Virgindade

Virgindade

Ontem foi a minha primeira vez no Arruda nesta bagunçada Série C. No primeiro jogo estive doente. Saí de casa pronto para ir ao estádio, mas diante da chuva, recolhi meus panos de bunda e voltei para casa com a bandeira enrolada embaixo do braço. O empate com o Guarany de Sobral finalmente me afundou de vez na cama. A segunda partida, contra o Treze, foi ainda pior. Estava em Campina Grande rodeado de trezeanos, peguei o jogo na metade do segundo tempo e, completamente emputecido com os comentários sobre o futebol do Santinha, escancarei a minha opinião de que o time da Paraíba não tem direito nenhum de jogar a terceira divisão. Por fim, acrescentei anacronicamente: — Vão à merda todos vocês! Não fui linchado, mas trouxeram à minha presença um ser mitológico, metade mulher, metade vaca, que atendia por Dra. Minotaura, e que me recolheu aos costumes numa canetada com poder de grande autoridade. Só não sei se fui preso por decreto ou liminar. Por isso, o início da noite de ontem foi especial. Remontei a minha adolescência, onde quem pensa é a cabeça de baixo e se vive sob o domínio de hormônios efervescentes como uma garrafa de Coca-Cola agitada no ar. Enfim, ir ao Arruda foi como perder a virgindade. — É a sua primeira vez? — D-dá pra notar? — É que além da cara de donzelo e do monte de espinha, você está um bocadinho nervoso. — D-desculpe, mas é que eu estou numa secura lascada. Sabe como é, né? Cansei de fazer justiça com as próprias mãos. — Então menos conversa e mais ação, meu filho. Tira o meu vestido, vai. — Desculpe perguntar, mas por que essas pernas tão cabeludas? — Pra poder roçar melhor nas suas coxas. — Hum… E por que esse pomo de Adão tão pronunciado? — Pra poder sussurrar melhor no seu ouvido. — Sei. E por que… — Meu filho, tempo é dinheiro! Vem logo pra cá e põe a mão aqui. — Engraçado, eu pensei que o brinquedo das meninas fosse pra dentro, não pra fora. — É que você não conhece o segredo do amor, benzinho. — Ah, é?! E você pode me explicar por que o segredo do seu amor tá duro que só um carai?! Pelos comentários que ouvi após a partida contra o bicão da Série C, esperava mais do Santinha....

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Caso clínico

Caso clínico

Não sou esotérica. Não entendo da posição dos astros. Não sei decifrar os búzios nem as cartas de tarô. Mas acredito, sim, na energia que se troca entre as pessoas. Especialmente quando se trata de um mundaréu de torcedores, como é o caso de nosso Santinha. Não é difícil comprovar isso. Eu, que sou atriz, posso garantir que a receptividade do público influi na qualidade do espetáculo. E, no futebol, não poderia ser diferente. Milhares de pessoas torcendo juntas, acreditando, vibrando bons fluidos… tudo isso, certamente, repercute no resultado do jogo. Claro que há exceções… e estas eu prefiro nem lembrar. Mas, de forma geral, sou daquelas que esfrega as mãos, mentaliza, e nunca, jamais, deixa o campo antes do fim do jogo. Por isso, se tem algo que detesto é aquele torcedor negativo, que adora xingar o time inteiro, que sempre acha que tudo vai dar errado, que acredita que ele próprio é o supremo conhecedor das táticas futebolísticas. Em geral sou uma pessoa calma. Às vezes até simpática. Mas, quando tem um desses perto de mim, preciso respirar profundamente, contar até dez, e às vezes até trocar de lugar. Ou corro o risco de advertir o colega de que ele errou a entrada e deveria ter ido para a torcida adversária. Dia desses tinha um atrás de mim. Xingava o time inteiro. Não cansava de dizer que deveria ter ficado em casa. Ninguém, absolutamente ninguém, sabia jogar bola: nem Dênis Marques, nem Renatinho, nem Memo, nem Tiago Cardoso. Muito menos Zé Teodoro. Caça Rato, então, era o alvo predileto. Para nosso exímio conhecedor das estratégias de jogo, qualquer um jogaria melhor que o tal do Flávio Recife. Branquinho, Geilson, Carlinhos Bala e até Catatau, o massagista, poderiam ser escalados como substitutos. Eis que, no segundo tempo, e apesar das energias negativas emanadas de nosso famigerado colega, o glorioso Santa Cruz fez um gol. E adivinha dos pés de quem? Flávio Caça Rato. Foi então que percebi que torcedores como aquele eram um problema clínico. Isso mesmo, um caso médico. A exemplo daquela peixinha Dory, do filme Procurando Nemo, todos eles sofriam de perda de memória recente. Para maiores informações, sugiro consultar o Editor-Minor, Artur Perrusi, profundo conhecedor das manhas e artimanhas da alma humana. Pois é. Em um súbito ataque de amnésia, o tal colega esqueceu tudo o que acabara de dizer. Virou fã absoluto de Caça...

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Entre mortos e feridos

Entre mortos e feridos

Vai longe o tempo em que o futebol brasileiro se via metido em tapetão.  Vai longe o tempo em que justiça comum e desportiva se misturavam. Também vai longe o tempo em que a CBF, essa madrastra do futebol nacional, levava um nó tático de grandes proporções. Tempos estranhos os atuais. A briga que envolve o Treze, a CBF e indiretamente os legítimos representantes da Série C nos remete ao que há de pior no futebol brasileiro. Não bastasse a oligarquia do Clube dos 13 e as tentativas dos agentes ativos do universo esportivo brasileiro em nacionalizar dois clubes de massa para transformá-los em supertimes, nos moldes europeus, em detrimento aos demais, agora voltamos ao tempo das viradas de mesa. Até o final do ano passado, havia, ao menos, uma acomodação das regras desportivas. Quem sobe, sobe e quem cai, cai. A forma de tirar do buraco os grandes clubes nacionais sofisticou-se e tomou a via da grana. O decesso no país do futebol é enganoso, como tudo no país das maravilhas. Para os grandes, cair de divisão é como tirar férias para se preparar a um retorno triunfal no ano seguinte. O dinheiro, como tudo na vida, move o futebol. Pessoalmente, nunca vi a CBF com bons olhos. Ao contrário, acho-a responsável por grande parte das mazelas do futebol brasileiro, que vão desde o reconhecimento do título de 1987 de uma equipe que sequer disputou o módulo verde, equivalente à Série A, e cujo título do módulo amarelo, equivalente à Série B, conseguiu sem por fim a uma disputa de pênalti contra o Guarani de Campinas, à nefasta criação do já citado Clube dos 13, ainda que indiretamente. Contudo, é preciso saber separar as coisas, o joio do trigo. A CBF, é bem verdade, cometeu, com a anuência do STJD, um grave erro ao celebrar acordo com Rio Branco/AC. Ainda assim, a vaga aberta pela eliminação do clube do Acre caberia ao Araguaína/TO. O resto é casuísmo. O Treze, da agradável cidade de Campina Grande, entrou na Série C pela janela, através das mãos da justiça paraibana, estranha justiça, aliás. Não sou atuante na área do direito, mas tenho a impressão que a decisão do juiz substituto da vara de Campina Grande é bastante atípica. A concessão desta nova liminar me parece tão ou mais absurda do que a liminar preliminar, que determinou a inclusão do Treze na...

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Teclando o F5

Teclando o F5

Pensei em escrever por uma situação que aconteceu comigo recentemente e garanto que aconteceu com muitos torcedores do nosso Santa também. E, para escrever esse texto para o blog, precisei voltar aos meus velhos tempos de analista de sistemas. Quando a empresa IBM resolveu entrar no mercado de computadores pessoais e softwares, tomou, como base para os teclados de seus PCs, o mesmo gabarito dos teclados da máquina de escrever. Nada mais óbvio, já que ela era uma das maiores fabricantes de máquinas de escrever naquela época. Entretanto para auxiliar a utilização de seus softwares (para os mais novos, lembro que inicialmente não existia o mouse, nem programas no formato Windows, com ícones e janelas) a IBM criou as teclas F1 à F12 (Function1 à Function12), cada uma das teclas seriam usada da melhor maneira possível conforme a necessidade do programador, para facilitar o trabalho do usuário. Para quem é da nova geração, as teclas de função perderam um pouco o seu sentido, mas uma delas em especial denotou no último mês o sentimento de toda uma nação, o famoso F5. A tecla F5, nos navegadores WEB, serve para atualizar, no Windows, o conteúdo da tela que está sendo exibida. Confesso que nesse último mês, chegava ao trabalho, abria dez sites ou blogs que poderiam anunciar oficialmente o início da série C e de 15 em 15 minutos era um F5 em cada um deles tamanha minha ansiedade. Nunca havia notícias concretas, apenas inúmeros boatos e a palavra mais citada de todos os sites foi “amanhã”, sempre sendo usada na frase “amanhã deveremos ter uma definição”. Porém, do mesmo jeito que alguns acham Deus, outros acham a luz, outros acham uma moeda de R$ 1,00 no bolso da bermuda que usou na última cachaça, eu achei meu F5. Ontem, passava já das 22:00h, quando li que domingo poderei estar no Arruda. Bendito F5 da sorte. Atualizou nosso mês de angústia. E, contagiado pela F5Mania que me assola, espero que algumas outras pessoas também teclem um F5 daqui pra domingo: Diretoria Coral Será um jogo grande, com muito tricolor sedento por futebol e ansiosos pra rever o time. Por favor, se atualizem e organizem bem as entradas, filas, fiscalizem os cambistas-sócios e tratem bem o torcedor. Por favor, diretoria, um F5 no profissionalismo. Coloquem um placar eletrônico, consertem o sistema do Guerreiro Fiel e explorem a marca Santa Cruz. Time...

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De volta aos trilhos

De volta aos trilhos

Em meio ao imbróglio que impediu o início da Série C, foi o observador e filósofo Gerrá da Zabumba quem vaticinou, ao notar a tendência dos blogues corais em escrever putarias as mais diversas, que na falta de futebol o tricolor vai levando a vida na punheta. Assim, a raparigagem correu solta e o Torcedor Coral virou casa de mãe Joana. Contudo, sou um homem pudico, daqueles que tem dificuldade em chamar palavrão até mesmo sozinho trancado no banheiro, por causa da minha paranóia de achar que aonde eu for, Deus vai atrás. Está bem, exagero, pois como todo cronista, sou de exagerar, já que é difícil ouvir, por exemplo, o nome do time da ilha da fantasia sem pensar num palavrão cabeludo, ou melhor, de peruca. Ainda assim, achei por bem trazer o blog de volta aos trilhos, deixar mulheres e crianças menos acanhadas e tratar de coisa séria. Por isso, vou falar da CBF. Não creia, caro leitor, que faço piada infame ou tripudio de sua inteligência ao associar seriedade à Confederação Brasileira de Futebol. Longe de mim. Quis apenas enfatizar a urgência do assunto, a necessidade de solução imediata, as ações que foram ou deveriam ser tomadas, a responsabilidade das partes, a tolerância dos clubes legitimamente qualificados para disputar a Série C e, é claro, a minha declaração solene de que essa mixórdia toda já encheu o saco faz tempo. Assim, abro essa humilde crônica esportiva com a boa notícia de bastidores que dá conta do início da Série C no próximo final de semana. A informação foi levantada por nosso leitor Fábio Lucas, que fez um precioso trabalho de garimpagem na internet e desde já foi eleito pelos nossos editores e cronistas, por unanimidade e antecipação, como melhor repórter investigativo de 2012. Segundo as boas línguas – ou más, nunca se sabe – a CBF e o STJD já teriam montado a estratégia para dar início a competição, qual seja, punir o Treze e ignorar a ignorante justiça paraibana. O Treze – clube brasileiro que possui a maior quantidade de doido de pedra por metro quadrado, tanto no corpo diretivo quanto na torcida – do dia para noite, virou o bode expiatório do futebol nacional. Eu mesmo, devo confessar, não vejo a hora de vê-los todos tomar no papeiro, com perdão da expressão chula. Afinal, o clube entrou na justiça comum para brigar por uma...

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