É de arrastão

Foto: Diogo Trimetal/Efeito: Dimas Lins Antes de começar a Série C, pensava comigo: o Santa vai se classificar para a 2º divisão facilmente. Não há clubes em condições de assustar. Há dificuldades? Sem dúvida! Mas nada intransponível. Poderia, o caminho, ser facilitado? Claro! Tivemos bastante tempo para fazer um time, mas na última quarta ganhamos um jogo no qual houve quatro estréias! Ou seja, estamos montando o time em meio à competição. Mas não há de ser nada. As conseqüências dessa campanha vitoriosa serão duas. Uma, a mais clara, o desafogo de sair da “terceirona”, o estancar do vexame; novo fôlego financeiro, etc. A outra, a repetição de algo recorrente nas últimas décadas: a despeito da desorganização administrativa, da incompetência, do amadorismo, o clube ganha título, consegue vitórias importantes e traz o perdão, por parte da torcida, de todos os erros cometidos pelos dirigentes (basta não esquecer a célebre frase do diminutivo, “Com três vitórias a torcida esquece isso tudo…”). Isto é, as vitórias em campo realimentam a continuidade do desastre gerencial. Tomara essa minha cabeça cismada esteja errada quanto à segunda conseqüência! Podemos ser ainda muito maiores se esses que hoje comandam o clube voltem à condição de torcedores. Mas a Série C começou. E trouxe espetáculos memoráveis para a história do Santa protagonizados pela torcida. A invasão a Campina Grande que provocou alvoroço na pequena cidade – um vendedor de cerveja, próximo ao estádio, me falou assim: “Trabalho aqui há vinte anos. Nunca vi uma torcida tão grande. Alguém pagou vocês para virem?”. Num jogo fraco tecnicamente, deixamos escapar a chance de pontuar. Porém esse fato ficou como um detalhe. O extraordinário foi a mobilização da massa, superar a torcida adversária em número na sua própria casa! Isso é para poucos, amizade. Pouquíssimos! Dia 09, outra festa. Não só a presença maciça, mas a gana, o grito continuado, a emoção que se espalha por quilômetros. Não há quem resista. Dentro de campo vencemos por 3 X 0. Fora a goleada foi muito maior. Daí, à certeza de que passaremos pelo inferno da terceirona se juntou a convicção de que vai ser de arrastão. É a tração dessa multidão tricolor que vai nos tirar do atoleiro. Não que duvidasse do apoio da torcida, mas não me canso de me impressionar com ela. É força que se supera. Sempre! E faz rir dos institutos de pesquisa… Perdoai, senhor, eles...

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Um mundão de saudade

Foto: Jr Montila Andava com saudade de ir ao Arruda. Mesmo com todo o massacre moral que sofremos nos últimos anos, andava com saudade. Ainda mais que, no jogo contra a patativa, sentia no peito uma leve sensação de despedida. Não, essa dor no peito e essa nostalgia não tinham nada a ver com o fantasma do rebaixamento. Ainda que o risco exista, confesso aqui que passava por minha cabeça algo mais pessoal. É que amanhã serei pai e a paternidade certamente me afastará do Arruda e dos jogos do meu Santinha por algum tempo. Serão quinze, trinta ou talvez sessenta dias. Não sei dizer. Somente o cotidiano e a minha capacidade de dar conta das novas atribuições me dirão o tempo necessário. Até lá, acompanharei tudo à distância. Por tudo isso, precisava ir ao Mundão acumular alguma reserva de boas recordações para, enfim, suportar essa ausência forçada. É preciso saber cultivar a saudade. Afinal, já me bastava não ter podido seguir para Campina Grande com a caravana coral. Sou sentimental, amigos, o que posso fazer? Por telefone, combinei com Artur Perrusi e Maneca de nos encontrarmos no bar da piscina. Arruda, o dono do bar, não acreditou no comparecimento em massa da torcida e não preparou nenhum tira-gosto. Atravessamos a rua, então, e fomos para o bar da Onça, em frente ao Armazém coral. Ninguém havia jantado e a fome reclamava a nossa atenção. Perrusi havia saído de João Pessoa, poucas horas antes, para assistir ao jogo. No caminho, foi parado pela polícia militar da Paraíba na Operação Manzuá. Um policial perguntou aonde ele estava indo e, ao ouvir a resposta que o nosso psiquiatra viria para o Arruda, disse que todos tricolores são loucos. Certamente, não lhe saía da memória a invasão coral à Campina Grande. Sim, somos loucos. Aliás, que loucura maravilhosa aquela dentro do estádio. Que torcida é essa que não pára um segundo, que empurra o time e dá um espetáculo dentro do espetáculo? Nossa torcida foi perfeita, como só ela sabe ser. Foi lindo ver a alegria nas arquibancadas e ouvir, sem tréguas, louvações ao Mais Querido. Como bem me disse um amigo – não recordo bem quem foi – a torcida contagiou um time formado por jogadores que não sabiam o que era jogar num clube de massa. Acostumem-se, camaradas, acostumem-se, pois, no Arruda, será sempre assim. Ao contrário das cenas lamentáveis vista em...

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Quanto vale o show?

Será nosso primeiro jogo em casa na famigerada série C. Mais uma vez, montamos um time meia-boca, formado às pressas e sem um critério definido para contratações. Nossa principal fonte de “reforços” foi o Treze. Já perdemos a primeira e precisamos nos recuperar de qualquer forma em casa. Precisamos do estádio cheio e a diretoria estipula o preço dos ingressos: Arquibancada – R$ 20,00 Sócio, Geral e Estudante – R$ 10,00 Criança até 12 anos – R$ 5,00 Alguém está de brincadeira! Preços de série A, time de série C e Diretoria de série Z! Todo mundo está cansado de saber e conhecer que o poder aquisitivo da massa coral é o menor dentre os clubes da capital. O Programa “Cambistas com a Nota” ajuda, mas, por razões esdrúxulas, ficam na sua maioria na mão dos famigerados vendedores. Qual razão levaria a incompetente diretoria a definir esses preços? Me vem à cabeça duas possibilidades: 1) Eles sabem que o time é muito ruim, e querem garantir uma boa renda logo nas primeiras rodadas, tentando acumular algum caixa para o decorrer do ano. Já que o desastre é certo, tentam amenizar a situação financeira que virá. Alguns devem ter dinheiro lá dentro, então essa possibilidade é sinistra. 2) Eles sabem da paixão do torcedor coral. Sabem que a torcida fará qualquer esforço para ajudar o clube. Sabem que a torcida se sacrificará. E já que a torcida está disposta a se sacrificar, por que não dar um tiro de misericórdia cobrando um ingresso caro? Eu nunca entendi a lógica desse tipo de estratégia de se cobrar um preço de ingresso caro. Não seria muito mais rentável ter 20 mil tricolores pagando R$ 5,00 do que 5 mil torcedores pagando R$ 20,00? Não seria mais gente se associando, consumindo nos bares, comprando na lojinha? Se fôssemos reclamar do preço dos ingressos aos tolinhos e a diretoria, logo responderiam: – A situação do clube é difícil! – A série C é um torneio deficitário! – Estamos encontrando dificuldades em contratar! E aí eu pergunto: Foi a torcida quem colocou o clube na série C? Eles realmente achavam que seria diferente? E mais uma vez querem que a torcida pague a conta da incompetência e do descaso. Até quando? Até quando, em nome do amor, da paixão pelo clube e pela sua história, a torcida pagará essa conta? Até quando vamos continuar aceitando...

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Estréia do Santa Cruz na Série C – online

Imagem: Vladstudio O Torcedor Coral transmite as emoções da estréia do Santa Cruz na Série C para os nossos leitores que não puderam seguir com a caravana tricolor. Nossos correspondentes já estão a postos – nos ônibus e em Campina Grande e estarão enviando informações para a nossa redação. Entre uma cerveja e outra, estaremos atualizando o blog. (07:30h) Manequinha – A estréia promete e faremos uma grande farra em Campina Grande. Estamos aguardando a saída dos ônibus e eu já comecei a beber. (09:00h) Manequinha – Meu velho, a galera anda reclamando que no ônibus só tem macho. As únicas seis mulheres estão acompanhadas. Em compensação, a cachaça está rolando solta. (10:00h) Manequinha – Estamos parando em Goiana, pois a cerveja já acabou. O pré-jogo é bruto e a gréia vai ser pesada. Vamos chegar em Campina Grande arrebentando… ou bêbados! (11:40h) Paulo Aguiar – Cheguei ontem à noite em Campina Grande e a cidade já tinha muitos tricolores. Acabei de comprar o ingresso na sede do Campinense – o estádio ainda está fechado. Há ingressos de R$ 10,00 e R$ 20,00. Comprei o mais barato, pois a maioria dos tricolores que estão aqui se concentram no mesmo ponto. É impressionante a quantidade tricolores na frente da sede do Campinense. Contei dois ônibus e 9 vans e está chegando mais. Um tricolor cobriu a lojinha do clube com uma bandeira do Santa Cruz. Os bares da cidade estão cheios de tricolores. Vai faltar cerveja na cidade! (11:48h) Dimas Lins – Puta merda! Uma gréia dessa e eu aqui em Recife atualizando o blog! (11:50h) Manequinha – Momentos de tensão no ônibus. Alguém deu cagada daquelas e incensou o ambiente. A suspeita recai sobre Raul, que era o cara que mais peidava dentro do ônibus. Motorista, pára essa porra, pra gente respirar! (12:02h) Manequinha – Passageiros ameaçam botar Raul para fora do ônibus. Ele promete se controlar. (12:25h) Manequinha – Pela segunda vez consecutiva, acaba a cerveja no ônibus. O pânico é geral e a tensão aumenta. Estamos nos preparando para mais uma parada não programada. (12:28h) Dimas Lins – Nesse ritmo vocês só vão chegar em Campina Grande depois do jogo! (13:05h) Manequinha – A caravana de Dani Tricolor acaba de chegar em Campina Grande e paramos para almoçar. O clima está ótimo e estamos curtindo muito a viagem. Quando vejo esta torcida, tenho muita esperança, mesmo sabendo que...

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A personificação do mal

Tamanha é a diversidade da fauna coral neste processo eleitoral que, se Aristóteles conhecesse o Santa Cruz quando filosofou que o homem é um animal político, certamente associaria nosso clube a um zoológico. Quase não é crível a quantidade de grupos ou facções que disputarão espaço e poder nas próximas eleições. Embora muitos desses grupos tenham similaridades de pensamentos, até o momento não há sinais de união política entre eles, em torno de um objetivo comum. Dois desses grupos já apresentaram candidatos à presidência do Santa Cruz. O primeiro candidato lançado foi Romerito Jatobá, ex-presidente tricolor responsável pela ascensão do time à Série A, em 2005, e pela queda à Série B, no ano seguinte. Apesar de levar o clube à primeira divisão do futebol brasileiro, o torcedor coral não guarda uma boa imagem de sua administração. Eu também não. Pesam contra ele um modelo ultrapassado de gestão que agravou ainda mais a situação financeira do clube e críticas relacionadas, principalmente, à falta de transparência, como no caso da divulgação da lista dos sócios aptos a votar, apenas às vésperas da eleição. O segundo candidato é Fernando Veloso, remanescente da Confraria Ninho da Cobra, aquela mesma que lançou o diminutivo à presidência do Santa Cruz. Como grande parte dos integrantes da confraria, Veloso, de aliado, tornou-se adversário político do atual presidente. Ninguém pode censurá-lo por isso, afinal, quem não gostaria de ver longe o presidente coral mais sem noção da história? Conta a favor de Veloso sua participação ativa na campanha para afastar Édson Nogueira. Além disso, não recai sobre os seus ombros o fardo de ter sido presidente do Santa, como ocorre com Jatobá. Pode-se apenas especular a sua administração, caso seja eleito, a partir da sua aparição na mídia ou de sua participação em movimentos políticos em torno do clube. Nada mais que isso. Os grupos que dão sustentação a Romerito Jatobá e a Fernando Veloso, ao que parece, pertencem a mundos distintos e pensam a política do clube também de forma diferente. Eles têm, a princípio, visões diametralmente opostas, o que tornam, portanto, seus pontos de vista inconciliáveis. Mas o lançamento das chapas de Jatobá e Veloso aproximou, ao menos num ponto, esses dois grupos antagônicos: o velho hábito de lançar candidatos completamente desatrelados de um programa de gestão, que, por sua vez, deveria estar amparado em um amplo debate com a torcida coral. Mantém-se, desta forma, o...

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