Não vou mais medir o tempo

Há mais ou menos um ano, eu estava nervoso e preocupado com o Santa Cruz. Teríamos pela frente um jogo decisivo e vital para a nossa vida. Vínhamos de uma campanha irregular, tínhamos perdido de times inexpressivos e jogávamos em uma partida o tudo ou nada. Lembro-me que tínhamos um treinador ruim, que toda a torcida pedia a saída dele há muito tempo e a teimosa, “profissional” e “expert” diretoria mantinha o infeliz. Faltando dois jogos apenas, trocam o treinador e chamam um tal de Bagé de salvador da pátria. Um ano depois. Continuo nervoso e preocupado com o Santa Cruz. Temos pela frente um jogo decisivo e vital para a nossa vida. Viemos de uma campanha irregular, onde perdemos duas vezes para um time inexpressivo. Vamos mais uma vez jogar em uma partida o tudo ou nada. Tínhamos um treinador ruim, que toda a torcida pedia a saída dele há muito tempo e a diretoria mantinha o amante de volantes. Faltando apenas dois jogos, trocam o treinador por um novo salvador da pátria. Vocês repararam alguma semelhança entre os parágrafos acima? Esse talvez foi o texto mais fácil de escrever do TC. Foi quase um copiar e colar. Infelizmente, amigos. Infelizmente, passou-se um ano e nada mudou. A história se repete da mesma maneira, e, contra o mesmo adversário. Como será possível um time em um ano não evoluir em nada? Como podemos acreditar que um ano depois ainda dependemos de um jogo no fio da navalha para nos classificarmos para a segunda fase de uma Série D? Ano passado, comprei uns espetinhos para um churrasco. Achei o gosto horrível e prometi a mim mesmo que nunca mais consumiria aquela marca. Semana passada, fui ao supermercado e o danado do espetinho estava em promoção. A embalagem estava mais bonita, logomarca modernizada e escrito na caixinha “novo sabor”. Decidi arriscar-me e comprei, provei e a conclusão foi que continuava horrível. Isso aconteceu conosco. O Santa não mudou seu produto, apenas trocou a embalagem. Acho importante modernidade e profissionalismo na administração do clube, mas o Santa Cruz, essencialmente, é um clube de futebol. Nosso único produto é o futebol. A diretoria do Santa Cruz produziu um produto ruim e ainda consegue nos vender esse produto. Colocamos mais público agora do que colocávamos há um ano. Será que um ano é pouco tempo? Desisti de medir o tempo essa semana. Quanto...

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O pouco que nos resta

Tal qual FBC, também estou de férias. Irresponsável que sou, não fui ao último jogo do Santinha no mundão do Arruda cumprir o dever cívico de torcer – muitas vezes em vão, é verdade – pelo nosso clube. Não ouvi os gritos vindos da arquibancada empurrarem inutilmente o time coral contra o modesto Sergipe. Tampouco ouvi os berros de Geó pedindo a Sérgio China para colocar mais um volante no lugar – por que não? – do goleiro. Do brado ensandecido do poeta Josias, ao menos, eu escapei. Entretanto, os lamentos e a revolta pela derrota chegaram em alta freqüência aqui, onde estou. Estava preparado para escrever um desabafo. Choraria as minhas mágoas e, assoando o nariz, diria para FBC: “eu não falei que China era uma aposta alta demais, homem de Deus?!”. Depois argumentaria daqui e dali sobre os últimos lances do nosso estimado Santinha, dentro e fora de campo, e analisaria os prós e contras da recontratação de Márcio Bittencourt. Mas, no final das contas, desisti. Desisti, porque o clima já anda pesado demais. Desisti, porque todos os fóruns de discussão sobre o Santa Cruz perderam a gentileza e estão, definitivamente, chatos de dar dó. Desisti, porque grandes e estimados amigos sentiram o abalo emocional de ter de passar novamente por outro vexame. Enfim, desisti também para não estragar de vez o que resta das minhas férias. A gestão de FBC errou onde não poderia ter errado. Ninguém tem dúvidas disso, nem o próprio FBC, ouso dizer. Afinal, é no futebol onde se incendeia o fogo da paixão do torcedor que lota as arquibancadas. É no futebol onde os tricolores esperam a hora, que nunca chega, de lavar a alma e de tirar o cheiro insuportável das derrotas humilhantes que um dia sofremos. É no futebol onde a mão que há pouco afagou, agora apedreja. É no futebol onde os erros tornam-se imperdoáveis. Porém, nada é mais importante agora do que tentar dar a volta por cima. Torcerei muito para que não tenha sido tarde demais a saída de Sérgio China. Torcerei ainda mais para que o controverso Márcio Bittencourt seja a luz no fim do túnel de que precisamos. Torcerei, mais que tudo, para que a gente junte mais essas duas vitórias e que elas se somem a outras necessárias para sairmos do buraco em que estamos metidos. Torcerei assim, desse jeito, porque não sei se...

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Ontem

Não dá para dizer que foi um desastre. Mas também está longe a chance de dizer que foi um espetáculo. Algumas coisas positivas, porém muitas negativas ainda. A torcida, como sempre, é o aspecto positivo mais forte. Para mim é difícil descrever a torcida do Santa, traduzir em texto seu comportamento, encadear palavras em uma prosa que lhe reflita. Exprimir algo sobre a nossa torcida, só posso tentar fazê-lo em poemas, já que, evidentemente, há verdades que apenas a poesia alcança. Após o jogo, vagando pela Encruzilhada, entrei num bar e encontrei Samarone – não sei se ele irá se lembrar… seu estado inspirava cuidados. E, já na primeira cerveja, concluímos: o que estamos fazendo é uma resistência cultural. A torcida do Santa hoje é uma afirmação constante de resistência cultural. Sobre o jogo, dizer o quê? Jogamos mais uma vez com 12 volantes. Ou foram 13? Não sei; só sei que era volante para danar! Talvez China seja um incompreendido, como todo gênio. Talvez.  Sua inovação tática revolucionária parece prever um time apenas de volantes – Anízio, que assistiu a um dos treinos desta semana (e que ontem conseguiu a proeza de comer 1 quilo (1 Kg) num self-service onde almoçamos antes de ir ao Arruda) nos revelou que China chegou a testar, inclusive, a saída de Gustavo; teria substituído o goleiro por Leandro Bitton… China parece também desmascarar uma afirmação tida como óbvia nos nossos dias: os laterais, aliás os alas, são fundamentais no futebol moderno. China não gosta de obviedades e quer um time sem laterais. Podemos, assim, refletir: de fato, para que servem os laterais? Eles são um tipo de jogador que fica ali do lado, quase saindo de dentro do campo, correndo pra lá e pra cá, sem função tática significativa. Então, morte à figura dos laterais! Foi o que fez ontem o nosso estimado treinador. Temos de dar tempo ao tempo, já dizia o sábio. O tempo é parceiro da verdade. Talvez China esteja certo. Por que não? Rogo aos céus que assim seja. Por fim, considero que devemos ser ponderados. O apoio ao time deve ser maciço e constante. Não podemos nos desesperar. Quando perdíamos por 2 X 0, Perrusi e Dimas gritavam a plenos pulmões pela demissão do treinador e num coro satânico, bradavam “Givanildo!” Givanildo!”. Calma, calma. Temos de ter calma durante a partida… No tocante a superstições, penso que...

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O primo rico

Sempre escutamos, independente do campeonato que se esteja disputando, que existe um abismo financeiro entre as equipes. Sempre falamos que a divisão de receitas e cotas é injusta e que fica impossível que um campeonato seja disputado de igual para igual, com jogos entre os primos ricos e os primos pobres. Pois bem. Estava um dia desses pensando exatamente nisso. Teria uma equipe do nordeste condições de disputar uma série A contra equipes do sul? Será que, por isso, todas as equipes do clube dos 13 que caem para a segunda divisão são promovidas no ano posterior a queda com um pé nas costas? Sinceramente, acho que sim. É muito mais fácil fazer futebol quando se tem dinheiro. Mas o que danado isso tem haver com nosso Santa? Usando a mesma analogia, é impossível não pensar que somos o primo rico da série D. Temos os maiores patrocínios, o maior estádio, teremos as maiores rendas, a maior torcida, temos a maior arrecadação. Se não vejamos umas contas simples: Renda do Jogo Brasil x Paraguai (li que 10% é nosso, considerando 50 mil ingressos a um preço médio de R$ 50,00) : R$ 250 mil; 15 mil do Todos Com a Nota (R$ 4,00 por ingresso, 7 jogos no arruda) : R$ 420 mil. Sem contar patrocínios, rendas dos jogos, arrecadação de sócios, cadeiras e camarotes, somando apenas esses dois itens, teremos R$ 670.000,00, para um campeonato de 5 meses, o que daria apenas nos dois itens acima mais de R$ 130 mil reais por mês. Tenho lido que a folha de pagamento do Central e do Sergipe será de R$ 50 mil, e que o CSA que pretende “investir pesado” no acesso a série C (até para apagar a vergonha se ser rebaixado no alagoano) terá uma folha de R$ 100 mil. Ainda é difícil pensar que somos o primo rico? A situação financeira dos times da série D é tão ruim que quem vai completar nosso grupo é nono colocado de um estadual (CSA) e o quinto de outro (Central). Os que estavam mais bem colocados não tinham condições nem de viajar de ônibus para os jogos. Certo, já me convenci que somos mais ricos. Mas, se usarmos a mesma desculpa que usamos para dizer que não podemos disputar de igual para igual o Pernambucano, teoricamente nossos concorrentes não podem disputar de igual para igual conosco. Somos favoritos?...

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A terrível entressafra

Esta distância que vivenciamos da equipe e dos jogos do Santinha é de lascar! É uma expectativa sem fim. E mais, todo o sofrimento, toda a espera desaguará na… triste e pífia série D. Oh! Édson Nogueira, de onde vieste, para que viste, que praga fizemos que te merecemos? Nesse vai-não-vai pululam teorias, esperanças lúdicas e vaticínios macabros. Oscilamos entre o otimismo utópico e o pessimismo catastrófico. Será que Sérgio China dará certo? Será que o time é competitivo? Será que se fortalecerá no mata-mata? São questões que vêm sendo respondidas de modo apaixonado, como convém a todo bom tricolor. Estou, certamente, entre os otimistas. Acho que acertamos na contratação do técnico e de alguns jogadores que se destacaram no pernambucano. Uma boa base foi mantida – a defesa está praticamente intocada.  Teremos tempo suficiente para ajustarmos os ponteiros, pois as mudanças na comissão técnica foram feitas com muita antecedência. Enfim, embora saibamos que não será como nadar em piscina de criança, também não há nada que indique que teremos de atravessar um Canal do Boqueirão. Mas, cadê os nossos jogadores em ação? Cadê a rede balançando após o chute de nosso centroavante? Saudades do Arruda em festa! Condenar um clube de massas como o Santa a passar dois meses sem jogar é tortura digna de Guantánamo. Ainda bem que teremos, ao menos, alguns amistosos. Os primeiros terão de ser longe do Arruda, por força dos preparativos do jogo da seleção brasileira. Mas eles virão. Daí surge uma vontade imensa de saber todos os detalhes sobre o andamento dos projetos do tricolor. Sem jogos para discutir, a atenção volta-se inteira para a gestão. Quando será o anúncio oficial da construção do nosso Centro de Treinamento? Como anda a adesão para o nosso fantástico Santa Fidelidade? A imprensa, evidentemente, não ajuda. Dia desses resolvi escutar as resenhas esportivas. Escutei o noticiário do Mais Querido nas duas principais emissoras de rádio de nossa gloriosa capital. Qual a minha surpresa e desacerto a ouvir em uma delas que o Santa havia perdido os direitos federativos de Márcio Barros, por falta de pagamento do FGTS e não assinatura de sua carteira profissional; sintonizo na segunda e… escuto: “A direção tricolor e Márcio Barros entraram em acordo e o mesmo vai sair do Santa de forma amigável…”. Desisti. Fiquei mais desinformado do que estava antes de ouvir. Na “rede”, o sítio oficial é de...

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