Um mundão de saudade

Foto: Jr Montila Andava com saudade de ir ao Arruda. Mesmo com todo o massacre moral que sofremos nos últimos anos, andava com saudade. Ainda mais que, no jogo contra a patativa, sentia no peito uma leve sensação de despedida. Não, essa dor no peito e essa nostalgia não tinham nada a ver com o fantasma do rebaixamento. Ainda que o risco exista, confesso aqui que passava por minha cabeça algo mais pessoal. É que amanhã serei pai e a paternidade certamente me afastará do Arruda e dos jogos do meu Santinha por algum tempo. Serão quinze, trinta ou talvez sessenta dias. Não sei dizer. Somente o cotidiano e a minha capacidade de dar conta das novas atribuições me dirão o tempo necessário. Até lá, acompanharei tudo à distância. Por tudo isso, precisava ir ao Mundão acumular alguma reserva de boas recordações para, enfim, suportar essa ausência forçada. É preciso saber cultivar a saudade. Afinal, já me bastava não ter podido seguir para Campina Grande com a caravana coral. Sou sentimental, amigos, o que posso fazer? Por telefone, combinei com Artur Perrusi e Maneca de nos encontrarmos no bar da piscina. Arruda, o dono do bar, não acreditou no comparecimento em massa da torcida e não preparou nenhum tira-gosto. Atravessamos a rua, então, e fomos para o bar da Onça, em frente ao Armazém coral. Ninguém havia jantado e a fome reclamava a nossa atenção. Perrusi havia saído de João Pessoa, poucas horas antes, para assistir ao jogo. No caminho, foi parado pela polícia militar da Paraíba na Operação Manzuá. Um policial perguntou aonde ele estava indo e, ao ouvir a resposta que o nosso psiquiatra viria para o Arruda, disse que todos tricolores são loucos. Certamente, não lhe saía da memória a invasão coral à Campina Grande. Sim, somos loucos. Aliás, que loucura maravilhosa aquela dentro do estádio. Que torcida é essa que não pára um segundo, que empurra o time e dá um espetáculo dentro do espetáculo? Nossa torcida foi perfeita, como só ela sabe ser. Foi lindo ver a alegria nas arquibancadas e ouvir, sem tréguas, louvações ao Mais Querido. Como bem me disse um amigo – não recordo bem quem foi – a torcida contagiou um time formado por jogadores que não sabiam o que era jogar num clube de massa. Acostumem-se, camaradas, acostumem-se, pois, no Arruda, será sempre assim. Ao contrário das cenas lamentáveis vista em...

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