Teimosia não ganha jogo

Teimosia não ganha jogo

Não aguentaria assistir a uma copa sem comentar. A vida é uma corneta, disse Dimas, depois de arrotar bolinho de bacalhau. E a copa está boa demais, com jogos divertidos e empogantes. Só que a canarinha… Vou direto ao ponto: pra mim, Felipão acabou com o jogo contra o México. E é isso que me preocupa, pois estava confiante nas intuições de nosso técnico. Depois do jogo, voltaram minhas velhas irritações com o sargentão, embora não sejam maiores das que tenho com Parreira. Inclusive, a decisão de juntá-los, na época, deu-me alguns calafrios. Porém, a Copa das Confederações calou-me e fiquei na minha, torcendo. Por genética, por causa de um povo do futebol que gosta de jogo bem jogado, queria a seleção pra cima do adversário. Claro, o time pode melhorar, mas só está, até agora, gerando desconfianças. Enfim… Felipão escalou errado. Entrou de cara com Ramirez no lugar de Hulk. Ramirez joga de meia na Inglaterra porque o futebol inglês… Invencionice, pra brasileiro ver. Ramirez é volante. Assim, a seleção jogou com três volantes. Perdeu o meio-campo. Era defesa e ataque. E só. Felipão, querendo marcação e armação no meio-campo, poderia entrar com Hernanes, pois este sim joga como meia-armador e sabe marcar. Por que não Willian? Ah, porque Willian é substituto de Oscar, logo, não podem jogar juntos. Na partida, Felipão começou seu costumeiro surto de teimosices. Insistiu com Paulinho, mesmo com o jogador pedindo para sair por causa do desempenho medíocre. Felipão tem essa mania de técnico brasileiro de manter jogador a todo custo — conhecemos essa maldição, pois é típica dos treinadores do Santinha. Tudo pela família, tudo pelo grupo! Papo… Se queria manter volante que se infiltra na defesa adversária, tudo bem, escalava Fernandinho, que faz isso no City. Ou ainda Hernanes, para cadenciar o jogo e tocar a bola (aliás, cadê o toque de bola? Virou espécie em extinção no futebol brasileiro?). Ou até recuava Ramirez para segundo volante. O elenco canarinho oferece várias opções, mas Felipão manteve o novo ungido de sua teimosia. Depois, colocou um jogador de clube, Bernard. O time ficou esparramado pelo campo. O Brasil precisa jogar de forma compacta, marcando no campo adversário. Alguém precisa tocar a bola com Oscar — deixá-lo na ponta é outro erro. Oscar, apenas marcando, é desperdício ululante.  E, ao recuperar a bola no campo defensivo, a seleção necessita tocar a bola. Bernard...

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O Sr. sabe lá o que é Santa Cruz?

O Sr. sabe lá o que é Santa Cruz?

Dando uma olhada nas redes sociais, buscando a repercussão do Título do Santinha, não foi incomum encontrar vários comentários dos nossos irmãos bicolores diminuindo nossa conquista. Fazendo graça com ela e conosco. Foram coisas do tipo: “Série C? Que merda! Sou elite!” ou “Os banguelos (mundiça) estão em festa”, ou ainda “Hoje não haverá crimes no Recife”. Enfim, toda sorte de humor do mais alto padrão Danilo Gentile de ser. Perdoai-vos, ó Pai, eles não sabem o que dizem! Não sabem mesmo. Um dos bicolores, cujos simpatizantes costumam abrir a boca pra gritar “Eu sou elite!” é o mesmo que repete o mantra, numa tola tentativa de acreditar em si mesmo, que é campeão brasileiro de 87. O curioso é que esta mesma elite a qual ele diz pertencer, esta mesma elite, é a que lhe põe o dedo na cara e mostra a verdade incontestável. O verdadeiro campeão é outro bicolor, o carioca. Pouco importa o que a credibilíssima CBF diga. O mundo sabe a verdade! O outro bicolor, coitado, vive de um tal hexa do passado. Sua maior glória é ser um clube de brancos e riquinhos da gloriosa aristocracia recifense. Seu mais importante título é o de ser o último clube do país a aceitar jogadores negros. Como cantava Cazuza, eu uma das suas piores canções, “são caboclos querendo ser ingleses”! O que eles não entendem, nem nunca vão entender, é que nós não precisamos de nenhum título pra provar nossa grandeza. Não precisamos da tal razão instrumental criada pelo mercado que usa como medida a quantidade em ouro, neste caso troféu, que cada um tem. Nós não precisamos ter nada. Nós somos poesia, eles são como bandas de forró de plástico. A nossa grandeza é simplesmente existir. A nossa grandeza reside na atrevimento daqueles garotos pobres e pretos, proibidos de entrar nos clubes ingleses do Recife, que ousaram criar um clube de futebol diferente de tudo o que era permitido nas altas rodas. A nossa maior grandeza é a capacidade de chorar e de sorrir mostrando todos os dentes. Os que existem e os que faltam! A nossa grandeza é a nossa própria história. Nós somos o que eles mais temem. Somos o povo! Pretos, pobres, desdentados, dos morros, das favelas, das empregadas domésticas… Somos o clube da inclusão social. Foi graças a nossa história que não acabamos. Eles, se tivessem passado pelo que nós...

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De volta ao batente

De volta ao batente

Não foi planejado, mas a parada do futebol local em razão da Copa das Confederações provocou férias voluntárias no Torcedor Coral. Por mais que alguns, por devoção ao Santa Cruz, considerem que não há vida interessante fora do Arruda, penso o contrário. Tirar o olho do próprio umbigo é salutar para aprender, crescer e espairecer. Espero que esta competição, inclusive, tenha ensinado alguma lição para todos nós e, especialmente, para o Santa Cruz. A Copa das Confederações foi importante para o país dentro e, principalmente, fora dos campos. O título incontestável diante da Espanha, indiscutivelmente a melhor seleção do planeta, abre melhores perspectivas para a Copa do Mundo, embora não possa criar a ilusão que de que agora somos a equipe a ser batida. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Talvez a soberba, típica de rubro-negros e agora alvirrubros, tenha cegado os espanhóis. Não deixemos que esse ufanismo tome conta de nós. Acredito no trabalho antes da celebração, não no contrário. Do lado de fora dos gramados, uma lição de cidadania. Houve manifestações para todos os gostos. O povo brasileiro ignorou os partidos, as lideranças políticas, as instituições e a mídia e fez um protesto sem intermediários, não apenas contra a corrupção, como querem alguns, mas contra todo o sistema. Nossos vícios não estão apenas no meio político, com a corrupção secular correndo solta, mas contra os serviços públicos com educação e saúde, por exemplo, e, ainda as concessões ao setor privado com os transportes de má qualidade, as ruas engarrafadas, as estradas esburacadas, os gastos superfaturados das obras de infra-estrutura, as administrações terceirizadas dos estádios, onde é proibido à iniciativa privada correr os riscos inerentes ao capitalismo que levam ao lucro ou prejuízo, típico de quem explora qualquer atividade econômica, a cartolagem nociva ao futebol, simbolizada por Marin, e, por fim, a mídia brasileira, cuja parcialidade na cobertura dos acontecimentos políticos do país a fez ser expulsa sistematicamente das manifestações. O brasileiro aprendeu a se comunicar pela internet e o sistema foi posto em cheque. Não sobrou ninguém. Tudo está ruim, tudo precisa ser mudado. Eis o recado que vem das ruas. Baderneiros e bandidos são casos de polícia. O resto é o pleno exercício da democracia. Quem sabe, não daremos uma lição ao mundo e esta Copa seja um divisor de águas e acabe com a prática ignóbil onde o país-sede arca com todos...

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Pitaco da rodada

Pitaco da rodada

A equipe do Torcedor Coral não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários: Dimas Lins Chegamos aqui, neste momento decisivo, do jeito errado. Sofremos sem necessidade, nos emputecemos à toa. Viver nesse mundo é difícil, eu acho que são os ossos do ofício. Pet Shop, mundo cão, diria Zeca Baleiro. Mas a vida segue e se o tempo não pára, no entanto ele nunca envelhece. Não sei bem o que quis dizer com isso, apenas senti uma enorme vontade de citar letras do nosso cancioneiro popular, como fazia Mário Fofoca. Seja lá como for, amanhã vai ser outro dia. E vamos vencer. Pro dia nascer feliz. Placar: Águia/PA 1 x 2 Santa Cruz Paulo Aguiar Dois anos depois, Zé Teodoro volta ao mesmo estádio enfrentar o mesmo time que o desclassificou com um empate quando treinava o Fortaleza. Novamente, a história quis se repetir. O mesmo treinador, o mesmo adversário e o mesmo resultado. Desta vez porém, o time era outro: Santa Cruz. E o resultado classificou a cobra coral. Placar: Águia/PA 1 x 1 Santa Cruz Artur Perrusi Já dizia um velho barbudo que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Que tudo seja diferente, agora. Que o santinha ganhe e se classifique. Que se acabe, de uma vez por todas, com a farsa in extremis. Placar: Águia/PA 0 x 1 Santa Cruz Nó Cego Vão jogar ou afrouxar? Placar: Águia/PA 1 x 1 Santa Cruz Murilo Lins Agora é a hora da cobra beber água. Contra todas as evidências, contra tudo e contra todos: Placar: Águia/PA 1 x 3 Santa...

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Encantamento

Encantamento

… E o que esperar de um time chamado Santa Cruz? Tudo para nós é doído, sangrado, sofrido, como parto atravessado. E por isso nossa alegria é dobrada. E nosso coração usa colete à prova de balas. O silêncio do gol sofrido na hora do empate antecede o abraço no minuto final e o nó que nos trava a garganta desata uma tempestade de lágrimas depois do gol e nada mais importa, que não seja este momento. Nem a qualidade do time, nem a trajetória da equipe ou as falhas do juiz, o cosmo se resume a este encantamento: De vinte mil pessoas com o coração descompassado e joelhos ao chão. E nada...

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