Chancela

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Li um comentário de um leitor do Torcedor Coral que dizia que a eleição acabou e já era hora de descer do palanque. Entendo sua lógica. Possivelmente passe por sua cabeça que a extensão da política além do período eleitoral pode prejudicar o clube ao criar um clima turbulento nas repúblicas independentes do arruda – escrita assim mesmo, com todas as iniciais em letras minúsculas. Consideraria isso perfeitamente normal, caso tratássemos de um pleito limpo, claro e transparente, sem a utilização ou a contemporização de práticas pouco recomendáveis como as que se deram nessas eleições. Para mim, seria mais fácil, ainda que simbolicamente, não reconhecer Antônio Luiz Neto como presidente legítimo do Santa Cruz a esquecer a denúncia feita pelo Blog do Torcedor. Além do mais, não posso descer do palanque de uma eleição na qual jamais subi. Votei em Sérgio Murilo, nunca guardei segredo para ninguém, mas não me engajei em sua campanha, como costumava fazer a cada eleição do Santa Cruz. Em primeiro lugar, reconheço, venceu a minha descrença generalizada em um modelo de gestão ultrapassado que está enraizado no Santa Cruz e que ninguém conseguiu ou, por conveniência, nunca quis aposentar. Em segundo, pelas seguidas decepções com os presidentes que apoiei com o meu voto ou com a minha esperança. Foi assim com Édson Nogueira, foi assim com Fernando Bezerra Coelho. Por último, a convivência mais próxima como conselheiro do clube me deu a exata dimensão do comprometimento da gestão que se foi. Assim, do alto da minha descrença, prefiro ver o resultado primeiro para acreditar depois. A eleição ao menos serviu para, definitivamente, colocar os pingos nos is. Escancarou, mais uma vez, as feridas do Santa Cruz e mostrou que vale tudo para ser presidente de um clube falido e atolado na lama. Deve haver uma boa razão para isso. A propalada união colocou um monte de gatos no mesmo saco. Serviu também para apagar o pouco brilho que restava a Fernando Bezerra Coelho e sua intrépida trupe. Não obstante a gestão pífia, ficou muito feia a declaração, após a denúncia do Blog do Torcedor, sobre o fato de a eleição ajudar no aumento do número de sócios em dia. Tivesse esse procedimento ocorrido em nossa eleição republicana, estaria configurado crime eleitoral. Infelizmente, sua gestão, através do presidente do Conselho, foi incapaz de reformar o estatuto do clube para inibir práticas como essas. E para...

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Cobrindo as despesas excedentes

Cobrindo as despesas excedentes

Imagine uma pessoa andando alegremente num shopping center da cidade. De repente essa pessoa se depara com um sonho de consumo: uma nova TV com todos os mais modernos e sofisticados recursos. Os olhos de nosso amigo chegam a brilhar. Depois de admirar o tão sonhado produto, ele observa um cartaz abaixo que informa o preço: a TV custava R$ 10.000,00. Mesmo sabendo que é muito caro para um taxista como ele, nosso consumidor começa suas contas: – Meu apurado do taxi, somado com um CDC em 24 vezes, atrasando uma parcela do condomínio, noves fora nada, etc., etc., etc… E nosso amigo chega a uma conclusão: – É caro, mas eu quero! É caro, mas eu mereço! Com um apertinho temporário aqui, outro acolá, consigo pagar! A prestação vai ficar em R$ 800,00! Eu ganho R$ 1.100,00, dá demais! E feliz da vida após esse teorema financeiro, nosso amigo liga para a esposa para dar a boa notícia, vai comprar a sua tão sonhada TV. Obviamente, a esposa de nosso amigo dá-lhe um esporro daqueles e só não o chama de arroz doce. Triste da vida, nosso frustrado amigo sai do shopping contando as moedas para pagar o estacionamento. Ainda revoltado com a frieza material da esposa, ele começa a pensar revoltadamente: “Se fosse uma escova definitiva de R$ 1.000,00, ela comprava. Como é para mim, não posso comprar nada!”. Distraído em seus pensamentos, nosso amigo avança um sinal vermelho e bate seu taxi num outro carro, um carro importado caríssimo. Ninguém fica ferido, e, como não haveria outra maneira, nosso amigo taxista é obrigado a assumir a culpa, e, negociando com o proprietário, ele descobre que a franquia do seguro do carrão é de R$ 10.000,00, parceladas em 10x de R$ 1.000,00. Ou paga a franquia, ou paga o conserto que daria muito mais. Ainda nervoso e tremendo-se todo, nosso amigo liga para sua esposa e conta o ocorrido. Imediatamente, a esposa o aconselha a pagar as dez prestações. O taxista vai à oficina e passa no seu sofrido cartão de crédito os R$ 10.000,00. Passados alguns dias, conversando com a sua esposa, o taxista pergunta: – Mulher, por que você não deixou comprar a TV que eu queria de R$ 800,00 por mês e na hora, sem pestanejar por um segundo, mandou eu pagar R$ 1.000,00 por mês da franquia? E a mulher responde: – Porque...

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Enquete

Enquete

Eleições 2010 Com a definição das chapas na corrida presidencial do Santa Cruz, o Torcedor Coral quer saber se você é sócio e em quem votaria no dia da eleição. Participe da nossa enquete! Você é sócio votante do Santa Cruz? Sim (61%, 51 Votos) Não (39%, 32 Votos) Total de votos: 83  Carregando ... Em quem você votaria para presidente do Santa Cruz? Sérgio Murilo (76%, 68 Votos) Antônio Luiz Neto (21%, 19 Votos) Brancos e nulos (3%, 3 Votos) Total de votos: 90  Carregando ... Votação encerrada Qual o presidente ideal para o Santa Cruz nas próximas eleições? Sérgio Murilo (54%, 89 Votos) Jonas Alvarenga (15%, 24 Votos) Não sei (13%, 21 Votos) Fernando Bezerra Coelho (8%, 13 Votos) Antônio Luiz Neto (5%, 9 Votos) Lula Cabral (2%, 4 Votos) Sebastião Oliveira (2%, 3 Votos) Joaquim Bezerra (1%, 2 Votos) Total de votos: 165  Carregando...

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Fiel da balança

Fiel da balança

As eleições no Santa Cruz estão se aproximando e o quadro eleitoral segue indefinido. Jonas Alvarenga saiu do páreo (na verdade, nunca entrou!) e deixou FBC sem candidato. Nos últimos anos, apenas o Diminutivo (Toc! Toc! Toc!) não lançou sucessor. FBC provavelmente também não lançará, no máximo, adotará um. Sua última cartada, segundo os jornais, será Sebastião Oliveira, deputado estadual recém-eleito. A dificuldade é, como salvador da pátria da vez, Oliveira, ao que parece, só quer ir na boa; isto é, só será candidato, caso não haja bate-chapas. Sentado na varanda do meu apartamento, com os pés confortavelmente em cima de uma cadeira, tomando uma cervejinha bem gelada e olhando tudo isso de cima, não pude deixar de lembrar da propaganda de um supermercado popular que existia na década de oitenta, creio eu, que dizia assim: “se quer moleza, meu irmão, vai no Balaio!”. Se Oliveira não perceber que não basta ser candidato, tem que participar das eleições, o precioso apoio de FBC poderá cair no colo de Sérgio Murilo. Acredito nisso, por causa do perfil dos dois outros candidatos (Antônio Luiz Neto e Joaquim Bezerra), pois tenho lá minhas dúvidas se um e outro agradam a FBC. Caso isso ocorra, Sérgio Murilo será indubitavelmente o favorito nas eleições, a menos, é claro, que apareça uma Marina Silva em seu caminho. Também não descarto a possibilidade, já que virou moda, que o fundamentalismo político possa atrapalhar a sua vitória. Assim, surgiriam boatos espalhados pela cidade dando conta que Sérgio Murilo é contra, por exemplo, o aborto. Uma coisa terrível! O candidato, por sua vez, tentaria explicar que é a favor da vida, mas ninguém lembraria que o orifício na extremidade do intestino grosso não teria nada a ver com as calças, pois o tema passa longe das eleições do Santa Cruz. Entretanto, como o nível dos debates nas Repúblicas Independentes do Arruda costuma ser mais rasteiro do que a concorrida corrida presidencial no país, não me surpreenderia se o boato tivesse o efeito de um chute na altura da bolsa escrotal. Panfletos espalhados em frente ao clube no dia da votação insinuariam que o candidato teve continência urinária até a idade adulta. E terminaria com uma pergunta definitiva: “Você confiaria num presidente que mijou na cama até os 25 anos?” A essa altura, não haveria tempo suficiente para que o candidato pudesse provar, através de depoimentos dos familiares, que...

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Canto da sereia

Canto da sereia

Ando abusado da mesmice que se tornou o Santa Cruz, desse ciclo vicioso e tortuoso que vem, ano a ano, enterrando nosso clube a sete palmos do chão. Permaneço em estado de descrença absoluta, diante de gestões que dão em lugar nenhum. O processo eleitoral tricolor também é outra coisa que me desagrada. São sempre muitos candidatos, alianças de última hora, acomodação de cargos, tira daqui e bota ali, que geralmente resultam em nada. Diante desse cenário, a cabeça já não permite que o coração se dê ao luxo de se assanhar com promessas de mudanças. Sinceramente, escapuliu de mim a paciência para ouvir candidatos que ainda falam em reconstruir o Santa Cruz com a ajuda da torcida, como no passado, cada qual trazendo seu tijolinho, como se futebol – já disse isso faz tempo – fosse feito com milheiros e não com milhões. Também ando cansado de salvadores da pátria, de interesses primários pessoais, ou de propostas mirabolantes que no fundo escondem administrações precárias. Suporto ainda menos a palavra união, solução vazia sem nenhum valor. Nesse jogo eleitoral, prefiro ficar olhando e atocaiando uns e outros e mantendo sempre uma distância saudável e segura do jogo do poder. No passado, acreditava que a distância contribuía para afundar ainda mais o Santa Cruz. Pensava assim: se todos se afastam, o clube se esvai. Atualmente, creio que a distância é o meio que nós, torcedores mortais, encontramos para minimizar o sofrimento de torcer por um clube que se acostumou a perder. Agora penso assim: doideira muita, minha sanidade primeiro. Tenho saudade do tempo em que minha relação com o Santa Cruz era restrita à arquibancada. Notei, aliás, uma mudança significativa na minha forma de torcer. O outrora torcedor temperamental, que xingava o juiz e delirava com um gol ou se acabava com uma derrota, deu lugar a outro menos passível à emoção. Já não salto da cadeira diante de um gol, nem me acabo de profunda tristeza com uma derrota. Este é o mal que a proximidade com o clube do coração traz. Quanto mais próximo, mais insensível me torno. Apesar de tudo, sim, ainda creio que é possível sair desse buraco, mas não acredito mais no canto da sereia dos candidatos. Vacinado, prefiro que o novo presidente assuma, faça as coisas acontecerem primeiro, para eu acreditar depois. Anos e anos de péssimos gestores me deram essa descrença inabalável. Também...

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