Anotações de um querelado

Já era de conhecimento público que um processo cívil corria na justiça de Pernambuco, movido pelo Sr. José Cavalcanti Neves Filho, ex-presidente do Santa Cruz e ex-vereador da cidade do Recife, contra Samarone Lima e Inácio França, fundadores do Blog do Santinha. Semana passada, surgiu a notícia de um novo processo. A ação é movida pelo mesmo autor e a causa parece ser a mesma: os artigos publicados no blog tricolor mais acessado de Pernambuco. Mas, desta vez, há algumas dessemelhanças com o caso anterior. Na primeira delas, Samarone é réu solitário e, na segunda, o processo é criminal. Nos autos, Zé Neves acusa o jornalista de calúnia e, caso a ação seja julgada procedente, pede o seu encaminhamento ao presídio Aníbal Bruno – como se isso coubesse ao querelante. O processo movido por Zé Neves parece ser daqueles casos de banalização da justiça, vitimada por montanhas de ações que, por falência de argumentos plausíveis, nunca chegam a lugar nenhum. Num país onde os juízes estão afundados em um mar de processos sem fim, essas ações contribuem apenas para o aumento da morosidade judiciária e nada mais. Também virou lugar comum que os homens públicos – tão zelosos de suas imagens polidas a custa de muito trabalho em prol da comunidade que representam – confundam críticas sobre o seu trabalho como representantes dessas mesmas comunidades com o cometimento de infrações às normas legais. Distantes que ficaram dos interesses que representam, muito desses homens públicos se esqueceram que, pelas funções que ocupam ou ocuparam, todos eles estão sujeitos à avaliação e críticas da sociedade, como um todo. Isto faz parte do processo democrático. A liberdade de opinião parece convenientemente esquecida pelas bandas do hemisfério sul. E isto me parece mesmo compreensível. É que, por vezes, alguns de nós se esquecem que vivemos num país livre e democrático e há mesmo quem entenda que o estado de direito seria chato demais se extensivo a todos os cidadãos. Ao que tudo indica, os cidadãos comuns aprenderam a lhe dar com a democracia de uma maneira bem mais serena que os homens públicos. A Samarone, nosso apoio incondicional. A Diego Galdino, nossas reverências pela mão amiga. Dimas Lins Samarone Lima (artigo publicado originalmente no Estuário) Eu sabia, por meio de amigos do meio jurídico, que corria uma ação cível contra mim e meu amigo Inácio França, também jornalista, por “difamação”. Ou seja, desacreditei...

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Nem todos com a nota – Final

Inácio França (publicação simultânea com o Blog do Santinha) Animados com os antecedentes criados pelo governo baiano e com o processo que resultou na criação de condições para o início da democratização do Esporte Clube Bahia, o Blog do Santinha e o Torcedor Coral resolveram dar início à campanha NEM TODOS COM A NOTA. A idéia parte do mesmo pressuposto: quem não tem idoneidade, transparência e legitimidade não pode e não deve administrar recursos públicos repassados para as instituições que comanda. É bem verdade que todas as campanhas realizadas nos governos Arraes, Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos repassaram recursos sem essas pré-condições – o que no nosso entendimento evidencia a complacência e omissão do Poder Público com o autoritarismo e mau uso dos recursos do povo investidos nos clubes de futebol. Por causa disso, dificilmente teríamos força política para mudar as regras desse jogo agora, com o bonde andando. Exigir das autoridades mais responsabilidade no futuro, é obrigação dos cidadãos organizados e conscientes. Existe uma parcela da sociedade convicta de que as coisas precisam ser diferentes. Se não organizarmos ações políticas e continuarmos apenas reclamando, permaneceremos afastados das decisões. Por vontade própria, os “donos do futebol” jamais cederão espaços e/ou largarão o poder nos clubes e nas federações. É com essa certeza que o Blog do Santinha e o Torcedor Coral convocam todos os torcedores corais que compartilham esse desejo de mudanças. O primeiro passo da campanha NEM TODOS COM A NOTA será a organização de um abaixo-assinado virtual que será entregue ao governador Eduardo Campos e à Assembléia Legislativa. Também tentaremos entregar o documento a todos os candidatos a prefeito do Recife, afinal a prefeitura da capital costuma patrocinar os três clubes locais. Essa causa não interessa apenas ao tricolores. Por isso, pela primeira vez, em quase três anos de existência, o Blog do Santinha (e o Torcedor Coral) toma uma iniciativa dirigida a torcedores dos clubes adversários. Convidamos os blogueiros e torcedores rubro-negros e alvirrubros (além dos torcedores dos demais times pernambucanos) a se juntar ao corais nessa campanha, difundindo o abaixo-assinado virtual e inserindo o banner da campanha com o link para o site http://www.petitiononline.com/nemtodos/. NEM TODOS COM A NOTA Transparência e democracia no futebol pernambucano Nós, amantes de futebol e torcedores dos principais clubes pernambucanos, insatisfeitos com a inexistência de democracia e transparência na gestão dos recursos públicos transferidos para os clubes de futebol, apelamos ao governador...

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Nem todos com a nota – Parte 1

Montagem do futuro estádio do Pituaçu Inácio França (Publicação simultânea com o Blog do Santinha) Em 2007, quando o Bahia e o Vitória disputavam, respectivamente, a série C e a série B do Campeonato Brasileiro, o governador do Bahia, Jaques Wágner, tentou impor uma condição para os clubes baianos receberem dinheiro público do programa equivalente ao nosso Todos com a Nota: só receberiam recursos referentes à troca de notas fiscais por ingressos aqueles clubes que realizassem eleições diretas para presidente. Naquele momento, a idéia não vingou. Diante das resistências, o governo recuou, porém trouxe para o debate uma questão importante. Afinal, qual a razão de entregar dinheiro do povo para instituições sem transparências e comandadas por gente notoriamente incompetentes? Depois da interdição do estádio da Fonte Nova, o governo iniciou a ampliação, reforma e modernização do Pituaçu, um pequeno estádio praticamente abandonado, instalado dentro de um parque. O início das obras coincidiu com o anúncio das condições que os clubes deveriam cumprir para mandar os jogos no novo estádio e para ter direito a participar da licitação que, em 2011, irá definir quem irá administrar o complexo esportivo do Pituaçu. O governo não vacilou e determinou: se o Bahia, Vitória ou qualquer outro clube baiano sonharem com a possibilidade mandarem suas partidas no estádio novinho em folha, terão de mudar seus estatutos. Só terá direito a usar as instalações públicas o clube que tiver eleições diretas e transparências nas contas. A chiadeira foi geral. Acostumados com a complacência das autoridades com sua própria incompetência e desonestidade, os cartolas baianos não gostaram da idéia. Mas, dessa vez, a pressão foi inútil. Torcedores e oposição do Bahia se mobilizaram e as regras do jogo vão mudar (leia abaixo a decisão resultante de um acordo entre diretoria, torcidas organizadas e oposição). Em 2011, as eleições para a diretoria executiva, presidência e vice do clube serão diretas, com o voto de todos os sócios. O Conselho Deliberativo será composto proporcionalmente à quantidade de votos das chapas concorrentes. Ou seja, a chapa que tiver, por exemplo, 60% dos votos, terá direito a 60% dos conselheiros e assim por diante. Durante as negociações, o blog Bahêa Minha Porra contribuiu para fazer pressão por meio de um abaixo assinado virtual, que foi entregue ao governador Jaques Wagner. Iniciativas como essa, fortaleceram a posição do governo, que não cedeu e manteve a proposta inicial. Leia abaixo, a...

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Entre o silêncio e a voz ativa

A decisão da Copa do Brasil, na última quarta-feira, ainda que não pareça, deixou a cidade abatida, sem viço e sem alegria. E esse sentimento veio, infelizmente, do lado de cá. Do nosso lado. Para muitos de nós, o sentimento surgido após esta decisão lembra, ainda que de longe, uma dor similar àquela sentida nos consecutivos rebaixamentos para as séries B e C nos últimos dois anos. Mas como explicar esse sentimento ruim, se o título não diz respeito ao nosso clube? A questão é que o título conquistado na semana passada fortaleceu um de nossos oponentes, daí a sensação de abatimento. Creiam-me, é ainda mais difícil reconhecer-se tão por baixo quando nossos adversários estão por cima. Enquanto um acaba de assegurar vaga na Libertadores do próximo ano e o outro faz uma boa campanha na Série A, nós convivemos, mais uma vez, com o medo de um novo rebaixamento. A distância que atualmente há entre nossos adversários e nós se apresenta como uma fratura exposta, que escancara a nossa nova condição. Tornamo-nos pequenos no cenário nacional e medianos em nosso próprio Estado. Mais ainda. Não há nenhum sinal, no céu ou na terra, que indique uma mudança de rumo. A tendência – que fique claro, tendências podem ser revertidas – é que essa distância aumente ainda mais, pois, por tudo o que vivemos na atual gestão, nosso medo da Série D não é infundado. Mas nosso maior problema está em outra questão. Nos últimos anos, a torcida tricolor se habituou à humilhação pública. A tristeza solitária contida no peito de cada um de nós, ao que parece, estancou o sangue que corre em nossas veias e nos transformou em seres resignados. Nem de longe parecemos herdeiros da tradição revolucionária pernambucana. Em nada lembramos os antepassados que construíram uma nova Roma de bravos guerreiros e fizeram desta terra imortal, imortal. Estamos vivendo o período mais tenebroso de nossa história e, ao invés de botarmos a boca no trombone e de maneira contundente exigir mudanças, melancolicamente nos resignamos. Tanto assim que menos de 200 votantes compareceram à Assembléia Geral Extraordinária convocada para decidir sobre o afastamento do presidente. Descrença no processo? Talvez. Mas esta não parece ser a única razão e nem mesmo a mais importante. Para mim, a resposta está no conformismo. Se não é assim, onde estão, por exemplo, os protestos, as passeatas e as pressões políticas da torcida tricolor...

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Oração a Santo Antônio

Meu Sant´Antonim, Que até hoje num me atendeu Larga de tua besteira E faz uns favô pra eu Desde sempre te tenho preso Virado com os pé pra riba Pendurado na bananeira Que é pra apressar tua lida Num quero mais marido Que o outro que tu arranjô Além de feio e manco Num era bom torcedô Inda agora tenho medo De te pedir outro favô Mas é caso de desespero Por isso, lá vou: Meu Sant´Antonim querido Dessa vez num pode errá Porque se fizé merda Os tricolor vai te apanhá Eles já tão cansado E querendo se vingá Do fio d´uma que rincha Que só veio atrapaiá Por isso, santinho, tome tento E faz favô de escutá Presta bem atenção Pru mode num se enganá Tô quereno um homem honesto Pra pudê administrá Com honra e com lisura Pro nosso time ganhá Pulá da C pra B Agora é o principá Não deixe, santinho querido, Nosso prano faiá Que caia dinheiro do céu Mas não nessa gestão Que num sô besta de dá milho Pra nenhum galinho ladrão Que alguma empresa decente Queira nos patrociná Bancando nossa camisa E as pendênça salariá E por fim, meu santinho, Se num fô abusá, Eu queria que um certo sujeito Fosse tomar láááá… do lado de lá. Não é pedir muito, Sant´Antonim, Você há de concordá Afinal, sou Santa Cruz, Tô acostumada a ganhá E agora esse sofrimento Que querem nos imputá Tá é deixando emputecida A Grande Torcida Coral A maior de todas elas A que merece respeito A que enche estádio Mesmo insatisfeito Por isso, Sant´Antonim Trate de nos atendê Senão, eu logo lhe aviso, Até santo você vai deixá de...

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