As perspectivas para 2011 de Pai do Mé

As perspectivas para 2011 de Pai do Mé

2010 foi um ano de baixos e baixos para o Santa Cruz. Lembro apenas de um momento “engana torcedor” que me fez acreditar que o time – apenas o time – teria melhor sorte no ano que se findou. Foi naquela seqüência que culminou no jogo contra o Botafogo/RJ no Engenhão. Depois daquilo, o time – o clube nunca enganou ninguém – não fez mais nada que prestasse. Depois da Retrospectiva 2010, andei conversando com Pai do Mé, Pai de Santo, cachaceiro profissional e nosso consultor para assuntos siderais, futurísticos e supersticiosos, para saber qual o nosso destino neste ano que se inicia. Pai do Mé, que queria cobrar uma taxinha simbólica de cinco mil reais, aceitou fazer a entrevista em troca de uma garrafa de cana importada das Minas Gerais. Assim, entre uma lapada e outra, Pai do Mé se abriu com a nossa equipe e falou das previsões e perspectivas para 2011. Torcedor Coral ― O senhor acredita que esse time que está se formando vai jogar bola? Pai do Mé ― Antes de qualquer coisa, me abri com sua equipe um cacete, que eu não sou frango! Meu negócio é cachaça e mulher! Mas voltando a sua pergunta, não tenha dúvida que o time vai entrar em campo e jogar bola. Agora, se vai jogar bem ou mal é outra história. Torcedor Coral ― Mas com esse time a gente pode sonhar em ser campeão pernambucano? Pai do Mé ― Meu filho, a gente pode sonhar com qualquer coisa. Eu mesmo já sonhei que ganhava sozinho na Mega-Sena da Virada e gastava tudo com mulher e cana. Pense num estrago! Torcedor Coral ― Objetivamente, o senhor acha que esse time está mais para ser campeão ou rebaixado no pernambucano? Pai do Mé ― Olha, nas minhas visões vejo claramente que esse time estará na ponta da tabela, só não está claro se é na ponta de cima ou na de baixo. Torcedor Coral ― E neste ano, o Santa vai sair da Série D? Pai do Mé ― Para sair, prevejo que a gente vai ter que entrar nela primeiro. Tudo dependerá do campeonato pernambucano, como eu falei. Se o Santa entrar, de alguma forma, terá de sair. Mas a visão não é clara, por isso, não sei se o Santa sai no início ou no fim da competição. Torcedor Coral ― O Santa vai trazer...

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O canto do cisne

O canto do cisne

Com a volta do LEF, a janela de oportunidade, que se abrira aos tricolores democratas, fechou-se definitivamente. Fomos defenestrados do clube, por assim dizer. A janela era pequena, mas promissora. Era uma oportunidade histórica; na verdade, única. Tínhamos, enfim, a chance de mudar o Santinha. Fracassamos de forma espetacular. Era uma crônica anunciada, o nosso fracasso? Talvez. Nunca conseguimos mudar de fato a correlação de forças. Sempre fomos minoria. É só recapitular a história e, com isso, entender o que se passou. Escrevia o seguinte, em 28/07/2007, no texto Chutando o pau da barraca: Antes, uma recapitulação, para que a minha posição fique mais nuançada. Assim, volto ao tempo. Durante as articulações para a formação de chapas, houve aquele momento em que Edinho e Romerito tentaram uma recomposição. Fui totalmente contra pelo seguinte motivo: já se estava fazendo uma composição com a situação. Edinho e quejandos tinham sido da direção passada e representavam uma filosofia de gestão que não rompia, em termos de ideias e mentalidade, com o passado do clube (daí, quem sabe, toda a ambiguidade de Edinho em relação a Romerito — o segundo acusa, o primeiro finge que não escuta. Há um silêncio da presidência em relação à gestão passada que, dadas as circunstâncias, não tem explicação. E, afinal, a auditoria não encontrou nada?!). Claro, há uma espetacular diferença aqui: estava-se compondo com a parte benigna da antiga diretoria. Dada a situação do Santinha, a honestidade tinha um valor estratégico fundamental. (Aos poucos, fui descobrindo que, infelizmente, honestidade é condição necessária, mas não suficiente para mudar o clube do Santo Nome) Assim, na minha cabeça, a próxima diretoria seria de transição, visando à formação de uma base de dirigentes e a práticas de gestão que pudessem implementar uma nova configuração no clube, mais democrática e profissional. Mas achava que necessitaria, para que tal objetivo fosse viável, de algumas pré-condições: a) Edinho e sua ala largassem o amadorismo e uma visão ainda um tanto centralizadora de gestão; b) a ala, representada por Fred Arruda, conseguisse força política e fosse se tornando hegemônica no clube; c) o Conselho Deliberativo fosse ativo e pendesse politicamente para a democratização e profissionalização do clube. Nada deu certo e, em 18/11/2007, pedia a renúncia do diminutivo no artigo Renúncia Já!. Não houve renúncia, tudo continuou errado, e escrevi, em 02/05/2008, um artigo (Nosso futuro) sobre o fim da “revolução do Arruda”: A...

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Nada de novo no front

Nada de novo no front

Estive afastado por uns dias das páginas do Torcedor Coral por questão de saúde. Há 10 anos, descobri, depois de muito penar por outros sete, que sou portador, por herança genética, de uma doença reumática de nome complicado e de efeitos perversos. Nunca mais havia tido uma crise forte, mas dessa vez ela voltou virada num saco de batata doce e, como dizia minha mãe quando eu era criança, paguei o novo e o velho. Ainda não me recuperei e minha previsão mais otimista é pra lá de pessimista. Para essas coisas, sou a antimatéria do incurável otimista Fabiano Pinheiro. Porém, antes que me chamem de velho, por causa do reumatismo, aviso que essa doença só se manifesta em homens jovens, prova incontestável que os meus primeiros cabelos brancos têm pouco significado. O código genético é o meu carbono 14. Por causa da crise reumática, fiquei pouco tempo na frente de um computador. No retorno, percebi que não houve nada de novo no front e na retaguarda também. De novidade mesmo, a volta do Blog do Santinha depois de um descanso merecido de toda a equipe e incompreendido por muitos de seus leitores. Sama fez uma viagem astral, Gerrá não pára de fazer menino e Anizio resolveu casar para esfregar na cara da rapaziada a certidão de casamento como último recurso na tentativa de dar um basta às insinuações maledicentes que webdesign é o mesmo que fazer decoração, só que na internet. Em defesa dos amigos, digo que ninguém é de ferro e só sabe o trabalho que dá manter um blog no ar quem está à frente do negócio.  Não fosse isso suficiente, tem hora que tem que ter um saco maior do que o de Papai Noel para falar do Santa Cruz, que nos dias atuais, virou sinônimo de desgraça. Não tem quem agüente bater na mesma tecla o tempo todo! Só há notícias de rebaixamento, desclassificação precoce, falta de grana e eleição sinistra. Será possível que no Santinha só acontece coisa ruim? Parece mais programa de Cardinot! Eu mesmo já não suporto ouvir falar em desgraça. Prefiro não saber, por exemplo, que a unha do gato da minha vizinha encravou e que o bichano terá que ser levado às pressas para o Dr. Scholl. Durma com uma bronca dessa! Falar em coisa ruim, no Santa, nova gestão se inicia e, ao menos no seu pré-início, já...

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Chancela

Chancela

Li um comentário de um leitor do Torcedor Coral que dizia que a eleição acabou e já era hora de descer do palanque. Entendo sua lógica. Possivelmente passe por sua cabeça que a extensão da política além do período eleitoral pode prejudicar o clube ao criar um clima turbulento nas repúblicas independentes do arruda – escrita assim mesmo, com todas as iniciais em letras minúsculas. Consideraria isso perfeitamente normal, caso tratássemos de um pleito limpo, claro e transparente, sem a utilização ou a contemporização de práticas pouco recomendáveis como as que se deram nessas eleições. Para mim, seria mais fácil, ainda que simbolicamente, não reconhecer Antônio Luiz Neto como presidente legítimo do Santa Cruz a esquecer a denúncia feita pelo Blog do Torcedor. Além do mais, não posso descer do palanque de uma eleição na qual jamais subi. Votei em Sérgio Murilo, nunca guardei segredo para ninguém, mas não me engajei em sua campanha, como costumava fazer a cada eleição do Santa Cruz. Em primeiro lugar, reconheço, venceu a minha descrença generalizada em um modelo de gestão ultrapassado que está enraizado no Santa Cruz e que ninguém conseguiu ou, por conveniência, nunca quis aposentar. Em segundo, pelas seguidas decepções com os presidentes que apoiei com o meu voto ou com a minha esperança. Foi assim com Édson Nogueira, foi assim com Fernando Bezerra Coelho. Por último, a convivência mais próxima como conselheiro do clube me deu a exata dimensão do comprometimento da gestão que se foi. Assim, do alto da minha descrença, prefiro ver o resultado primeiro para acreditar depois. A eleição ao menos serviu para, definitivamente, colocar os pingos nos is. Escancarou, mais uma vez, as feridas do Santa Cruz e mostrou que vale tudo para ser presidente de um clube falido e atolado na lama. Deve haver uma boa razão para isso. A propalada união colocou um monte de gatos no mesmo saco. Serviu também para apagar o pouco brilho que restava a Fernando Bezerra Coelho e sua intrépida trupe. Não obstante a gestão pífia, ficou muito feia a declaração, após a denúncia do Blog do Torcedor, sobre o fato de a eleição ajudar no aumento do número de sócios em dia. Tivesse esse procedimento ocorrido em nossa eleição republicana, estaria configurado crime eleitoral. Infelizmente, sua gestão, através do presidente do Conselho, foi incapaz de reformar o estatuto do clube para inibir práticas como essas. E para...

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Esquecer

Esquecer

Depois da eleição tricolor, procuro o esquecimento. Quero recalcar a esperança, colocar a vadia lá no fundo do meu inconsciente. Não será um recalque duradoiro, é certo. Dois anos é pouco tempo, e qualquer sofá fubeca de psicanalista aguenta o tranco. E nem preciso disso, cá entre nós, pois uma cervejinha resolve todas as angústias. E, se não resolver, um choramingo pinguço, numa mesa de bar e contanto com a paciência de um ombro amigo, sempre deixa a gente mais leve. Claro, de vez em quando, um pesadelo aqui, um sonho meio esquisito acolá, mas nada que me desestabilize. Espero não sonhar com cobras — pega mal. O fato é que preciso esquecer. Mas o quê? (…) Eita, quase me esquecia. Antes de apagar tudo da minha memória, escrevo sobre… (…) Esquecerei o sonho de democratizar o Santinha. A palavra “democracia” é tabu lá no Arruda – mais do que proibida, é uma palavra vã. Somos uma “república independente”, o governo do faça-nos rir. Pena, pois democratizar o clube seria a única forma de contar com a torcida sem demagogia, sem ufanismo, sem instrumentalizá-la. Discurso politiqueiro, esse de falar da torcida. Discurso cínico. Por que não falam de participação, de associar a massa, de democratizar as decisões no clube? Nunca falarão, pois nosso verdadeiro regime político é a oligarquia – por isso, não conseguimos nem mesmo realizar uma eleição decente. Tanto quanto o futebol, o que mais me decepcionou em FBC foi sua dificuldade ou incapacidade  em esboçar sequer um tiquinho de democratização no clube. Reflexo de suas concepções políticas? Talvez. FBC não estava nem aí. Nunca esteve. Sua política foi a de nivelar tudo. Com isso, os tricolores perderam uma conquista preciosa: depois de tanta desgraça, sabíamos quem era quem no clube. Sabíamos quem era o LEF – demos até seu apelido. Dois anos de FBC e tudo foi esquecido, todos os gatos ficaram pardos, novamente, e o discurso hipócrita da união e da conciliação pôde reaparecer com força. Agora, o ex-salvador da pátria será o presidente do conselho, de um espaço deliberativo que não vale nada, pois foi feito para funcionar assim, na base da fidelidade canina ao executivo e da desmobilização. No fundo, é seu espelho, embora não precisasse de sua presença. Aliás, pra quê?! Sua ausência preencheria, certamente, uma lacuna no conselho. Esquecerei o estatuto. Pra que democratização, logo, pra que um estatuto decente? Pelo...

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