Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Lembro quando estive no Mato Grosso, lugar quente pra dedéu. Tão quente que dá pra fritar um ovo no asfalto. Sei disso, porque uma vez sentei na calçada só de calção e desde então procuro evitar essas lembranças dolorosas. O banho também não é fácil, a água evaporava antes mesmo de tocar no chão. Mas o pior é aguentar a música sertaneja. Toca em todo lugar, inclusive no estádio. Soube de um ladrão que afirmou ter sofrido tortura psicológica da polícia com Zezé de Carmargo e Luciano troando na prisão. Não é à toa que a torcida do Luverdense pretende entoar ‘Entre tapas e beijos’ durante todo o jogo. Enfim, não teremos chances, mas será uma derrota suada, é óbvio. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Artur Perrusi Ficaremos verdes diante do Luverdense (sei, sei, terrível esse incico, mas pitaco é pitaco, e não poesia). Significa que não iremos amarelar, mas passaremos mal, mutio mal — com o calor e com ZT. Levaremos uma pisa calórica. Placar: Luverdense 3 x 0 Santa Cruz Paulo Aguiar O sol atrapalhou o nosso melhor futebol. Some-se isso ao forte adversário (Campeão Mato do Mato Grosso) e o fato de jogarmos em um estádio com a torcida pressionando o tempo todo. Nossos jogadores de qualidade, Memo e Chicão, não conseguiram iniciar as jogadas devido às condições do gramado; o toque refinado de Flávio Recife foi dificultado pela marcação adversária. Se a vitória não veio, o empate, que frustrou o nosso ousado treinador, foi bem aceito pela torcida. Placar: Luverdense 1 x 1 Santa Cruz Bosquímano Luverdense… Ando pessimista, não vejo o time jogando bem, aliás, não vejo literalmente um time. Bunda na parede, bumba meu boi e vitória para o escrete do luverdense. Placar: Luverdense 2 x 1 Santa Cruz Murilo Lins Este jogo vai ser uma verdadeira sauna, mas como nosso treinador gosta mais de transpiração do que de inspiração, acredito numa vitória surpreendente do nosso time....

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Virgindade

Virgindade

Ontem foi a minha primeira vez no Arruda nesta bagunçada Série C. No primeiro jogo estive doente. Saí de casa pronto para ir ao estádio, mas diante da chuva, recolhi meus panos de bunda e voltei para casa com a bandeira enrolada embaixo do braço. O empate com o Guarany de Sobral finalmente me afundou de vez na cama. A segunda partida, contra o Treze, foi ainda pior. Estava em Campina Grande rodeado de trezeanos, peguei o jogo na metade do segundo tempo e, completamente emputecido com os comentários sobre o futebol do Santinha, escancarei a minha opinião de que o time da Paraíba não tem direito nenhum de jogar a terceira divisão. Por fim, acrescentei anacronicamente: — Vão à merda todos vocês! Não fui linchado, mas trouxeram à minha presença um ser mitológico, metade mulher, metade vaca, que atendia por Dra. Minotaura, e que me recolheu aos costumes numa canetada com poder de grande autoridade. Só não sei se fui preso por decreto ou liminar. Por isso, o início da noite de ontem foi especial. Remontei a minha adolescência, onde quem pensa é a cabeça de baixo e se vive sob o domínio de hormônios efervescentes como uma garrafa de Coca-Cola agitada no ar. Enfim, ir ao Arruda foi como perder a virgindade. — É a sua primeira vez? — D-dá pra notar? — É que além da cara de donzelo e do monte de espinha, você está um bocadinho nervoso. — D-desculpe, mas é que eu estou numa secura lascada. Sabe como é, né? Cansei de fazer justiça com as próprias mãos. — Então menos conversa e mais ação, meu filho. Tira o meu vestido, vai. — Desculpe perguntar, mas por que essas pernas tão cabeludas? — Pra poder roçar melhor nas suas coxas. — Hum… E por que esse pomo de Adão tão pronunciado? — Pra poder sussurrar melhor no seu ouvido. — Sei. E por que… — Meu filho, tempo é dinheiro! Vem logo pra cá e põe a mão aqui. — Engraçado, eu pensei que o brinquedo das meninas fosse pra dentro, não pra fora. — É que você não conhece o segredo do amor, benzinho. — Ah, é?! E você pode me explicar por que o segredo do seu amor tá duro que só um carai?! Pelos comentários que ouvi após a partida contra o bicão da Série C, esperava mais do Santinha....

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Cobra venenosa

Cobra venenosa

“– A empregada disse que tá grávida. – Problema dela. – Mas ela disse que o filho é seu! – Problema meu! – E eu, como é que fico nessa história?! – Problema seu!” Conversa entre marido e mulher, traduz em bom português a decisão do STJ, que lavou as mãos, ao deixar o processo que envolve a Série C por conta da justiça da...

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Caso clínico

Caso clínico

Não sou esotérica. Não entendo da posição dos astros. Não sei decifrar os búzios nem as cartas de tarô. Mas acredito, sim, na energia que se troca entre as pessoas. Especialmente quando se trata de um mundaréu de torcedores, como é o caso de nosso Santinha. Não é difícil comprovar isso. Eu, que sou atriz, posso garantir que a receptividade do público influi na qualidade do espetáculo. E, no futebol, não poderia ser diferente. Milhares de pessoas torcendo juntas, acreditando, vibrando bons fluidos… tudo isso, certamente, repercute no resultado do jogo. Claro que há exceções… e estas eu prefiro nem lembrar. Mas, de forma geral, sou daquelas que esfrega as mãos, mentaliza, e nunca, jamais, deixa o campo antes do fim do jogo. Por isso, se tem algo que detesto é aquele torcedor negativo, que adora xingar o time inteiro, que sempre acha que tudo vai dar errado, que acredita que ele próprio é o supremo conhecedor das táticas futebolísticas. Em geral sou uma pessoa calma. Às vezes até simpática. Mas, quando tem um desses perto de mim, preciso respirar profundamente, contar até dez, e às vezes até trocar de lugar. Ou corro o risco de advertir o colega de que ele errou a entrada e deveria ter ido para a torcida adversária. Dia desses tinha um atrás de mim. Xingava o time inteiro. Não cansava de dizer que deveria ter ficado em casa. Ninguém, absolutamente ninguém, sabia jogar bola: nem Dênis Marques, nem Renatinho, nem Memo, nem Tiago Cardoso. Muito menos Zé Teodoro. Caça Rato, então, era o alvo predileto. Para nosso exímio conhecedor das estratégias de jogo, qualquer um jogaria melhor que o tal do Flávio Recife. Branquinho, Geilson, Carlinhos Bala e até Catatau, o massagista, poderiam ser escalados como substitutos. Eis que, no segundo tempo, e apesar das energias negativas emanadas de nosso famigerado colega, o glorioso Santa Cruz fez um gol. E adivinha dos pés de quem? Flávio Caça Rato. Foi então que percebi que torcedores como aquele eram um problema clínico. Isso mesmo, um caso médico. A exemplo daquela peixinha Dory, do filme Procurando Nemo, todos eles sofriam de perda de memória recente. Para maiores informações, sugiro consultar o Editor-Minor, Artur Perrusi, profundo conhecedor das manhas e artimanhas da alma humana. Pois é. Em um súbito ataque de amnésia, o tal colega esqueceu tudo o que acabara de dizer. Virou fã absoluto de Caça...

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Entre mortos e feridos

Entre mortos e feridos

Vai longe o tempo em que o futebol brasileiro se via metido em tapetão.  Vai longe o tempo em que justiça comum e desportiva se misturavam. Também vai longe o tempo em que a CBF, essa madrastra do futebol nacional, levava um nó tático de grandes proporções. Tempos estranhos os atuais. A briga que envolve o Treze, a CBF e indiretamente os legítimos representantes da Série C nos remete ao que há de pior no futebol brasileiro. Não bastasse a oligarquia do Clube dos 13 e as tentativas dos agentes ativos do universo esportivo brasileiro em nacionalizar dois clubes de massa para transformá-los em supertimes, nos moldes europeus, em detrimento aos demais, agora voltamos ao tempo das viradas de mesa. Até o final do ano passado, havia, ao menos, uma acomodação das regras desportivas. Quem sobe, sobe e quem cai, cai. A forma de tirar do buraco os grandes clubes nacionais sofisticou-se e tomou a via da grana. O decesso no país do futebol é enganoso, como tudo no país das maravilhas. Para os grandes, cair de divisão é como tirar férias para se preparar a um retorno triunfal no ano seguinte. O dinheiro, como tudo na vida, move o futebol. Pessoalmente, nunca vi a CBF com bons olhos. Ao contrário, acho-a responsável por grande parte das mazelas do futebol brasileiro, que vão desde o reconhecimento do título de 1987 de uma equipe que sequer disputou o módulo verde, equivalente à Série A, e cujo título do módulo amarelo, equivalente à Série B, conseguiu sem por fim a uma disputa de pênalti contra o Guarani de Campinas, à nefasta criação do já citado Clube dos 13, ainda que indiretamente. Contudo, é preciso saber separar as coisas, o joio do trigo. A CBF, é bem verdade, cometeu, com a anuência do STJD, um grave erro ao celebrar acordo com Rio Branco/AC. Ainda assim, a vaga aberta pela eliminação do clube do Acre caberia ao Araguaína/TO. O resto é casuísmo. O Treze, da agradável cidade de Campina Grande, entrou na Série C pela janela, através das mãos da justiça paraibana, estranha justiça, aliás. Não sou atuante na área do direito, mas tenho a impressão que a decisão do juiz substituto da vara de Campina Grande é bastante atípica. A concessão desta nova liminar me parece tão ou mais absurda do que a liminar preliminar, que determinou a inclusão do Treze na...

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