Carta ao presidente do Santa Cruz

Arte sobre foto: Dimas Lins Ao Presidente do Santa Cruz Sr. Édson Nogueira, Segundo informações divulgadas recentemente, o Senhor tem até o dia 18 de julho para homologar sua candidatura a vereador da Cidade do Recife. Neste dia, o TRE irá confirmar o registro das candidaturas. O seu pedido de registro da candidatura já foi feito oficialmente. Tentarás um mandato de vereador no mesmo partido de Terezinha Nunes, sua amiga. Além de ter sido presidente do Santa Cruz, ser vereador numa capital como a nossa, honra e dignifica qualquer pessoa. Lembro-me de suas famosas frases enquanto presidia meu Clube. A maioria delas, ou quase todas, não se concretizou. Mas, sem dúvida, para ingressar nesta nova carreira, as “frases de efeito” são fundamentais. Não tenho dúvidas que a Câmara de Vereadores estará de portas abertas a todos que, democraticamente, conseguirem se eleger. Saiba que você terá o nosso apoio irrestrito! Não apenas meu, mas de toda torcida coral. Ela que tanto confiou no senhor, está disposta a retribuir. A vontade é imensa! Vá em frente! Pense grande. O Santa Cruz é grande, mas a Cidade do Recife parece ser maior. Não tenho dúvidas que você terá vários assessores para lhe ajudar. Pelo bem da Cidade do Recife, não ficarei chateado se o senhor levar alguns (ou todos) os dirigentes do Santa Cruz para lhe ajudar na assessoria que todo o vereador necessita. Eles demonstraram uma fidelidade canina. Tenho certeza que você saberá formar uma casta de excelentes assessores. Deixarei de ser egoísta. Abro mão do meu presidente para uma causa maior! Mas não esqueça do dia 18. É preciso confirmar a sua candidatura. Não renuncie à homologação. Afinal, como o senhor já disse inúmeras vezes: Édson Nogueira não é homem de...

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Um mundão de saudade

Foto: Jr Montila Andava com saudade de ir ao Arruda. Mesmo com todo o massacre moral que sofremos nos últimos anos, andava com saudade. Ainda mais que, no jogo contra a patativa, sentia no peito uma leve sensação de despedida. Não, essa dor no peito e essa nostalgia não tinham nada a ver com o fantasma do rebaixamento. Ainda que o risco exista, confesso aqui que passava por minha cabeça algo mais pessoal. É que amanhã serei pai e a paternidade certamente me afastará do Arruda e dos jogos do meu Santinha por algum tempo. Serão quinze, trinta ou talvez sessenta dias. Não sei dizer. Somente o cotidiano e a minha capacidade de dar conta das novas atribuições me dirão o tempo necessário. Até lá, acompanharei tudo à distância. Por tudo isso, precisava ir ao Mundão acumular alguma reserva de boas recordações para, enfim, suportar essa ausência forçada. É preciso saber cultivar a saudade. Afinal, já me bastava não ter podido seguir para Campina Grande com a caravana coral. Sou sentimental, amigos, o que posso fazer? Por telefone, combinei com Artur Perrusi e Maneca de nos encontrarmos no bar da piscina. Arruda, o dono do bar, não acreditou no comparecimento em massa da torcida e não preparou nenhum tira-gosto. Atravessamos a rua, então, e fomos para o bar da Onça, em frente ao Armazém coral. Ninguém havia jantado e a fome reclamava a nossa atenção. Perrusi havia saído de João Pessoa, poucas horas antes, para assistir ao jogo. No caminho, foi parado pela polícia militar da Paraíba na Operação Manzuá. Um policial perguntou aonde ele estava indo e, ao ouvir a resposta que o nosso psiquiatra viria para o Arruda, disse que todos tricolores são loucos. Certamente, não lhe saía da memória a invasão coral à Campina Grande. Sim, somos loucos. Aliás, que loucura maravilhosa aquela dentro do estádio. Que torcida é essa que não pára um segundo, que empurra o time e dá um espetáculo dentro do espetáculo? Nossa torcida foi perfeita, como só ela sabe ser. Foi lindo ver a alegria nas arquibancadas e ouvir, sem tréguas, louvações ao Mais Querido. Como bem me disse um amigo – não recordo bem quem foi – a torcida contagiou um time formado por jogadores que não sabiam o que era jogar num clube de massa. Acostumem-se, camaradas, acostumem-se, pois, no Arruda, será sempre assim. Ao contrário das cenas lamentáveis vista em...

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Entre o silêncio e a voz ativa

A decisão da Copa do Brasil, na última quarta-feira, ainda que não pareça, deixou a cidade abatida, sem viço e sem alegria. E esse sentimento veio, infelizmente, do lado de cá. Do nosso lado. Para muitos de nós, o sentimento surgido após esta decisão lembra, ainda que de longe, uma dor similar àquela sentida nos consecutivos rebaixamentos para as séries B e C nos últimos dois anos. Mas como explicar esse sentimento ruim, se o título não diz respeito ao nosso clube? A questão é que o título conquistado na semana passada fortaleceu um de nossos oponentes, daí a sensação de abatimento. Creiam-me, é ainda mais difícil reconhecer-se tão por baixo quando nossos adversários estão por cima. Enquanto um acaba de assegurar vaga na Libertadores do próximo ano e o outro faz uma boa campanha na Série A, nós convivemos, mais uma vez, com o medo de um novo rebaixamento. A distância que atualmente há entre nossos adversários e nós se apresenta como uma fratura exposta, que escancara a nossa nova condição. Tornamo-nos pequenos no cenário nacional e medianos em nosso próprio Estado. Mais ainda. Não há nenhum sinal, no céu ou na terra, que indique uma mudança de rumo. A tendência – que fique claro, tendências podem ser revertidas – é que essa distância aumente ainda mais, pois, por tudo o que vivemos na atual gestão, nosso medo da Série D não é infundado. Mas nosso maior problema está em outra questão. Nos últimos anos, a torcida tricolor se habituou à humilhação pública. A tristeza solitária contida no peito de cada um de nós, ao que parece, estancou o sangue que corre em nossas veias e nos transformou em seres resignados. Nem de longe parecemos herdeiros da tradição revolucionária pernambucana. Em nada lembramos os antepassados que construíram uma nova Roma de bravos guerreiros e fizeram desta terra imortal, imortal. Estamos vivendo o período mais tenebroso de nossa história e, ao invés de botarmos a boca no trombone e de maneira contundente exigir mudanças, melancolicamente nos resignamos. Tanto assim que menos de 200 votantes compareceram à Assembléia Geral Extraordinária convocada para decidir sobre o afastamento do presidente. Descrença no processo? Talvez. Mas esta não parece ser a única razão e nem mesmo a mais importante. Para mim, a resposta está no conformismo. Se não é assim, onde estão, por exemplo, os protestos, as passeatas e as pressões políticas da torcida tricolor...

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Oração a Santo Antônio

Meu Sant´Antonim, Que até hoje num me atendeu Larga de tua besteira E faz uns favô pra eu Desde sempre te tenho preso Virado com os pé pra riba Pendurado na bananeira Que é pra apressar tua lida Num quero mais marido Que o outro que tu arranjô Além de feio e manco Num era bom torcedô Inda agora tenho medo De te pedir outro favô Mas é caso de desespero Por isso, lá vou: Meu Sant´Antonim querido Dessa vez num pode errá Porque se fizé merda Os tricolor vai te apanhá Eles já tão cansado E querendo se vingá Do fio d´uma que rincha Que só veio atrapaiá Por isso, santinho, tome tento E faz favô de escutá Presta bem atenção Pru mode num se enganá Tô quereno um homem honesto Pra pudê administrá Com honra e com lisura Pro nosso time ganhá Pulá da C pra B Agora é o principá Não deixe, santinho querido, Nosso prano faiá Que caia dinheiro do céu Mas não nessa gestão Que num sô besta de dá milho Pra nenhum galinho ladrão Que alguma empresa decente Queira nos patrociná Bancando nossa camisa E as pendênça salariá E por fim, meu santinho, Se num fô abusá, Eu queria que um certo sujeito Fosse tomar láááá… do lado de lá. Não é pedir muito, Sant´Antonim, Você há de concordá Afinal, sou Santa Cruz, Tô acostumada a ganhá E agora esse sofrimento Que querem nos imputá Tá é deixando emputecida A Grande Torcida Coral A maior de todas elas A que merece respeito A que enche estádio Mesmo insatisfeito Por isso, Sant´Antonim Trate de nos atendê Senão, eu logo lhe aviso, Até santo você vai deixá de...

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Corrente, esse é um time que vai pra frente

Encontrei um amigo tricolor na saída do trabalho e ele veio feliz da vida comentar que o Torcedor Coral assumiu o primeiro lugar entre os blogues esportivos pernambucanos no ranking da Technorati, segundo o Acerto de Contas. – Quer dizer que agora vocês têm mais acessos do que o Blog do Santinha? – Er… Bem… Ainda não. Mas olha que os caras já estão ficando preocupados! – Ah! E o que significa então esse ranking, hein? Tive dificuldade em explicar de forma simples o seu significado. A melhor forma que encontrei foi essa. – Camarada, o ranking da Technorati mede o cinismo! Somos agora o blog esportivo mais cínico de Pernambuco! – Puxa! É isso aí. Agora é só manter a liderança. E liderança se mantém trazendo mais cínicos para o blog. Há tempos o Torcedor Coral tornou-se um blog nacional, pois espalhou correspondentes nas praças esportivas – e em outros locais – mais importantes do país, como a Praça de Casa Forte, a praia de Intermares, na Paraíba, e um sítio em Varginha, Minas Gerais. Aliás, a escolha de Varginha foi estratégica. Lá, pretendemos construir a nossa base para um contato imediato do terceiro grau com extraterrestres. A idéia é, no futuro, levar o nome do Santinha para todas as galáxias. Seremos os verdadeiros galácticos! Mas, antes do universo, é preciso conquistar o mundo. Para entender melhor o processo de modernização que atravessa o Santa Cruz, era necessário fincar raízes no velho continente, pois lá certamente se encontram os clubes que tanto inspiram a diretoria coral. E foi isso o que fizemos. O Torcedor Coral tornou-se um blog altamente internacional com a contratação do nosso correspondente Bosquímano, que passa a transmitir informações e opiniões controversas diretamente da Espanha. O contrato de Bosquímano foi fechado semana passada e teve grande repercussão na imprensa espanhola, além de afetar a bolsa de valores de Intermares. A negociação foi conturbada, pois o nosso correspondente exigia salário em Euro ao invés de Merreca, a moeda oficial do Torcedor Coral. Outro ponto polêmico foi a liberdade de imprensa. Bosquímano lutou pelo direito de defender o presidente do Santa Cruz, nem que fosse apenas de sacanagem. Democraticamente, concedemos a autorização, desde que o autor, em seus artigos, se referisse ao presidente do clube como cabeção. Finalmente, todos os impasses foram resolvidos com a chegada de seu procurador ao Brasil, que assinou o contrato sob o efeito...

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