O legado político do Colegiado

Sylvio Ferreira Das últimas duas décadas para cá, estabeleceram-se duas linhas de força e ação política no Santa Cruz: aparentemente antagônicas entre si e procurando manter a máxima distância uma da outra, como se a peste houvesse acometido uma delas. Cada uma das linhas atribui à outra a razão de ser do débâcle do Clube após o Colegiado. O que tem feito com que as duas forças em jogo comumente se digladiem a céu aberto ou em qualquer recinto que se faça necessário. Uma das referidas forças é remanescente direta da época do Colegiado – e é capitaneada por um dos seus membros e ex-presidente do Clube. A outra força, surgida após o fim do Colegiado, também é capitaneada por um ex-presidente e emergiu no vácuo político aberto quando o Colegiado chegou ao seu término. Em tendo bastado a si mesmo, o Colegiado entregou o Clube à sua própria sorte ou ao deus dará. Por conta dos diversos títulos conquistados, o Colegiado ainda hoje consiste numa espécie de vaca sagrada dentro do Santa Cruz. Poucos são aqueles que a ele se referem sem deixar de exaltar o seu sucesso dentro dos gramados. E não é para menos! Da perspectiva futebolística, o Colegiado se constituiu na era de ouro do Santa Cruz. Contudo, sob o prisma político o Colegiado não passou de um sistema antidemocrático ao extremo. A sua criação, por exemplo, se fez inteiramente condizente com a “época de chumbo” característica do regime militar que governou o país por mais de duas décadas. Em conseqüência, enquanto o Santa Cruz se revelava praticamente imbatível dentro dos gramados, o Colegiado, a revelia da grande massa coral, fazia da prática política no Clube um jogo de cartas marcadas; apenas e tão-somente jogado entre os seus membros. Do mesmo modo que assim acontecia na cúpula do regime militar. Tal política antidemocrática posta em prática pelo Colegiado acabou alijando a massa coral da participação na vida política do Clube. E suas conseqüências ainda hoje se fazem sentir. Mas o Colegiado não obteve êxito apenas dentro dos gramados. O antigo “alçapão do Arruda”, como o estádio era conhecido, acabou sendo transformado num Colosso (graças ao “milagre econômico” que se deu à época do “Brasil – Ame-o ou deixe-o!”). Em grandessíssima parte, o Alçapão se transformou em Colosso devido aos cofres públicos. Para os que não sabem, houve uma época em que o Santa Cruz e...

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Apenas seis

Continuando a série de artigos sobre a terceirona, falaremos agora sobre a participação dos times pernambucanos na primeira fase de 2007. Porém, antes disso, é impossível ficar calado diante de algumas coisas que vêm ocorrendo. Eram 6:00h da manhã de um dia de sábado. Eu já estava acordado, tomado café e uniformizado com o padrão para a partida decisiva. Eu era oitava série e estudava no meu querido Colégio Marista, na Avenida Conde da Boa Vista, que, infelizmente, não existe mais. A decisão era 8ª D (minha sala) contra 8ª C. Como todo bom adolescente, odiávamos os meninos da 8ª C e só paquerávamos as meninas de lá para deixá-los com inveja. Pense numa sala para ter gente tabacuda! A rivalidade entre nossas salas era quase como entre Santa e a coisa. E, para piorar tudo, tínhamos os melhores times de futsal do colégio e desde a 5ª série, fazíamos todas as finais das olimpíadas internas, as saudosas “Olimpíadas Champagnat”. Eu era o goleiro de minha sala, e, estava ansioso pela nova final. A grande partida estava marcada para às 07:30h. Cheguei ao colégio às 06:30h e de cara, me reuni com meus amigos e jogadores. Até as meninas saíram de casa num dia de sábado para animar nossa torcida. Tudo pronto. Juiz na quadra. Atletas aquecidos para jogar. A batucada comendo no centro. Só faltou um pequeno detalhe: o adversário não havia chegado. Só tinham 4 jogadores da 8ª C. Resultado: Ganhamos e fomos campeões por WxO. Amigos, em jogos importantes, esse foi o único WxO que já vi acontecer. Mais uma para o currículo de nosso presidentezinho. Outra vergonha, outra desculpa vergonhosa. Pesidentezinho, junte mais essa ao restante que você fez só esse ano: Estádio interditado, tendo que disputar jogo no chiqueiro onde suzies botam a bunda num mastro. Peneirão de ex-jogadores para ver se garimpa alguém. Aliás, quase que me candidato também num peneirão desses. Melhor, faz uma promoção Sr. Presidente, quem for de camisa ao estádio, paga meia; quem for de camisa e calção, entre de graça e quem for de camisa, calção e chuteiras , é escalado e entra jogando. Disputar hexagonal da morte. Contratar e dispensar jogadores mesmo antes dos mesmos treinarem uma semana. Voltando para a série C, como sabemos, em sua primeira fase, é divida em 16 grupos de 4 times. E pegamos o seguinte grupo: Central (6 pontos em 2007,...

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Uma Marca Destruída

  Uns falam que a imagem é tudo. Outros discordam, afirmando que o que importa mesmo é o conteúdo. A sabedoria popular sentencia que “não se julga um livro pela capa”. Quando tratamos de pessoas, isso sem dúvida é uma verdade incontestável. Mas mesmo as pessoas não podem ou não devem descuidar das suas imagens. Afinal, a sociedade de forma geral é movida por boas imagens. Imagens esquisitas ou distorcidas são logo escanteadas. Mas e quando a imagem a ser analisada é a de um produto ou serviço? Alguém aí compra produtos com as embalagens amassadas, arranhadas ou contrata um serviço de uma empresa suja, desorganizada e sem estrutura? Duvido muito. Por isso, empresas costumam ter o maior cuidado com seus produtos e serviços. Precisam ter suas marcas “limpas” para que possam comercializá-las com todo seu potencial. Criar uma marca forte e gerenciá-la de forma profissional, como se fosse um produto. Segundo vários especialistas em Marketing, esse é um dos componentes fundamentais para atrair pessoas. Se alguém não reparou, estou falando do Santa Cruz Futebol Clube. Mais que um time de futebol. Mais que um clube. Uma MARCA. Pensando e observando o Santa Cruz por essa ótica, percebemos mais uma vez como foi maltratada a marca tricolor nos últimos anos. Na década de 70, éramos conhecidos como o “Terror do Nordeste”, nosso manto apareceu na capa da revista de maior circulação do País, estávamos consolidando um nome, uma marca em todo país. Não vou me ater aos desmandos que ocorreram nos anos posteriores. Todos nós já sabemos de cabo a rabo. Corrupção, truculência, incompetência, amadorismo, dentre outras características foram associadas a nossa marca. Ou seja, uma propaganda negativa assombrosa. Salários atrasados, jogadores espancados, um estádio caindo aos pedaços, um clube que não tem nem energia. Esse é nosso legado. Estou tocando nesse tema, pois estava assistindo a partida entre Curitiba x Palmeiras, pela TV Bandeirantes, quando o “ex-narrador em atividade” Luciano do Valle proferiu uma pérola ao vivo para todo Brasil: “Esse Carlinhos Paraíba realmente é um excelente jogador. E tem uma história complicada. Saiu do Santa Cruz, onde passava fome e não recebia salários, mas decidiu mudar. Enquanto outros permanecem na mesma situação”. Qualquer instituição séria, que tenha um mínimo de cuidado com a sua marca, já teria se pronunciado quanto a algo desse tipo.  Mas nossa marca quase não existe mais, é apenas associada a coisas ruins....

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Um Raio X da Série C

Amigos do blog, Eu gostaria muito de estar escrevendo sobre qualquer outro assunto, mas depois de  uma estafante  e estressante troca de e-mails com o editor-cacique-mor Dimas, decidi escrever meus próximos 4 textos sobre algo inevitável para todos nós,  a série C. Meu Santa Cruz, depois de todas as raivas e desgostos que você me fez passar, eu ainda estou ansioso para te ver em campo de novo, mas, dessa vez, infelizmente, disputando o lixo do futebol nacional.  Antes de começar a falar propriamente da série C, gostaria de fazer uma “observação” para o diminutivo: você abriu a boca para dizer que era impossível competir com as suzies e barbies pela diferença de receitas entre nós e eles, e, por isso, não teríamos chance alguma no Pernambucano.  Usando o mesmo raciocínio, começaremos a série C com quase 2 milhões do todos com a nota, ou seja, no mínimo 60 presidentes de nossos adversários na série C deveriam dar entrevistas dizendo que será impossível disputar conosco, concorda presidente? Ou será que não? Por que nossa “desobrigação” devido ao orçamento no pernambucano não vira uma obrigação na série C? Ou será que o senhor mudará de novo o discurso? Bom, voltando ao assunto que eu queria abordar, nesse texto vou falar um pouco de como é a série C. Os dados são frutos de pesquisas na internet. Para os que já conhecem o esquema desse super torneio, desculpem, mas nesse primeiro texto sobre a série C, falarei sobre coisas que muitos já sabem. O Campeonato de 2008 terá a mesma fórmula de 2007 e será dividido em 4 fases: PRIMEIRA FASE Os 64 clubes estão agrupados em 16 chaves, com quatro equipes cada. Jogam entre si, em turno e returno. Classificam-se os 2 primeiros de cada grupo para a 2ª fase. SEGUNDA FASE Os 32 clubes estão em 8 grupos com 4 equipes cada. Jogam entre si, em turno e returno. Classificam-se os 2 primeiros de cada chave para a 3ª fase. TERCEIRA FASE Os 16 clubes estão em 4 grupos com 4 equipes cada. Jogam entre si, em turno e returno. Classificam-se os 2 primeiros de cada chave para a fase final. FASE FINAL Os 8 clubes jogam todos contra todos, em ida e volta. Os 4 primeiros classificam-se para a Série B de 2009. Quem somar mais pontos nesta fase, será o campeão da Série C 2008. Nunca é demais observar que os times...

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