Um passo pra trás, dois pra frente?!

Que candidatura é essa? Inicialmente, quando soube da candidatura de Fernando Bezerra Coelho (FBC), tive uma péssima reação. Pensei que era uma reedição de Mendonção, isto é, um acordão vindo de “cima”, pregando o surradíssimo discurso da união – a velha cantilena de mudar tudo para deixar tudo como está, como sempre esteve. Sim, minha reação não foi boa. Achava que a candidatura de FBC estava sendo puxada pelo Lado Escuro da Força (LEF), sendo um golpe habilidoso para isolar a oposição. Ao mesmo tempo, desanimado, via a oposição entrando num confuso processo de negociação, no qual tudo podia dar com os burros n’água. Sim, estava desanimado. Pensava que nosso carma era a confusão, sempre dando a sensação de que tudo não daria certo… Nós parecíamos um bando de Sísifos. Sim, parecíamos uma das figuras mais patéticas da mitologia grega: Sísifo era todo metido a astuto, inclusive enganou várias vezes Zeus, o rei dos deuses gregos. Dizem até que ensinava Hera, mulher de Zeus e torcedora da Coisa, a brincar de amarelinha. Como castigo, quando morreu, condenaram o coitado a rolar uma pedra bem pesada até o pico da montanha mais alta do Inferno. O problema era que a pedra tinha um peso diabólico que ia aumentando, assim que se subia a montanha. Toda vez, a poucos metros do cume, a pedra pesava tanto, e Sísifo ficava tão cansado, que largava a maldita, deixando-a rolar até embaixo, e aí tudo recomeçava outra vez, e mais outra vez, e outra vez, ad eternum e ad nauseam (porque isso, convenhamos, dá um enjôo danado). Sísifo simboliza o eterno recomeço de alguma coisa. Parecia a oposição. Parecia que estávamos sempre recomeçando. Tínhamos a pedra, a montanha, a gana de chegar até lá, e pumba!, algum fato acontecia, algo absolutamente irrelevante explodia, alguma desavença besta encruava, e largávamos a pedra, e a pedra caia, caia, até lá embaixo. Além disso, o que mais me metia medo era a falta de recursos. Sabia que a oposição tinha projeto e que era muito bom. Mas alguém tinha algum patrocinador? A falta de recurso dava-me medo, e medo do futuro. O que faremos com um clube falido e sem recurso? Onde achá-lo? Existe algum plano de emergência? Sem plano mirabolante e extravagante, como acreditarmos, como evitar o medo? O que adiantava projeto, intenção e iniciativa sem uma mínima base material? Sem recurso, a gestão seria sobre...

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Eu também sou candidato

Imagem original: Angeli / Edição: Dimas Lins O processo eleitoral no Santa Cruz anda mesmo confuso. Além dos problemas de sempre, como a impublicável lista de sócios – estranho alguém que antes de ser presidente defendia sua publicação e hoje faz ouvidos de mercador – agora temos um número recorde de candidatos à presidência disputando o mesmo pleito. Não bastassem Fred Arruda, Fernando Velozo, Felipe Rego Barros, Ramon e Romerito Jatobá, surgiu também o nome de Rui Monteiro. Infelizmente, ele não deu sorte, pois foram tantas as novidades que Monteiro quase passou despercebido. Por exemplo, ontem Antônio Luiz Neto lançou nas rádios a sua candidatura, que tem como vice – tirem as crianças da sala – Romerito Jatobá, seu antigo desafeto. Na campanha de 2004, Jatobá deixou Luiz Neto no chinelo. Lembro que, num debate, o candidato da situação perguntou ao adversário o que era a Timemania. A resposta foi patética e veio em forma de pergunta: “Timemaria?!”. Eita, mundo velho e enfadado para dar tantas voltas! Mas a grande novidade ainda estava por vir. Quando tudo nos levava a crer que não haveria nada de novo no front e na retaguarda também, eis que surge Fernando Bezerra Coelho, atual Secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Eduardo Campos. Ele seria um candidato de consenso. Uso o verbo no tempo e no modo condicional propositadamente. O futuro do pretérito indica que ele foi sem ter sido, mas pode ser que ainda seja. No Santa é assim, tudo é sempre tão estranho. Bezerra Coelho, imagino eu, pretende conciliar as funções de presidente coral e de secretário de governo. O último que levou uma vida dupla e misturou o Santa Cruz com política foi Mendonção e o clube se deu mal. Já que existem mais candidatos do que sócios, nós do Torcedor Coral, resolvemos lançar a nossa própria chapa. Por que não mais uma? Ademais, se todo mundo pode se lançar candidato, nós também podemos. Seremos a antichapa. Melhor. Seremos a antimatéria de uma chapa, uma verdadeira dentadura banguela! Lançaremos uma antiproposta e seremos os candidatos de protesto. Só de mal. Dito isso, lanço os nomes: Para presidente, Dimas Lins. Eu mesmo. Por que não? O que me qualifica? Bem, desde que minha filha nasceu aprendi a limpar merda. Usarei toda a minha experiência para limpar toda a caca das Repúblicas Independentes do Arruda. O que não falta por lá é merda. E não adianta só limpar. Temos que desovar toda a futura produção...

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A difícil escolha pelo nome

Quase que toda semana emito pareceres sobre projetos. Em alguns, basta ler apenas o primeiro parágrafo para saber que é inviável; em outros, tenho que ler por completo para tomar uma decisão de aprovar ou não. Uma vez aprovado, no entanto, não é garantia de execução. Afinal, muitas vezes um projeto viável acaba não sendo executado. Existem diversos casos de projetos bem elaborados, vencidos através de licitações, pregões eletrônicos, que não foram postos em prática. Quase sempre, por força da lei, quem elabora não é o mesmo que executa. Entretanto, quem executa fica totalmente ciente de todas as etapas e responsabilidades do projeto. Mas, mesmo assim, ainda não é garantia de execução. E por que isso ocorre? Porque o executor não é capacitado para fazê-lo! Ou seja, de nada adianta um bom projeto sem ter uma pessoa capaz de torná-lo viável! Daí, os mais céticos podem dizer que também de nada adiantaria ter a pessoa se não existisse um projeto para executá-lo. Ora, isto é óbvio! Mas, se existe a pessoa certa, é porque junto a ela está toda a sua competência de criação, de elaboração. E também porque ela traz consigo todo o conhecimento e a capacidade de execução. O mercado está cheio de projetistas. A internet nos possibilita o acesso a vários cases de sucessos (benchmark, como os administradores gostam de chamar). A razão do crescimento de outros clubes está a olhos vistos de todos nós. E por que será que não conseguimos o nosso sucesso? Porque o NOME escolhido foi sempre o errado! Em 2004 e 2006, respectivamente, tivemos acesso aos projetos das chapas de Antônio Luiz Neto e Édson Nogueira. Todos bem elaborados. O primeiro não venceu a eleição e não pôde sequer tentar realizá-lo (embora ache bem improvável que, caso eleito, conseguisse fazê-lo). O segundo venceu a eleição e não fez nada do que estava escrito. Por quê? Porque escolhemos o NOME errado! Em um clube de futebol como o nosso, onde o sistema é 100% presidencialista, somente um indivíduo tem o poder de execução. Se ele não quiser ou não for capaz, nada se faz, nada se transforma! Recentemente ouvimos que os grupos de oposição estão se reunindo sob o pretexto de ¨discutir idéias¨, ¨projetos¨. Algumas dessas pessoas já conversaram há quatro… dois anos atrás e… Nada foi feito. A preocupação foi tanta em relação à ¨elaboração de um projeto viável¨ para o...

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Pena de morte tricolor

Magali Amélia Gama No dia 24 de agosto de 2008, o Sr. Édson Nogueira, delegado de polícia, advogado formado sabe-se lá aonde, decretou a pena de morte de um clube de futebol de 94 anos. Em todos estes anos, que eu acompanho como torcedora apaixonada desde 1975, nunca fomos tão prejudicados por uma única pessoa. Tivemos histórias de glórias, de presidentes heróis e histórias tristes, de presidentes desonestos que dilapidaram o patrimônio do clube. Mas como o Senhor Dr. Delegado, realmente, como diria a turma do filme “Tropa de Elite”, “nunca serão”. Sei que a vida continua, e que o futebol para muitos é apenas uma diversão, um lazer de fim de semana e que amanhã teremos que trabalhar, estudar e seguir em frente. Mas, Sr. Delegado, a sentença que o Senhor conseguiu impor a milhares de pessoas foi dura e cruel. Nós não merecíamos isto. Ficamos juntos, incentivamos e até mesmo, quando só um milagre nos salvaria, ainda levamos 17 mil esperançosos para ver a última humilhação que o Senhor nos fez passar. E falo última, não pelo fato do Senhor não estar mais no clube amanhã, pois infelizmente, Senhor Delegado, teremos que lhe aturar até dezembro. Falo última, porque agora só em “janeiro” é que veremos o Santinha no pernambucano, muito provavelmente para virar chacota de nossos rivais. Senhor Delegado, eu sou formada em Administração e tenho dois filhos universitários, um estudante de Administração e outro de Direito, e hoje agradeço a Deus por poder ter lhes educado moral e religiosamente , pois o ódio que eu vi nos olhos deles com relação ao Sr. Dr. Delegado, me faz pensar que hoje junto com o Santa Cruz , meus filhos morreriam de tristeza ou contaminados com tanto veneno. E graças a Deus, somos pessoas do bem. E pensar que o Senhor Delegado ainda queria votos para se eleger vereador. Eu não tenho domínio das leis, como provavelmente o Senhor deve ter, mas hoje eu queria poder lhe processar e acho que o Senhor se enquadraria em vários artigos contra o meu Clube e a minha família. Danos morais, danos materiais, constrangimento, abuso de poder e o pior de todos, homicídio doloso triplamente qualificado, quando o Senhor de forma cruel, sem dar chance de defesa e de forma premeditada, assassinou covardemente toda a Nação tricolor. O Senhor, como bom advogado, pode tentar se defender, colocando a culpa nos...

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O momento do Santa Cruz

Compareci na quinta ao lançamento da chapa Aliança Coral. As impressões foram as melhores possíveis. Chamam a atenção nesse grupo postulante a assumir o clube, a qualidade do projeto de gestão e o compromisso com princípios fundamentais para o soerguimento do Tricolor. A mim, tais qualidades não foram uma surpresa. Conheço os integrantes do grupo e sei de seu esforço de anos na reflexão sobre os problemas e soluções para o Santa Cruz. Isto é, a Aliança Coral tem projeto, e este é um excelente projeto – viável e exeqüível. Outro aspecto importante é a consciência da necessidade de se alcançar uma composição com os diversos grupos de oposição. O presente do nosso clube clama por uma ampla mobilização de nossa torcida e de nossos sócios, e pela união daqueles que estão decididos a modernizar o Santa Cruz, profissionalizá-lo, afastar àqueles que se utilizam dele para se promover e galgar postos políticos. Precisamos unir todos os que desejam uma ruptura radical com essas últimas décadas marcadas pelo erro do amadorismo, personalismo, uso eleitoreiro do clube. Não se trata aqui de desonrar pessoas. Sei que muitas delas agiram de boa-fé, com as melhores das intenções. Cito aqui os nomes de Raimundo Moura e Edelson Barbosa, como exemplos. Mas a forma de governar e gerir o clube foi sempre obsoleta, ultrapassada. O futebol atual não perdoa falta de profissionalismo. E estamos sentindo isso na carne, a custa de diversos vexames e episódios que deslustram o nosso Tricolor. Mas nada está perdido, O Santa não morreu. Os planos da Aliança Coral, grupo capitaneado por Fred Arruda, são uma prova disso: ações de curto, médio e longo prazo, que passam pela geração de receitas, gestão do passivo, qualificação da marca Santa Cruz, campanha de sócios, recuperação patrimonial, maneiras de captar recursos com o patrimônio, prioridade nas divisões de base. Visão empresarial, empreendedora e, não menos importante, democrática. Um clube que volte a escutar seus torcedores, seus sócios, seus conselheiros, sua imensa legião de aficionados.  É gratificante saber da existência de muita gente séria, que ama o Santa, disposta a ajudar. Alguns sendo lançados por seus grupos como candidatos a presidente: Fernando Veloso, Felipe do Rego Barros, Ramon. Apenas me parece que o momento é de Fred Arruda. Por quê? Porque é a liderança de um amplo movimento, renovador, possuidor de um sólido e consistente projeto; porque tem acumulada uma profunda reflexão coletiva sobre...

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