Vamos ao debate!

Proposta de adesão do Santa Cruz à Arena Capibaribe Clique na imagem para ver a apresentação da proposta de adesão 2009 se foi. Com ele, ficaram para trás algumas decepções. Mas a virada do ano traz sempre novas esperanças. Às vezes, ela vem baseada no sonho de algum investimento sustentável, noutras, diante de um vazio, apenas no desejo e na fé de cada tricolor. 2010 já chegou. Com ele, surge a última oportunidade de FBC para colocar o clube nos trilhos. O ano também abre espaço para a discussão mais importante dos últimos tempos, capaz de decidir o destino do Santa Cruz nos próximos – e longínquos – 30 anos. A adesão do clube ao polêmico projeto da Cidade da Copa está em pauta e o debate entre os tricolores está na mesa. Por isso, durante o mês de janeiro, não dá para ficar apenas na arquibancada vendo a bola rolar. Neste mês, a nossa atenção estará voltada menos para o futebol e mais para a discussão sobre a adesão do Santa Cruz à Arena Capibaribe. Falaremos de futebol, é claro, afinal, passamos praticamente todo o segundo semestre de 2009 sem ver a cor da bola. Entretanto, está em jogo, não apenas esta, mas as próximas trinta temporadas. Como pontapé inicial para a discussão, estamos disponibilizando, para quem ainda não teve acesso, a proposta oficial do governo e a contraproposta da diretoria coral para adesão do Santa Cruz à Arena Capibaribe (para ver em forma de apresentação, clique aqui ou na imagem deste artigo; para baixar o arquivo em PDF, clique aqui). Os próximos passos ocorrerão através de uma parceria entre o Torcedor Coral e o Blog do Santinha. A idéia é publicar, alternadamente, uma série de mini-entrevistas com alguns tricolores, ilustres anônimos e velhos conhecidos de outros carnavais. Esperamos que, cada um com a sua visão, contra ou a favor, nos ajude a construir a nossa própria opinião. Que comece o ano, pois o Torcedor Coral e o Blog do Santinha estão prontos para o...

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Nós dizemos não!

Saiu na Folha de Pernambuco de hoje, mais precisamente na coluna Folha Esportiva de Claudemir Gomes, uma notícia de arrepiar os cabelos de qualquer tricolor. Trata de um ofício que reivindica a adesão do Santa Cruz ao projeto Cidade da Copa (leia a nota abaixo) . O presidente do Santa Cruz, Fernando Bezerra Coelho, recebeu o ofício da Casa Civil de número 158/2009, datado do dia 23 de novembro de 2009, assinado pelo secretário, Ricardo Leitão, no qual reivindica a adesão do Clube do Arruda ao projeto do Governo para construção da Arena da Copa de 2014. Através do ofício ficou programada para o dia 2 de dezembro, às 15h, na sede social do Santa Cruz, a apresentação do projeto que seguirá a seguinte pauta: Apresentação da concepção do projeto; Modelagem econômica-financeira do projeto; Apresentação do programa de vantagens e benefícios para adesão do projeto; Entrega da documentação institucional para análise. O Governo espera contar com o apoio dos três grandes clubes do Recife – Sport, Náutico e Santa Cruz – para que eles levem seus jogos para serem disputados na Arena que será construída em São Lourenço da Mata, pois esta é a única forma de viabilizar o projeto, e não transformar o futuro estádio num elefante branco após a Copa de 2014. O ofício deixa o presidente Fernando Bezerra Coelho de mãos atadas, uma vez que, na condição de Secretário de Desenvolvimento do Estado, não pode se insurgir contra o projeto, mesmo com o Santa Cruz tendo a proposta da Arena Coral. Uma senhora camisa de força. Fonte: Folha Esportiva, de Claudemir Gomes, na Folha de Pernambuco. A adesão do Santa Cruz ao projeto megalomaníaco da Cidade da Copa é um tiro no próprio pé. Para salvar a pele do Governo do Estado, que insiste em construir o maior elefante branco no meio do mato do Brasil, o clube coral, pasmem, pode transformar o seu próprio estádio em um… Elefante branco. Já imaginaram a gente deixando o mato crescer no Arruda para jogar no meio do mato em São Lourenço da Mata? É muito mato para o meu gosto. Enquanto os tricolores estão desarticulados, a bola está nas mãos de FBC. É aí que mora o perigo, pois o presidente coral também é Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e precisa conciliar os interesses de um lado e de outro. Como, neste caso, os interesses são antagônicos,...

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Na arena, entre feras

Li semana passada nos jornais que o Náutico apresentou um projeto para a construção de seu novo estádio. A Arena Recife, como será chamada – caso saia do chão – ficará dentro dos padrões da FIFA, terá capacidade para 30 mil lugares, ampla estrutura de serviço e lazer e um estacionamento para quatro mil vagas. O início de sua construção está previsto para 2010 e término para 2012. Os investidores Camargo Correia, Patrimonial Investimentos e CONIC aguardam apenas a liberação do IBAMA, já que o terreno de 140 hectares no bairro de Jardim Uchoa está situado numa área de proteção ambiental. Por fim, o projeto independe da Copa de 2014 para sair do papel. Os tricolores mais fanáticos podem perguntar o que nós temos a ver como isso. Em minha opinião, tudo. Em primeiro lugar, porque a Arena Coral está na rua faz tempo e, mesmo sendo um projeto que também independe da Copa de 2014, não sai do canto. Em segundo, porque, embora seja legítimo cada clube buscar a construção ou reforma do seu estádio, não acredito que em Recife caibam tantas arenas com todos os serviços que elas oferecem. Em terceiro, porque, caso o projeto alvirrubro saia mesmo do papel, já parte na frente do nosso, mesmo tendo sido lançado depois. Em quarto e último, pelo que leio nos jornais, não duvido nada o Governo botar areia em qualquer projeto que surja para atrapalhar a incompreensível Cidade da Copa. O que me intriga é a reviravolta que a notícia do projeto do Náutico traz no cenário. Raciocinem comigo. Corria a boca miúda que a Arena Capibaribe – o maior elefante branco no meio do mato do Brasil – cairia no colo do clube de Rosa e Silva. Com a apresentação pública de seu projeto, o Náutico deixa claro ao Governo que não tem interesse na Cidade da Copa. É verdade, tudo pode ser um blefe dos alvirrubros, mas, não sendo, o Governo ficaria novamente numa sinuca de bico quanto ao que fazer com o elefante depois da Copa de 2014. Assim, sobram apenas dois outros clubes para ocupar o lugar do Náutico. Foi aí que bateu um medo sem tamanho da Cidade da Copa cair no colo do Santa Cruz, afinal, o presidente coral é, ao mesmo tempo, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado. Nessas circunstâncias, é difícil dizer onde termina o secretário e começa o presidente...

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A competição desigual

Existe competição no futebol brasileiro? Sem maiores delongas, responderei à la Caetano: sim, não, mas sim, mas não… nem isso! Fiquei pensando nesse assunto, vendo a festa do Vasco, quando de sua subida à primeira divisão. Olhava a festa dos paraibanos com a vitória do clube de Eurico Miranda, esse fundador da Máfia dos 13. Olhava e pensava sobre a ironia da traição futebolística, essa deslealdade no campo dos valores e do orgulho regional, tão ostentada pelos nossos vizinhos: torcer por clubes cujos torcedores da gema são do estado da federação, e que têm a mania de xingar os nordestinos de… paraíba. É curioso, né?… Voltando ao clube da colina: não nego o mérito de seu desempenho — mas foi justo? Ou, colocando de uma forma diferente: a competição esportiva, na segunda divisão, é justa, isto é, as oportunidades são iguais, ou ainda, o ponto de partida, no campeonato, é o mesmo para todos os participantes? Claro que não. O Vasco, afinal, é da Máfia dos 13, o cartel que domina o futebol brasileiro. Inclusive, podemos ampliar a pergunta: a competição esportiva é justa no futebol brasileiro? Claro que não, afinal, existem, além do truste referido acima, a CBF, a Rede Globo, as federações esportivas, os tribunais desportivos, a corrupção de árbitros, e por aí vai. Mas, mesmo sem tais sacanagens, como supor uma competição esportiva justa, num espaço futebolístico regrado completamente pelo poder econômico? E, sendo negativa a resposta, ou seja, a competição não é justa, pode-se perguntar se há alguma competição no futebol brasileiro. Eu respondo que sim: há competição no nosso futebol. É uma muito bem conhecida por todo brasileiro, principalmente daqueles provenientes dos setores populares de nosso país. É uma competição baseada na desigualdade, no jeitinho e na manutenção do status quo. É um tipo de disputa alicerçada na chamada “ilusão meritocrática”: pensa-se que todos são iguais, que todos têm a mesma oportunidade, mas se descobre que, atrás do discurso igualitário, do discurso baseado no mérito, esconde-se uma abissal desigualdade. O futebol brasileiro, mutatis mutandis, parece o vestibular: quem é negro e pobre entra na competição de uma forma completamente desigual. Pois bem, como existir uma competição justa num país campeão da desigualdade social? Ora, o futebol não é um espaço neutro e à parte da realidade social brasileira; na verdade, ele reproduz muito das mazelas da nossa histórica desigualdade. O que estou defendendo, assim,...

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A Arena Coral volta ao páreo

Os pernambucanos somos mesmo megalomaníacos. Entre outras coisas, temos – ou tínhamos, não sei – orgulho de ter o maior Shopping Center da América Latina, a maior avenida em linha reta do país, que é a Caxangá,o maior carnaval do mundo e outras coisas do gênero. Agora, por causa da Copa do Mundo de 2014, o governo do Estado de Pernambuco pretende aumentar esse rol ao construir o maior elefante branco no meio do mato do Brasil. Eita, mania de grandeza! Creio que neste caso especificamente o projeto esteja alinhado principalmente a interesses políticos, afinal, são as obras que ficam mais visíveis em qualquer administração pública, seja ela federal, estadual ou municipal. Eu, que não tenho nada a ver com a política oficial, fico imaginando o que acontecerá depois da copa, quando a vida voltar ao normal e nem clubes nem torcedores quiserem botar os pés no meio do nada. Felizmente, de uns dias para cá, ressurgiu com força a possibilidade de retomada do projeto Arena Coral. O jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria no dia 02 de outubro deste ano, onde Felipe Jens, presidente da Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura – OII, afirma que a empresa avalia as reformas dos estádios do Maracanã (Rio de Janeiro), Pituaçu (Bahia), Arruda (Pernambuco) e Verdão (Mato Grosso) para a Copa do Mundo de 2014. O detalhe é que nem o Pituaçu, nem o Arruda fazem parte dos planos oficiais para a copa no Brasil. Embora a própria Odebrecht, através de sua assessoria de imprensa, tenha enviado nota oficial para desmentir o conteúdo da matéria publicada no Estadão, a notícia caiu como uma bomba na imprensa pernambucana. Em minha opinião, há uma boa chance de ter havido uma saia justa do governo estadual com a Odebrecht, entre o tempo decorrido com a entrevista de Felipe Jens e a nota oficial da construtora, pois geralmente onde há fumaça, há fogo. E há mesmo fumaça. Tanto assim que Eduardo Esteves, responsável juntamente com seu pai, Reginaldo Esteves, pelo projeto da Arena Coral, declarou ao jornal Folha de Pernambuco, em 20/10, que “o projeto Arena Coral é independente, mas acaba sendo mais uma opção (…) inclusive, dois diretores da Odebrecht, designados pelo próprio Felipe (Jens), estão vindo ao Recife para realizar uma reunião conosco”. Alguns rubro-negros e alvirrubros, segundo o mesmo jornal Folha de Pernambuco, admitem que a reforma do Arruda seja a melhor...

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