Dois lados

Dois lados

Fala-se que tudo na vida tem dois lados. Um lado bom e um lado ruim. Tais generalizações são sempre perigosas, mas em se tratando do jogo ocorrido domingo, podemos tentar aplicar um exercício e enxergar os tais dois lados. Vamos começar com o lado negativo. A derrota. Por mais que o ano de 2011 tenha sido extremamente positivo para o Santa, muita gente saiu do Arruda ontem com um gosto de guarda-chuva na boca. Não que eu saiba que gosto tem isso, mas sabe aquele gosto amargo, aquele sorriso amarelo? Pareceu-me um sentimento quase unânime no estádio. Apesar de a torcida ter aplaudido no final, gritado o “Tri-Tricolor”, foi mais em reconhecimento pelo ano, não pelo resultado. E isso pode ter um impacto um pouco maior que o previsto. Terminando o ano em alta, com um título, a euforia da torcida continuaria em alta, o que poderia e deveria ser canalizado para um só lugar: Campanha de sócios. Não que não possamos fazer campanha por sócios sem o título. Claro que podemos. Mas é muito melhor fazer uma campanha com o seu público alvo apaixonado, em estado de graça, com o fechamento de um ano perfeito. Vi gente saindo do estádio extremamente chateada, gritando, revoltada. Exagero? Muito provavelmente. Mas o tal encanto perde um pouco do seu charme e perdemos mais uma boa oportunidade de capitalizar. E o lado positivo? A derrota. “Pronto. O cabra enlouqueceu de vez!” deve estar imaginando um incauto leitor. Calma que não enlouqueci (pelo menos não por enquanto). No aspecto puramente futebolístico, enxergo a derrota como positiva. Com um resultado negativo diante do escrete Tupi, numa final de campeonato, dentro de casa, caem as auras que circuncidavam as bandas do Arruda sobre treinador e elenco. Nossas fragilidades ficaram, mais uma vez, diga-se de passagem, expostas para quem quiser (e souber) enxergar. Somos gratos a todos os jogadores do elenco pelo esforço e dedicação na missão de tirarem o Santa dessa maldita Série D. Ponto. Agora nossa caminhada prossegue. E passa necessariamente por qualificação (e até reformulação) do elenco. Essa foi a lista de relacionados para o jogo de ontem: Goleiros: Tiago Cardoso e Diego Lima. Zagueiros: André Oliveira, Leandro Souza, Everton Sena e Walter. Laterais: Eduardo Arroz e Dutra. Volantes: Memo, Chicão e Mael. Meias: Renatinho, Weslley, Bismarck, Washington e Jefferson Maranhão. Atacantes: Thiago Cunha, Fernando Gaúcho, Ludemar, Kiros e Flávio Recife. Proponho um exercício. Quantos vocês enxergam vestindo o manto coral na próxima temporada? Quais realmente merecem e...

Leia Mais

Acertos e desacertos

Acertos e desacertos

Não deu. O primeiro título nacional do Santa Cruz, de uma sofrível Série D, não veio e ficou com a equipe que mais fez por merecê-lo durante a competição. Jogamos um bom primeiro tempo, mas o adversário soube controlar os nervos diante de um público, mais uma vez, de arrepiar e matou o jogo no desespero de um time incompetente para fazer gols. Tive uma reação tranquila, como, aliás, tenho tido a cada jogo do Santa Cruz, por já saber exatamente o que esperar do nosso time. Talvez, por isso mesmo, não despreze os resultados alcançados neste ano. Fomos campeões pernambucanos com uma equipe mais barata que os nossos principais adversários, que ainda lutavam pelo hexacampeonato: um pela conquista; o outro, em sua defesa. Aliás, nossa mérito fica ainda mais cristalino, se considerarmos que um já tem vaga assegurada à Série A e o outro está por uma peinha para chegar lá. Nas duas equipes, houve poucas mudanças do Campeonato Pernambucano para cá. Portanto, é inegável que se há de falar em superação e na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Entretanto, se não assumo ares de infelicidade, tampouco assumo ares de satisfação. O vice-campeonato desta competição não apenas é insuficiente para confortar nossa torcida apaixonada pelos anos de sofrimento, quanto alerta sobre a necessidade de mudanças de rumo na próxima temporada. A conquista de uma das vagas da Série C, também é forçoso o reconhecimento, não veio com a mesma competência do Campeonato Pernambucano. A caminhada foi sofrível, trouxe insegurança a torcedores e dirigentes e por pouco não ficamos pelo caminho mais uma vez. Ao olhar agora para trás, para um time que não sabe fazer gols, vejo como um verdadeiro milagre o empate conquistado contra o Treze, depois de uma derrota parcial por 3 a 1, em Campina Grande. Porém, o acesso, embora suado, veio. Mas aí, diferentemente do pernambucano, não há que se falar em superação, tampouco na assertiva que Zé Teodoro tirou leite de pedra. Se no campeonato estadual, tínhamos folha salarial inferior, na Série D fomos o primo rico da competição. É verdade, dinheiro não ganha jogo, mas ajuda um bocado. O dinheiro não resolve, quando é mal empregado, como foi o caso de inúmeras contratações para lá de medíocres realizadas pelo Santa Cruz. A competência vem do emprego eficiente dos recursos. Garantimos a vaga, mas a custo de muito sofrimento. Quanto...

Leia Mais

Xô, Seridê!

Xô, Seridê!

Vulcão Tricolor (Mestre Forró e Orquestra da Bomba do Hemetério) A ressaca do acesso ainda é braba e o fígado não deixa o cérebro funcionar a todo vapor. Por isso, por enquanto é só comemoração. Amanhã, já sem a sensação de ter engolido um guarda-chuva, a gente volta com a programação normal. Enquanto isso, fique com as notícias do acesso coral no Brasil e no mundo. Brasil Bom dia Brasil SporTV Jornal Nacional R7 Terra Esportes Folha de São Paulo O Globo O Globo 2 Estadão Sport Clube Bahia Juca Kfouri Exterior Romênia França Espanha Portugal Inglaterra Argentina Se você sabe de mais algum link no Brasil ou no exterior que vale a pena destacar, coloque na seção de comentários que a gente adiciona a...

Leia Mais

Homenagem (quase) póstuma

Homenagem (quase) póstuma

Luiz Fernando Gomes*, publicado originalmente na coluna Apito Inicial da revista Lance! Me lembro dos campeonatos de botão que jogava com os amigos, lá pela década de 70. Era um moleque, tinha á meus 14 anos . e naquela época 14 anos era idade de moleque mesmo. Meu time era o Flamengo. Herança de família. E olha que eu era bom de palheta. Tinha tanta confiança em vencer que um dia, num torneio lá em casa, coloquei um açucareiro de prata da minha mãe para servir de troféu. Tinha certeza de que não sairia do armário da cozinha. Mas perdi. Perdi e cumpri a palavra, o açucareiro acabou na casa da vizinha. Levei uma bronca, fiquei de castigo . Um mês sem jogar botão. Merecido, diga-se de passagem. A grande final do fatídico torneio foi um clássico daquela época. Não apenas nos tabuleiros, mas nos gramados também. Meu amigo, o que me derrotou na final, chamava-se Zé Carlos, jogava com botões tricolores, em preto, vermelho e branco. Era o São Paulo? Enganou-se quem pensou assim. O vencedor do torneio de botões foi o Santa Cruz, o Cobra Coral do Recife. Isso mesmo. E o meu amigo era só um dos tantos meninos a ter um time assim. Num tempo em que a televisão ainda não transmitia futebol em rede nacional, que pouco se sabia do que se passava além do eixo Rio-São Paulo-BH-Porto Alegre, o que levava garotos do Sudeste maravilha a jogar botão com o Santa Cruz? A resposta estava no talento de uma geração que encantava. Gente como Givanildo (talvez o maior ídolo da história do clube) e Luciano, que depois ajudariam o Corinthians a sair da fila e ganhar o Estadual de 77; Ramón, célebre parceiro de Dinamite no ataque do Vasco; e Nunes, que sairia de Pernambuco para conquistar o mundo com o Flamengo de Zico. Má gestão e amadorismo levaram o Santa à bancarrota. Comuns pelo Brasil, fizeram no Recife a sua maior vítima. Era uma época de ouro. Em 75, o time chegou às semifinais do Brasileiro. Eliminou o Palmeiras nas oitavas, vencendo por 3 a 2 em pleno Palestra, passou pelo Flamengo nas quartas, impondo um 3 a 1 de virada dentro do Maracanã. Os pernambucanos, até hoje, culpam Armando Marques, aquele juiz que errou a conta dos pênaltis de Santos e Portuguesa numa final de Paulista, pelo time não chegar à...

Leia Mais

Entre a tragédia e a alegria

Entre a tragédia e a alegria

Na literatura, a tragédia é uma forma de drama que geralmente envolve um conflito entre personagens ou entre um deles ou mais e uma instância superior, como o destino. Ela costuma dar existência a uma ocorrência que desperta piedade ou horror. A palavra tragédia tem a sua origem provável ligada ao grego antigo τραγῳδία – τράγος (bode) e ᾠδή (canto) – por causa da tradição poética e religiosa dos Sátiros, seres mitológicos metade homens, metade bodes, que honravam o deus Dionísio (para os romanos, Baco, o deus do vinho e de sacanagem muita) com suas danças e cânticos. Toda tragédia resulta numa catarse, já dizia o filósofo Aristóteles, e por isso mesmo produz um efeito liberador no espectador. Talvez isso explique a razão pela qual todos nós gostamos de assistir ao sofrimento dramatizado. Já a alegria é um sentimento humano de viva satisfação e contentamento geralmente vinculado a um acontecimento feliz, como o nascimento de um filho ou a vitória de um time. Na vida, as duas não costumam se encontrar. São diametralmente opostas e separadas pelo tempo: enquanto uma vem, a outra vai. No futebol, nenhum clube encarna tão bem esse vai e vem de alegrias e tragédias, quanto o Santa Cruz, embora nos últimos trinta anos haja clara prevalência destas sobre aquelas. Em algumas ocasiões, elas ocorrem em espaço tão curto de tempo que parecem se tocar. De 2005 para 2008, por exemplo, subimos e caímos do júbilo da Série A para o inferno da Quarta Divisão. Nunca houve alegria tão viva seguida de uma tragédia tão profunda. Ainda assim, não me recordo de uma estar tão próxima da outra, no tempo e no espaço, quanto no fatídico campeonato brasileiro de 1981, quando o Santa foi eliminado pelo Bahia na Fonte Nova, após perder a partida por cinco a zero, mesmo tendo vencido o jogo de ida por quatro a zero no Arruda. Ontem, alegria e tragédia voltaram a se alternar, mas dessa vez numa mesma partida de futebol. No primeiro jogo do mata-mata da Série D, diante de um público superior a 50 mil tricolores – mais um grande feito da torcida coral – a tragédia chegou primeiro, mas foi vencida pela alegria. O Santa perdia para o Guarany de Sobral depois que o atrapalhado zagueiro Leandro Cardoso entregou dois gols de bandeja para o adversário. Também foram dois os gols anulados por causa de Brasão,...

Leia Mais
1 de 10123...10...