Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar dos jogos do Santa Cruz na Série B. Nosso índice é de quase 100% de… erro. Mesmo assim, a gente não desiste. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e cronistas e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Estou perdido na mata e de repente vejo um clarão. Na minha direção, uma samambaia corre com as mãos para cima. Não sei se é o sol a pino ou se botaram alguma coisa na minha clorofila. A samambaia se aproxima, mas não é uma samambaia, apenas um torcedor do América/MG vestido com o uniforme do clube e correndo com a mão na cabeça para não perder o juízo. Sim, tive uma visão. Placar: América/MG 1 x 2 Santa Cruz Paulo Aguiar Mais lúcido em campo, o craque do pernambucano, João Paulo, evita a derrota coral. Placar: América/MG 1 x 1 Santa Cruz Artur Perrusi Ricardinho escala um cachorro, pensando que era um cavalo e ganha o jogo. Placar: América/MG 0 x 2 Santa Cruz Nó Cego Isso é um lote de frouxos! Vão se cagar todinho jogando fora de casa! Bando de fuleiros! Placar: América/MG 2 x 0 Santa Cruz Manoel Valença, o Manequinha Imagino o Arruda gritando ensandecido: “Ão, ão, ão, meu atacante é cachorrão!”. A dupla Cachorrino (Cachorrão e Anderson Aquino) deslancha orquestrada por João Paulo. O Santa vence depois de tomar um gol besta e perder uns quatro gols de cego. Placar: América/MG 1 x 2 Santa Cruz Santana Moura O Santa é uma constelação: brilha mais que uma estrela! Placar: América/MG 1 x 2 Santa...

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Com a corda toda

Com a corda toda

Os editores e cronistas do Torcedor Coral, por vontade própria — todos sabem — exilaram-se. Foram tantos anos pisando e repisando as coisas do Santa Cruz, que se criou um oco mental e se instalou uma enorme preguiça nas mãos. Poucos têm essa capacidade de deixar a mente vazia, reconhecemos. Eis nossa melhor virtude. Primeiro, veio a desaceleração, depois, enfim, a parada total. Por um bom tempo respiramos por aparelhos. O resultado dessa paralisia reflete-se agora no tempo em que escrevo: falta ritmo, os dedos entrevaram e, no cérebro, só teias de aranha. Fisioterapia e voltar ao Arruda ajudaram a reacender a velha chama. Escrever, como tudo na vida, requer exercício. A prática vem da repetição; as ideias, de usar a cabeça em coisas úteis, ou inúteis, como no nosso caso. Estalo os dedos, enquanto espremo uma gota de pensamento e uma voz sussurra que ainda há muito o que dizer do Santa Cruz. Imagino fantasmas do passado cobrando a conta da vadiação, mas logo soube que não podíamos escapar da verdade, que crescemos venerando essas cores numa mistura secular entre o profano e o sagrado, entre a farra e a devoção. Não há como, então, desvencilharmo-nos daquilo que nos impregna. Por isso, a ociosidade termina agora. O TC hoje retorna ao universo virtual para fazer o que sabe: falar do Santa Cruz. O retorno, que amadurecia aos poucos, foi praticamente selado no final do campeonato pernambucano. Se não cansamos do Santa Cruz nos piores momentos de sua história, por que cargas d’água cansaríamos agora que voltamos a ganhar competições? É melhor ser alegre que ser triste, já dizia o poeta. Há muito o que fazer nas Repúblicas Independentes do Arruda e o TC quer meter a colher. É preciso provocar, reformular, modernizar. É preciso confundir para então esclarecer. Nosso papel está na primeira parte desta oração subordinada. Também é preciso brincar. Por isso, o nosso retorno aconteceu num encontro etílico de editores, cronistas e amigos no Paraíso Tricolor, jardim da nossa querida Santana Moura e de Toy, o casal mais acolhedor do universo, como bem disse Perrusi já com a língua engrolada. Os encontros anuais, é justo dizer, aconteciam próximo ao 06 de dezembro, data do aniversário do TC, mas, em 2014, passou batido, sintoma de que algo estava mesmo fora de ordem. Em dado momento, foi Artur, confundindo uma samambaia com Santana, reflexo das mudanças químicas na corrente sanguínea, quem filosofou...

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Foi com tempero

Foi com tempero

Posso dizer que o sábado, dia do jogo contra o Central foi um dia com todo tipo de tempero. Tudo começou no nosso recanto de concentração para os jogos no Arruda, o já famoso Caldinho do Bonitão. Comida de primeira, caldinhos deliciosos, cerveja gelada no ponto e a companhia de muitos amigos, entre eles quase toda a família Lins, incluindo Gabriel, o garoto de 12 anos que parece saber os 101 anos do Santa Cruz na cachola. A comida era tão boa (ou o álcool era tão grande) que passamos uns 30 minutos debatendo se um pedaço de carne bem macia era bode ou carne de sol. Outro tempero para esse dia foi o clima de jogo. Há quanto tempo em não sentia isso. Ruas com bandeiras, carros com malas abertas e tocando Pablo ou Musa. Gente na rua vestida de vermelho, branco e preto. Estava com saudades de um jogo assim, que movimentasse a cidade, mexesse com o torcedor. Outro tempero foi o time. Dentro das limitações técnicas e táticas, sejam coletivas ou individuais, achei que o time jogou muito. Perdemos um caminhão de gols e não precisou de João Paulo sangrar pra vermos que o time estava dando o sangue. Mas, teve um tempero que ganhou o dia. Na entrada das sociais fomos temperados com pimenta, spray de pimenta mais precisamente. Aqui entra aquela velha discussão que parece que vamos continuar a chover no molhado. De quem é a culpa de um sócio ser recepcionado com spray de pimenta em seu próprio estádio? A culpa é da diretoria, que disponibiliza apenas uma entrada com cinco catraquinhas para 10.000 entrarem. Além disso, esses novos ingressos cupom fiscal, são ruins pra caralho de passar no leitor de código de barras e amassam muito, o que dificulta ainda mais. Devido a isso, a entrada de uma única pessoa às vezes leva um minuto. Porque não abrir o portão do lado do antigo Colosso pra sócios também? Seria o dobro de entradas. A culpa é da PM, que a cada dia mostra-se mais despreparada e mais truculenta. A violência e falta de paciência dos PMS aumenta a cada nova reportagem que sai contra eles. Eu estava presente e não havia necessidade nenhuma de spray de pimenta ali. Ninguém foi violento ou tentou começar algum tumulto, pelo menos quando entrei. A culpa é do torcedor, que fica enchendo o pote até a...

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Os verdadeiros inimigos

Os verdadeiros inimigos

Firme na minha decisão de manter o TC parado até reavaliação no início da Série B, recuei, momentaneamente, provocado por uma entrevista de Alírio Moraes ao Superesportes. Provocado no melhor sentido, pois o tenho visto com bons olhos, apesar das dificuldades e das falas em demasia. O mandatário coral, no final da entrevista, lamentou o desdenho da torcida pelas metas que traçou para o triênio 2015 a 2017. “A gente fica sendo taxado de delirante, porque quer mudar a realidade do clube. Algo que a torcida mesmo cobra, ela quer uma melhoria, mas ela própria não acredita que possa acontecer.” Alírio Moraes Matutei sobre a fala presidencial, dei razão a Alírio, mas compreendo bem a torcida. Impossível não compreendê-la depois de tantos anos de esculhambação administrativa, que nem mesmo o aclamado Fernando Bezerra Coelho ou o sortudo Antônio Luiz Neto conseguiram — ou mesmo tentaram — minimamente dar um jeito. Alírio Moraes tem, na conta de quem apenas observa de longe, a vantagem de olhar para frente. Enxerga o clube como qualquer torcedor bem informado, e sabe que o Santa Cruz tem uma estrutura medieval e precisa entrar no século em que vive. Contudo, qualquer tricolor também reconhece que são ousadas as metas traçadas, como construção do Centro de Treinamento em três meses, modernização do Arruda, conquista da Copa do NE, do Brasil e vaga na Libertadores. Nenhum dos projetos saiu do papel, desde o tempo de Edinho, o diminutivo que reduziu o Santa Cruz a cinzas. Claro, bem explicou o presidente, que não há como garantir a conquista de nada, mas apenas de montar um time capaz de atingir as metas. Ganhar ou perder são coisas do futebol. Metas, porém, são fáceis de traçar e difíceis de alcançar. E quanto maior for a glória prometida, maior também será o tombo, em caso de frustração. Em tempos de descrédito, na perda da fé, cujo reflexo principal é o desaparecimento do torcedor das arquibancadas do Arruda, o silêncio cauteloso talvez seja o melhor caminho até que as coisas, enfim, tenham condição reais de materialização. Ainda assim, é preciso dizer que o presidente Alírio Moraes tem um diferencial dos seus antecessores. Enquanto todos miraram primeiro o futebol, ele identificou como principal alvo uma reforma administrativa, a tal profissionalização que todos nós sonhamos. E já fez o que nenhum outro presidente conseguiu nos últimos trinta anos, reduzir significativamente a dívida do clube, essencial...

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Retrospectiva Coral 2014

Retrospectiva Coral 2014

Pelo 6º ano consecutivo, publico no Torcedor Coral uma retrospectiva do ano. Desta feita, o ano da retrospectiva tinha tudo para ser, no campo, um ano muito especial. Vindo de um 2013 exemplar e histórico, o ano do Centenário do Santa Cruz estava previsto para ser apoteótico. Mas, tudo não passou de um sonho. O Centenário do Santa Cruz foi muito pobre, não condizente com a sua história. Tanto dentro quanto fora de campo os erros foram infantis, o que culminou em um ano sem brilho e decepcionante para o torcedor coral. O prenúncio de uma comemoração fraca do Centenário coral se concretizou. Sem Presidente e Diretores envolvidos em um ano que tinha tudo para ser lembrado como um grande ano, coube a torcida fazer sua parte para que a data não passasse despercebida. A Festa fora da Igreja foi linda. Dentro dela, somente poucos tiveram acesso. No futebol, as eliminações frente ao maior rival marcaram o primeiro semestre. A vergonhosa participação do Brasil na Copa do Mundial não pode ser apagada da lembrança. Por fim, uma série B sem maiores pretensões. Sem ter o risco de cair para a série C e com remotíssimas chances de subir para a série A. O Santa Cruz, no ano do seu Centenário, foi pequeno. Fica, portanto, a torcida para que em 2015 o Santa Cruz comece praticamente do zero e surpreenda mais uma vez. Um novo presidente assumiu o cargo. Totalmente desconhecido da torcida coral começou prometendo sonhos (um CT com dois campos prontos em apenas 6 meses; ampliação do estádio do Arruda para 75 mil torcedores sentados; contratação de jogadores de peso; profissionalização em vários departamentos do Clube). Alírio Moraes, nosso novo presidente, terá o nosso apoio para tornar real esses sonhos. Enfim, que em 2015 nossas esperanças sejam reforçadas, novos sonhos sejam realizados. Que os nossos sonhos se tornem realidade. E sempre com a certeza de que nós continuaremos amando o nosso Santa Cruz Futebol Clube que, assim como a nossa esperança, nasceu para viver eternamente. Feliz 2015, Torcedor Coral, são os meus sinceros votos! Melhor de 2014: 1. Mesmo com time limitado, chegamos a sonhar com uma série A. Somente a camisa em campo já foi o bastante para o Santa Cruz saber que, com um pouco mais de qualidade, volta à elite do futebol brasileiro. 2. A emocionante Festa do lado de fora da Igreja em comemoração aos 100 anos...

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