Em algum lugar do passado

Revista Placar Nº 490, de 09/1979 Não sou saudosista, mas respeito o nosso passado. Além do mais, convém às vezes entendê-lo para melhor se preparar para o futuro. Em 1979, o mundo estava em ebulição. A revolução iraniana transformou a monarquia autocrática pró-ocidente do país, um regime corrupto do xá Reza Pahlevi, em uma república teocrática islâmica, sob o comando do aiatolá Khomeini. No mesmo ano, Estados Unidos e China estabeleceram relações diplomáticas. O presidente do Paquistão, Zulfikar Ali Bhutto, foi executado, Idi Ami Dada foi deposto em Uganda e Margaret Tatcher tornou-se a dama de ferro na Inglaterra. Ainda na política, o presidente do Egito, Anwar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinaram um histórico acordo de paz entre as duas nações, enquanto unidades militares da antiga União Soviética tomavam a capital do Afeganistão e Mikhail Gorbachev era eleito para o Politiburo. Ainda em 1979, a sonda Voyager 1 passou por Júpiter e a Pioneer 11 se tornou a primeira espaçonave a visitar Saturno. A ESPN iniciou sua transmissão na TV, François Truffaut filmou Amor em Fuga e Madre Teresa de Calcutá recebeu o prêmio Nobel da paz. No Brasil, o sul do Mato Grosso se emancipou e tornou-se o Estado do Mato Grosso do Sul e o general João Baptista Figueiredo substituiu Ernesto Geisel no comando da ditadura militar estabelecida no país desde 1964. No mesmo ano, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB foi fundado e morreram o ator e diretor Procópio Ferreira, vítima de enfisema pulmonar e Santos Dias, ativista do movimento operário brasileiro, assassinado por um militar. O ano de 1979 também foi movimentado no futebol. O Internacional foi o vencedor do último campeonato organizado pela Confederação Brasileira de Desportos – CBD, desmembrada em CBF e outras entidades dedicadas aos demais esportes, por exigência da FIFA. Mas se no Brasil o Internacional do técnico Ênio Andrade era o campeão daquele ano, no Nordeste o Santa Cruz reinava absoluto. Éramos superiores dentro e fora das quatro linhas. Evaristo, o segundo maior salário da AL Já fomos um oásis no Nordeste, tivemos nossas finanças em ordem, pagávamos em dia e pagávamos muito bem. O ano de 1979 espelhava com fidedignidade a era de ouro do Santa Cruz. Apenas para se ter uma idéia, Evaristo de Macedo, técnico coral, recebia o segundo maior salário da América Latina, atrás apenas de César Luis Menotti, treinador da seleção...

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Zona Brasileira de Futebol – ZBF

Claro que a dor é de quem sente, e nós, torcedores do Santinha, temos dor demais para sentir, o que às vezes faz com que a gente deixe de reparar na dor dos outros. É, porque tem torcedor sofrendo de tudo o que é lado pelas decisões administrativas de seus cartolas. Os conchavos estão cada vez mais descarados, e o desrespeito às torcidas chega a pontos escabrosos. O futebol brasileiro está uma verdadeira zona. O achincalhe que ocorre no Santinha é um exemplo: desgoverno e desrespeito são a marca de uma administração que a gente está penando para botar para fora antes que o pior, que a gente nem imagina que um dia pudesse acontecer com o time, aconteça. E, aliás, perdi a referência do que é pior. Antes era cair da primeira divisão. Depois era ver os oponentes na primeira enquanto a gente tava na segunda. Agora é o medo de cair para a Série D. Se aqui em Minas tiram onda da minha cara quando eu digo que sou torcedora do Santa, imagino o que vocês sofrem aí na terrinha. É pra se lascar. É, mas hoje eu não quero falar só da gente não. Talvez em busca de consolo, talvez por pura constatação, quero lembrar a vocês que há outros torcedores humilhados por este Brasil. Catei algumas histórias absurdas que saíram na imprensa no último mês. Elas demonstram que, se você não é do grupo dos 13, pode ser chamado de Geni, pois todo mundo te escracha, te usa e depois joga pedra. Na boa. Vamos aos “exemplos”. – No dia 03/05, pela Série A2 do Campeonato Paulista, jogavam Oeste e Mogi. Com o resultado de um outro jogo que estava acontecendo, entre o Sorocaba e o São Bento, Oeste e Mogi se classificariam caso empatassem em zero. E adivinha? Foi exatamente o que aconteceu. Na saída do vestiário, chegando ao campo para o segundo tempo, os dois técnicos se abraçavam e caminhavam claramente felizes com a resolução do empate. A Band filmava tudo. Em campo, os jogadores paravam a bola para conversar – os adversários! Num lance errado, eis que o juiz é obrigado a marcar um escanteio. E um técnico abre os braços e reclama para o técnico do outro time: “ô, tá maluco? O que o seu jogador quer?”. E a resposta: “Foi mal, desculpa, isso não vai acontecer de novo!”. E a...

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Uma Marca Destruída

  Uns falam que a imagem é tudo. Outros discordam, afirmando que o que importa mesmo é o conteúdo. A sabedoria popular sentencia que “não se julga um livro pela capa”. Quando tratamos de pessoas, isso sem dúvida é uma verdade incontestável. Mas mesmo as pessoas não podem ou não devem descuidar das suas imagens. Afinal, a sociedade de forma geral é movida por boas imagens. Imagens esquisitas ou distorcidas são logo escanteadas. Mas e quando a imagem a ser analisada é a de um produto ou serviço? Alguém aí compra produtos com as embalagens amassadas, arranhadas ou contrata um serviço de uma empresa suja, desorganizada e sem estrutura? Duvido muito. Por isso, empresas costumam ter o maior cuidado com seus produtos e serviços. Precisam ter suas marcas “limpas” para que possam comercializá-las com todo seu potencial. Criar uma marca forte e gerenciá-la de forma profissional, como se fosse um produto. Segundo vários especialistas em Marketing, esse é um dos componentes fundamentais para atrair pessoas. Se alguém não reparou, estou falando do Santa Cruz Futebol Clube. Mais que um time de futebol. Mais que um clube. Uma MARCA. Pensando e observando o Santa Cruz por essa ótica, percebemos mais uma vez como foi maltratada a marca tricolor nos últimos anos. Na década de 70, éramos conhecidos como o “Terror do Nordeste”, nosso manto apareceu na capa da revista de maior circulação do País, estávamos consolidando um nome, uma marca em todo país. Não vou me ater aos desmandos que ocorreram nos anos posteriores. Todos nós já sabemos de cabo a rabo. Corrupção, truculência, incompetência, amadorismo, dentre outras características foram associadas a nossa marca. Ou seja, uma propaganda negativa assombrosa. Salários atrasados, jogadores espancados, um estádio caindo aos pedaços, um clube que não tem nem energia. Esse é nosso legado. Estou tocando nesse tema, pois estava assistindo a partida entre Curitiba x Palmeiras, pela TV Bandeirantes, quando o “ex-narrador em atividade” Luciano do Valle proferiu uma pérola ao vivo para todo Brasil: “Esse Carlinhos Paraíba realmente é um excelente jogador. E tem uma história complicada. Saiu do Santa Cruz, onde passava fome e não recebia salários, mas decidiu mudar. Enquanto outros permanecem na mesma situação”. Qualquer instituição séria, que tenha um mínimo de cuidado com a sua marca, já teria se pronunciado quanto a algo desse tipo.  Mas nossa marca quase não existe mais, é apenas associada a coisas ruins....

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