Jogo de xadrez

 Até poucos dias atrás, a discussão sobre o afastamento do atual presidente do Santa Cruz parecia ter sido deixada um pouco de lado. No meu último texto, eu chamava a atenção para o desconforto que o silêncio traz para quem aguarda ansiosamente os desenlaces da questão. E acrescento aqui que, em certas circunstâncias, nada incomoda mais do que esta aparente palidez e acomodação dos tricolores. Por isso, me propus a trazer o assunto de volta à ribalta. Ei-lo. Comparo o processo de afastamento do presidente a um jogo de xadrez, onde vence quem conseguir antever e se antecipar às jogadas de seu adversário. Até aqui o Sr. Édson Nogueira, o presidente diminutivo do Santa Cruz, a seu modo, jogava melhor. Primeiro, seduziu parte da oposição, acenando com as divisões de base. Depois, esvaziou o acordo, tão logo conseguiu o recuo de alguns opositores nas intenções de seu afastamento. Em seguida, sob nova ofensiva, deteve o avanço da oposição com uma de suas peças mais importantes: o presidente do Conselho Deliberativo. Alexandre Ferrer, aliás, cumpriu muito bem o seu papel e moveu-se no tabuleiro como um verdadeiro cavalo. Com patadas cavalares, intimidou os conselheiros e aprovou a prestação de contas do Executivo, mesmo sem qualquer análise prévia dos presentes na última reunião e sem que um número sequer fosse apresentado. Fez mais. Durante todo o tempo em que se cogitou o impedimento do presidente, Ferrer deliberadamente deixou o órgão mais importante do clube alheio à discussão. Mas, na última segunda-feira, a oposição lançou uma contra-ofensiva que certamente está fazendo o presidente coral sentir o golpe. E deu um passo significativo para garantir a realização da Assembléia Geral Extraordinária – AGE, marcada inicialmente para 12 de maio e transferida para o dia 13. O contra-ataque veio na forma de um pedido junto ao Ministério Público de Pernambuco – MPPE para que acompanhe e garanta a realização da AGE, que tratará do afastamento do atual presidente. O encontro no MPPE aconteceu nesta última segunda-feira e teve a participação de alguns integrantes da oposição, além de Aguinaldo Fenelon, Promotor de Justiça e responsável pela elaboração da cartilha do torcedor, e de Paulo Varejão, Procurador Geral de Justiça. Segundo informações colhidas pelos nossos repórteres de plantão, o MPPE garantiu que se fará presente à assembléia com a participação de dois promotores de justiça. A presença dos promotores é importante, pois dificultará qualquer manobra que tente inviabilizar a realização da...

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Um ano de Quinta Santa

Foto: Arruda Há um ano atrás, pelas mãos de Lulinha, nascia a Quinta Santa. Lulinha, ex-diretor social do clube, tinha como objetivo fazer com que os tricolores voltassem a freqüentar a sede do Santa Cruz. E conseguiu. O encontro, na verdade, começou às sextas-feiras, mas teve o seu dia alterado para a quinta. É que era muito difícil explicar para as esposas e namoradas que o tricolor, ao invés de estar com elas, curtindo a balada ou roncando no sofá, tinha um encontro cívico com o seu clube do coração. Além do mais, o bafo de cerveja, caldinho de feijão e vinagrete do arrumadinho do bar da piscina levavam a conclusões precipitadas. Na última quinta, a festa foi animada. Vieram novos e antigos freqüentadores do encontro e até mesmo a lendária Sanfona Coral deu o ar de sua graça para delírio da torcida. Teve sorteio de brindes e um bolo com um escudo do Mais Querido para comemorar o aniversário de um ano. E, como não podia deixar de ser, também não faltaram conversas sobre o Santa Cruz. Mas nada de tristeza, que o dia era de alegria. Falar em tristeza, a nota triste ficou – como sempre – por conta da diretoria do clube que desligou o gerador às 19:30h e deixou todo mundo no escuro. Os organizadores do encontro propuseram custear as despesas com o óleo diesel do gerador, mas a proposta não foi aceita. Pena, pois os gestores do clube não perdem a mania de contrariar a torcida. Mesmo assim, o encontro seguiu à base de velas e candeeiros improvisados e foi um sucesso absoluto (veja no álbum de Diego Galdino todas as fotos da festa). Parabéns aos organizadores da Quinta Santa e a Lulinha pela idéia do encontro semanal. Graças a eles e a torcida coral, ainda há vida no clube, apesar dos...

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Alice no país das maravilhas

Publicação simultânea com o Blog do Santinha. O Dia amanheceu nublado. Amanheceu assim depois da chuva intensa que caiu por toda a madrugada. Por sorte, o time foi poupado do temporal durante a partida de ontem e pôde vencer, apesar das dificuldades de sempre. Mas, mesmo que as nuvens desapareçam do céu, o mau tempo ainda permanecerá sobre o Arruda no dia de hoje. É que haverá reunião do Conselho Deliberativo e, embora o seu presidente, Alexandre Ferrer, tenha se esforçado para manter o órgão blindado e alheio aos reais problemas do clube, os torcedores corais resolveram comparecer em massa para chamá-los à responsabilidade. E eles virão de todos os cantos, vestidos de preto e carregando velas na mão. Com tantas velas acesas, quem sabe finalmente o conselho não enxergue a luz. A lealdade canina de Ferrer ao presidente do Executivo transformou o Conselho Deliberativo do clube numa espécie de Alice no País das Maravilhas. A fábula de Lewis Carrol narra a estória de Alice, uma menina que segue um coelho branco e apressado e acaba caindo num maluco país de fantasias. Lá, coisa alguma está associada à realidade. Tanto que os personagens do livro caracterizam-se pelo surrealismo, beirando mesmo o absurdo. Seguindo a mesma linha, o filme de Walt Disney, produzido em 1951, é tão surreal que o animador Ollie Johnston chegou a ser questionado se a equipe de animação estava sob efeito de drogas quando criou Alice. Há bastante tempo, o Conselho Deliberativo tem preferido viver a fantasia de Alice à dura realidade coral. Neste mundo impenetrável, parece que não há nada acontecendo dentro e fora dos muros das Repúblicas Independentes do Arruda. O conselho parece ter se acostumado a servir ao presidente e não ao clube. Parece ter esquecido de que lá é o fórum adequado para as discussões relevantes sobre o Santa Cruz. O conselho pode ter esquecido, a torcida não. Por isso, hoje à noite, a partir das 19 horas, tricolores de todas as partes se encontrarão no Arruda para lembrá-los que o clube não pertence a um, mas a todos. Pacificamente, a torcida coral pedirá mudanças e tentará tirar Alice da toca para trazê-la de volta ao mundo real. Entrará em seu quarto, se aproximará de sua cama e tentará despertá-la de seu sonho infantil, dizendo em seu ouvido: “acorda Alice, que eu quero o meu clube de...

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