Balanço provisório

Bem, está na hora de um balanço crítico da gestão. Dimas já vem discutindo alguns pontos — é minha vez, agora. Para isso, dividirei a análise em dois momentos: a gestão e o futebol.  Mas, antes de tudo,  cabe confessar uma dificuldade: não nego que seja difícil criticar a atual diretoria; afinal, pegou o clube destruído e na série D. Até Obama reconheceu, na frente d’ “o cara”, isto é, Lula, que nossa herança não foi apenas maldita; na verdade, foi uma condenação quase eterna! _Essa crise é uma marolinha comparada à crise do Santa! Disse o negão no ouvido do ex-metalúrgico. Convenhamos, o que fez a diretoria, até agora, parece um milagre. Na época da última eleição, pensei que o clube fosse acabar. Inegavelmente, ele está vivo, apresentando ainda muitas dificuldades, já que em convalescença, mas vivo… Estava condenado, o Santinha. Seu sursis deve muito à atual direção.  Porém, não quero que  tal fato, carregado de significações, seja um argumento contra qualquer discernimento em relação à atual gestão; afinal, ela não é perfeita e tem muitos defeitos. Por tudo isso, entendam a crítica como uma reflexão, como uma forma de abrir o debate e pensar em soluções. No fundo, admito que minha crítica possui um alcance limitado, já que não tenho alternativas a propor. _Se só tem jacaré, fiquemos com jacaré — disse Lula, um tanto ambíguo, no ouvido de Carla Bruni, a pop-star de Sarkozy (tradução do francês). Minha única alternativa a FBC seria o Editor-Mor, pois é podre de rico, por causa de seus contatos com a máfia ucraniana (“Lins”, em ucraniano, significa: “mate e enriqueça, porra”); mas, desconfio de todo auditor, esses seres inimputáveis. Serei esquemático. Estou apenas iniciando e lançando a discussão. Com os comentários e as polêmicas, aprofundarei mais as posições . Primeiro, a gestão: 1. Houve algum avanço na democratização do clube. Por exemplo: é possível discutir no Conselho Deliberativo – sei, sei, isso é o óbvio, mas lembro que o conselho era mudo, cego e surdo, antigamente.  Faço a comparação com as gestões anteriores apenas para ter um ponto de partida. Haverá uma nova reforma do estatuto e já temos um ouvidor. Falta muito? Falta sim, mas é um começo… Lembro que  democratização é  também pressão, de dentro e de fora, principalmente de quem não está no poder. Os blogs continuam sendo importantes na formação da  opinião pública tricolor.  Falando como...

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Encontros e desencontros

Foto: Coralnet Túnel do tempo: imagem que ficou para trás Em novembro do ano passado, fomos convidados pelo Departamento de Marketing, para fazer algo inédito no futebol pernambucano. A proposta era que toda a diretoria, inclusive o técnico do futebol profissional, se reunisse com representantes de blogues, sites, comunidades do Orkut e programas de rádios exclusivamente voltados para o Santa Cruz, para prestar contas do que havia sido feito até aquele momento pela nova gestão. A ordem era compartilhar às ações com a torcida, sem intermediários. Na conversa, nada de radialistas ou repórteres. Apenas diretores e tricolores. Para mim, o encontro representou um dos pontos mais altos da administração FBC. Uma coisa pequena, sem nenhum custo financeiro envolvido, mas capaz de entusiasmar e encher de orgulho qualquer tricolor. Mais que isso. Capaz de dar a transparência necessária a qualquer relação entre quem tem a obrigação de prestar contas e aquele que detém o direito de recebê-las. Diante de tantas administrações apartadas dos interesses da torcida, a possibilidade de ficar cara a cara com os dirigentes do clube, para ouvir relatos e pedir esclarecimentos sobre o andamento de cada departamento, parecia uma guinada radical na forma de conduta de uma gestão coral. Seria um alento para quem sempre fora maltratado em sua própria casa. Na época, a inovação causou satisfação em nossos leitores e até mesmo espanto. Tanto que o tricolor Luiz Ferraz, na seção de comentários do artigo Um encontro histórico deixou a seguinte mensagem: “Me belisque! Isto é o Santinha mesmo?!”. Naquele dia, ouvi atentamente os relatos dos diretores. Tomamos conhecimento de muitas coisas que estavam acontecendo, além dos planos para o curto, médio e longo prazos. Foi assim que fomos informados do resultado da auditoria realizada pela ARC Associados, da previsão de instalação de 200 câmeras por todo o estádio, do processo de escolha do terreno do novo CT, da perspectiva de aquisição de bancos de primeiro mundo para os jogadores reservas e comissão técnica, além do placar eletrônico, dos modelos dos novos uniformes, do projeto de construção da loja do clube e da negociação de um contrato para a instalação de um novo restaurante no local onde foram derrubadas as antigas lojinhas, que ficavam na frente da sede social. Isso e muito mais. De lá para cá, muita coisa aconteceu e os encontros, que deveriam ser rotineiros, nunca tornaram a ocorrer. Provavelmente, ficaram no esquecimento. Desperdiçamos...

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Quarta-feira ingrata

Hoje, eu acordei desorientado. Talvez porque a noite de ontem esteve com cara de quarta-feira de cinzas e toda quarta-feira de cinzas é de fazer chorar. E eu, como bom pernambucano que sou, choro sem dó nem piedade na quarta-feira de cinzas. Mas aviso logo aos navegantes – navegar pela internet é preciso – que a sensação de ter uma sombrinha – símbolo maior do carnaval de Pernambuco – enrolada embaixo do braço vem por um lado só, o nosso lado, pois qualquer outro lado não tem importância, é irrelevante, imaterial, porque está do lado de lá do verso. E já que falo em verso, pergunto, anacronicamente, então por que a gente tem sempre que rimar amor e dor. Amor lembra coração, que por sua vez lembra taquicardia e dor tem aquele jeitão de ressaca, após uma quarta-feira de cinzas. Ontem, depois de uma noite digna dos tempos diminutos, procurei o meu alucinógeno, a cana com gás – entre tantos benefícios, ela ainda é capaz de driblar o bafômetro – mas não achei. O mal-estar no dia seguinte foi inevitável. Inevitável também é a vontade de chamar um, dois, três, mil palavrões, mandar o resto do mundo ir para aquele canto, que uma derrota do Santinha dói tanto na alma que não há bálsamo capaz de aplacar o sofrimento de um tricolor. E já que o assunto é sofrimento, por um momento me iludi, como se ilude quem toma aspirina para curar um câncer. O buraco é mais embaixo, o problema é crônico e eu me deixei levar achando que o bom futebol jogado contra a coisa poderia representar uma mudança de rumo, de atitude. E não sei mais se o problema é só atitude. Falta futebol também. Sei apenas que não é uma questão de motivação. Pensando bem, o último clássico, ao que tudo indica, não foi um divisor de águas. Foi exceção à regra ainda viva, muito viva, pois só jogamos um futebol vistoso contra o Serrano e a coisa. O resto veio com sangue, suor e lágrimas. Mas não derramo lágrimas para dizer que o time não presta, que o técnico não presta, que nada presta e que meu mundo caiu. Volto apenas ao meu estado inicial, de quando o time estava sendo montado, onde dou tempo ao tempo e enxergo com os olhos de ver que estamos na quarta divisão e temos um time de...

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À procura de motivação

O futebol tem algumas máximas que até hoje prevalecem. E os torcedores do Santa Cruz também têm as suas. Das existentes, sem dúvida, a mais forte é: não podemos perder para a coisa! Nos últimos anos, isto é o que mais temos escutado e nos dado certo orgulho, pois, na medida do possível, estamos conseguindo realizá-lo. Basta observamos os resultados nestes últimos anos. Temos ampla vantagem nos confrontos contra a coisa. Mas, com toda esta diferença a nosso favor, fomos campeões apenas uma vez! O problema é que, para muitos, como eu, vencer apenas uma partida (contra a coisa, barbie ou contra quem for) não é o suficiente. Principalmente para quem tem o desejo de ser campeão. De que adianta ganhar dos rivais e perder para os pequenos? As vitórias sobre os rivais servem para contabilizar números e estatísticas e escrever tabus. Contudo, a história é escrita apenas pelos que vencem todos os adversários, pelos campeões. Na última quarta-feira eu não pude assistir nem ouvir o jogo contra o Petrolina. O meu amigo Geó me informava sobre o andamento do jogo. Não me conformei quando soube que o time estava perdendo para o, até então, pior time do campeonato, afinal, o time do Santa Cruz era o mesmo que tinha jogado no domingo anterior, com extrema garra e competência. Mas quis o destino que vencêssemos o jogo pelo apertado placar de 3 a 2. Hoje, três dias depois, novamente enfrentamos outro time fraco. E, desta vez, não conseguimos vencer. Jogamos uma péssima partida, assim como quando enfrentamos o Porto. A diferença é que do outro lado estava um time horrível. Mas qual a razão deste baixo desempenho, se jogamos tão bem contra a coisa? – A resposta é simples: falta motivação! A velha conversa de que motivação, para jogador de futebol, é salário em dia parece apenas uma condição necessária, mas não suficiente para os jogadores do Santa Cruz. Precisamos urgentemente mudar a atitude. Ou melhor, mostrar atitude sempre, independente de quem seja o adversário. Hoje, mais do que nunca, o futebol é resultado de muita atitude, de muita motivação e de um pouco de técnica. O que me causa certa apreensão é que iremos enfrentar uma série D pela frente. E fico me perguntando: qual a motivação que os jogadores (que não sairão no final do semestre) irão ter? Tudo isto é para mostrar a FBC, a Capela e Cia. que, dentre as possíveis...

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Cobra venenosa

Artigo Atualizado Durante a solenidade de aniversário do Santinha, um leitor sugeriu que publicássemos todas as frases da seção Cobra Venenosa desde sua criação. Atento às publicações, ele entende que tudo o que passamos nos últimos meses está sintetizado ali. De quebra, nosso leitor sugere uma votação para a escolha da melhor frase. Atendendo a pedidos, lá vão elas. Que vença a melhor. Frase 1 “No fundo, o rebaixamento de um ‘grande Clube’ é uma farsa.” (25/05/2008) Artur Perrusi, no artigo O mistério da banalidade, sobre a falta de competitividade de uma agremiação que sofre de asfixia econômica, diante de um integrante do Clube dos 13. Frase 2 “A forma de compor os nomes antes do projeto e sem o amplo conhecimento de todos nós é, no mínimo, um começo com métodos não muito diferente dos atuais, e os quais não concordamos.” (30/06/2008) Adriano Lucena, sobre a chapa da oposição comandada por Luciano Veloso para fazer frente ao lançamento da chapa de Romerito Jatobá, na seção de comentários do artigo Política, fúria, amor e ódio. Frase 3 “Ele  (Marcelo Ramos) é um ídolo do clube e faremos uma grande festa no seu retorno, a maior já vista aqui.” (11/07/2008) Édson Nogueira, Presidente do Santa Cruz, que parece não ter aprendido nada sobre futebol nestes quase dois anos de mandato, ao anunciar, em vão, a contratação do jogador. Frase 4 “A primeira impressão do time foi muito ruim. Com o que vi, precisaria de muito tempo para corrigir. Como não o temos, vamos tentar e pedir uma proteção divina.” (17/07/2008) Bagé, novo técnico coral em entrevista ao JC, achando que, com o time que tem em mãos, só mesmo apelando aos  céus. Frase 5 “É O Mais Querido que, só de não causar tristeza, já traz alegria!” (24/07/2008) Paulo Aguiar, na seção de comentários do artigo Alguém sabe explicar o amor?, sobre o jogo contra o Central, em Caruaru. Frase 6 “O Santa Cruz não vai passar da primeira fase.” (31/07/2008) Fernando Veloso, um dos candidatos da oposição, 3 meses atrás no programa Lance Final da Rede Globo, por hora, errando na previsão de mais um desastre da atual gestão. Frase 7 “Somos um clube subdesenvolvido, com uma torcida de amor enorme, mas que não move montanhas.” (03/08/2008) Antônio André, na seção de comentários do artigo O espelho e o futuro do Santinha. Frase 8 “Do jeito que está, tem que melhorar muito para ficar...

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