De pouquinho em pouquinho

De pouquinho em pouquinho

Devagarinho, comendo pelas beiradas e cercando o Lourenço estamos vendo um novo Santa Cruz. Vou aproveitar esse espaço pra tocar em alguns pontos nos quais sempre fui um crítico ferrenho e admitir que de pouquinho em pouquinho vou me rendendo e elogiando.

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Os verdadeiros inimigos

Os verdadeiros inimigos

Firme na minha decisão de manter o TC parado até reavaliação no início da Série B, recuei, momentaneamente, provocado por uma entrevista de Alírio Moraes ao Superesportes. Provocado no melhor sentido, pois o tenho visto com bons olhos, apesar das dificuldades e das falas em demasia. O mandatário coral, no final da entrevista, lamentou o desdenho da torcida pelas metas que traçou para o triênio 2015 a 2017. “A gente fica sendo taxado de delirante, porque quer mudar a realidade do clube. Algo que a torcida mesmo cobra, ela quer uma melhoria, mas ela própria não acredita que possa acontecer.” Alírio Moraes Matutei sobre a fala presidencial, dei razão a Alírio, mas compreendo bem a torcida. Impossível não compreendê-la depois de tantos anos de esculhambação administrativa, que nem mesmo o aclamado Fernando Bezerra Coelho ou o sortudo Antônio Luiz Neto conseguiram — ou mesmo tentaram — minimamente dar um jeito. Alírio Moraes tem, na conta de quem apenas observa de longe, a vantagem de olhar para frente. Enxerga o clube como qualquer torcedor bem informado, e sabe que o Santa Cruz tem uma estrutura medieval e precisa entrar no século em que vive. Contudo, qualquer tricolor também reconhece que são ousadas as metas traçadas, como construção do Centro de Treinamento em três meses, modernização do Arruda, conquista da Copa do NE, do Brasil e vaga na Libertadores. Nenhum dos projetos saiu do papel, desde o tempo de Edinho, o diminutivo que reduziu o Santa Cruz a cinzas. Claro, bem explicou o presidente, que não há como garantir a conquista de nada, mas apenas de montar um time capaz de atingir as metas. Ganhar ou perder são coisas do futebol. Metas, porém, são fáceis de traçar e difíceis de alcançar. E quanto maior for a glória prometida, maior também será o tombo, em caso de frustração. Em tempos de descrédito, na perda da fé, cujo reflexo principal é o desaparecimento do torcedor das arquibancadas do Arruda, o silêncio cauteloso talvez seja o melhor caminho até que as coisas, enfim, tenham condição reais de materialização. Ainda assim, é preciso dizer que o presidente Alírio Moraes tem um diferencial dos seus antecessores. Enquanto todos miraram primeiro o futebol, ele identificou como principal alvo uma reforma administrativa, a tal profissionalização que todos nós sonhamos. E já fez o que nenhum outro presidente conseguiu nos últimos trinta anos, reduzir significativamente a dívida do clube, essencial...

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Antenado

Antenado

Eis que se passou mais um longo e tenebroso inverno até que eu voltasse a escrever. A última vez — tive que pesquisar no TC para recobrar a memória — foi no distante 12 de novembro do ano passado, quando comentava que a derrota para o América/RN havia selado o nosso cavalo na Série B. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Eu me desinteressei como nunca havia antes me desinteressado pelo Santa Cruz e Alírio Moraes, um advogado tributarista apoiado por Antônio Luiz Neto, tornou-se presidente do clube com a fusão de parte da chapa de oposição, fazendo da eleição uma mera formalidade estatutária. Junto com Alírio, vieram algumas novidades. Entre elas, a contratação de Ricardinho, jogador de futebol acima da média, mas que, como técnico, ainda não fez nenhum trabalho que justificasse a sua contratação. Deixaram o clube peças importantes, na minha opinião, como os dois laterais, além de Natan, uma promessa que nunca cumpriu o prometido e cujo potencial foi prejudicado por inúmeras lesões. Natan deixa uma ponta de saudade e profunda tristeza, pelo que poderia ser e não foi. O início da era Alírio Moraes, dentro das quatro linhas, não poderia ser pior. Derrota por três a zero para um de nossos principais adversários, em pleno Arruda, deixou de orelha em pé e olhos abertos a já ressabiada torcida coral. Alírio, por seus projetos megalomaníacos (inauguração do Centro de Treinamento em um prazo de seis meses, além da desacreditada modernização do Arruda), recebeu a alcunha de Delírio Moraes, pois, ao mesmo tempo em que gera expectativa, gera desconfiança. Desde a criação do Torcedor Coral, em 2006, oito anos atrás, portanto, nunca me senti tão afastado do Santa Cruz. Nem mesmo na pior crise do clube, quando caímos da Série A para a Série D, quase sem escalas, me senti tão pouco motivado a frequentar o Arruda. A culpa não é de Alírio, logo alerto, pois não se pode avaliar um gestor em tão pouco tempo de gestão. Os responsáveis foram trinta anos de administrações irresponsáveis e incompetentes que fizeram do Santa Cruz o time pequeno que ele é hoje no cenário nacional. Neste aspecto, Alírio Moraes vai, para mim, na contramão de seus antecessores. Mesmo o vitorioso Antônio Luiz Neto, que devolveu alguma esperança à nossa torcida, foi incapaz de esboçar uma mudança na conduta administrativa perversa que norteia o Santa Cruz desde os anos...

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Déjà vu!

Déjà vu!

É tempo de escrever. A vida atribulada, o momento de singular indisponibilidade, o trabalho que me tem exigido demais, a temporada ruim do Santa Cruz, nada supera agora o sentimento de que escrever é preciso. O Torcedor Coral necessita de movimento. Chamei os cronistas à responsabilidade, hora de dar o exemplo. Paro em frente ao computador, abro o gerenciador do TC e descubro que há comentários retidos na moderação há mais de sete dias. Sinal clássico de abandono, faço a mea culpa, peço perdão aos leitores, mas não me ponho de joelhos. Prefiro abrir uma cerveja, pois ajuda a relaxar antes de escrever. Para tanto, pesquiso um assunto, contudo, tudo se confunde e o desentranhado da minha abordagem se manifesta em forma de uma revelação um tanto déjà vu: o malogro do time, a falta de perspectiva, o grau de aceitabilidade desse insosso insucesso nos dá a impressão que entre as paredes do Arruda estão todos mortos. Em suas empresas, gestores costumam reagir ao risco do fracasso com correção de metas e métodos. No Arruda, nada perturba a imperturbável paz. A temporada já cheirava a mau êxito desde os preparativos para a celebração do centenário. Amadorismo, displicência e a falta de recursos e de criatividade juntaram-se à constrangedora campanha no pernambucano, à volta de Sandro Barbosa, à chegada de Sérgio Guedes. Para mim, essa conjunção de planetas e outros corpos celestes corais representam claros sinais dos tempos. O clube permanece fiel à sua estrutura arcaica, a seu modelo de gestão superado. Sem perspectivas, o futebol padece. Sem a profissionalização da gestão e a modernização dos processos administrativos, estaremos sujeitos a sucessos sazonais. No Santa Cruz, a cada eleição, discute-se sucessores. Nomes são vazios sem um projeto palpável de gestão. A curva de aprendizado dos gestores parece-nos uma linha reta colada ao chão. Entristecido, reconheço que os anos nada nos ensinaram, nem mesmo o óbvio, que a retomada do Santa Cruz exige mudança de cultura e ruptura do status quo. A questão é, antes de tudo, gerencial e demanda a absorção de novos valores e a adoção de nova filosofia com uma linha de pensamento empresarial. O Santa Cruz não é, nem deve ser, a extensão da casa do gestor ou de seu gabinete político. Enquanto tudo isso persistir, continuaremos mortos para o futebol. A grande massa de torcedores ainda não compreendeu que dessa transformação depende o futuro do Santa...

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Breve perspectiva do centenário

Breve perspectiva do centenário

Finalmente, o ano do centenário começou para o Santa Cruz. Cem anos de história, de muitas histórias para contar. Casos pitorescos, como o primeiro adversário, o Rio Negro, que impôs a condição inusitada de barrar o atacante coral Silvio Machado, autor de cinco dos sete a zero marcados no jogo de ida, que de nada adiantou, já que o seu substituto, Carlindo, marcou seis dos nove a zero na revanche. Infelizmente, são poucas as perspectivas que esses cem anos sejam revividos e celebrados do jeito que o clube merece. Tenho a impressão que as comemorações do nosso centenário não serão pintadas em cores vivas, pois se me permitem uma avaliação pessoal, as festividades organizadas pela diretoria coral não estão à altura de nossa história. O momento atual de dificuldades financeiras, que perdura, aliás, por várias décadas, explica, apesar das ótimas campanhas nas últimas temporadas, o acanhamento na programação do clube. Jogos dos amigos de um contra os amigos de outro aconteceram de rodo nas férias de fim de ano por todo o país e, olhando para o nosso próprio umbigo, nunca atraiu o torcedor. Como tricolor, estou mais interessado e aguardo, sem grandes esperanças, notícias mais estruturadoras, como o início das obras do Centro de Treinamento e a prometida reforma do Arruda que até agora não saiu do papel. Além do mais, embora o contrato com a Penalty vigore até o final do ano, pela insatisfação de alguns diretores e especulações em torno de outros fornecedores de materiais esportivos, esperava uma mudança para uma marca ainda mais forte por conta do centenário. O silêncio, exceto se imposto por cláusulas de confidencialidade, indica que não há nada de novo no front e na retaguarda também. O marketing do Santa Cruz não passa de uma piada de mau gosto e sua profissionalização reside apenas nos sonhos da torcida. Também nos sonhos do torcedor residem as mudanças modernizadoras na administração do clube. Se no futebol, conquistamos três campeonatos e dois acessos nos últimos anos, administrativamente, o Santa é o mesmo de trinta ou quarenta anos atrás. Os dirigentes corais não perceberam, e sabe-se lá se algum dia perceberão, que sem modernização na forma de fazer futebol, não há perspectivas para o futuro. O Santa Cruz, no contexto atual, ganhará um título sazonal e jamais encostará nos grandes clubes do país e, por que não dizer, do mundo. No campo de jogo, fiquei...

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