Entre o cristal e a fumaça

Onde ficar?  Esperei a formação da chapa para escrever uma análise mais detida sobre todo o processo. Tentarei ser realista – nem otimista, fazendo apologia da ação, nem pessimista, assassinando a ação. Antes de tudo, digo minha posição: apóio e faço parte da chapa. Mas esclareço: é um apoio e uma participação independente, o que significa, do meu ponto de vista, aprovação quando a proposta for boa e reprovação, quando não for conveniente. Aliás, por enquanto, defendo todas as propostas lançadas até o momento, mas gato escaldado tem medo de água fria – nesse sentido, lembro-me, e não quero esquecer, do meu apoio incondicional à chapa do diminutivo. Acho que aprendi com a desgraça. Sinceramente, acredito que não havia opções. Sem o aparecimento de FBC, estávamos lascados. Ressaltar tal necessidade não significa oba-oba, e sim entender a nossa conjuntura. O diminutivo, de fato, destruiu o clube a tal ponto que só restou escombros. Diante de uma catástrofe dessa magnitude, a única saída era e é a captação de recursos urgentes para a Reconstrução do Santinha. Recurso era e é a palavra-chave e significava e significa simplesmente: “não adiantam discurso, projeto, articulação política, boa vontade, o escambau, sem recurso”. Ora, nenhuma candidatura tinha recursos, nem as oposições, nem o LEF (Lado Escuro da Força — um eufemismo para designar os inimigos do mundo coral). Desse ponto de vista, o surgimento da candidatura de FBC foi quase um milagre, pois os recursos, desde então, começaram a aparecer como cogumelos em dias de chuva. E, vale dizer, não apareceram somente bens financeiros imediatos, mas também articulação e força política (a chegada da luz elétrica é um exemplo bem evidente), que são recursos, convenhamos, tão valiosos quanto os materiais. Sem dúvida, ainda me espanto com o surgimento dessa candidatura. Quem sabe, um dia, aparecerá alguém para contar as estórias desses bastidores misteriosos que levaram FBC a assumir o Clube do Santo Nome. Afinal, ele apareceu subitamente, sem motivo aparente, justamente quando as oposições davam algumas patinadas nas negociações. Nesse sentido, reconheço que tivemos sorte, pois o clube acabaria no compasso de nosso desespero. Mesmo se as oposições ganhassem as eleições, um projeto de gestão, mas sem recurso, isto é, um projeto irrealizável, apenas dignificaria o tombamento do Mais Querido. Pessoalmente, acho que o Santinha precisaria, nesse momento trágico de sua história, da combinação de três fundamentos: democracia, gestão e dinheiro. Cada elemento desse,...

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Da paixão à razão

Caros torcedores do Santa Cruz, É com rara satisfação que nos dirigimos a vocês, muito especialmente a todos que viram no projeto da Aliança Coral uma saída para o Santa Cruz. A satisfação deve-se a vários fatos: – a articulação de tricolores ligados ao governo de PE e de outros tricolores como Iuri Leite e Tonico Araújo na busca de um nome de peso para dirigir o Santa Cruz, chegando-se enfim a Fernando Bezerra Coelho; – a compreensão do governador Eduardo Campos de que o Santa Cruz não poderia continuar como está e que a liberação de Fernando Bezerra Coelho para essa tarefa era importante também para Pernambuco; – o desprendimento de todas as correntes que postulavam assumir o Santa Cruz, e aqui citamos todos mesmo, sem distinção de projetos ou formas de enxergar o clube. Nomes como Fernando Veloso, Osmundo Bezerra, Felipe Rego Barros, Paulo Pereira, João Domingos, Gerino Xavier, Fred Arruda, Gerrá Lima, Rui Monteiro, Ricardo de Paula, José Neves, Romerito Jatobá e Antônio Luiz Neto deixaram de lado qualquer tipo de vaidade, projeto ou diferenças pessoais do passado em torno de uma proposta nitidamente inovadora e diferenciada para o Santa Cruz; – esses mesmos nomes colocaram-se na condição de “apenas” conselheiros e deixaram FBC à vontade para formar um renovado grupo de trabalho – novo no futebol, mas experiente em atividades da vida empresarial – e que vai gerenciar o Santa Cruz da forma que sempre sonhamos: como uma empresa de verdade. Foram necessárias apenas quatro reuniões entre FBC, seus assessores diretos e essas lideranças corais, para que tudo se definisse. Essas correntes, formadas por pessoas apaixonadas pelo Santa Cruz, reconhecendo todas as dificuldades de articulação para atrair investidores e patrocinadores, deixaram-se tomar pela razão, dando vez e voz a alguém que tem, como poucos no Estado de Pernambuco, um poder de atração de capital e investimento mais consistente, permitindo que a grande nação coral – a maior torcida do Norte e Nordeste do país – voltasse a sonhar. Para nós, que fundamos a Aliança Coral, ficou o desafio de reduzir de mais de 150 para apenas 10 os nomes indicados ao Conselho Deliberativo do Santa Cruz. Tarefa árdua, mas carregada de amplo desprendimento de todos, de muito amor ao clube e, sobretudo, de confiança na nossa condução. Aos que abriram mão de uma cadeira no Conselho, nossa gratidão e a garantia de que seremos dignos representantes do...

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Textículo

  Seguro morreu de velho. Estou numa fase igual a todo mineiro. Quieto no meu canto, presto atenção a tudo e a todos e tento, lupa na mão, ler nas entrelinhas. Nesse meu observatório, dois fatos me chamaram a atenção esta semana. O primeiro deles foi a notícia que vem circulando na mídia local que “alguns líderes políticos” estão insatisfeitos com a redução do número de conselheiros propostos por Fernando Bezerra Coelho. O engraçado é que nenhum veículo de comunicação citou os nomes desses “líderes políticos”. Coincidências a parte, acho que nossa imprensa esportiva de besta não tem nada. Fica uma sensação estranha no ar de que nesse mato tem coelho. E garanto que não é o Fernando Bezerra. O segundo foi o artigo de Jomar Rocha, Diretor de Futebol do Santa Cruz, publicado no dia 18/09/2008 no Blog do Torcedor (leia aqui), do rubro-negro Marcelo Cavalcante. Aliás, Cavalcante foi um dos jornalistas – o primeiro, possivelmente – que jogou suspeição sobre a legalidade da candidatura de FBC (leia aqui). Sob o título infeliz de “Intervenção governamental?”, Jomar, como é mais conhecido, defende em seu texto que não é essa a questão. Na prática, intencionalmente ou não, o que o diretor faz, de fato, é chamar atenção para um problema que não existe, causando apenas polêmica. Basta ler os comentários do artigo. Ah, Jomar! Não bastou eliminar o Santinha da Série C? Ainda bem que essa gestão acaba logo, logo. Ai, meu “textículo”...

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A quinta carta

Os Meninos estão muito preocupados com a próxima eleição para presidência do Mais Querido. Preocupados demais. Sei que eles têm razão, sei o quanto é importante que a gente não tenha mais coisinhas miúdas arrasando aos poucos com nosso ideal. Sei de tudo isso, mas juro que não consigo ficar insone, por mais que eu tente (embora confesse nunca ter tentado). Sou uma mulher incrédula, é isso. O único salvador da Pátria em quem eu acreditei foi reeleito com meu voto, e taí até hoje para provar a quem quer que seja que não existem salvadores da Pátria. A Pátria que se resolva por si só. No entanto, estou muito preocupada com os Meninos. Vivendo no meio político há pelo menos 15 anos, o que eu concluí foi que eu não tenho mais direito de ser inocente, de declarar que fui iludida, essas coisas. Só que futebol é diferente. Futebol vive mesmo de ilusão (já que a gente não tem gol mesmo), vive de expectativa, de torcida, de paixão (alguns títulos também não vão mal nesse cardápio, mas tudo bem). Como gosto muito dos Meninos, juntei toda a minha incredulidade e minhas moedas, lotei o carro de amigas encalhadas, tomei coragem e fui. Segui a rota natural dos desesperados, busquei explicações e soluções no sobrenatural. Já havia tentado antes no catolicismo e na umbanda, e nenhum deles ofereceu uma resposta clara. Apelei para o biscoitinho da sorte chinês e tudo o que ele me revelou foi que “a coragem é uma virtude; a felicidade, uma meta; dinheiro é tudo, e o resto é bobagem” – enigma que eu não consegui decifrar diante da minha singela pergunta: “O que será do futuro do meu santinha?”. Ah, preciso confessar (ai, que vergonha!) que também apelei para a “sorte do dia” do Orkut. Fiz a pergunta (sempre a mesma, acerca do futuro do tri-tri-tricolor), acessei minha página e li, horrorizada, o vaticínio: “Visitantes recentes: Dena & Jurandi, Alberto Pereira, Ivonete Nogueira, Milton Junior, O CHACAL* euripedes, lelo e flavia arôxa. Sorte de hoje: A vontade das pessoas é a melhor das leis” (Orkut, 05h13 da matina de 17/09/2008). Estou enrolando, enrolando, mas a verdade é que procurei uma taróloga. É isso mesmo. A mulher era tão boa nisso que cobrava R$ 50,00, mas depois que leu as quatro primeiras cartas, previu logo a minha dura realidade de torcedora e me cobrou apenas...

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O furacão FBC

Depois de toda tempestade vem sempre a bonança. Não no caso do Santa Cruz. Para nós, depois de um temporal vem sempre outro temporal. Tomemos como exemplo o fim da desastrosa administração de Romerito Jatobá. Quando se esperava a redenção da torcida tricolor com a posse de Édson Nogueira, eis que sua gestão conseguiu piorar o que já era muito ruim. No Santa Cruz nada acontece de modo previsível. Quem imaginava, por exemplo, que mesmo diante de um clube em estado pós-falimentar (eu não errei a escrita, o Santinha faliu há muito tempo) surgiriam tantos candidatos à presidência? A disputa se encaminhou para uma polarização entre parte da oposição e o Lado Escuro da Força (LEF), criando uma nova tempestade sob o céu coral. Em meio às nuvens negras, surgiu um vento forte que varreu todos os candidatos para debaixo do tapete. O pleito eleitoral agora terá chapa única e repousa sobre a égide do consenso. Na verdade, não há consenso algum. Óleo e água não se misturam. O que há é a consciência de todos os grupos políticos de que esta tempestade tropical é, na verdade, um furacão. E contra tamanha força, não há como nem razão para lutar. E se não é possível juntar todo mundo, melhor não se juntar a ninguém. Por isso, o futuro presidente recebeu um cheque em branco para administrar o Santa Cruz. O furacão tem nome e sobrenome: Fernando Bezerra Coelho. Nele estão agora depositadas todas as esperanças da torcida coral. Não é para menos. FBC é Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e presidente de SUAPE. Depois do governador Eduardo Campos, provavelmente ele seja o nome mais importante, quando se fala em atração de investimentos para Pernambuco. FBC, ao se candidatar à presidência do Santa Cruz, ganhou visibilidade em todo o Estado. E mesmo antes de tomar posse, ele parece ter feito mais pelo clube do que o atual presidente em quase dois anos de mandato. É bem verdade que não é necessário fazer muita coisa para ultrapassar a pior gestão da história do Santa Cruz. Mas o fato é que FBC não só devolveu a energia às Repúblicas Independentes do Arruda (adquiriu um novo gerador e pretende resolver a questão com a Celpe durante esta semana), como já garantiu a recuperação do anel superior do estádio José do Rego Maciel, além de conseguir de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, a...

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