Síndrome do peru

Síndrome do peru

Síndrome do Peru foi um termo engraçado que eu encontrei para falar com atletas sobre ansiedade, antes de períodos competitivos. No entanto, não discorrerei sobre os sintomas e implicações deste mal em desportistas. Falarei sobre a “Síndrome do Peru” que há muito tempo vem acometendo a torcida do Santa Cruz, uma vez que ela sofre às vésperas dos jogos, durante os jogos e após os mesmos. O desgaste emocional é imenso, levando parte desta mesma torcida a enveredar para as agressões verbais às pessoas que protagonizam os motivos da agonia. Melhor, então, que frustrações, medos e angústias que levam à síndrome do peru possam ser enfrentados de uma maneira menos desgastante, do ponto de vista psicológico, senão vejamos: (a) Não adianta sofrer antes do jogo, pois se o time ganhar o sofrimento terá sido à toa e se perder, será em dose dupla; (b) não é recomendável sofrer durante o jogo já que a aflição da massa coral não vai mudar a face do resultado. Assim, se o time ganhar, mais uma vez, ter-se-á sofrido em vão; (c) não adianta sofrer depois do jogo imaginando qual a formação que será montada para perder a próxima partida (não é assim que acontece?); provavelmente os comandantes não se sensibilizarão com as preocupações dos apaixonados e continuarão a escalar o time à sua maneira, pois eles são os responsáveis por esta tarefa. Portanto, se na contenda seguinte o time vencer, apesar de todos os prognósticos contrários, pessoas terão adoecido sem necessidade. Salutar mesmo é economizar energia psíquica para só morrer no dia (se for o caso) e não na véspera, como acontece com o peru. Vocês podem até pensar que eu estou pregando o conformismo com a situação em que nos encontramos, mas é justamente o contrário. Estou tentando demonstrar que, apesar de toda incerteza que permeia o futebol do Santa, é preciso permanecer vivo e não sucumbir de véspera como a ave do Natal, pois os torcedores que patrocinam do clube das três cores, são os únicos que não fogem da raia diante dos maus resultados, mas não são ouvidos, absolutamente, em nada por parte da elite dirigente do Arruda. Embora do lado de cá existam inúmeros tricolores que desejam o melhor para a nação coral e ofereçam ideias e sugestões para ajudar são, literalmente, ignorados (aqui mesmo e em outros blogs corais proliferaram sugestões e ideias, inclusive, para gerar receita…...

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Ei, você aí…

Ei, você aí…

Da séria série A bola não entra por acaso (inspirada no livro homônimo de Ferran Soriano Compte, Editora Larousse) A principal resposta à questão crucial que teria levado o Santa Cruz à bancarrota é praticamente uma unanimidade. Ao menos nove entre dez tricolores apontarão a exclusão do Clube dos 13 como maior responsável pela escassez de títulos e participações importantes nas competições nacionais. Não é para menos, desde a criação dessa entidade, o Santa Cruz assistiu a um de seus principais rivais disparar na hegemonia local e se viu cada vez mais longe do principal campeonato do país. Contudo, para entender a mudança no cenário esportivo é preciso voltar no tempo para conhecer a composição das receitas do futebol daquela época e comparar com o modelo atual. Até os anos 80 o futebol possuía um apelo local com uma característica comum a todos os clubes: a maior parte da receita resultava da venda de ingressos, das mensalidades dos sócios e, eventualmente, da negociação de algum jogador. Para se ter uma ideia, Nunes, um dos grandes nomes do time daquela época, foi comprado em 1975 por Cr$ 320 mil e vendido em 1979 por Cr$ 9 milhões ao Flamengo. O clube possuía uma saúde financeira invejável e esse modelo de negócio permitiu que o Santa Cruz tivesse em Evaristo Macedo o segundo maior salário entre os técnicos de futebol da América Latina, atrás apenas de César Luis Menotti, campeão do mundo pela Argentina no ano anterior (leia aqui). A lenta transformação desse cenário esportivo com a chegada da televisão privada, que passou a enxergar o futebol como entretenimento, transformando-o em negócio rentável, não mudou a lógica do Santa Cruz, que ainda hoje tem na venda de ingressos a sua maior fonte de receita. Assim, apesar de seu potencial de crescimento, o clube não conseguiu ampliar suas fronteiras além do Estado de Pernambuco. Esta situação causou uma acomodação na condição de força local, enquanto outras agremiações se consolidaram como força nacional. Contudo, o futebol brasileiro, de uma maneira geral, também perdeu espaço no cenário internacional. Alguns clubes europeus, os principais beneficiados com a chegada da TV privada no meio esportivo, alcançaram o status de potências globais e ganharam mercados promissores, além de suas fronteiras, como o americano e o asiático. O estrangulamento financeiro dos dias atuais se relaciona diretamente com a escolha involuntária do Santa Cruz, através dos desmandos administrativos e...

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A bola não entra por acaso

A bola não entra por acaso

Ainda menino, costumava ouvir nas resenhas esportivas das rádios um rosário de frases prontas que pretendiam se aplicar a todas as situações do futebol. No fundo, era o mesmo artifício de que se utilizava o homem-da-cobra para vender no mercado de São José os unguentos que curavam desde frieira até câncer de pele (quem é da minha geração para cima sabe bem do que falo). Dos tempos em que mamãe gritava “É hora do almoço, menino!” aos dias atuais, onde sou eu quem chama as minhas crianças para comer, em qualquer estação, ouvia, e ouço, que não há mais bobo no futebol. Bastava, como ainda basta, girar para outro lado e o dial cravava justo na hora em que o comentarista soltava a pérola de que o futebol é muito dinâmico. Mas o que acho mesmo batido são as frases que atribuem o sucesso ou insucesso ao acaso e vibro, quase como um gol, quando o radialista dispara que a disputa de pênaltis é loteria ou que o futebol é uma caixinha de surpresas. Ainda farei um bingo só com esses clichês. Repetidos à exaustão pela crônica esportiva, além de pouco criativos, os chavões passaram a ter força de lei. Nessa lógica, dois momentos distintos da derrocada do Santa Cruz – um em 1981 e outro em 2006 – como a derrota para o Bahia por cinco a zero, quando o Santa poderia perder por diferença de até quatro gols, e o pênalti desperdiçado por Lecheva na final do Campeonato Pernambucano, que levou o clube a uma sucessão de descensos, a mais dramática da nossa história, seriam obra e arte dos deuses do futebol. Melhor seria imputar essas vicissitudes aos diabos, já que de uma dessas eventualidades criou-se o mito da Maldição de Lecheva, que serviu de escudo para a incompetência de dirigentes, treinadores e jogadores de futebol e de consolo para grande parte dos tricolores. Em A bola não entra por acaso – Estratégias inovadoras de gestão inspiradas no mundo do futebol (título original La pelota no entra por azar, Editora Larousse, 1ª Edição, 2010), Ferran Soriano Compte, vice-presidente do Barcelona no período de 2003 a 2008, responsável por levar o clube aos patamares atuais, mostra com grande maestria que no futebol existe bobo, sim, e são aqueles que apostam na sorte. O que há, de fato, é apenas competência e que um time bem gerido e com dinheiro...

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Nem tudo é ouro

Nem tudo é ouro

Heraldo Ferreira, tricolor e produtor cultural Vencer no futebol é mais do que o céu. Para muitos torcedores, ver o time do coração ganhar é melhor do que uma bela trepada, daquelas com sexo oral e beijo grego. E ai de quem ousar falar algo contra o time campeão. Será apedrejado, enforcado e esquartejado em praça pública. Ou enrabado sem dó. A verdade é que fomos campeões aos trancos e barrancos. O título veio pro Arruda, muito mais porque do outro lado existia um adversário fraco comandado por um sujeito esquizofrênico, do que pelo fato de termos uma grande equipe. Cegou de paixão quem não viu a quantidade de lambanças da nossa defesa e do goleiro Thiago Cardoso. Não fossem os deuses do futebol que cuidam de organizar o quesito sorte, teríamos levado uma sonora enfiada e as estruturas haveriam de balançar. Se aquelas bolas tivessem entrado, hoje a confusão era grande e com certeza Zé Pardal iria pegar o beco. Mas… se a mãe de vocês tivessem uma carreira de peitos, não seria uma mulher. Ela era uma porca. Por falar em pegar o beco, o que não falta é peladeiro nesse time campeão que já deveria ter sido mandado embora. Não sei o motivo de tanto pantim pra botar essas desgraças pra fora. Pra começar a brincadeira, os seguintes perronhas já deviam estar longe do Arruda, são eles: – Carlinhos Bala; – Eduardo Arroz; – Jéferson Maranhão; – Geílson; – André Oliveira; – Diogo. Não serei injusto com Maisena e Edér Túlio, pois, não tiveram oportunidade de mostrar se sabem jogar bola. Qualquer torcedor do Santa Cruz, por mais abilolado que seja, sabe que o time carece de pelo menos, um zagueiro, um lateral direito, um lateral esquerdo, um meia-armador e um centroavante, com um detalhe, que venham para brigar por titularidade, pois de figurante e ator coadjuvante o elenco já está cheio. Neste ponto, tenho minhas dúvidas se a dupla dinâmica Zé Pardal e Sandro vão conseguir contratar um lateral-direito(ala, para os mais modernos!) que saiba jogar bola. Faz quase um ano e meio que nós torcedores do Santa esperamos pela chegada de um lateral-direito decente, mas só trazem perna-de-pau. Escuto falar em Paulista e Victor Hugo como novas contratações. Me desculpe o senhor Antônio Luiz Neto, mas só pode ser brincadeira. Eu queria ouvir de Sandro e de Zé Pardal, ou de quem foi responsável...

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Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Santana Moura, especialista em Psicologia do Esporte …Não se dava, se vendia. É o que diz um ditado popular. Pensando nisto escrevi estas considerações, que não são conselhos, pois as dicas que tenho postado nos espaços tricolores parecem que estão sendo seguidas pelos nossos contendores. No calor de uma reta final de decisões, onde nos deparamos com o mesmo filme (situação de pressão) queremos pelo menos mudar o final da fita. Neste caso, a palavra de ordem é frieza e não paciência como temos ouvido. Para ilustrar a inoperância de certos conceitos em determinados eventos, lembro-me de uma olimpíada na qual um treinador de boxe dizia para seu atleta – exímio nocauteador – que esperasse o tempo certo para aplicar um golpe que colocaria na lona o adversário; o tempo foi passando, o oponente se defendendo e o coitado do atleta esperando com paciência que o outro abrisse a guarda para ele aplicar-lhe um direto no queixo, talvez. Enquanto isto o concorrente ia batendo no seu corpo e marcando pontos, marcando pontos. Passaram-se os rounds, o nocauteador abdicando de boxear não encontrou espaço para o nocaute e, assim, perdeu a luta e a medalha de ouro por pontos. Historia como essa nos ensina que às vezes não é tão salutar ter tanta paciência, melhor mesmo é ter prontidão decisória e frieza para definir a partida no menor espaço de tempo. No elenco do Santa Cruz tem jogadores com esta capacidade (por motivos óbvios não vou citar nomes). A melhor defesa é o ataque efetivo, não vale a inépcia. Já vimos muitos adversários do Santinha chegarem num momento de pressão e catimbar o jogo, com a conivência da arbitragem, tanto da casa como de fora. Afinal dentro do vestiário todos os gatos são pardos.  Então, melhor aniquilar logo o adversário sem piedade. O que faz a diferença, nessas horas, é realmente o aspecto psicológico, pois já se sabe que cor de camisa não assusta mais ninguém nos dias de hoje. Que cada jogador faça sua meditação particular encontre seus pontos fortes e os aproveite durante a partida. Nunca se deixem intimidar por palavras que os coloquem para baixo, corram em busca dos sonhos junto com os companheiros. Sonho que se sonha junto torna-se realidade. Ficar agoniado como Náutico esteve na partida contra o Sport não resolve nada, pois começa a faltar oxigênio no cérebro comprometendo a cognição, o pensamento, o raciocínio...

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