente o que esperar do nosso time. Talvez, por isso mesmo, não despreze os resultados alcançados neste ano. Fomos campeões pernambucanos com uma equipe mais barata que os nossos principais adversários, que ainda lutavam pelo hexacampeonato: um pela conquista; o outro, em sua defesa. Aliás, nossa mérito fica ainda mais cristalino, se considerarmos que um já tem vaga assegurada à Série A e o outro está por uma peinha para chegar lá. Nas duas equipes, houve poucas mudanças do Campeonato Pernambucano para cá. Portanto, é inegável que se há de falar em superação e na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Entretanto, se não assumo ares de infelicidade, tampouco assumo ares de satisfação. O vice-campeonato desta competição não apenas é insuficiente para confortar nossa torcida apaixonada pelos anos de sofrimento, quanto alerta sobre a necessidade de mudanças de rumo na próxima temporada. A conquista de uma das vagas da Série C, também é forçoso o reconhecimento, não veio com a mesma competência do Campeonato Pernambucano. A caminhada foi sofrível, trouxe insegurança a torcedores e dirigentes e por pouco não ficamos pelo caminho mais uma vez. Ao olhar agora para trás, para um time que não sabe fazer gols, vejo como um verdadeiro milagre o empate conquistado contra o Treze, depois de uma derrota parcial por 3 a 1, em Campina Grande. Porém, o acesso, embora suado, veio. Mas aí, diferentemente do pernambucano, não há que se falar em superação, tampouco na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Se no campeonato estadual, tínhamos folha salarial inferior, na Série D fomos o primo rico da competição. É verdade, dinheiro não ganha jogo, mas ajuda um bocado. O dinheiro não resolve, quando é mal empregado, como foi o caso de inúmeras contratações para lá de medíocres realizadas pelo Santa Cruz. A competência vem do emprego eficiente dos recursos. Garantimos a vaga, mas a custo de muito sofrimento. Quanto...

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Xô, Seridê!

Xô, Seridê!

Vulcão Tricolor (Mestre Forró e Orquestra da Bomba do Hemetério) A ressaca do acesso ainda é braba e o fígado não deixa o cérebro funcionar a todo vapor. Por isso, por enquanto é só comemoração. Amanhã, já sem a sensação de ter engolido um guarda-chuva, a gente volta com a programação normal. Enquanto isso, fique com as notícias do acesso coral no Brasil e no mundo. Brasil Bom dia Brasil SporTV Jornal Nacional R7 Terra Esportes Folha de São Paulo O Globo O Globo 2 Estadão Sport Clube Bahia Juca Kfouri Exterior Romênia França Espanha Portugal Inglaterra Argentina Se você sabe de mais algum link no Brasil ou no exterior que vale a pena destacar, coloque na seção de comentários que a gente adiciona a...

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Entrevista: Antônio Luiz Neto

Entrevista: Antônio Luiz Neto

  Durante boa parte da gestão passada, por mais de um ano, o Torcedor Coral tentou, sem sucesso, entrevistar Fernando Bezerra Coelho, presidente do Santa Cruz. A tentativa ocorreu em diversos momentos de sua administração, tanto no início, quando o então presidente ainda gozava do respeito, da simpatia e da esperança de nossa equipe, quanto no meio, a partir do momento em que o TC se tornou um ferrenho crítico de sua apavonada e decepcionante gestão. Nossa tentativa de entrevistá-lo ocorreu indiretamente, através de diversos interlocutores – desde a sua assessoria de imprensa, sua secretária no gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, diretores do Santa Cruz, Presidente do Conselho Deliberativo e tantos outros – e diretamente com o próprio Fernando Bezerra Coelho, que chegou a marcar a entrevista conosco, mas não compareceu nem nos deu qualquer explicação. A partir daí, desistimos de tentar dar voz ao presidente coral. O fracasso de FBC à frente do Santa Cruz, associado aos fracassos das gestões anteriores, criou um anticorpo no Torcedor Coral, que optou em não tomar partido na última eleição. As escolhas pessoais dos nossos editores e cronistas ficaram restritas ao âmbito privado. Esse preâmbulo é necessário para esclarecer a posição política de neutralidade do Torcedor Coral em relação a esta gestão, embora considere mal esclarecidos os fatos ocorridos na última eleição. Entretanto, isso são águas passadas. Hoje, depois da conquista do título de campeão pernambucano, consideramos que o momento é de reconhecimento de um trabalho bem realizado. Semana passada, mais precisamente horas antes do jogo decisivo contra o Sport, mantivemos o primeiro contato na tentativa de entrevistar Antônio Luiz Neto. Ao contrário da gestão anterior, a resposta veio rápida e positiva. Na quinta-feira passada, no gabinete da presidência, Antônio Luiz Neto nos concedeu uma longa e exclusiva entrevista em que fala dos caminhos que levaram o Santa Cruz ao título pernambucano de 2011, da negociação de Gilberto, da manutenção do elenco, da ação de cambistas, da falta de ética de dirigentes de Náutico e Corinthians, da construção de um Centro de Treinamento e reforma do CT Waldomiro Silva, do projeto da Arena Coral, da campanha de sócios e muito mais. Na sala conosco diretores e muita gente aguardando para tratar com o presidente, que chegou a paralisar a entrevista por duas vezes: uma para receber o cheque da primeira de duas parcelas da negociação de Gilberto e outra...

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O fabuloso destino do Santa Cruz

O fabuloso destino do Santa Cruz

  Nota do autor: A crônica é uma adaptação do texto original O fabuloso destino do Blog do Santinha, publicado naquele blog por este autor em comemoração ao seu  aniversário de 3 anos. Em 15 de maio de 2011, o universo sofreu uma pequena transformação, imperceptível para o resto da humanidade, mas que fez nascer uma paz quente nas hostes corais. Segundo os astrônomos, sete astros se alinharam no firmamento, como só no dia da bomba de Hiroshima. Este anti-acidente, que teve início às 07h00min, atravessou a tarde, entrou pela madrugada, transformou o céu em três cores e foi responsável por pequenos eventos que culminaram com o título de campeão pernambucano de 2011. Após uma longa pesquisa, finalmente consegui reconstituir os eventos daquele dia e agora compartilho com todos vocês. Precisamente às seis horas da manhã, nascia Marivaldo, pesando um pouco menos de quatro quilos. O pai, orgulhoso, mostrava pelo vidro do berçário a primeira roupinha do Santa comprada para o guri. Próximo dali, duas horas depois, Seu Joaquim recebia uma carta de seu filho Antônio, que fora tentar a sorte em São Paulo. Na carta, Antônio mandava o dinheiro que prometera ao pai, um senhor de quase setenta anos, para que ele finalmente se tornasse sócio do Santa Cruz. Seu Joaquim, desde então, substituiu a identidade pela carteirinha do clube. Quase vinte minutos depois, num terreno baldio na Várzea, Josival, um garoto de 13 anos, era observado por um olheiro coral quando fez um gol de placa e decretou a vitória de seu time por morte súbita no torneio dos garotos do bairro. Na comemoração, ele formou um T com os braços, em homenagem ao seu time do coração. No Mercado da Boa Vista, por volta do meio-dia, Paulinho, o popular Barraca, depois de pedir um caprichado sarapatel ao dono do bar, ofereceu um gole de cachaça para o clube do Santo Nome e em seguida brindou com os amigos a alegria de ser tricolor. Já pelas quatorze horas, nas imediações do Arruda, Zezinho Peroba apostou uma grade de cerveja que o Santa seria campeão. Confiante na vitória, ele prometeu fazer sua famosa feijoada para forrar a barriga da rapaziada durante o festejo. Pouco depois das quinze horas, Nestor, um moleque recém-chegado do interior de Sergipe com o pai, entrava pela primeira vez no Arruda. Nestor passou mais de meia-hora para conseguir chegar à arquibancada e, mesmo sem...

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Um bonde chamado desejo

Um bonde chamado desejo

Há algumas semanas os bastidores do futebol brasileiro pegaram fogo. A Rede Record resolveu desembolsar alguns trocados para adquirir os direitos de transmissão do campeonato nacional e provocou um epicentro no Clube dos 13. Do outro lado da briga está a Rede Globo que, por muito tempo, reinou sozinha no cenário futebolístico nacional. Pelo que entendi, a emissora carioca, embora pretendesse renovar o contrato de transmissão dos jogos, não estava disposta a bancar a oferta obscena da rival. A disputa, que poderia encher ainda mais os bolsos daqueles que formam a panelinha do futebol brasileiro, serviu para rachar o Clube dos 13. Corinthians, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco e Coritiba decidiram sair da entidade e negociar individualmente seus contratos com a Globo. A celeuma ganhou destaque nacional e o Diretor Executivo do Clube dos 13, Ataíde Guerreiro, acusou a emissora carioca de estar por trás do racha na entidade (leia aqui). O Clube dos 13 surgiu em julho de 1987, em razão de uma queda de braço com a CBF, para defender os interesses de vinte clubes brasileiros. Com seu nascimento, estabeleceu-se no Brasil um apartheid no fut nacional. Assim, clubes de tradição como Santa Cruz, Remo, Paysandu, Náutico, Fortaleza e Ceará tornaram-se pequenos e pobres diante dos times do sul e sudeste do país. Por falta de grana, esses clubes foram praticamente alijados do futebol brasileiro e têm atuado nas competições nacionais, quando muito, como meros figurantes. Em grande parte do norte e nordeste, a dobradinha Clube dos 13 e Rede Globo criou uma nova categoria de torcedores, os paraibacas (leia aqui o interessante artigo de Artur Perrusi sobre o assunto), que vibram com equipes distantes de suas realidades em detrimento dos clubes locais. Assim, além de criar um fosso entre as equipes brasileiras, a nova ordem gerou um problema sócio-cultural. É nisso que dá eleger um punhado de clubes em um país continental. Definitivamente, a Europa não pode ser aqui. O maior exemplo dos efeitos nocivos do Clube dos 13 está aqui mesmo em Pernambuco. Desde que ingressou na entidade, o Sport domina a cena local. Só para citar como exemplo, nas duas últimas décadas as moreninhas foram pentacampeãs pernambucanas duas vezes, enquanto o Santa Cruz abocanhou apenas quatro suados títulos. Na contramão do arqui-rival, o Santa só faz descer a ladeira e tornou-se um caso raro no mundo: caiu seguidamente da primeira para a quarta divisão. A...

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