A Miséria da Conciliação

Os tricolores somos uns conciliadores. É só aparecer um tricolor na frente, e o coração derrete, e aquele intenso sentimento de pertença a uma comunidade toma conta da alma. Um encontro de tricolores é um encontro saudoso, parecendo um encontro de exilados, no qual o passado toma o lugar do país distante. É um jorro de boas lembranças e de reminiscências — quando em grupo, o encontro torna-se uma terapia, uma espécie de reconstituição da auto-estima. Muitos choram, é verdade, lembrando de Ramon. Sim, adoramos a comunhão. Detestamos conflitos, adoramos a afetividade. Por isso, desconfiamos tanto da política. Pra que brigar? A gente dá um jeitinho e evita o confronto, ora essa. Diante dos percalços e, principalmente, das lambanças de alguma gestão, usamos e abusamos da palavra mágica: união! Não é apenas uma palavra, é um ritual, uma prática de reconciliação entre posições aparentemente antagônicas, entre irreconciliáveis do discurso. A política vai começar, e pumba!, entra em cena o apelo à união e todos se congraçam em torno do Santinha. O curioso é que a dita união sempre favorece o grupo que está na direção — a conciliação é a forma de se eternizar no poder. Sim, amamos o abraço dos afogados, no qual quem se afoga é o Santinha e sua torcida. Os tricolores somos curiosos. Podemos encontrar até um canalha, mas, se é um tricolor, tudo bem, deve ser um bom canalha, no mínimo! E, quando o canalha bate nos nossos ombros e diz “sou um abnegado do Santa!”, ah, nossos olhos brilham, afinal, abnegado é uma palavra encantada, parecida com benemérito e cardeal. Abnegado pode acabar com o Santinha à vontade, pois faz isso com abnegação. É um canalha, o abnegado, mas os canalhas também amam o Santinha. Aliás, pelo jeito, todos amam intensamente esse clube! Nélson Rodrigues dizia o seguinte a respeito dos canalhas: “O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota. Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos. Nunca vi um sujeito vir à boca de cena e anunciar, de testa erguida: – ‘Senhoras e senhores, eu sou um canalha” Ele estava errado. No Santinha, um canalha diz e bate no peito: _Senhoras e senhores, eu sou um canalha, e com muito orgulho! E o fantástico é que muitos cardeais aplaudem e apreciam a bela...

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Um ano de Quinta Santa

Foto: Arruda Há um ano atrás, pelas mãos de Lulinha, nascia a Quinta Santa. Lulinha, ex-diretor social do clube, tinha como objetivo fazer com que os tricolores voltassem a freqüentar a sede do Santa Cruz. E conseguiu. O encontro, na verdade, começou às sextas-feiras, mas teve o seu dia alterado para a quinta. É que era muito difícil explicar para as esposas e namoradas que o tricolor, ao invés de estar com elas, curtindo a balada ou roncando no sofá, tinha um encontro cívico com o seu clube do coração. Além do mais, o bafo de cerveja, caldinho de feijão e vinagrete do arrumadinho do bar da piscina levavam a conclusões precipitadas. Na última quinta, a festa foi animada. Vieram novos e antigos freqüentadores do encontro e até mesmo a lendária Sanfona Coral deu o ar de sua graça para delírio da torcida. Teve sorteio de brindes e um bolo com um escudo do Mais Querido para comemorar o aniversário de um ano. E, como não podia deixar de ser, também não faltaram conversas sobre o Santa Cruz. Mas nada de tristeza, que o dia era de alegria. Falar em tristeza, a nota triste ficou – como sempre – por conta da diretoria do clube que desligou o gerador às 19:30h e deixou todo mundo no escuro. Os organizadores do encontro propuseram custear as despesas com o óleo diesel do gerador, mas a proposta não foi aceita. Pena, pois os gestores do clube não perdem a mania de contrariar a torcida. Mesmo assim, o encontro seguiu à base de velas e candeeiros improvisados e foi um sucesso absoluto (veja no álbum de Diego Galdino todas as fotos da festa). Parabéns aos organizadores da Quinta Santa e a Lulinha pela idéia do encontro semanal. Graças a eles e a torcida coral, ainda há vida no clube, apesar dos...

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