Um papo por e-mail

Um papo por e-mail

Nessa fase de bola parada, decidi voltar a um passado recente para não deixar passar em branco uma boa conversa que tive por e-mail  (foram 15 e-mails no total) com um ex-Diretor de Futebol coral. Em verdade, pretendia escrever um artigo à época, mas o momento decisivo do Santa Cruz na Copa do Brasil e nas semifinais do campeonato pernambucano não me deixou mudar o foco. Por isso, retomo agora a questão para, com a devida autorização do missivista, tornar pública parte da nossa conversa. A vitória do Santa Cruz sobre o Botafogo por 3 a 2 no Engenhão pela Copa do Brasil nos deu a esperança – ainda que parcialmente desfeita nos jogos seguintes – de uma temporada de melhor sorte. Ela também serviu para trazer de volta à cena coral Luiz Antônio Ruas Capella, primeiro Diretor de Futebol da era FBC. Freqüentador assíduo do Torcedor Coral desde a época de diretor, Capella me enviou um e-mail entusiasmado no qual comentava a vitória coral. “Fiquei pensando se escreveria algumas linhas sobre a vitória contra o Botafogo e não me contive”, disse ele em seu e-mail. “Primeiro, dei um pulo no blog para ver se havia algum artigo seu por lá; como ainda não tinha, resolvi escrever por aqui mesmo”, completou. Capella elogiou a postura do time em campo e o fato do Santa não ter se intimidado com a boa fase do Botafogo. “Foi a melhor partida do Santa que vi nos últimos anos”, afirmou. Também elogiou o trabalho de Dado Cavalcanti e de Raimundo Queiroz e acredita que eles estão no caminho certo, por isso, tem a melhor expectativa possível para a Série D. Capella, que costuma em seus e-mails se referir ao Santa Cruz como “nosso Santinha”, diz que aprendeu a gostar do clube e, mesmo de longe, costuma acompanhar o time em sua jornada esportiva. Sobre o final do campeonato pernambucano, considerou normal a queda de rendimento da equipe. Segundo ele, os altos e baixos fazem parte, pois ainda falta muito para que o Santa tenha uma grande estrutura e o futuro será melhor a partir do momento que tivermos um CT próprio, pois não dá para ficar esperando sempre acabar um campeonato e montar um time para o outro. Também enfatizou que é preciso fazer dinheiro com jogadores da base, pois nenhum clube sobrevive apenas com arrecadação das mensalidades de sócios ou com a...

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De volta ao batente

Nota do autor: Através de um amigo conselheiro, recebi um pedido da mesa diretora do Conselho Deliberativo do Santa Cruz para retirar a minuta do estatuto do blog. Embora eu também seja conselheiro do clube, o pedido da mesa veio por via indireta, não sei porque razão. A idéia da publicação era tão somente ampliar a discussão, já que a participação dos conselheiros é ínfima. Infelizmente, a mesa diretora não viu assim. Da mesma forma, também não vi razão, dentre as apresentadas, para que o estatuto não pudesse ser publicado. Costumo comparar o Conselho Deliberativo do clube ao Poder Legislativo. E embora o Congresso Nacional não seja exatamente um parâmetro de conduta, qualquer projeto de lei está acessível aos cidadãos, através do site do Senado Federal. Paradoxalmente, a minuta do nosso estatuto, não. De antemão – ou a esta altura, de pós-mão – Deixo claro que não tive a intenção de gerar desconfortos, mas de possibilitar, como disse antes, a ampliação do debate, que entendo, na condição atual, prejudicada, tanto pelo prazo, quanto pela participação dos conselheiros. Isto posto, por respeito aos meus pares, decidi retirar o estatuto do blog. Ainda assim, deixo claro a minha discordância dos argumentos apresentados. Depois de um longo e tenebroso inverno, o Conselho Deliberativo do Santa Cruz retomou suas atividades. O período sem reuniões durou um trimestre inteiro, tempo demais para quem deve cuidar das questões políticas e institucionais do clube. Mesmo assim, o cenário não mudou. Participaram da última reunião do dia 30 de março apenas 16 valorosos conselheiros dos atuais 250 (75 são beneméritos). Em razão disso, sugeri a Roberto Arraes, presidente do órgão deliberativo, alguma ação da mesa de forma a estimular a presença dos conselheiros nas próximas reuniões. Arraes disse que lamenta o baixo índice de participação, mas asseverou que não há maior estímulo do que a própria discussão da reforma do estatuto. Se, mesmo assim, o assunto não desperta o interesse da maioria, não lhe cabe nenhuma ação nesse sentido, ainda mais, porque o estatuto deve ser aprovado em Assembléia Geral dos sócios, o que, em tese, minimiza a gravidade da situação. Concordo parcialmente com Arraes. De fato, nada deveria justificar o desinteresse alarmante dos conselheiros nas discussões da reforma do estatuto. Entretanto, embora a aprovação seja feita pela Assembléia Geral, é o conselho que vai determinar o que deve ou não constar na minuta final, pois, provavelmente,...

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O livro dos últimos dias

Domingo passado, no jogo contra o Ypiranga, encontrei o Coronel Peçonha nas sociais. Depois de uma partida assustadora, Peçonha desabafou: “estamos assistindo aos últimos dias do Santa Cruz”. A frase não foi dita por dizer. Ela veio da angústia de quem assiste ao clube que tanto ama, a quem gastamos em vão tanta benquerença, agonizando em praça pública. É como observar o gado morrer à míngua na seca, magérrimo, mil carrapatos agarrados em seu focinho, e não ter sequer um gole d’água para lhe dar de beber. É possível que frase assim, dita no calor da emoção, não passe de exagero de um tricolor desanimado com este estado de coisas ruins. Temos, afinal, a virtude de acreditar até o fim. Quando não nos resta mais nada, nos agarramos à fé e esperamos a nossa redenção. Mas há a questão inegável de que a fé, que alcança todas as coisas, talvez não alcance o futebol. O fato é que há um istmo entre a realidade e o exagero. Tanto podemos nos recuperar e nos tornar um clube grandioso, como afundar de vez. Os sinais do fim estão em toda parte, nós os vemos, mas não queremos enxergar, porque a crença de que somos eternos nos cega. Apenas parecemos imortais, mas somos suscetíveis à morte como qualquer pessoa, física ou jurídica (as pessoas jurídicas acabam, porque os homens acabam com ela). Olhamos para o céu e não discernimos os sinais dos tempos. O fim chega para todos e poderá chegar – por que não? – para nós. O ritmo com que seguimos rumo ao desfiladeiro é intenso e frenético. Cada nova esperança surgida é gravemente desfeita em velocidade espantosa. Botamos fé em Édson Nogueira, acreditamos em FBC, mas o que há de verdade é que pouco coisa mudou. Um botou o clube na quarta divisão e o outro não consegue tirá-lo de lá. Seguimos como segue um trem sem governo ou um carro correndo na contramão. Nos tempos atuais, vivemos perigosamente. Por isso, é preciso tomar cuidado. É preciso cuidar que esse clube não se acabe, que ao contrário se levante, se engrandeça, nos orgulhe, orgulhe nossos filhos, nossos netos e futuras gerações. Que ele não morra em nossos braços, por nossas mãos. Que ele viva, que viva eternamente, conquanto que seja possível, que saia da letargia, que vá em frente, que não desista nunca. O caminho do fim sempre será...

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Ensaio sobre o desgosto

Não é de hoje, nem de ontem, que ando desgostoso com o futebol. Meu desgostar é bem mais antigo e bem mais profundo. Quarenta e três anos é idade pouca, mas também é muita. E talvez venha da idade a minha dificuldade em arrancar um novo artigo desde o meu último. Preferi parar um pouco, deixar passar. Melhor escrever alguma coisa mais leve para o Estradar, meu blog de contos e crônicas de uma gente brasileira, que já havia passado da hora. É que há momentos que é praticamente impossível ouvir, ver, falar ou escrever algo sobre o Santa. Sou torcedor de arquibancada, como qualquer outro, o que posso fazer, camaradas? Não há mal nenhum em desgostar. O desgosto traz, às vezes, uma serenidade assombrosa. É que o desgosto atua como uma camisa de força na paixão desenfreada que a gente sente por um clube de futebol. Com a paixão trancafiada a sete chaves, as idéias envelhecem e tornam-se mais claras. Um pensamento velho, ao contrário do que parece, é o que há de mais inovador. Quem pensa há mais tempo, enxerga mais longe. Que o digam nossos leitores Cláudio Guimarães e Jânio, que conseguem ver de suas janelas o mundo melhor do que eu. Sendo assim, a gente pensa duas, ou mais vezes, em entrar nesta ou naquela discussão. Mas vou entrar, ainda que só por um instantinho na questão da efetivação de Dado Cavalcanti, porque meu desgosto também vem do presente e entendo o debate como uma das coisas mais esplêndidas da democracia. Mas não vou com muita sede ao pote, que não carece, que minha opinião não mudará as pessoas, nem o mundo. Mas antes de falar em Dado, tratarei de outras coisas, pois no Santa há muito por desgostar. Tenho, por exemplo, desgostado cada vez mais de ser conselheiro do clube. Não há nada mais apático, mais emperrado e menos funcional que o Conselho Deliberativo. Lá, não acontece nada. Ultimamente, nem reunião. E não adianta espernear, nem pedir por favor. A julgar pela despreocupação de todos, tudo deve andar as mil maravilhas no Santa Cruz. Por isso, com o andar da carruagem, dificilmente terei ânimo em sê-lo novamente na próxima gestão. Desgosto também dos nossos uniformes. Achei-os de um mau gosto tremendo. No uniforme coral, a linha branca é tão tênue que me lembra outro time, além do quê o preto toca o vermelho na...

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Quando a água faz falta

João Lins Para torcer pelo Santa Cruz, precisamos possuir uma série de atributos, tais como: amor incondicional, perseverança, paciência, excelente memória para recordar o passado, acreditar que é possível mudar o presente, apesar dos fatos mostrarem o contrário. O conjunto desses atributos são componentes que fazem da torcida tricolor algo inexplicável perante os simples mortais, ou seja, a torcida mais apaixonada do Brasil. Não existe explicação para tanto amor e fidelidade a um time que nos últimos anos só tem sido motivo de decepção. Somos uma espécie em extinção, do tipo que ainda acredita, apesar de tudo. Porém, o fato do torcedor ser tolerante e paciente não implica que ele seja um desconhecedor do futebol e que aceite passivamente tantos erros cometidos ao longo dos anos, na administração do departamento de futebol do Santa Cruz, com contratações de jogadores que, em sua maioria, seriam reservas em qualquer time de pelada da nossa cidade. Sabemos e entendemos a falta de recursos para contratações de alto nível, porém, com os recursos existentes, daria pelo menos para formar um time de melhor qualidade. O que se constata é um time formado por um bando de peladeiros (de baixo nível), um treinador superado, que não faz treinamento específico e um diretor de futebol que chegou falando muito e tem feito pouquíssimo para formar um time capaz de sair da série D. Se continuar dessa forma, corremos o risco de não disputar a série D, pela péssima classificação no Pernambucano. Não obstante todos esses problemas, temos ainda que escutar nosso superado treinador dando entrevistas desastradas, como falta de chuteiras adequada ao estado do gramado e que os jogadores tiveram que tomar banho com água da piscina, pois não havia água nos chuveiros do vestiário. Independente do que tenha ocorrido, não podemos aceitar esses acontecimentos e, principalmente, a divulgação pelo treinador, o que deixa bem claro seu despreparo e falta de respeito com o clube. Somos uma torcida paciente e compreensiva, mas tudo na vida tem um limite e acredito que esse limite chegou. Querer desviar as atenções do péssimo rendimento do time para falta de água, além do desrespeito com o clube e sua torcida, demonstra que o Santa Cruz está sem comando. Se não tiver outra alternativa, vamos processar a Compesa! Nota da redação: Pierre Lucena, Doutor em Finanças, publicou no blog Acerto de Contas um texto bastante duro sobre FBC. Independente de...

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