A paciência e a perfeição

Conheço Perrusi. Além de meu amigo, é meu psiquiatra informal. Mas como tal, nessa relação de amizade-e-terapêutica, expõe-se. Logo, sei quais são suas intenções ao escrever seus dois últimos artigos aqui no TC. E, em geral, concordo com as mesmas. Mas julgo que valha a pena comentar um pouquinho suas idéias; é o que pretendo nas linhas que seguem. Artur fala, primeiro, antes do jogo com o Porto, em paciência; após o massacre, em esquecimento. O que pretende é abordar qual estado de espírito deve nortear a alma tricolor na atual tentativa de ressurreição. Pois bem, o que acho? Acho que a paciência é muito importante, mas tem limites. E o esquecimento, bom… Esqueçamo-lo, por enquanto. Antes de tudo quero deixar bem claro: tirar o Santa da cova em que está metido exige, requer, impõe… Paciência. Mas essa palavrinha pode suscitar atitudes bem díspares. Falando de maneira mais direta: há um grande risco na paciência que é tornar-se passividade! Aliás, é bom lembrar que a origem latina da palavra (sempre o lado culto do TC) é padecer. Ser paciente é ser sábio em relação ao tempo, não atropelar prazos, não forçar a noite antes do fim da tarde. Mas esperar por esperar, sem marcos temporários, esperar imóvel, impassivelmente, é uma puta perda de tempo. Assim, o que devemos fazer sempre é, enquanto esperamos, agir corretamente, adequadamente, para que nosso objeto de desejo, nosso objetivo seja alcançado o mais breve. Não sou, repito, e não defendo os apressadinhos. Não me juntarei àqueles que querem o Tricolor Coral campeão mundial já amanhã. Mas discordo quando se fala em “o tempo da crítica vai chegar”. O tempo da crítica nunca pode ser suspenso! Senão daremos asas, dentes e garras à burrice, esse apostolado dos passivos e interesseiros. Devemos ser pacientes com a situação do Santa, mas sempre ungidos de certa inquietação, monitorando criticamente os desvios de caminho, ou seja, agindo da melhor forma para apressar, na medida do possível, nosso objetivo: um Santa vencedor, hegemônico e forte. Confio no trabalho que está sendo realizado no futebol na gestão FBC, o Messias do Beberibe. Entretanto, algumas questões devem ser levantadas. Exemplos: por que tentar montar um time apenas de volantes (no jogo contra o Porto chegamos a ter cinco atuando!)? Por que alijar, sobretudo nesse início de temporada, quando os contratados estão visivelmente fora de forma, praticamente a totalidade dos garotos da base...

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Cobra venenosa

“Agora que o clube tomou rumo, eu não vou abandonar o barco no primeiro Porto” Hilton Azevedo Barbosa, na seção de comentários do artigo É o esquecimento!… (O quê?!), após a derrota contra o...

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Arruda fechado para visitação

16 de janeiro de 2009 O estádio José do Rego Maciel estará fechado para visitação de hoje até sábado, devido à finalização das obras de reforma. A programação para o domingo, dia de reabertura do estádio, começa ao meio dia, com samba na sede do Clube. A partir das 16h, haverá show com Spok Frevo Orquestra, Ed Carlos, Walmir Chagas, Nando Cordel, Getúlio Cavalcanti, Canibal e outros convidados. O jogo do Santa Cruz x Central começa as...

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Epitáfio

Dimas da Fonseca Lins, tricolor, 42 anos, partiu envolto numa bandeira preta, branca e vermelha, eterna companheira. Deixa saudade de esposa, filha, mãe, irmãos, tios, sobrinhos, primos e amigos. Morto de feliz, foi para Caruaru assistir ao jogo do Santa Cruz, seu clube do coração. Retornará em breve. Se tudo der certo, com a vitória na...

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Déjà vu é o cacete!

Foto: Alessandra Lins Milton Santos, Fred Dias, Dimas Lins e Gerrá a caminho de Ipojuca Depois de muito vou-não-vou, fui ao jogo. O impasse não tinha a ver com a perspectiva de assistir a um futebol sem charme de um time em formação. Claro que não! Estava muito mais ligado àquela máxima do Código Nacional de Trânsito que diz que se beber, não dirija. Sou um cara legal, quero dizer, da lei, embora estivesse mais preocupado com a multa do que com o reflexo no volante depois de umas latinhas de cerveja. Gerrá chegou com a solução, quando me ofereci como carona. Ficaria, desse modo, liberado para entornar o precioso líquido. Por falar em bebida, mais tarde sentiria falta de levar uma garrafinha de Rivotril com Coca-cola. Quem sabe não assistiria ao jogo com um pouco mais de entusiasmo. Na estrada agora, eu, Fred Dias, Milton Santos, Gerrá e sua primeira dama. Primeira não, única, que não há outras. Corrijo de pronto para não levar um carão de Alessandra. No percurso, um trânsito de lascar indicava que todo mundo estava indo para Ipojuca. Liguei para Anizio e fui informado que desde Olinda já estava tudo engarrafado. Torcida boa é assim! Paramos no caminho para abastecer e comprar os ingressos numa loja de conveniências. No interior – ainda que seja litoral, tudo fora da região metropolitana, para mim, tem jeitão de interior – é mesmo fascinante. Até as lojas de conveniências de posto de gasolina vendem arroz, feijão e fubá. Alessandra entrou no carro com três quilos de sal e dois de farinha. Fiquei preocupado com o risco de pressão alta na população menos assistida e só não dei uma gaitada, porque recebi os ingressos no famoso devo não nego, pagarei quando puder. Depois de andar quase um quilômetro, encontramos uma fila imensa na entrada do estádio. Conversas paralelas davam conta que não havia um só pé de gente em Porto de Galinhas. Todo mundo correu para Nossa Senhora do Ó para ver o Santa jogar. Na minha frente, um sujeito foi barrado, porque achou que água sanitária era alimento não perecível. Só atentei para o entrevero quando ouvi as palavras do funcionário do estádio: “água sanitária não voga!”. Se do lado de fora havia muita gente, lá dentro estava lotado. Duas faixas chamaram a nossa atenção. A primeira com os dizeres FBC, o iluminado que salvou o Santinha e...

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