Ajude a torcida, Presidente!

Ajude a torcida, Presidente!

Já está ficando chato. É o presidente tricolor abrir a boca e: “… Vamos ter que contar novamente com o apoio de nossa torcida e pedir para que eles, mesmo com o fim do calendário de jogos, continuem pagando suas mensalidades e atraindo novos sócios”. “Será uma desigualdade enorme contra Sport e Náutico, que, por mérito, subiram para a primeira divisão e terão vultosas quantias. Nós, com uma torcida extraordinária, teremos cota zero. Vamos entrar 2012 da mesma maneira de 2011: da pior forma possível”. “O ano de 2012 vai ser um ano extremamente difícil para o Santa Cruz enfrentar, considerando-se o fato de que os nossos principais adversários no Campeonato Pernambucano estarão com receitas enormes, bancadas pela televisão, enquanto que o Santa Cruz, mais uma vez, vai ter que iniciar o ano sem nenhum tipo de patrocínio nesta área televisiva”. “O Santa Cruz está precisando, neste momento, que aqueles que são sócios se mantenham em dia e paguem as suas mensalidades”. E Haja Saco! Toda a torcida, Presidente, está cansada de saber disso tudo: que não temos verba de televisão (o que não é totalmente verdade, já que no Pernambucano, temos, sim, uma verba), que estamos na Série C, onde falta visibilidade, Clube dos 13, e blablablá. E sempre, a única saída parece ser a nossa torcida que, aliás, só é lembrada pelo clube nesses momentos. Por que, Senhor Presidente, não fala sobre o seu esforço e de sua diretoria em renovar contratos atuais e arrumar novos patrocinadores e parceiros para o clube? Por que, Senhor Presidente, não se fala da grande campanha de sócios que está finalizada e será lançada, para atrair cada vez mais a massa coral para perto do Santa? Por que não explana o planejamento que está sendo feito para tratar os torcedores que frequentam o Arruda como consumidores e parceiros, e não como gado, enfrentando filas enormes com um sol de rachar o quengo e o bafo dos cavalos da PM? Por que não divulga que a campanha de sócios terá uma extensa lista de benefícios e vantagens para o sócio coral, como reconhecimento pelo apoio insistente, irrestrito e apaixonado? Isso tudo está sendo feito e providenciado, não está Presidente? (…) Parece que se tornou um vício da maioria dos dirigentes corais (para não dizer de todos) o apelo à torcida como única saída para o clube. E aqui não quero retirar a responsabilidade...

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Salvação

Salvação

Finda a temporada 2011, já lanço uma botica de olho para o ano seguinte, como quem não quer nada e já querendo muita coisa. Tenho esse negócio de não pensar demais no passado, feito uma pomba lesa, porque o futebol não vive de nostalgias. O que passou, passou, foi quase tudo muito bem, mas as conquistas são para guardar na lembrança e os troféus, no museu (onde está o museu?!) do clube. Ao pensar na próxima temporada, vem-me logo à cabeça a tranquilidade de não precisar correr atrás, já no Campeonato Pernambuco, de uma vaga para a competição nacional, mas, principalmente, que o abismo financeiro vai aumentar em relação aos nossos principais adversários locais. Os dois estão na Série A e nós, só agora, chegamos à Série C. Grana, grana, grana! É preciso, antes de tudo, pensar em grana, pois, já dizia o filósofo Falcão, dinheiro não é tudo, mas é cem por cento. Também é indispensável pensar em como manter o time coral minimamente competitivo na próxima temporada diante dos milhões da Rede Globo contra os trocados da TV Nova. Não que eu despreze o trabalho da TV pernambucana, que foi bacana, pois, apesar das inúmeras falhas, como começar a transmitir um jogo no início do segundo tempo, não posso negar que ela quebrou um galho lascado para a torcida coral nesta Série D. Por isso, mesmo ocupado em pensamentos altamente produtivos sobre como fazer para passar mais rápido os doze anos que ainda me restam para a aposentadoria e em como gastar o dinheiro da Mega-Sena, caso eu ganhe o prêmio sozinho, resolvi convocar uma reunião de emergência do Conselho Editorial e Pitaqueiro do Torcedor Coral para debater a questão. ― Se não tiver cerveja, nem me chame! – disse Nó Cego ao telefone, com o seu humor característico. Apesar da falta de futebol e de saco, todos compareceram. A cerveja, é bem verdade, atraiu mais a nossa equipe do que o assunto, já que, nessa época do ano, a gente só pensa em cachaça e confraternização, que no fim das contas é a mesma coisa. Comecei a reunião cheio de dedos, indo pra lá e pra cá, falando do tempo, perguntando se um e outro tinham dinheiro para emprestar ou pelo menos um colírio para pingar nos olhos, um melindre lascado, porque o assunto era chato e não havia nenhum Xeque árabe montado na grana, tampouco...

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A miséria dos técnicos

A miséria dos técnicos

Texto para distração. Não gosto de técnico. Tenho a mesma opinião em relação aos árbitros: um mal necessário. Nos primórdios, alguém acreditou num cartola, enrolado como uma jiboia numa árvore,  e comeu a maçã. E pumba!, como sinal do pecado original, apareceram o técnico e o juiz de futebol. No comunismo, escrevia Marx, num manuscrito perdido, encontrado num baú dos Perrusi, o futebol não teria técnico, nem juízes e, principalmente, cartolas — em suma, seria autorregulado. Uma volta ao futebol das origens? Talvez… Um futebol sem divisão de trabalho: os jogadores seriam, ao mesmo tempo, técnicos, juízes e dirigentes. O clube seria a torcida. Mas o mundo é, habitualmente, o reverso de uma boa utopia. Assim, os técnicos são indispensáveis. E discordo de quem diz que não ganham jogo. Ganham, sim… quando não atrapalham. Aqui, estamos diante do mysterium tremendum: por que os técnicos atrapalham tanto? Talvez, porque queiram controlar o jogo. E o futebol está aquém e além de uma autoridade. E querem racionalizá-lo, outra forma de dominação. Porém, a razão do futebol é comandada pelo imponderável. Mesmo assim, os técnicos pensam que são demiurgos. Só que não é possível controlar o acaso. Ao tentar controlá-lo, vira necessidade e se torna uma tragédia. O bom técnico, nessa minha visão romanceada, é aquele que facilita o jogo, ao realizar as potencialidades de seus jogadores. Escala, assim, os melhores e os posiciona na tática que aproveita mais suas características. Depois, entrega as camisas, passa a responsabilidade e espera pra ver. No futebol brasileiro, técnico deveria ser um esteta, cuidando da beleza do espetáculo. Certo, não quero exagerar. Assim, acrescento outra tarefa fundamental: o técnico deveria ser um pedagogo. Seria responsável pela formação do jogador – formação técnica e moral. Ele faria e ensinaria a filosofia do futebol tupiniquim: “joga assim, meu filho, porque assim é bonito”. Esse é o mote pedagógico que alia beleza à eficiência. É jogo bonito, logo, brasileiro, e não colombiano, isto é, decorativo. Os técnicos pensam que são cientistas do futebol — mas não são. Quem faz ciência é o preparador físico, o nutricionista, o médico, o psicólogo, e por aí vai. Os técnicos utilizam e conhecem “técnicas”. Querem adequar meios e fins, mas o futebol, muitas vezes, tem um fim em si mesmo. Querem administrar o jogo e, assim, detestam o risco, a alma do esporte. Qual a melhor forma de gerenciar o risco? A...

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Dois lados

Dois lados

Fala-se que tudo na vida tem dois lados. Um lado bom e um lado ruim. Tais generalizações são sempre perigosas, mas em se tratando do jogo ocorrido domingo, podemos tentar aplicar um exercício e enxergar os tais dois lados. Vamos começar com o lado negativo. A derrota. Por mais que o ano de 2011 tenha sido extremamente positivo para o Santa, muita gente saiu do Arruda ontem com um gosto de guarda-chuva na boca. Não que eu saiba que gosto tem isso, mas sabe aquele gosto amargo, aquele sorriso amarelo? Pareceu-me um sentimento quase unânime no estádio. Apesar de a torcida ter aplaudido no final, gritado o “Tri-Tricolor”, foi mais em reconhecimento pelo ano, não pelo resultado. E isso pode ter um impacto um pouco maior que o previsto. Terminando o ano em alta, com um título, a euforia da torcida continuaria em alta, o que poderia e deveria ser canalizado para um só lugar: Campanha de sócios. Não que não possamos fazer campanha por sócios sem o título. Claro que podemos. Mas é muito melhor fazer uma campanha com o seu público alvo apaixonado, em estado de graça, com o fechamento de um ano perfeito. Vi gente saindo do estádio extremamente chateada, gritando, revoltada. Exagero? Muito provavelmente. Mas o tal encanto perde um pouco do seu charme e perdemos mais uma boa oportunidade de capitalizar. E o lado positivo? A derrota. “Pronto. O cabra enlouqueceu de vez!” deve estar imaginando um incauto leitor. Calma que não enlouqueci (pelo menos não por enquanto). No aspecto puramente futebolístico, enxergo a derrota como positiva. Com um resultado negativo diante do escrete Tupi, numa final de campeonato, dentro de casa, caem as auras que circuncidavam as bandas do Arruda sobre treinador e elenco. Nossas fragilidades ficaram, mais uma vez, diga-se de passagem, expostas para quem quiser (e souber) enxergar. Somos gratos a todos os jogadores do elenco pelo esforço e dedicação na missão de tirarem o Santa dessa maldita Série D. Ponto. Agora nossa caminhada prossegue. E passa necessariamente por qualificação (e até reformulação) do elenco. Essa foi a lista de relacionados para o jogo de ontem: Goleiros: Tiago Cardoso e Diego Lima. Zagueiros: André Oliveira, Leandro Souza, Everton Sena e Walter. Laterais: Eduardo Arroz e Dutra. Volantes: Memo, Chicão e Mael. Meias: Renatinho, Weslley, Bismarck, Washington e Jefferson Maranhão. Atacantes: Thiago Cunha, Fernando Gaúcho, Ludemar, Kiros e Flávio Recife. Proponho um exercício. Quantos vocês enxergam vestindo o manto coral na próxima temporada? Quais realmente merecem e...

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Acertos e desacertos

Acertos e desacertos

Não deu. O primeiro título nacional do Santa Cruz, de uma sofrível Série D, não veio e ficou com a equipe que mais fez por merecê-lo durante a competição. Jogamos um bom primeiro tempo, mas o adversário soube controlar os nervos diante de um público, mais uma vez, de arrepiar e matou o jogo no desespero de um time incompetente para fazer gols. Tive uma reação tranquila, como, aliás, tenho tido a cada jogo do Santa Cruz, por já saber exatamente o que esperar do nosso time. Talvez, por isso mesmo, não despreze os resultados alcançados neste ano. Fomos campeões pernambucanos com uma equipe mais barata que os nossos principais adversários, que ainda lutavam pelo hexacampeonato: um pela conquista; o outro, em sua defesa. Aliás, nossa mérito fica ainda mais cristalino, se considerarmos que um já tem vaga assegurada à Série A e o outro está por uma peinha para chegar lá. Nas duas equipes, houve poucas mudanças do Campeonato Pernambucano para cá. Portanto, é inegável que se há de falar em superação e na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Entretanto, se não assumo ares de infelicidade, tampouco assumo ares de satisfação. O vice-campeonato desta competição não apenas é insuficiente para confortar nossa torcida apaixonada pelos anos de sofrimento, quanto alerta sobre a necessidade de mudanças de rumo na próxima temporada. A conquista de uma das vagas da Série C, também é forçoso o reconhecimento, não veio com a mesma competência do Campeonato Pernambucano. A caminhada foi sofrível, trouxe insegurança a torcedores e dirigentes e por pouco não ficamos pelo caminho mais uma vez. Ao olhar agora para trás, para um time que não sabe fazer gols, vejo como um verdadeiro milagre o empate conquistado contra o Treze, depois de uma derrota parcial por 3 a 1, em Campina Grande. Porém, o acesso, embora suado, veio. Mas aí, diferentemente do pernambucano, não há que se falar em superação, tampouco na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Se no campeonato estadual, tínhamos folha salarial inferior, na Série D fomos o primo rico da competição. É verdade, dinheiro não ganha jogo, mas ajuda um bocado. O dinheiro não resolve, quando é mal empregado, como foi o caso de inúmeras contratações para lá de medíocres realizadas pelo Santa Cruz. A competência vem do emprego eficiente dos recursos. Garantimos a vaga, mas a custo de muito sofrimento. Quanto...

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