O sentido da liderança

O termo liderança é mais fácil de ser observado do que definido, talvez, por isso, suas constantes redefinições. Para alguns, o conceito de liderança é sobrevalorizado enquanto para outros é desprezado. Os que valorizam o termo identificam na figura do líder o verdadeiro responsável pelas transformações; os que ignoram preferem priorizar o conceito de coletividade, atribuindo ao papel social à apropriação da mudança de comportamento. Não restam dúvidas que a participação coletiva, democrática, traz maiores benefícios, assim como se sabe que todo processo de mudança, seja ele positivo ou negativo, tem sempre a presença de um líder com maior ou menor poder de liderança. No futebol, como em qualquer outro mercado, a figura de um líder é fundamental, haja vista a competitividade cada vez maior existente. Entretanto, é importante destacar que não apenas nas vitórias, mas também nas derrotas, existe a figura do líder, o que demonstra que o êxito da liderança depende da forma com que ela é exercida.   Há anos o Santa Cruz segue uma via-crúcis de involução. Dentre os vários fatores para a triste realidade a que chegou, a questão político-institucional merece destaque e, neste contexto, há falta de um líder que exerça uma liderança construtiva. As razões para a escassez de um líder em um Clube tão popular quanto o nosso, sem dúvida, pode estar relacionada à forma política de administração exercida no Clube. Nos anos setenta, o colegiado, por muitos aplaudido, criou um grupo restrito que mandava e desmandava no Clube. As oportunidades de acesso e inserção de novos membros na organização eram restritas. Deste grupo, restam Rodolfo Aguiar, João Caixero e José Nivaldo de Castro. O primeiro, talvez o grande líder do colegiado, permanece com os mesmos conceitos da década de setenta, embora o mundo todo tenha se modificado e o clube expandido em todos os sentidos. O segundo, considerado o líder do planejamento e da execução das obras no período áureo do Santa Cruz, acabou “assumindo” o clube na perda do hexa e um cargo na diretoria à época do fatídico jogo contra o Bahia. Hoje, trinta anos depois, os dois ainda estão inseridos no Clube. O colegiado reinou absoluto por vários anos. Enquanto esteve presente conseguiu ótimos resultados à custa de um futuro de decepções. Poucos opositores eram capazes de enfrentar o ¨poderio¨ do colegiado. Um dos primeiro foi justamente um ex-membro, o terceiro citado, José Nivaldo de Castro. Este assumiu juntamente...

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Cobra venenosa

“A forma de compor os nomes antes do projeto e sem o amplo conhecimento de todos nós é, no mínimo, um começo com métodos não muito diferente dos atuais, e os quais não concordamos.” Adriano Lucena, sobre a chapa da oposição, na seção de comentários do artigo Política, fúria, amor e...

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A Santa Cruz que carrego

Numa semana que eu nunca pensei que viveria em termos de futebol, senti que o Santa Cruz é a cruz que carrego. Não é o fato da coisa ter ganho a Copa do Brasil, claro que isso me deixou puto, mas é o fato do porquê essas coisas não acontecem conosco. Passei dois dias refletindo sobre isso e, infelizmente, fiquei mais apavorado ainda. Gente, não é inveja, mas, é impossível não comparar. O que a coisa tem que nós não temos? Nossa torcida é maior e mais apaixonada que a deles. Nosso estádio é maior e melhor que o penico deles. E, porque estamos assim e eles não? Simples de responder amigos. O futebol de hoje em dia só é feito se existir uma premissa básica: profissionalismo. Claro, estamos falando de futebol e fatores como torcida, sorte e juiz, por exemplo, interferem diretamente, mas, no fundo, nenhum desses fatores dura para sempre, e, apenas o profissionalismo pode conduzir um clube de futebol por bons e sólidos caminhos. A coisa está na libertadores. Podemos usar isso como desculpa para nos curvarmos e desde já pensarmos e agirmos como se eles já fossem campeões pernambucanos nos próximos 10 anos? Claro que não! O que dizer de Santo André, Paulista, Payssandu, Paraná, Juventude e São Caetano. Todos ganharam fortunas na libertadores e hoje onde estão? Quantos deles foram campeões estaduais nos últimos 5 anos? Quantos estão na primeira divisão? Ou seja, meus amigos, ter dinheiro não é garantia de vencer, ser competente sim é ter grande chance de vencer, porém, ser competente e ter dinheiro, é a certeza de vencer. Falando em dinheiro, por que nós não temos? Porque somos tidos como uma instituição falida? Gente, somos falidos financeiramente como conseqüência das nossas falências administrativas e de nossa falência de credibilidade. Alguém de nosso blog investiria novamente em uma nova empresa de criação de avestruzes, mesmo que a nova empresa fizesse forte campanha publicitária? Alguém investiria num clube que não honra compromissos nem contratos e desfaz uma ordem como se estivesse jogando um saco de lixo para fora? Eu leio dia após dia em blogues idéias de como arrecadar dinheiro para nosso Santa. São idéias muito boas e boladas com amor, carinho e principalmente, com o espírito de ajudar nosso Santa. Porém, cada vez que vejo uma idéia dessas, eu fico lembrando das festinhas de adolescente que eu organizava em minha rua,...

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Política, fúria, amor e ódio

Sylvio Ferreira Desde o momento da queda do Santa Cruz para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, o atual presidente do Clube se tornou objeto de verdadeiro ódio por parte da torcida coral. De lá para cá, outra coisa ele não tem feito a não ser aumentar contra si o referido sentimento. Há um imenso barril de pólvora prestes a explodir nas Repúblicas Independentes do Arruda. É só uma questão de tempo.  Não é preciso ser vidente para prever os acontecimentos. Para tanto, será decisivo o desempenho do Santa Cruz na Série C. Em obtendo êxito, o barril de pólvora explodirá em dezembro. Caso contrário, a explosão ocorrerá tão logo o Clube seja alijado da próxima competição. Nos dois casos, muito certamente a explosão se dará de diferentes formas. Oxalá que a mesma aconteça pelo poder e a força das urnas, daqui a seis meses. Assim acontecendo a democracia se edificará em solo apropriado. Contudo, nada assegura que assim acontecerá. Em termos políticos, o Santa Cruz virou um campo minado de altíssimo risco. E as minas plantadas no Clube (frutos da arrogância, prepotência, descalabro administrativo, desrespeito as normas estatutárias e à instituição coral) não explodirão no colo da torcida; afetando-o ainda mais do que já a afetou. No momento oportuno, o feitiço haverá de voltar-se contra o feiticeiro, na forma de uma revolta jamais vista na história do Clube. Para quem não sabe, o ódio é um sentimento que não basta a si mesmo. Nesse sentido, ele é menos um fim e mais um meio para expressão de algo maior do que ele próprio e que somente se realiza mediante o exercício da fúria. Por sua vez, a fúria explode quando o poder da força se sobrepõe ao poder do sentido. Essa é a derradeira tentativa, movida pelo desespero, de chamar o feito à ordem; por parte de quem se sente vilipendiado nos seus direitos de torcedor ou associado, ultrajado nas suas prerrogativas estatutárias e frustrado nos seus sonhos e esperanças quanto ao objeto que se constitui no maior orgulho e na razão de ser de milhões de vidas: o Santa Cruz. Mas o ódio dirigido ao atual Presidente do Executivo, embora seja por demais compreensível, traz no seu bojo uma faceta perversa para a formação de uma consciência política que é preciso ser banida do Santa Cruz – refiro-me à má consciência que acaba por privilegiar mais os...

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O legado político do Colegiado

Sylvio Ferreira Das últimas duas décadas para cá, estabeleceram-se duas linhas de força e ação política no Santa Cruz: aparentemente antagônicas entre si e procurando manter a máxima distância uma da outra, como se a peste houvesse acometido uma delas. Cada uma das linhas atribui à outra a razão de ser do débâcle do Clube após o Colegiado. O que tem feito com que as duas forças em jogo comumente se digladiem a céu aberto ou em qualquer recinto que se faça necessário. Uma das referidas forças é remanescente direta da época do Colegiado – e é capitaneada por um dos seus membros e ex-presidente do Clube. A outra força, surgida após o fim do Colegiado, também é capitaneada por um ex-presidente e emergiu no vácuo político aberto quando o Colegiado chegou ao seu término. Em tendo bastado a si mesmo, o Colegiado entregou o Clube à sua própria sorte ou ao deus dará. Por conta dos diversos títulos conquistados, o Colegiado ainda hoje consiste numa espécie de vaca sagrada dentro do Santa Cruz. Poucos são aqueles que a ele se referem sem deixar de exaltar o seu sucesso dentro dos gramados. E não é para menos! Da perspectiva futebolística, o Colegiado se constituiu na era de ouro do Santa Cruz. Contudo, sob o prisma político o Colegiado não passou de um sistema antidemocrático ao extremo. A sua criação, por exemplo, se fez inteiramente condizente com a “época de chumbo” característica do regime militar que governou o país por mais de duas décadas. Em conseqüência, enquanto o Santa Cruz se revelava praticamente imbatível dentro dos gramados, o Colegiado, a revelia da grande massa coral, fazia da prática política no Clube um jogo de cartas marcadas; apenas e tão-somente jogado entre os seus membros. Do mesmo modo que assim acontecia na cúpula do regime militar. Tal política antidemocrática posta em prática pelo Colegiado acabou alijando a massa coral da participação na vida política do Clube. E suas conseqüências ainda hoje se fazem sentir. Mas o Colegiado não obteve êxito apenas dentro dos gramados. O antigo “alçapão do Arruda”, como o estádio era conhecido, acabou sendo transformado num Colosso (graças ao “milagre econômico” que se deu à época do “Brasil – Ame-o ou deixe-o!”). Em grandessíssima parte, o Alçapão se transformou em Colosso devido aos cofres públicos. Para os que não sabem, houve uma época em que o Santa Cruz e...

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